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Expectativa de nova alta no mercado em junho

POR ALINE BARROZO FERRO

PANORAMA DE MERCADO

EM 12/06/2007

5 MIN DE LEITURA

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Os preços do leite pagos aos produtores continuam em alta, registrando aumentos consecutivos, e não há tendência de reversão da tendência no curto prazo. Segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, o valor médio cotado em maio foi de R$ 0,5851/l, com médias regionais variando entre R$ 0,46/l e R$ 0,6415/l.

A média dos valores pagos de janeiro a maio deste ano está cerca de 16% superior à obtida no mesmo período do ano passado e o novo patamar de preços está bem próximo ao verificado em 2005 (ano de pico de preços), como pode ser observado no gráfico 1.

Gráfico 1. Evolução dos preços brutos do leite pagos aos produtores (valores nominais), em reais por litro.


Os principais motivos para uma expectativa otimista quanto à situação de mercado são a oferta escassa de leite na maioria das regiões produtoras e os preços firmes no mercado internacional. Observando o cenário interno, a oferta de leite é cerca de 16% inferior à de dezembro de 2006, de acordo com o índice de captação do Cepea.

Com as temperaturas mais baixas e o período de seca, no geral, a oferta de leite ainda deve permanecer em baixa no país, contribuindo assim para o momento de forte disputa entre os laticínios pela matéria-prima, o que pode favorecer uma sustentabilidade nos atuais patamares de preços.

Segundo agentes de mercado, para junho deve haver ainda um aumento em torno de 3 centavos por litro de leite.

Outro fator que sinaliza uma tendência altista para este mês é a alta que vem ocorrendo no mercado spot, conforme foi publicado pelo MilkPoint (clique aqui para ver a notícia).

Os preços praticados nesse mercado já chegaram a R$ 0,85/l, incluindo ICMS, o que representa uma alta de cerca de R$ 0,35/l em relação a janeiro deste ano, quando os preços estavam em torno de R$ 0,50/l.

Vale lembrar que o mercado spot, em que o leite é comercializado entre empresas, representa um "termômetro" para o mercado de leite. As variações do leite spot são maiores: quando há uma alta, normalmente é maior que a ocorrida nos valores pagos aos produtores (assim como quando há quedas), mas os aumentos verificados na segunda quinzena de maio sinalizam a oferta insuficiente do produto nacional.

Os agentes do setor apostam em estabilidade do mercado spot, mas revelam que ainda há espaço para novo aumento, dada a baixa quantidade disponível de matéria-prima, aliado ao fato de algumas empresas estarem investindo em aumento da captação, devido a novas unidades industriais ou ampliações, como é o caso da Líder, no Paraná, e da Nilza, em São Paulo.

No mercado atacadista, os preços continuam em alta. O valor do leite longa vida já chegou a R$ 1,70/l, segundo agentes do setor, em função da menor oferta do produto. Em janeiro, segundo dados do Cepea, o litro do leite UHT estava em média a R$ 1,11.

No caso dos queijos, os preços também estão aumentando em função da menor oferta. Segundo agentes de mercado, o valor do queijo tipo mussarela está entre R$ 8,00 e R$ 8,50 por quilo, sendo que a média obtida pelo produto cotado em janeiro pelo Cepea foi de R$ 6,00/kg.

No mercado externo, os aumentos de preços são constantes. Segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), os preços do leite em pó desnatado no Oeste da Europa na 23ª semana do ano (que equivale de 4 a 9 de junho) chegaram a US$ 5.400/t, e o leite em pó integral chegou a US$ 5.280/t. Na Oceania, os valores dos mesmos produtos atingiram US$ 4.900/t e US$ 4.450/t, respectivamente.

Com os valores altíssimos cotados no exterior, observa-se que a oferta de leite ainda é insuficiente para abastecer o mercado consumidor mundial. No cenário externo também não há perspectiva de quedas substanciais de valores do leite no curto prazo, o que favorece uma tendência de sustentabilidade dos atuais patamares de preços.

Neste contexto, as exportações brasileiras de lácteos ainda são favorecidas, o que tende a pressionar uma alta no mercado doméstico em virtude da concorrência pela matéria-prima, verificada principalmente por empresas focadas em exportação.

Em Minas Gerais, no geral, a produção continua em baixa em virtude da falta de pastagem para o gado. Em propriedades cuja alimentação do rebanho é à base de silagem, a produção tende a aumentar nesse período, bem como em fazendas com concentração de partos para esse período.

Em Goiás, a oferta de leite é a menor desde o início do ano e a procura pelo leite é elevada. Segundo o Cepea, houve uma redução de 7,16% na captação no estado em abril frente ao mês anterior. Por enquanto, não há tendência de aumento do volume de leite ofertado no geral.

Em São Paulo, a oferta segue baixa em virtude do clima desfavorável às pastagens, além da migração de produtores para a cultura de cana-de-açúcar e eucalipto. Há uma tendência de redução de oferta para este mês, visto que os pastos devem piorar com a queda da temperatura, além da falta de chuvas e falta de planejamento dos produtores quanto à parição das vacas e obtenção de silagem para alimentação. Sendo assim, a expectativa é de aumento de preços no estado.

No Rio Grande do Sul, ainda não ocorreu um aumento da produção de leite, como normalmente acontece nesse período do ano. Isso porque houve um atraso no plantio das pastagens de inverno em função do clima. O frio na região é bastante intenso e tem ocorrido geadas com frequência, prejudicando o desenvolvimento do pasto. Em relação a dezembro, houve uma queda da produção de leite de 27% no estado, segundo uma fonte do setor.

De acordo com o Cepea, somente em abril a captação no estado gaúcho recuou 12% em relação a março.

Segundo agentes de mercado, a curva de oferta ainda dependerá do clima, mas espera-se que a partir do dia 20 deste mês haja uma reação da produção de leite no estado. A expectativa é de aumento de 2 a 3 centavos por litro de leite neste mês.

O aumento da produção no Sul, previsto para os próximos meses em função da produção de pastagens de inverno, não deve afetar significativamente os preços do leite no mercado nacional no curto prazo, segundo agentes de mercado. Isso porque provavelmente o incremento da produção não seja suficiente para abastecer o "buraco" na oferta e, além disso, a demanda na região Sul é maior em função da instalação de novas indústrias no Rio Grande do Sul.

No Nordeste, a oferta também é menor neste período do ano em função do tempo mais seco para a produção de pastagens e temperaturas mais baixas. A expectativa de agentes do setor é de redução da produção neste mês na Bahia, Pernambuco e no Ceará. Em Rondônia há grande concorrência entre os laticínios e a tendência também é de queda na produção.

Convidamos os leitores a dar sua opinião sobre o mercado de leite na região que atuam, indicando a situação de preço e oferta.

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CLEBER MEDEIROS BARRETO

UMIRIM - CEARÁ

EM 01/07/2007

Prezada Aline,

A questão da redução do volume de leite produzido aqui pelo Ceará, não diferentemente de alguns outros estados do Nordeste, ocorre principalmente pela pouca precipitação pluviométrica, fato este agravado pela má distribuição das chuvas.

Para se ter uma idéia, nesse ano no período das águas (jan-mai) observamos por exemplo no município de Irauçuba (Região Norte - 140 km de Fortaleza), uma pluviosidade de 174 mm, índice este bem abaixo da média histórica que é algo próximo de 600mm/ano.

Podemos afirmar que grande parte de nossa produção de leite é proveniente de sistemas pouco tecnificados, predominando o extrativismo predadório, onde já não é difícil encontrar aréas de nossa rica caatinga em adiantado processo de desertificação.

Outro fato que evidencia este cenário são os preços dos concentrados que justamente na época da estiagem (a partir de junho e julho) alcançam patamares estratosféricos. Ironicamente, dada tamanha procura, a medida que se vende mais concentrados menos leite é produzido. Resumindo: esses sistemas nefastos aos nossos recursos naturais não contemplam algumas técnicas milenares como silagem e fenação... Não vale a pena e todo concentrado é adquirido no imediatismo para "escapar o pobre gado".

Se me permite, gostaria de ratificar a questão das baixas temperaturas mencionada no artigo. Aqui pelo Nordeste o fator temperatura é um diferencial positivo, quando da produção de forragens, pois justamente na época da estiagem temos temperatura média elevada (>27), associada a alta luminosidade, combinação perfeita para nossas gramíneas tropicais, o que em condições de irrigação nos permite com alto nível tecnológico alcançar produtividades satisfatórias.

Parabéns pelo artigo e aguardamos os seguintes.

Atenciosamente,
Cleber Barreto
HELIOFRUTUOSO DE ASSIS

ORIZONA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 01/07/2007

Acredito ser difícil aumentar a produção de leite no curto prazo por vários fatores, entre eles, a falta de animais para produção, a falta de volumoso, e o envelhecimento das matrizes com os vários anos de boi nelore nas vacas leiteiras em muitas fazendas do estado.
IDELVAN FAGUNDES TEIXEIRA

GUANAMBI - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/06/2007

Sou produtor na região de Bom Jesus da Lapa(BA), especificamente no município de Sítio do Mato. Esta região possui enorme potencial para produção de leite: solos férteis, banhados pelo Rio São Francisco e seus afluentes da margens esquerda (Rio Carinanha e Corrente).

Possui um número significativo de pequenas unidades agrícola familiares (pequenos produtores e assentamentos), cuja exploração está baseada na agropecúaria extensiva (pecuaria mista e agricultura de sequeiro), com surgimento de agregados produtivos localizado produzindo leite.

O beneficiamento e comercialização de toda produção, até o momento, é direcionado para um laticinio localizado no Municípío de Serra Dourada (BA). Queijarias clandestinas e comercialização na forma in natura a consumidores e comerciantes da região.

O relato não espelha a real caracterização das potencialidades e oportunidades que toda essa população local possui, mas chama atenção de todas as comunidades rurais e urbanas que o desenvolvimento das diversas cadeias produtivas passa pelo nível de organização, planejamento e cuidado com o mercado capitalisata especulativo. As pequenas propriedaes não suporta essa ocilação excessiva do mercado.

A infraestrutura necessária para iniciar a produção de leite é caríssima e fica muito mais cara para sair da atividade.
JOSE SERGE COUTO FEITOSA

JUAZEIRO DO NORTE - CEARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 25/06/2007

Com a entrada da normativa 51 no Nordeste a partir de julho, quem estiver dentro dos parâmetros de qualidade receberá o litro a R$ 0,57, com pespectiva de R$ 0,60 a partir de agosto, pois aqui no sul do Ceará estamos no inicio da estação mais seca com forte diminuição da produção local.
COWTECH - CONSULTORIA E PLANEJAMENTO

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 22/06/2007

Prezada Aline,

Ao citar preços internacionais, o que acho que é preponderante para formação de todos os preços internos e externos, seria importante que o produtor se familiarizasse com os preços finais por litro de leite reidratado.

Por exemplo, como poderemos saber quanto custa para a indústria nacional o preço do leite reidratado, importado de qualquer lugar do mundo?

Acho que seria de grande relevância que ao invés de simplesmente relatarmos os preços internacionais, que mostrássemos a realidade dos preços internacionais, nacionalizados, ou seja, com custo + frete + impostos + custo de reidratação, para que pudéssemos comparar com os preços internos praticados.
JAIME MATTOS

FLORIANÓPOLIS - SANTA CATARINA

EM 21/06/2007

Leite tipo C em Florianópolis praticado pelas indústrias:

em 01/04/2007 R$ 0,85 o litro
em 01/06/2007 R$ 1,05 o litro

Alta acima dos demais estados!
JOSÉ DE JESUS SANTOS

SANTO ANASTÁCIO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/06/2007

Espero que agora os famosos "tiradores" de leite se organizem em associações e cooperativas, e sejam donos e profissionais dos seus negócios, para que daqui a alguns meses as empresas não venham a brigar nos mercados e baixar os preços.

Isso reflete diretamente no produtor, pois as empresas tiram todos os seus custos e lucros, e pagam com a sobra aos produtores.
COOPERATIVA AGROPECUÁRIA DE CAMPOS ALTOS

OUTRO - MINAS GERAIS - EMPRESÁRIO

EM 19/06/2007

Mercado em alta muito bom!

Mas como profissional que trabalha na área, me sinto um tanto decepcionado devido ao posicionamento de algumas empresas como a Nestlé e outras, que simplesmente abriram mão de seus programas de qualidade, afinal, neste momento existe mercado para tudo.

Onde fica agora, perante os produtores, nossos discursos de melhoria de qualidade, que a "dona de casa" exige produtos de qualidade e que o produtor mais eficiente com relação a custos, produtividade e qualidade deve ser mais bem remunerado?

E a IN 51, que a maioria dos pequenos laticínios simplesmente estão atropelando em busca de leite sob um olhar passivo do Ministério da Agricultura?

Esta política será a solução para um programa duradouro e sustentável que resolva definitivamente os problemas do "sofrido produtor de leite"?

Saulo A. S.
Presidente da Capeca
GUILHERME MARQUES BUSTAMANTE

SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/06/2007

Finalmente o sofrido produtor de leite começa a receber um valor justo pela sua produção.

Devemos nos ligar a associações e cooperativas para garantir a sustentabilidade.

Guilherme M B.
JULIANO BAIOCCHI VILLA-VERDE DE CARVALHO

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 17/06/2007

No Distrito Federal a situação também é favorável para os produtores. O preço do leite vem subindo desde abril. De janeiro a maio já repassamos R$ 0,164 de aumento no preço médio da matéria-prima, equivalente a mais de 38% sobre o preço de dezembro/2006 e 10% superior à média da entressafra do ano passado.

Se a tendência de alta continuar, as margens das pequenas indústrias tenderão a desaparecer, pois os preços dos produtos frescos (leite, minas, mussarela etc.), com os quais trabalham, não estão acompanhando os mesmos ganhos do leite em pó no mercado internacional. Não vai dar para concorrer...
LUCAS ALVES MARÇAL

ECOPORANGA - ESPÍRITO SANTO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 16/06/2007

Em nossa região, estamos esperando um aumento em torno de R$ 0,03 no leite que será pago no mês de junho. Os preços estão variando de R$ 0,48 a R$ 0,60 por litro.
AURELIANO BRUM VARGAS

EUGENÓPOLIS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/06/2007

Fico feliz em ver o cenário promissor para nós produtores de leite. Acho que desta vez não tem como nenhuma multinacional fazer sacanagem conosco, uma vez que a falta de leite é mundial.

Acho que pelo menos desta vez, nós produtores sobreviventes de décadas de descaso, vamos colher os frutos de nosso trabalho árduo.

Aureliano Vargas
FRANCISCO VAN RIEL

CARAZINHO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/06/2007

Em relação ao mercado spot, o que dizer de algumas pessoas, empresários ou seja lá o que for, estar constituindo empresas (não indústrias), intermediários, comprando leite do produtor em encaminhando para as industrias? Comprando a 0,50 ou 0,55 e repassando para indústrias a R$ 0,75 ou os R$ 0,85.
DAVI EZEQUIEL BARRETO

SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/06/2007

Até o momento, há expectativa de alta em virtude do clima.
GIOVANI ANTONIO FERRONATO

CASCAVEL - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/06/2007

Após duas semanas da geada aqui na região oeste do Paraná, podemos perceber com mais clareza o tamanho do estrago que causou. As lavouras de milho foram muito afetadas, quem conseguiu fazer silagem salvou uma parte do prejuízo e o restante vai dar é muito "milho ardido". Pastagens não sobraram, e a aveia está começando agora a ser pastejada, e ainda em poucas propriedades.

Ainda não sei qual foi a queda da produção, mas o preço também vai melhorar. Tem produtor com 10.000 l/mês que já vai receber R$ 0,67, o que deve ser quase a média de preço da região (0,65).
MÁRCIO BARBOSA LIMA DE OLIVEIRA MACÊDO

ITABUNA - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/06/2007

Aqui na região de Itabuna (BA), o aumento do preço do leite em relação ao mês de maio foi muito tímido algo - em torno de R$ 0,01 (um centavo). A oferta de leite no mesmo mês caiu em torno de 20%.

O preço médio pago aos produtores por aqui ficou no patamar de R$0,53 (cinqüenta e três centavos).

A tendência é que haja uma recuperação na produção de leite para o mês de junho, devido às chuvas que vem caindo por aqui. Apesar da falta de leite que a Nestlé vem tendo na sua captação aqui, ela ainda não equiparou ao preço pago na região Sudeste.

Márcio Macêdo.
MilkPoint AgriPoint