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Cruzamentos com raças não especializadas: Os herdeiros entrando em produção!

POR MAURÍCIO PALMA NOGUEIRA

PANORAMA DE MERCADO

EM 03/03/2004

4 MIN DE LEITURA

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No informativo "A Nata do Leite", edição 72, seção "O Leite na Sua Região", foi publicada uma análise chamando a atenção para os riscos que exageradas especulações nos preços trazem ao mercado.

A análise também fazia alusão à recente prática adotada por diversos produtores, que desde 2001 passaram a cruzar as matrizes leiteiras com touros nelore.

Há algum tempo, anterior a 2001, preconizava-se a possibilidade de produtores de leite aumentarem a receita cruzando as matrizes leiteiras com animais adaptados para a produção de carne.

Porém, a idéia era que em rebanhos estabilizados, apenas parte das vacas, do meio para o fundo, fossem inseminadas com raças zebuínas de corte.
Sendo assim, dentre os herdeiros deste cruzamento, todas as fêmeas e machos seriam recriados e engordados para abate.

Note que, nesta prática, a carga genética das matrizes leiteiras não estaria em risco, haja visto que nenhuma cria do cruzamento entraria em reprodução e produção leiteira na empresa, embora pudessem ser procuradas por terceiros.
Nos anos 2000 e 2001 diversas analises econômicas apontavam a viabilidade financeira deste processo, desde que fosse controlado de modo a escolher corretamente os animais que seriam direcionados ao cruzamento.

No entanto, os baixos preços do leite, que se intensificaram no ano de 2001, encorajaram os produtores a inserirem touros nelore nas fazendas cruzando todas as fêmeas do plantel. Visavam, com isso, aumentar a receita com a veda de bezerros e tornar o gado mais rústico.

Contribuindo com esta tendência, no mesmo período em que os preços do leite apontavam para o valor mais baixo da história, considerando preços deflacionados pelo IGP-DI, o mercado de bezerros mestiços estava em alta, acompanhando a ascendência dos preços dos bezerros anelorados.

Nas figuras 1 e 2 estão os preços reais (deflacionados pelo IGP-DI) do leite e dos bezerros mestiços entre os anos de 2000 e 2004 nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás.
 

 


Observe que no exato momento em que os preços do leite eram os mais baixos, os preços dos bezerros mestiços eram os mais elevados. O fato ocorreu com maior intensidade nos meses de novembro e dezembro de 2001; um incentivo para que produtores adotassem a prática.

Os pesquisadores da Embrapa têm chamado a atenção para os riscos que os cruzamentos podem trazer para a pecuária leiteira pela perda da carga genética do rebanho especializado brasileiro.

Muitos discordam deste risco pelo fato de que a produção média brasileira é de 1 mil litros de leite por vaca por lactação. Com isso, mesmo com os cruzamentos entre raças especializadas e não especializadas, o simples manejo e alimentação balanceada garantiriam a média da produção brasileira.

No entanto, vale lembrar que as vacas que entraram neste sistema fazem parte dos animais que levantam a média da produção individual nacional.

 


Estimar as perdas que ocorrerão para a produção é difícil, pois muitas variáveis, além dos cruzamentos, devem ser consideradas. Porém, não há dúvidas que haverá um prejuízo para o plantel de raças adaptadas para a produção leiteira.
No final de 2003 e início de 2004, os pecuaristas recriadores e terminadores de boi para abate notaram o aumento de oferta de animais cruzados nelore com holandês ou girolando. Alguns chamam estes animais de "choqueados" e tem sido um ótimo negócio para os compradores.

Na média geral, os preços dos bezerros mestiços ainda ficam em torno de 15% a 20% abaixo dos preços dos animais nelore, porém, em regiões produtoras de leite, a maior oferta destes animais acaba provocando deságios de até 25%, em alguns casos chegando a 30% em relação ao animal nelore de mesma era.

A demanda também pressiona os preços. Em 2003 os frigoríficos passaram a pagar menos pelos animais cruzados, alegando baixa qualidade de carcaça.

Portanto, com elevada oferta de machos oriundos deste cruzamento em torno de 10 @ no mercado, é de se esperar que as fêmeas destes cruzamentos estejam entrando em produção neste ano, algumas mais adiantadas, outras mais atrasadas.

Consultores de fazendas leiteiras que atuam na região de Leopoldina (MG) já notaram o aumento de novilhas destes cruzamentos entrando em produção. Leopoldina fica a 100 km de Juiz de Fora, sede da Embrapa Gado de Leite.

Salvo os impactos regionais possíveis, como pode ser o caso da referida região em Minas Gerais, é pouco provável que a produção de leite nacional recue com base nesta variável. Se houver recuo na produção, estará mais relacionado a preços baixos neste período e não à qualidade genética do rebanho, pelo menos num primeiro rebanho.

Porém, o fato tende a contribuir para que o cenário de 2004 seja semelhante aos anos de 2002 e 2003: competição num ambiente de baixa oferta na entressafra.

Vale lembrar que com os preços extremamente baixos do leite "spot" a partir de outubro de 2003, muitas empresas devem estar estocadas e preparadas para a entressafra de 2004.

MAURÍCIO PALMA NOGUEIRA

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