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Momento de transição: varejo e aumento de produção pressionam mercado

POR MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

E ALINE BARROZO FERRO

PANORAMA DE MERCADO

EM 21/09/2007

5 MIN DE LEITURA

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Após meses de consecutivas altas de preços do leite no mercado nacional, o setor passa por um momento de transição. Os motivos para isso são a maior pressão do varejo em virtude da significativa alta do leite longa vida, como foi publicado no último artigo da seção "Panorama de mercado" (clique aqui para ler), e o aumento da produção nacional, estimulada pelos elevados preços pagos aos produtores.

Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, a captação de leite em julho aumentou 10,4% frente a junho, ficando cerca de 15% acima do volume obtido no mesmo mês de 2006. Os dados mostram que os preços mais altos pagos pelo leite estimularam um maior investimento em produção. Até julho, segundo o Cepea, a captação foi 4,4% superior à do mesmo período do ano passado. O IBGE disponibilizará os dados oficiais do primeiro semestre no final de setembro.

Agentes do mercado reportam que em agosto também houve acréscimo significativo de produção, impulsionada pelos altos preços do leite. No entanto, com o clima bastante seco na maior parte do interior do país, principalmente em Minas Gerais e Goiás, para os próximos dois meses o aumento de oferta ainda é incerto. Falta pasto e a alimentação armazenada está acabando.

No ano passado, com os preços do leite em baixa, muitos produtores, desestimulados, não investiram em alimentação suplementar e, portanto, não estavam preparados quando houve forte demanda pela matéria-prima. Afinal, mesmo com uma tendência de redução de oferta por causa do desestímulo, não era previsto um significativo aumento de preços como houve em 2007.

Outro fator que pode direcionar o ritmo da produção ainda é o aumento de custos dos grãos para alimentação animal. Segundo dados do Cepea, a saca de 60kg de soja no Paraná na primeira quinzena de setembro ficou 34,5% acima da obtida no mesmo mês de 2006 e 18% superior à média de janeiro.

Os preços do milho na primeira quinzena deste mês ficaram em média a R$ 26,12 por saca de 60kg, o que representa um aumento de 45,6% frente ao mesmo mês do ano passado e 4,4% em relação a janeiro deste ano.

Gráfico 1. Evolução dos preços da saca de 60 kg de milho (em Campinas/SP) e soja (no Paraná).


A pressão do setor varejista, que reteve as compras de leite longa vida no período de férias (produto que registrou alta significativa nos últimos meses e que, em consequência disso, obteve uma redução de consumo), forçando uma redução de preços, já atingiu o mercado de leite spot (comercialização entre as indústrias).

Segundo agentes de mercado, o valor do leite no mercado spot caiu cerca de R$ 0,10/l entre a primeira e a segunda quinzena de setembro, ficando em cerca de R$ 0,80/l, e ainda há espaço para nova redução. Isso porque a tendência é que a indústria comercialize menos leite spot e invista mais no leite adquirido diretamente de produtores. Nesse sentido, é possível que a fase dourada do leite spot, ao menos nesse ano, tenha passado. Em agosto, ultrapassou R$ 1,00/l em algumas negociações, principalmente em São Paulo.

O aumento da produção nos últimos meses e a diminuição das compras do varejo para pressionar o mercado de leite longa vida fez com que o estoque desse produto nas indústrias aumentasse um pouco. Além disso, há alguma ociosidade industrial, algo que, segundo agentes do setor, não se observa na indústria de leite em pó e queijos.

As reduções de preços observadas na indústria e varejo ainda não chegaram ao produtor em setembro, quando o pagamento feito é relativo à produção de agosto. Para este mês, ainda deve haver estabilidade ou leve aumento de preços, porém seguramente em menores proporções que os acréscimos verificados nos meses anteriores (gráfico 2), segundo agentes do setor.

Para outubro, seguindo o comportamento previsível, a tendência seria de alguma redução dos preços pagos aos produtores, com o "efeito dominó", em função das reduções no varejo e indústria. Agentes ligados ao setor de laticínios acreditam que a diminuição do preço do leite possa vir nas mesmas proporções dos aumentos dos últimos meses, mas ainda assim, os valores pagos devem se manter em elevados patamares. Porém, é preciso cautela nessa análise. Afinal, a falta de chuvas e a sustentação do mercado externo fazem com que uma eventual tentativa de redução do preço ao produtor por parte de algum laticínio resulte em perda importante de volume captado.

Gráfico 2. Aumento de preços no campo em relação ao mês anterior, em centavos por litro.


Uma outra questão é a intenção de aumento de captação de leite ou instalação de várias novas indústrias de laticínios no país, como tem sido regularmente noticiado na mídia. Esse fato pode ser importante para ajudar a segurar os preços pagos aos produtores, visto que as empresas terão que fortalecer a relação com os fornecedores e garantir suprimento para rodar as fábricas.

No mercado internacional, os preços seguem firmes nos elevados patamares atingidos há alguns meses. No caso do leite em pó integral, manteiga e óleo de manteiga exportado da Europa, há inclusive novos recordes em setembro, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

A alta generalizada de leite no mundo vem servindo de "âncora" no mercado interno, visto que os atuais níveis de preços atraem as indústrias exportadoras brasileiras. No entanto, essa transição por que passa o setor sugere um desatrelamento, ainda que momentâneo, dos preços internos com os externos. A variável-chave nesse momento será a quantidade de leite destinada à exportação, especialmente a partir do momento em que chegue a oferta de safra no Sudeste e Centro-Oeste. Se suficiente para escoar um eventual excesso de oferta, poderá haver manutenção dos preços em patamares ainda bastante atrativos e alinhados aos preços externos. Nesse sentido, empresas com um canal aberto no mercado internacional deverão ser favorecidas.

Os custos mais elevados tendem ainda a sustentar os preços pagos no campo, visto que, caso a remuneração dos produtores não cubra os gastos, poderá haver queda de produção, o que prejudicaria o abastecimento das várias empresas que necessitam de matéria-prima, principalmente com os diversos investimentos em ampliação da capacidade de produção.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

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EVERTON

MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/09/2007

Passei quase uma vida trabalhando com leite, tanto comprando como na assistência técnica. Leio e ouço que querem pisar, e/ou estão querendo pisar no produtor.

Na minha opinião, os gargalos estão em dois segmentos:

1 - Nos compradores spot, que não têm compromisso com ninguém (não produzem, não industrializam e nem consomem), simplesmente é mais um intermediário que quer ganhar dinheiro, principalmente em cima dos produtores, bagunçando a comercialização do leite.

2- No comércio varejista, pois como explicar o leite em média a R$ 0,70 para os produtores, chegar até a R$ 3,20 para o consumidor em Belo Horizonte.

A indústria, no meu conceito, tem que trabalhar em equilíbrio entre o produtor e o consumidor, pois se pagar menos perde a compra do leite para o concorrente, se pagar mais (tem um custo elevado) perde a venda para o industrial concorrente, portanto, é necessário compatibilizar as compras com as vendas para não haver desequilibrio.

Em geral, os compradores spot são descompromissados tanto na compra como na venda, desestabilizando os mercados.

Everton Gonçalves Borges
Engenheiro Agrônomo - Produção
Sindicato dos Produtores Rurais de Ibiá - MG
MARCELO CRUZ MARTINS JUNQUEIRA

ITATIBA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/09/2007

Prabenizo a Aline e o Marcelo pelo esclarecedor texto publicado. Aproveito para comentar alguns poucos aspectos em relação à prodção de leite neste nosso imenso e desigual Brasil.

Nos dois ou três últimos meses, nós produtores obtivemos um reajuste de preços que muitos chamam de excepcionais. Realmente foram. No meu caso, recebia R$ 0,60 no mês de maio, passando para R$ 0,70 em junho, R$ 0,80 em julho e R$ 0,85 em
agosto e setembro. Neste final de setembro, com os preços em baixa - longa vida, evidentemente que a pressão dos laticinios - entrego para dois - apareceu forte.

Pretendem redução para R$ 0,75. De pronto não aceitei e continuamos a discussão.

A minha fazenda, bem próxima da cidade de Itatiba - 12 km - sofre com ocorrências de vários fatores: loteamentos vários, de recreação até mesmo os de moradia fixa. Indústrias no municipio e vizinhos. Ou seja, competir com os chamados "caseiros de chácaras", que ganham entre R$ 600,00 e até R$ 1.000,00 por mês e, em muitos casos, a esposa como cozinheira leva mais R$ 500,00, até mesmo R$ 1.000,00/mês, fica dificil.

Quero dizer que produzir leite nesta região, empregando inúmeras pessoas, está ficando impossivel. Agora chegamos na primavera e começa a aparecer o leite do safrista. Aquele que não tem a menor resoponsabilidade sanitária com o seu rebanho, preocupação zero com o leite extraído de suas vacas e que por qualquer preço que receba, fica no lucro. E esse leite, para aonde vai? Será mesmo que "isto" possa ser chamado de leite? Pelo que vejo, vai mesmo para o tal "longa vida . É esterilizado, não é mesmo?

Parte segue para produção de queijo caseiro - e como tem por aí. Fiscalização por parte municipal, estadual ou mesmo federal não existe e na verdade, nesses 35 anos que estou à frente da atividade leiteira, só os vi quando para cadastrar o "estábulo para leite B", que uma teiazinha de aranha é proibido, para não falar de outros absurdos.

Agora, a qualidade do leite, a saúde do gado, os investimentos altos na refrigeração - na produção, manutenção e transporte do leite, inseminação artificial, adubação das pastagens, feitura da silagem, do milho para o concentrado, a compra do farelo de soja, mineral, medicamentos (e que preços!), equipamentos diversos, maquinários, mão de obra geral - tratoristas, leiteiros, inseminadores, campeiros, serviços gerais e ainda os indispensáveis Engº Agrônomo e o Veterinário, enfim, tudo isso mencionado e muito mais - sem falar dos impostos que temos que pagar - para que possamos produzir um leite de boa qualidade, como deveria ser nesse enorme país, acho que realmente não tem muita importância.

É claro que mudanças várias e importantes aconteceram nestas duas últimas décadas - relção produtor/indústria. Mas que as indústrias se aproveitam destes que classifico como "safristas", tenham certeza. Desejo sorte a todos os produtores e que possamos seguir na luta, com condições.

Marcelo Junqueira
PAULO FERNANDO ANDRADE CORREA DA SILVA

VALENÇA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 25/09/2007

Marcelo, Aline,

Excelente análise.

Obrigado.

Paulo Fernando. APLISI.
FLÁVIO JUNIOR MARQUES

PANAMÁ - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 25/09/2007

E decpcionante essa situação, porque os custos explodiram e na "hora H" o preço do leite despenca. Por isso eu estou pensando em abondomar a atividade, o preço que eu recebi no mês passado foi de R$ 0,80/l. E para esse mês a previsão é de queda de R$ 0,12. É lastimável essa situação, pois na minha região um saco de farelo de soja está no patamar de R$ 35/sc, estou decpcionado.
ROBERTO ANTONIO PINTO DE MELO CARVALHO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 25/09/2007

Prezados: parabéns pelo texto sóbrio e equilibrado.
Muito temos falado e escrito a respeito da desproporção, aparentemente injustificável, entre preços de água, leite e, agora, a dose de cachaça!
Eu tenho insistido em que recuperação de 50% do preço pago ao produtor de leite não justificaria aumento de mais do que uns 25% para o longa vida ao consumidor.

Todas essas afirmações são baseadas num sentimento intuitivo. Não vi ainda dados numéricos que nos ajudem a sustentar essa argumentação. Sugiro, pois, que nossos articulistas e equipes de pesquisa, do MilkPoint e de outras entidades, garimpem informações reais de outros setores ou de outros estágios do setor lácteo, para responder às seguintes perguntas, entre outras que certamente podem ocorrer: qual a participação (ou a faixa de participação) do preço pago ao produtor de leite no custo final do longa vida posto na prateleira do supermercado? E no preço pago pelo consumidor ao supermercado?
Qual o custo final de um litro de água mineral, posto na mesma prateleira?

As respostas poderiam ajudar na argumentação e na defesa do produtor: minha conviccção é de que nós somos mais "Paula" (vítimas) e menos "Thaís" (vilões) nessa história!

Sobre a possível e provável redução do preço pago ao produtor, a partir de outubro: ocorrendo, combinada com o aumento do preço de insumos (concentrados, fertilizantes) significará novo garroteamento para os produtores e redução da oferta, mais cedo ou mais tarde, dependendo da chuva no Sudeste e Centro-Oeste.

Abraço.
Roberto
RODRIGO G. COUTO

PERDÕES - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 24/09/2007

Parabéns pela matéria. Infelizmente as variações de preços pagos ao produtor preocupam e geram um desconforto muito grande ao produtor e aos laticinistas. Um ponto muito importante que deve-se ressaltar é que empresas do Sul do país hoje praticam preços muito mais baixos em suas regiões (ex: Santa catarina = R$ 0,68/l) e em outras regiões como no sul de Minas estas mesmas empresas pagaram no último mês de agosto o valor de R$ 0,90/l ao produtor).

Realmente, não consigo entender este procedimento, da mesma forma que não entendo como os produtores do Sul se comportam tão passivamente a esse respeito. Sendo assim, hoje empresas do sul de Minas estão em contato com cooperativas e regiões produtoras do Sul do país para comprar leite proveniente destes estados e conseguir um preço médio do preço colocado na indústria.

PS: Preço ofertado a cooperativa em SC (R$ 0,70 + R$ 0,08 frete) = R$ 0,78 colocado no mês de agosto.
SILVIO ROMERO PUPE SILVA

CAMPOS DOS GOYTACAZES - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/09/2007

Parabéns pela matéria, que mostra a realidade do setor, porém, os produtores de leite só terão seu produto reconhecido quando faltar na mesa do consumidor e fazermos como os Sem Terra, irmos para as fronteiras impedindo a sua importação.

Infelizmente sou obrigado a dizer estas palavras, pois vejo uma dose de cachaça valer mais que o preço de um litro de leite pago ao produtor.
JOSE RONALDO BORGES

CUIABÁ - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/09/2007

Vejo muitos companheiros reclamarem dos laticínios que reduzem o preço pago ao produtor, mas os laticínios estão corretos na posição. Por que pagar por leite mais caro se podem pagar menos e os produtores aceitam? Laticínio ou qualquer comprador só pagam a mais se faltar a mercadoria que necessitam.
SEBASTIÃO JOSÉ

VALENÇA - RIO DE JANEIRO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 24/09/2007

Temos ser mais pessimistas que o autor e as pessoas que comentam o artigo: o leite longa vida teve queda de 1,85 para 1,20 (-35%) no atacado nos mercados de SP, RJ e BH de 15 de agosto até a presente data:

Mussarela de R$ 12,00 para R$ 7,50,
Leite em pó de R$ 12,50 para R$ 8,50
e subprodutos queda média de 15%.

O que temos observado na distribuição é que as marcas do Sul do país estão invadindo a região Sudeste, onde as vendas são concentradas.

O leite Spot já está sendo negociado a R$ 0,70 em agosto (colocado). Está claro que já estamos sofrendo os efeitos da safra no Sul do país.

Acho que na verdade não estou sendo pessimista, mas realista, o leite do produtor deve sofrer queda de 15% a 20% para acompanhar a tendência de mercado e não quebrar as Cooperativas e pequenas Indústrias, essa é a realidade do momento.

Mas acho que o mercado deve se recuperar no ano de 2008 porque as exporações mantêm o ritmo acelerado de preços e volume (apesar do volume ser limitado).

Temos que tirar essa paranóia da cabeça dos produtores que os laticínios manipulam o mercado. Se o leite subir para os laticínios os laticínios sobem para os produtores forçados pela livre concorrência, se abaixar para os latacínios abaixam para os produtores. É uma regra do livre comércio que foi comprovada esse ano.
FERNANDO BUENO SIMÕES PIRES

SANTANA DO LIVRAMENTO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/09/2007

Interessante. É só o preço do leite pago ao produtor chegar em um valor que se aproxime de uma real remuneração e o barulho começa. A desculpa sempre é a de que o consumidor deixará de consumir o leite, como realmente acontece. Tudo orquestrado, pela própria indústria, ou pelos supermercados.

Mas é assim que as coisas ainda funcionam, infelizmente. Uma garrafa de água mineral, de 500 ml, aqui em Livramento, em qualquer comércio, não custa menos de R$ 1,15, ou seja, R$ 2,30/l. É agua (ao menos é o que aparece). Mas, o consumidor compra.

No entanto, o leite, que é um alimento, e custa R$ 1,35 o litro, deixa de ser comprado por ser "caro", a água não. Desafio alguém a apontar uma discussão sobre o preço da água, com gás ou sem gás. O leite é o vilão. Talvez nós, produtores, é que procedemos de maneira errada.

Numa hora destas é que a FARSUL, e outras "entidades" ditas como "representantes" dos produtores, poderiam mostrar os seus "serviços", ou melhor, repassar-nos parte daquilo que lhes regiamente pagamos.
ADIR FAVA

MURIAÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/09/2007

Desejo compartilhar a interrogação do leitor Régis José de Carvalho, que apresenta dados concretos que o aumento de preços não é propriamente do leite in natura, mas do longa vida, ou seja, por aumentos abusivos da industria, como embalagem, etc.

Ninguém fala nada do aumento absurdo do preço das embalagens, da ração, dos produtos veterinários, fazendo crer que exista algum aumento no preço do leite in natura, mas na verdade o que existe é uma carga enorme de custos que fazem supor algum aumento do preço do leite in natura.

Isto é pura mentira! Não existe aumento algum no preço do leite in natura, senão reposição de algumas perdas já ocorridas no passado.

Faz-se necessário dizer a verdade: todo suposto aumento do leite tem sido abocanhado pela indústria, mas o produtor é quem tem pago a conta. Não é justo.
O verdadeiro aumento de preços é da industria de embalagens, ração, produtos veterinarios, etc, e não do produto in natura.

Quem esconde esta realidade está de má fé ou muito mal informado.
ITABAJARA C. QUADROS

AMARGOSA - BAHIA - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 24/09/2007

Sou proprietário de laticínio, e concordo com os produtores, que o leite a R$ 0,70/l mal paga os custos de produção. Já paguei R$ 1,00 por 500 ml de água mineral e fico a me perguntar: o que está errado?

Na minha opinião o produto clandestino, esse sim é o grande vilão, grandes supermercados e pizzarias podem estar comprando queijos fabricados sem o mínimo de fiscalização, camuflados em embalagens de produtos regularizados. Todo o custo de produção de 1kg de queijo sem SIF ou SIE passa a ser menor em quase 40%. Automaticamente os laticínios regularizados têm que reduzir seus preços para fazer face à essa concorrência desleal.
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/09/2007

Prezados Marcelo e Aline,

Parabéns, mais uma vez, pelo trabalho tão preciso e esclarecedor. Minha visão dos acontecimentos encaminha-se para o entendimento de que o mercado está tendo uma expectativa que não cabe mais nos dias de hoje, porque espera que a chegada do período de chuvas implemente a produção a níveis tão altos quanto os que normalmente acontecem nesta época e, por isso, os produtores aceitariam a baixa contumaz do valor de suas produções.

Só que o produtor, muito mais preparado e informado que outrora - como notamos nas respostas dos colegas neste mesmo item, acima exaradas - sabe que os estoques reguladores mundiais não estão satisfatórios e não aceitará, como o cordeiro a ser imolado, este estado de coisas.

Lado outro, não nos podemos olvidar que, na mesma proporção em que os produtores, entusiasmados com a alta do preço da "commodity", ampliaram seus rebanhos e produções, os laticínios aumentaram a carga produtiva de suas plantas e, em alguns casos, até construíram novas unidades, o que fará com que a procura pelo produto permaneça a mesma.

Alie-se a estes acontecimentos, o fato de que países grandes produtores de leite, como a Nova Zelândia e o Estados Unidos, enfrentam situações climáticas muito adversas e, portanto, terão achatadas sua produções, o que demandará maior procura no mercado internacional.

Não acredito, portanto, que vai haver uma queda acentuada nos preços praticados ao produtor, tudo não passando de mera expeculação.

Parabéns e muito obrigado pelos dados veiculados, que servem a todos que estão no mercado como profissionais e, não, como simples turistas.

Um grande abraço,

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
MÁRCIO TEIXEIRA

URUANA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/09/2007

Prezado Marcelo e Aline,

É incrível como a mídia e os meios de comunicação, e o próprio governo, são contra a obtenção de renda pelo setor primário, ou seja, nós produtores.

Da forma que as coisas são colocadas parece que o setor está há muito tempo vivendo a "fase dourada do leite".

Para se ter uma idéia, recebemos (Uruana - Goiás) o pagamento feito no mês de junho, pago em julho R$ 0,60, o pagamento de julho feito em agosto R$ 0,90 e a previsão do pagamento de agosto em setembro é, não sei como, de queda. Lembrando que esse preço de R$ 0,90 foi a venda de 9.000 lts/dia por meio da nossa cooperativa.

Ou seja, o mais provável é que iremos receber esse "maravilhoso" preço somente durante dois meses, sem falar da alta dos custos de produção, mas parece que estamos ganhando muito dinheiro.

O pior é saber que poderíamos estar gerando divisas para o Brasil, empregando mais, exportando e produzindo leite de qualidade e a preços acessíveis para abastecer o mercado interno.

Mas a sensação é de que, realmente, não parecemos ser importantes para a nação brasileira.

Abraço
ALEX MOSER

FRANCISCO BELTRÃO - PARANÁ - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 24/09/2007

Parabéns pela análise, acredito condizer com a realidade do momento. Porém, aqui no Paraná, nos mantemos otimistas em relação ao preço do leite pago ao produtor, pois não existe um aumento tão significativo de produção em virtude da estiagem que estamos enfrentando. Sendo assim, a produção tende a estabilizar com tendência de baixa.
FERNANDO JOSÉ RIBEIRO KACHAN

NOVA GRANADA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/09/2007

Na região noroeste do Estado de São Paulo a indústria manda avisar que o preço do leite produzido em setembro será mais baixo. Queda grande, em torno de 15%. Acredito que a única coisa que justifique tal queda é a manipulação de mercado. Muito se diz, dados são mostrados mas será que dá para acreditar em tudo?

Mais uma vez na desorganizada cadeia produtiva do leite o produtor vai pagar o pato. Está se perdendo a oportunidade de fixar novos patamares de preços ao consumidor.

"Alegria de produtor de leite dura pouco".
JOSÉ DE JESUS SANTOS

SANTO ANASTÁCIO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/09/2007

É muito vergonhoso ver os laticinios outra vez trabalhando contra os produtores que produzem a matéria-prima para eles manterem seus negocios. Esquecem que os produtores de leite são a galinha dos ovos de ouro, que trabalham de sol a sol para tentar sobreviver no campo, e quando eles conseguem respirar mais aliviados com a sua atividade, os próprios compradores que deveriam ser parceiros dos produtores, são os maiores adversários, pois querem que eles trabalhem no vermelho a todo custo.

Vamos nos organizar, procurem seu vizinho, seus amigos, vamos nos unir para podermos encarar esse cartel, se quiserem sobreviver no negócio.
ANDRÉ GAMA RAMALHO

BATALHA - ALAGOAS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/09/2007

Marcelo e Aline,

Parabéns pela materia. O MilkPoint é uma das principais ferramentas que temos para ajudar em nossas decisões.

Nós, produtores, temos consciência de que os preços são ditados pela lei da oferta e da procura. Portanto, é necessário existir relacionamento profissional, parceiro, com troca de informações com os laticínios e cooperativas.

Infelizmente esta prática não acontece em Alagoas. Os laticínios, e até a principal cooperativa de produtores da nossa bacia leiteira, continuam usando o método arcaico das cartinhas informando a redução nos preços, sem discutir os motivos e perspectivas do mercado.

Hoje, dia 21, o Sindileite (sindicato dos produtores) fará uma reunião no município de Jaramataia, para avaliar o momento e planejar ações futuras.

André Gama Ramalho
Produtor e Presidente do Sindileite
JOSÉ PAULO GUERRA

BARREIRAS - BAHIA - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 22/09/2007

Realmente, a situação é preocupante, tenho observado fortes quedas nos preços do leite e seus derivados, principalmente o queijo mussarela, que hoje é o mais vendido, ou seja é o carro chefe da maioria das pequenas e médias indústrias de laticinios do Brasil.

O mercado está confuso, e para agravar mais a situação, os preços da soja e do milho estão em alta. Fica, muito difícil prever o que vai acontecer com os preços que serão pagos aos produtores pelo leite entregue em agosto agora no mês de setembro.

Paulo Guerra - Laticinista - Barreiras -BA
SAULO GUIMARÃES MALTA JUNIOR

RECIFE - PERNAMBUCO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/09/2007

Infelizmente aqui em Pernambuco o preço do leite já caiu de R$ 0,79/l para R$ 0,70/l e segundo os laticinios, a tendencia é de mais queda. O interessante é que eles (laticínios) agem como um cartel e o produtor é quem mais sofre. Aqui foi criado no Governo passado o programa Leite de Pernambuco que deu uma grande força aos produtores por ter iniciado comprando leite a R$ 0,40/l e hoje o novo Governo está pagando um preço abaixo do mercado de R$ 0,64/l.

A idéia do programa era tanto de importância social como econômico, pois entrega um litro de leite às familias carentes e comprando o leite num valor que na época estava acima da média, ajudava a equilibrar o comércio de leite.

Infelizmente hoje o produtor não vê o interresse do Governo em tentar, através do Programa Leite de Pernambuco, ajudar o produtor comprando a pelo menos R$ 0,75 o litro de leite, o que ajudaria a manter o leite em uma média boa para o produtor.
MilkPoint AgriPoint