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Custos desestimulam os produtores?

POR MAURÍCIO PALMA NOGUEIRA

PANORAMA DE MERCADO

EM 06/01/2005

9 MIN DE LEITURA

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Em dezembro de 2004, neste mesmo espaço, a Scot Consultoria divulgou um artigo apontando custos de produção do leite em torno de R$0,54/litro para uma empresa de 4,8 mil litros de leite por dia, com eficiência de 16 mil litros de leite/ha/ano.

Muitos não gostaram do artigo, o que já era esperado. Também eram esperadas as diversas críticas recebidas em torno do tema e dos números divulgados, o que ocorreu de fato.

Ótimo, pois artigos são escritos com objetivo de gerar debate, criar opiniões e incentivar a busca por soluções de diversos problemas. Escrever para agradar pode levar ao superficialismo, subjetivismo e hoje, com a grande quantidade de informações disponíveis, o tempo para leitura é cada vez menor, o que exige mais de quem se propõe a analisar algo. Tudo é válido.

O motivo das críticas era o valor dos custos de produção, considerado elevado por vários profissionais do setor.

Daí partem diversas linhas de raciocínio para justificar as divergências sobre o número apresentado, que vão desde a metodologia adotada até a ineficiência da empresa cujos custos foram analisados.

Custos de produção sempre geram as maiores polêmicas entre técnicos e pesquisadores que atuam na pecuária leiteira. É provável que, após a desregulamentação do mercado no início da década de 90, não tenha sido apresentada uma só planilha de custos sem que fosse acompanhada de críticas e debates, muitas vezes acalorados. Ora apontando os valores como baixos, ora como altos.

Evitando entrar nos méritos de ambas as linhas, parte da polêmica em torno do assunto parece originar-se da necessidade de convencer produtores de que a atividade é um bom negócio, de que vale a pena investir, de que é possível ganhar dinheiro com leite, que técnica traz resultados, enfim, tudo o que o setor sempre debate. Sendo assim, a divulgação de custos de produção de leite acima do que se gostaria que realmente fosse, teoricamente traria desânimo ao setor, carregando por água abaixo todos os esforços para se profissionalizar a produção.

Em outras palavras, quem divulga custos mais altos para a produção leiteira parece ser contra o desenvolvimento do setor e a aplicação de tecnologia, além de desmotivar o produtor rural.

Na verdade, essa é uma visão muito parcial e simplista em torno de algo tão complexo como o resultado financeiro de uma empresa leiteira. Em artigo, escrito ao final de 2004 e publicado no Espaço Aberto do MilkPoint ( clique aqui para ler), o professor Sebastião Teixeira Gomes lembra que o que mais interessa aos produtores são os resultados, o lucro, e não custos baixos ou preços altos.

Afinal, com base em que comparação pode-se afirmar que custos de produção acima de R$0,55/litro são ineficientes? Observe, na figura 1, a comparação dos preços do leite pagos aos produtores nos últimos 6 anos. Os valores foram corrigidos pelo IGP-DI para viabilizar a comparação.
 


Vale lembrar que os preços médios brutos referem-se ao "mix" pago pela indústria, ou seja, a média de todo o leite coletado. Produtores com maiores volumes de produção, como é o caso da empresa analisada, recebem preços mais elevados, normalmente acima de 10% em relação à média de mercado, além de geralmente apresentar menor custo de frete do leite.

Em 2002, a média diária de leite entregue por produtor das 12 maiores indústrias que captam leite no país foi de cerca de 180 litros de leite por dia. No caso, está se analisando uma empresa que entrega 4,8 mil litros diariamente.
Sendo assim, o custo de produção em torno de R$0,54/litro representa lucro para o empresário, ou seja, bons resultados financeiros. As margens por unidade produzida são, de fato, apertadas, por isso os resultados são dependentes da escala de produção e da capacidade de produzir a maior quantidade possível por unidade de área.

A empresa em questão produz 16 mil litros de leite por hectare para obter os referidos custos. É eficiente ou ineficiente?
Apesar da dificuldade e inexatidão dos números sobre a pecuária leiteira, estima-se que atualmente, o produtor de leite brasileiro produz, em média, cerca de 1 mil a 1,2 mil litros de leite por hectare por ano. Sendo assim, a empresa analisada trabalharia com uma eficiência em torno de 13 a 16 vezes acima da média do produtor brasileiro.

Bons produtores de milho, sorgo, soja, feijão e cana produzem, respectivamente por hectare, cerca de 2,8 vezes, 7 vezes, 1,3 vez, 3,3 vezes e 2 vezes acima da média nacional de todos os demais produtores.

O mercado, regido por leis de oferta e demanda, é desenhado pela média geral dos participantes e não pelos produtores "top" de linha. Comparando com a realidade de outras atividades do agronegócio, produzir 16 vezes acima da média nacional é algo extraordinário em termos de eficiência. Independente de que o potencial seja superior a 30 mil litros de leite por hectare, a realidade que compõe o mercado é bem diferente. Se tal produtor não estiver obtendo bons resultados, quantos estarão?

Perceba que esta linha de argumentação sugere que, além de não ser elevado, o custo de R$0,54/litro de leite é baixo e típico de uma empresa financeiramente eficiente, correto?

Para fortalecer o raciocínio, optou-se por realizar uma comparação com um estudo divulgado em 1997, que envolvia a análise de 4 fazendas produtoras de leite.

O estudo, financiado pela FAESP (Federação da Agricultura do Estado de São Paulo), e conduzido por diversos pesquisadores e consultores gabaritados e experientes no assunto, produziu alguns números interessantes com base no mercado de 1996.

Evitando entrar em detalhes, o custo de produção do leite encontrado no estudo variou de R$0,34/litro a R$0,41/litro em valores nominais, dinheiro da época. A média foi de R$0,37/litro. A produção anual por hectare, calculada a partir dos índices apontados, era de 9,9 mil litros, em média. Variava de 7,5 mil a 13 mil litros de leite.

As empresas trabalhavam com custos de produção próximos dos preços de venda, assim como a empresa atual, ou seja, os preços eram superiores à média geral.

A inflação de 1996 a 2004, pelo IGP-DI, foi de 126%. Sendo assim, corrigindo os valores, o custo de R$0,37/litro em 1996 representaria, ao longo de 2004, o valor de R$0,84/litro, custo 55% superior aos R$0,54/litro obtido na análise feita pela equipe da Scot Consultoria.

Como os produtos agrícolas perdem valor real ao longo dos anos - e cerca de 30% a 40% dos custos de produção referem-se à compra de alimentos - é de se esperar que juntamente, com os preços do leite, os custos de produção tenham se reduzido, em valores reais. E de fato, foi isso mesmo que se observou.
Aplicando, na fazenda analisada pela Scot Consultoria, os mesmos índices de produtividade observado na média do estudo conduzido em 1996, ter-se-ia uma entrega diária de 2,97 mil litros de leite, com produção de 9,9 mil litros por hectare por ano, ao invés dos 4,8 mil litros diários e 16 mil litros por hectare por ano.

Neste caso, o custo da empresa atual seria de R$0,63/litro, considerando os preços de mercado de 2004. Ainda assim, os valores seriam menores que os custos corrigidos com base no IGP-DI.

Em outras palavras, para trabalhar com os custos de R$0,54/litro, a empresa teria que ter agregado tecnologia, eficiência e produtividade nos últimos 8 anos.
Na tabela 1 estão apresentadas algumas comparações entre os preços e custos de 1996, os valores corrigidos pelo IGP-DI, os valores observados no mercado de 2004 e a comparação entre os valores atuais e os valores deflacionados.

Tabela 1: Comparação entre valores nominais, valores reais corrigidos pelo IGP-DI para 2004 e os valores observados no mercado de 2004 para os custos de produção e mercado de insumos em São Paulo.

 


Fonte: IEA/Faesp/ Scot Consultoria
*1 Custo de produção caso a empresa trabalhasse com o mesmo nível tecnológico observado no estudo de 1996
*2 Custo de produção com empresa trabalhando com os 16 mil litros por hectare de eficiência


Observe que os custos de produção e preços do milho, em 2004, foram inferiores aos valores de 1996, quando os mesmos são corrigidos pelo IGP-DI.
Por outro lado, o preço do diesel, de 1996 a 2004, subiu 57% acima da inflação. Os fertilizantes aumentaram cerca de 25% acima da inflação de 1996 a 2004, justificando a reclamação de quase todo o setor agropecuário. Aliás, o aumento dos preços dos fertilizantes é também reflexo da própria evolução da agropecuária, cujo aumento de produtividade acabou por pressionar a demanda pelo insumo.

Mesmo o farelo de soja, cujas cotações em baixa possibilitaram os melhores resultados aos produtores em 2004, teve seus preços majorados em torno de 9% acima do IGP-DI, quando se compara os anos de 1996 e 2004.

Pelos números da tabela 1 pode-se observar que o aumento da eficiência produtiva foi uma exigência inquestionável ao longo dos últimos anos. E o produtor que atualmente estiver colhendo resultados positivos atendeu a estas exigências; isso é fato.

Por fim, custos de R$0,54/litro não são altos e também não indicam maus resultados, pois 2004 foi positivo para o produtor de leite, como foi 2003 (apesar da crise do final do ano), assim como são as perspectivas para 2005. É positivo porque, apesar de tudo, o mercado firme do leite, e em baixa dos concentrados, viabiliza que bons resultados sejam obtidos.

A questão, evidente, é que só colhe resultados positivos o produtor que for capaz de agregar eficientemente as técnicas de produção na empresa. Há quem esteja ganhando mais, por ser mais eficiente, assim como há quem esteja perdendo. Infelizmente, é provável que a grande maioria dos produtores estejam com custos mais elevados que os R$0,54/litro.

Em muitos casos, diversos já estudados pela Scot Consultoria, empresários que acreditam estar ganhando com a atividade acabam sucateando os bens de produção, ou mesmo abandonando a atividade em busca de melhores opções. Trata-se do histórico problema metodológico da análise econômica de fazendas.
Fazendo eco à análise do professor Sebastião Teixeira Gomes, não são os custos altos que desestimulam os produtores, mas sim os maus resultados econômicos e a falta de perspectivas, em muitos casos.

O setor passa pelo segundo ano em que o mercado, ora do leite, ora de insumos, possibilita que bons trabalhos técnicos reflitam em resultados econômicos. É provável que o setor passe pelo terceiro ano de resultados favoráveis.

Um dos motivos das reclamações, ainda comuns entre os produtores, está relacionado à necessidade de recuperar resultados perdidos ao longo de toda a década de 90 e início desta década. Estes maus resultados se apresentam através do montante a ser reinvestido para a substituição de bens de produção, que já deveriam ter sido trocados: benfeitorias, forragens, máquinas, equipamentos, etc. Concomitante a essa necessidade de re-investimentos, os custos com as manutenções também se elevam.

Mesmo assim é possível que o setor leiteiro entre num ciclo positivo de resultados e recuperação das perdas de anos anteriores. O cenário é otimista.
Evidentemente que qualquer variável econômica pode alterar este quadro. Façamos votos que não.

MAURÍCIO PALMA NOGUEIRA

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PAULO FERNANDO ANDRADE CORREA DA SILVA

VALENÇA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/02/2005

Maurício,

Beleza! A nossa realidade na tarefa diária de produzir leite no estado do Rio de Janeiro suporta totalmente a sua análise. Nosso custo de produção é da ordem de 0,54/litro. No momento estamos sofrendo com o preço de 0,52/litro, unilateralmente ditado pela maior muitinacional do leite, que, desconsiderando o fato do volumoso ser produzido no verão, reduziu o preço pago em 0,12/litro entre Set. e Dez. 2004.

Parabéns pela análise. Vc continua brilhante.

Paulo Fernando.
TURÍBIO MENDES BARBOSA

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 09/01/2005

Excelente esta demonstração do Sr. Mauricio. A realidade dos produtores de leite no Brasil é muito heterogênea. Primeiramente enfrentamos o dragão da inflação, depois os vários planos mirabolantes para matar este dragão. Quando ocorreu a abertura do mercado brasileiro, poucos estavam preparados para competir no ambiente da nova realidade. Por isso assistimos pasmados a derrocada de muitas empresas. Mas a tendência da globalização mundial era irreversível, mais cedo ou mais tarde teria que acontecer. Porém, não houve tempo nem orientação de nossos governantes, para absorvermos a brutal transformação. Uma década já se passou e os mais fortes e eficientes sobreviveram. E o ramo de atividade que mais sofreu foi a pecuária leiteira, pois antes da abertura do mercado este setor já estava degradado devido a falta de uma política de apoio e o baixo preço do leite pago ao produtor. Quantos éramos e quantos somos agora? O que sobrou? E as consequências? É muito triste viver esta dura realidade. Esta atividade já saiu do estado de coma, mas ainda continua na UTI, sem previsão de alta.
FERNANDO ENRIQUE MADALENA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 08/01/2005

1. Porque se fala em desestímulo sendo que a produção de leite brasileira cresce a quase 4% ao ano? Desestímulo de quem? Será de quem produz leite antieconômico?

2. Ótimo que se fale em resultados econômicos. Entretanto, já ficou bem claro no MilkPoint que o que interessa é lucro, como diz o Dr. Nogueira, e também retorno do capital investido, que não é mencionado. Leite/ há não é nem um nem outro, apenas mais um indicador técnico. Não se deveria tirar o foco do lucro e a rentabilidade.

3. Ignorar o volume de produção é simplista, claro, já que ele influi no preço. Também o é ignorar o custo, que influi no lucro e a rentabilidade. Podendo, o melhor é aumentar o volume e reduzir o custo, já que influir no preço é complicado.

4. As fazendas do estudo da FAESP mencionado, com vacas de 19 litros/dia, apresentavam retorno do capital investido insignificante, e menor margem líquida que as de produtores mineiros, com vacas de 8,9 litros/dia, como mostrou Evandro Holanda Jr. (Leite caro não compensa, Cad. Téc. Esc. Vet. UFMG, no. 25, p.13-18, 1998). Por isso é que o leite foi saindo de São Paulo, mas nem tanto de Minas.

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado professor Fernando Madalena,

Saudações e obrigado pela participação.

O desestímulo, mencionado no artigo, deve-se a um debate criado em cima do que publiquei sobre custos de produção. Teoricamente, falar que o custo era acima de R$0,54/litro desestimularia o produtor. Por isso seguiu-se a argumentação.

Concordo que leite caro não compensa. Porém, a minha intenção no artigo era mostrar que leite a R$0,54/litro não era caro, mas sim um custo até eficiente. Novamente, o problema será a metodologia dos cálculos.

Evidente que rentabilidade e lucro por hectare devem estar incluídas numa análise, porém o artigo visa comparar duas realidades separadas por oito anos. O produtor de leite ganhou eficiência neste período.

Eu já vi muita crítica em cima das fazendas estudadas em 1996. Porém, verdade seja dita, haviam fazendas melhores, mas na época elas representavam a realidade de produtores que estavam incorporando tecnologia e produzindo com eficiência. A produtividade média era de 10 a 14 vezes acima da média nacional, num período de seis anos após a abertura e desregulamentação do mercado.

Gosto de falar muito em produção/ha/ano por duas razões. Primeiro porque é um índice técnico, de fácil visualização para o produtor. Segundo, justamente por ser o índice técnico que mais reflete o comportamento do retorno de capital investido. Existe muita análise com custos de produção por litro de leite baixíssimos, e reais, ou seja, as análises estão corretas.

No entanto, mesmo com custos baixos, o lucro e o retorno de capital acabam sendo baixos também. Isso também já foi demonstrado em artigo do professor Sebastião Teixeira Gomes. Sendo assim, muitas vezes margens líquidas por vaca ou por litro de leite não refletem resultados econômicos satisfatórios. Mas, quando se tem escala de produção (por área) com margens, aí sim o produtor está ganhando dinheiro. Por isso continuo achando mais interessante falar sobre volume de leite por área.

Concordo que existam muitos produtores antieconômicos no Brasil. No entanto, é simples avaliá-los e classificá-los. Faço isso todas as semanas. O difícil é entender como e porquê ficaram ineficientes. Vale lembrar que, há quinze anos, as recomendações que eram feitas aos produtores não se aplicam à realidade atual. Fácil, na posição de consultor - como a minha, avaliar esta informação.

Difícil é administrar este processo de mudanças. Uma fazenda com sala de ordenha e cochos para alimentar as vacas no inverno, gado de 6 mil litros/lactação, investe entre R$15.000,00 a R$30.000,00 por hectare para produzir leite. Volto a afirmar. Boas ou não, as fazendas que foram observadas em 1996, no estudo da Faesp, refletiam a realidade de produtores que estavam investindo em tecnologia e buscando produzir em escala, com qualidade e persistência. É o que se busca na atividade. E mesmo que fossem ineficientes, basta refazer todo o estudo, com R$0,10 /litro a menos nos custos. Chegaremos a valores acima de R$0,50/litro.

Por fim, acredito que concordamos com tudo, talvez só discordemos sobre o valor do custo de produção. Eu continuo acreditando, definitivamente, que R$0,54/litro é um custo baixo para a realidade brasileira. Como bem comparou o Roberto Jank, trata-se de um valor próximo de US$0,20/litro.

Um forte abraço

Atenciosamente,

Maurício

<b>Resposta do Prof. Madalena</b>:

Prezado Maurício,

Obrigado pela resposta. Não quero polemizar, mas a produção por ha tem interesse só dentro de um dado sistema de produção.

Uma dada produção/ha a pasto pode ser muito rentável e não sê-lo em confinamento. O uso deste parâmetro isolado vai levar à mesma confusão a que levou a produção por vaca.

Abraços,
Fernando


<b>Resposta do Maurício</b>:

Prezado Fernando,

Concordo. Mas se analisarmos a necessidade de produzir mais por hectare, mesmo a pasto é possível.

Eu não defendo o confinamento total. Acho que é viável em diversas situações, mas não para todos os casos.

Até hoje, a fazenda que eu analisei que mais produziu leite por hectare era uma fazenda no Paraná com integração dos sistemas de produção: a pasto e confinamento na seca. A criação de novilhas dele era excelente, barata, como se fosse gado de corte.

Trabalhando o binômio produção por área x produção por animal, acredito que todos chegam a um sistema de produção que se adapte melhor para a sua situação. Assim como já vi você escrever uma vez, eu não tenho ilusão de que haja um sistema de produção que se adapte a todos os produtores. Ambos os parâmetros são interessantes.

Continuo achando que devemos fazer esta análise por causa no valor da terra. Em fazendas leiteiras, a terra compõe de 70% a 90% do valor total dos ativos, dependendo dos demais investimentos, por isso acho viável.

Mas, sem dúvida alguma, estou aberto a discussões sobre o tema. Aliás, acho uma discussão bem saudável falar sobre este assunto. Existem vários outros pontos que podem ser discutidos dentro do tema. Por exemplo, não tenho dúvidas de que um sistema de produção confinado seja menos flexível que um a pasto, com menor tecnologia. Na verdade, este é o preço da alta tecnologia. Sempre, em todas as atividades, você aumenta a sua vulnerabilidade.

Caímos naquela máxima da economia de que os riscos são proporcionais a possibilidade de ganhos.

Saudações e um grande abraço,

Maurício

JORGE LEON PEREZ

OUTRO - PESQUISA/ENSINO

EM 07/01/2005

Magnifico manejo, tanto en el articulo original como en el nuevo y oportuno su mencion del articulo de sebastian teixeira.

Me gustaria tener los correos de los autores para profundizar mas este tema. Soy productor mediano de leche y creo se debe modernizar su estructuras productivas y de costos. Agradeciendoles por estar en esta cadena.
jorge leon perez
ROBERTO JANK JR.

DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/01/2005

Caro Maurício,

Seu raciocínio está perfeito. Ademais, um custo total de produção entre U$0,18 e U$0,22/L está entre os mais baixos do mundo.

Creio que a metodologia de cálculo é o maior impasse e a principal responsável pela disparidade de opiniões do setor, inclusive e infelizmente de parte dos técnicos.

Além disso, a nova realidade do custo de oportunidade dos grãos certamente deverá baixar o custo do leite avaliado em U$0,02 a U$0,03/L, apenas substituindo os valores de mercado na mesma planilha (se o sistema avaliado for confinado).

A dificuldade em nivelar a metodologia no setor está relacionada com a pouca terceirização que praticamos nos itens de custos.

Nos EUA e UE, por exemplo, ninguém discute custo de oportunidade de silagem, depreciação de equipamentos e oportunidade de capital investido em gado jovem entre outros, porque são itens terceirizados em grande parte e com valores praticamente "públicos". Fica muito mais fácil falar a mesma língua.

Apoio totalmente sua iniciativa em avaliar corretamente custos efetivos de uma empresa real; da mesma forma, sua avaliação neste artigo, a meu ver, está perfeitamente encaixada em nossa realidade e histórico.

Também acho que todos precisamos ter bons resultados. Mas não no grito.

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Roberto,

Me chamou a atenção você mencionar a terceirização. Tenho deparado com vários produtores que acabam não terceirizando alguns serviços por achá-los caros, mesmo quando estão baratos. Novamente é a metodologia de se avaliar custos. Perde-se oportunidades para os empresários reduzirem custos, oportunidade de viabilizar outras empresas especializadas (criação de animais jovens, volumosos, etc.), etc.

É como a história do Tostines: Terceiriza-se por fazer cálculos corretos? Ou se faz cálculos corretos por que se terceiriza?

Brincadeiras a parte, enquanto o assunto custos de produção for encarado apenas como uma informação a ser divulgada, e não como uma ferramenta decisória, o produtor ainda estará perdendo, independente de seu nível de tecnologia.

Obrigado pelo comentário e pelo elogio.

Um grande abraço

Maurício

PAULO CÉSAR

CURITIBA - PARANÁ - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 06/01/2005

Mauricio, seu artigo é muito bom principalmente por que vem colocar o dedo na ferida. Diversas pessoas do mercado tratam o produtor de leite com se ele fosse o pior administrador possível, fazem planilhas de fluxo de caixa e não de uma contabilidade séria, usam preços de custo de produção e não preços de oportunidade e veja que às vezes são professores! Será possível achar normal produzir uma silagem de milho a R$50,00 e no lugar de vendê-la ao mercado por R$70,00 a tonelada, dar à suas vacas e lançá-la na planilha a R$50,00´!! É isto que vem sendo proposto continuamente. A coisa mais difícil é se conseguir planilhas de preços sérias e feitas por orgãos sérios e competentes que com certeza fariam da maneira correta valorizando-se tudo e inclusive o risco da atividade, que é muito alto. Já pensou se um produtor de leite quisesse fazer seguro de seus animais, quanto seria pago? Será que atividade paga qualquer coisa deste tipo? Será que um produtor não é igual a um industrial que tem a possibililidade de garantir a manutenção de seu patrimônio contra algum acidente? Será que um Produtor de leite tem atualmente capacidade financeira para evoluir sua atividade em todos os aspectos, quantitativo e qualitativo, utilizando-se da própria atividade? Precisamos mudar este comportamento, parabéns.


<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Paulo César,

Obrigado pelas suas falas.

O senhor tem razão, mesmo o custo de oportunidade ainda é pouco aceito entre diversos profissionais do campo. Talvez o tabu metodológico que enfrentamos com relação aos custos venha da própria história e cultura de anos de mercado regularizado.

A tendência é melhorarmos também neste ponto.

Um grande abraço

Maurício



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