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A difícil virada para 2004

POR MAURÍCIO PALMA NOGUEIRA

PANORAMA DE MERCADO

EM 26/12/2003

5 MIN DE LEITURA

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O ano 2003 não terminou com a mesma perspectiva que começou.

Embora nos primeiros meses os custos de produção tornassem os resultados dos produtores semelhantes aos vividos na crise da virada de 2001/2002, havia um clima de otimismo em torno da possibilidade de aumento nos preços.

O mercado indicava que o cenário seria de firmeza para o leite e que, finalmente, o produtor poderia recuperar parte dos prejuízos dos últimos anos.

O cenário se confirmou. Os preços do leite no primeiro semestre aumentaram constantemente num cenário de firmeza. Houve tentativas de redução nas cotações, por parte das redes varejistas, propaganda negativa contra os preços por parte da mídia não especializada, mas a tendência do mercado se manteve.

Os preços permaneceram firmes até julho e agosto, quando depois de 22 meses ininterruptos de alta (preço ao produtor), as cotações começaram a cair.

QUEDA NOS PREÇOS

Que os preços perderiam firmeza e recuariam já era esperado pelo setor, afinal há o movimento de safra e entressafra. No entanto, até o terceiro trimestre de 2003, esperava-se que o recuo ficasse em torno de 8% a 10%, o que representaria, em média, cerca de R$ 0,04/litro.

Considerando os preços vigentes na época, essa estimativa era plausível.

No entanto, as vendas de leite e derivados andaram para trás, um reflexo da crise vivida pelo consumidor brasileiro. Assim, as indústrias começaram a acumular estoques.

Com os estoques aumentando, ocorreu desequilíbrio entre oferta e demanda. O desequilíbrio no mercado, no final de 2003, esteve sempre relacionado ao baixo consumo dos produtos lácteos e não ao aumento da oferta de leite.

AUMENTO NA PRODUÇÃO?

Mesmo as estimativas da CNA (Confederação Nacional para Agricultura e Pecuária), que durante 2003 sempre apontaram para aumento da produção, também levaram em consideração um cenário de retração no consumo. Portanto, o aumento da produção, por si, não seria suficiente para reduzir significativamente os preços pagos pelo mercado.

Ainda assim houve quem atribuísse a queda de preços a um suposto aumento da produção, numa tentativa infundada de justificar a retração.

Chegou-se ao absurdo de se dizer que, em setembro, a produção aumentara 25%, algo definitivamente fora da realidade.

A pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que acompanha o recebimento de leite nos estabelecimentos fiscalizados, mostrou que em setembro houve retração de 2% na produção, quando comparado a agosto de 2003. Ou seja, a produção recuou, fato esperado para o último mês de entressafra.

Em 2003, os estabelecimentos fiscalizados receberam cerca de 3% a mais de leite, quando comparado ao mesmo período de 2002. Estes números se aproximam das estimativas da CNA para o aumento de produção em 2003.

PRODUÇÃO OU CONSUMO: E DAÍ?

Parece algo improdutivo esclarecer se foi aumento de produção ou queda de consumo que causou o desequilíbrio do mercado e a formação de estoques. Afinal, o resultado nos preços não é o mesmo?

Sim, mas na realidade, além de fatos, o mercado reage às expectativas. Frente à informação de que havia maior disponibilidade de leite, o mercado varejista passou a aumentar a pressão para reduzir os preços.

Imediatamente, após parte das indústrias ligarem a queda ao aumento da produção, as redes varejistas anunciaram novos recuos nos preços, intensificando o movimento de baixa no mercado.

De agosto até dezembro de 2003, os preços do longa vida no varejo recuaram 8,4%, puxando para baixo o mercado atacadista, cujos preços recuaram 12%.

Em dezembro, o longa vida baixou 3,25% no atacado e manteve-se no mercado varejista. Com isso, as margens entre os preços do varejo e atacado ficaram em 18,4%, a segunda maior diferença em dois anos.

QUEDAS ACIMA DO ESPERADO

Diante desse cenário, a partir de outubro, a expectativa mudou e, a tendência aceita pelo mercado foi a de que os preços aos produtores recuariam além do esperado. Até dezembro (produção de novembro), os preços já haviam recuado 12%, em média, R$0,06/litro.

Para o pagamento de dezembro, a ser efetuado em janeiro de 2004, novo recuo nos preços são esperados por 87% dos entrevistados pela Scot Consultoria.
Já incluindo a projeção de queda para a produção de dezembro, os produtores brasileiros receberam, em valores nominais, preços médios 30% maiores em relação a 2002.

Observe na tabela 1, os preços médios do leite em 2002 e 2003, nas principais bacias leiteiras do país.
 

 


Embora tenha ocorrido uma recuperação no valor, os produtores ainda se encontram em condições desfavoráveis. Os custos subiram proporcionalmente. O custo de produção de volumoso, por exemplo, aumentou 30% em 2003, quando comparado a 2002.

O DOLOROSO FIM DE 2003

Mesmo com quedas superiores ao esperado, o mercado apontava para recuperação no início de 2004, entre fevereiro e março.

No entanto, fatos novos pressionaram ainda mais o mercado já no início de dezembro.

Além de reduzir os preços para enxugar os estoques, diversas indústrias entraram no mercado "spot", redirecionando matéria prima de linhas de produção para o mercado de leite cru. Concomitantemente, as que não procederam desta maneira reduziram suas compras, fazendo com que o cenário do final do ano fosse de elevada oferta e baixa demanda no mercado "spot".

O resultado não podia ser outro. Os preços do "spot" caíram consideravelmente nos últimos meses, como ilustrado na figura 1.

 

 



Em dezembro as cotações recuaram em média 19% em Goiás, São Paulo e Minas Gerais. De julho a dezembro, o recuo foi de 35%.

O comportamento do mercado "spot" é um dos fatores que levaram 87% dos entrevistados a esperar por novas quedas nos preços para a produção de dezembro.

As notícias envolvendo os maus resultados, dívidas e pedido de concordata na sede da multinacional italiana Parmalat, segunda maior receptora de leite no país, contribuiu para o bambeamento do mercado "spot".

Embora sem nada de concreto no Brasil, salvo atrasos nos pagamentos que, segundo informações já estão sendo regularizados, a veiculação da notícia serviu para deixar o mercado especulado, contra a produção.

FELIZ? ANO NOVO!

Apesar do fim de 2003 ter sido adverso, os resultados foram melhores que os dos anos anteriores.

Porém as perspectivas para 2004 ficaram mais nebulosas com os novos fatos.

Em janeiro, por exemplo, vários produtores voltarão a receber o pagamento do leite extra cota, algo que não acontecia desde 2000. Em algumas regiões houve pagamento do excesso para o leite de novembro.

De boas notícias, para o final de dezembro, fica o desempenho das exportações.

Em novembro, o Brasil tornou-se exportador líquido de lácteos, com um superávit comercial no setor de US$1,6 milhão. No ano, porém, ainda há déficit na balança comercial dos lácteos, que deverá ser de US$60 milhões. Os principais exportadores acreditam em melhor desempenho para 2004.

Outra boa nova foi a distribuição de resultados, efetuado pela central cooperativa Itambé. Os produtores que se mantiveram fiéis à cooperativa ao longo de 2003, receberam uma bonificação natalina, fruto dos bons resultados obtidos, no exercício de 2003, e premiação pela fidelidade do produtor à cooperativa.

Esse fato sela um ano em que o cooperativismo parece ter recuperado um pouco da força e do otimismo.
Vamos trabalhar para que 2004 seja um ano de bons resultados, união e fortalecimento das cooperativas.

MAURÍCIO PALMA NOGUEIRA

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