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A confirmação do prenúncio: a crise é das piores!!!

POR MAURÍCIO PALMA NOGUEIRA

PANORAMA DE MERCADO

EM 23/11/2005

4 MIN DE LEITURA

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Quando se corrige o preço pelo IGP-DI (índice geral de preços - disponibilidade interna), calculado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), nota-se a queda drástica nas cotações do leite.

O valor do pagamento de outubro, pela produção de setembro, foi 13,6% inferior em relação ao mesmo período de 2004, computando-se a inflação. E em 2005 ainda esperam-se mais recuos nos preços, que podem se estender até a virada do ano. O produtor está visivelmente perdendo poder de compra, embora os alimentos concentrados ainda se encontrem mais acessíveis comparativamente.

O comportamento do mercado de 2005, entre diversos outros fatores, segue uma tendência lógica relacionada principalmente à capacidade do produtor brasileiro em responder com aumento de produção em momentos mais favoráveis.

Diversos pesquisadores já exploraram essa característica do setor leiteiro. Ainda em 2005, a Scot Consultoria explorou em duas ocasiões essa relação entre momentos favoráveis e a rápida resposta do setor produtivo na produção leiteira - no VII Interleite, organizado pelo Milkpoint em Uberlândia, e em um texto publicado na Revista Agroanalysis de junho da Fundação Getúlio Vargas.

Os bons momentos podem ser relacionados a preços mais altos ou mesmo com a redução de custos. Como sempre é lembrado pelo professor Sebastião Teixeira Gomes, o que importa ao produtor é a margem, a diferença entre custos e receita, desde que a escala seja suficiente, evidentemente.

Pois bem, em ambas as ocasiões, a linha de raciocínio defendida pela Scot Consultoria baseava-se na tese de que preços favoráveis do leite ou preços baixos de alimentos tenderiam a promover o aumento da produção de leite e, conseqüentemente, queda drástica de preços no momento imediatamente posterior ao fato.

O que sustenta este raciocínio é justamente o baixo nível tecnológico das fazendas leiteiras brasileiras. Qualquer alimento que se forneça às vacas tende a promover um considerável impacto na produção na grande maioria dos estabelecimentos leiteiros do país. Evidentemente, onde já se adota tecnologia, o processo não ocorre desta maneira.

E é exatamente o que tem ocorrido. Os preços do leite mais favoráveis em 2003 e parte de 2004, e preços baixos dos concentrados em 2004 e 2005 provocaram um aumento na captação de leite em 2005, fruto em grande parte do aumento da produção, mesmo durante os primeiros meses de seca. Observe o favorecimento da relação de troca entre quantidade de alimentos comprados com um litro de leite na figura 1.

Clique aqui para ver a figura 1.

Comparando o período de março de 2004 a junho de 2005, a relação de troca é 19,5% mais favorável ao produtor de leite em relação à troca do período que antecede o ano de 2004. Realmente, o produtor de leite teve mais acesso aos alimentos neste período.

Os concentrados, além de representarem os insumos de maior impacto direto em termos de produção, são os de maior impacto nos custos de produção. Dependendo da tecnologia, os concentrados representam entre 25% a 35% do total dos custos operacionais.

Nestas condições, era de se esperar um aumento na produção e, conseqüentemente, na captação de leite na maioria das praças produtoras do país. Observe, na tabela 1, o aumento da captação de leite registrada pelo IBGE no período de janeiro a junho de 2005. Os dados referem-se ao Brasil e aos seis maiores Estados em produção leiteira.

Tabela 1. Evolução da captação de leite nos estabelecimentos fiscalizados no Brasil e nos maiores Estados produtores de leite no país. Comparação entre o ano de 2004 em relação a 2003 e o de 2005 em relação a 2004. Em %.
 


Com exceção de São Paulo, em 2005, os principais Estados aumentaram a captação de leite, o que levou o país a captar 13,26% a mais em 2005, quando se compara ao mesmo período de 2004.

Outro fato, de grande importância, é a ausência de tempo de armazenagem de leite nas fazendas. Esse período inexiste, pois nem se pode considerar aquelas 24 ou 48 horas de tanque de expansão. Por este último fator que sempre se discorre da necessidade de um cooperativismo forte e estruturado para industrializar, armazenar e planejar o escoamento da produção leiteira. É a única forma do produtor brasileiro não ficar a mercê destas oscilações tão severas e, até certo modo, esperada nos preços. Até certo modo, porque era certo que os preços cairiam, mas poucos apostavam em quedas tão severas nos preços de 2005. Pelo menos até a divulgação da captação de leite até o mês de junho, realizada pelo IBGE.

Portanto, somando todos os fatores, é de se esperar que ocorram quedas nos preços de mercado. Na figura 2 estão apresentados os preços médios anuais, corrigidos pelo IGP-DI, do leite segundo acompanhamento da Scot Consultoria desde 1998.

Figura 2. Preços médios anuais pagos ao produtor leiteiro no Brasil - R$ corrigidos pelo IGP-DI

 


Em meados do ano, quando o setor já vivia o "prenúncio de uma grande crise", parafraseando o engenheiro agrônomo Rodrigo Alvim, presidente da Comissão Nacional da Pecuária de leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil(CNA), as estimativas de preços médios já haviam recuado 3%. Até novembro, já se espera preços 6,2% inferiores às primeiras estimativas e, com grande chance, da situação piorar ainda mais.

Desde o pagamento de setembro, o produtor de leite já colhe prejuízos em 2005, mesmo com a relação de troca por alimentos mais favorável. Em toda a história, considerando a inflação, os preços de 2005 já são o segundo pior, ficando apenas atrás do terrível ano de 2001.

"Taí" um outro ano dificílimo para um setor que sofreu durante toda a década de 90.

MAURÍCIO PALMA NOGUEIRA

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HELTON PERILLO FERREIRA LEITE

LORENA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/12/2005

Caro Maurício,



Entendo que os preços estão baixos porque a oferta é maior que a demanda. Simples assim. E porque a oferta é maior que a demanda?Um dos motivos é a importação de leite. Em qualquer decisão de investimento econômico a primeira pergunta que se faz é sobre a sua necessidade. Ou como dizia meu avô Jovino, antigo fazendeiro, "Precisa"?



Se não precisa, então para que importar leite?Temos leite suficiente para atender o mercado e estamos aumentando esta produção. O público não está pedindo mais. Para que importar? Não seria isto falta de política rural?



A conseqüência desta falta de política federal é o desmantelamento da cadeia produtiva começando no produtor rural, o elo mais frágil. Existe uma tendência de saída do negócio do leite.Vamos esperar acabar com um dos setores maiores geradores de emprego do país?Ou deveríamos (quem?) tentar alguma coisa? Talvez devêssemos lutar para dificultar a importação de leite.Estou fazendo minha parte ao escrever isto.



Helton P. F. Leite

Eng. Agr. - Produtor de leite em Lorena (SP)



<b> Resposta do autor:</b>



Prezado senhor Helton,



De fato a importação aumentou em 2005.O Brasil importou, em equivalentes litros de leite, cerca de 58 milhões de litros a mais, um crescimento de 23% em relação ao mesmo período do ano anterior.



No entanto, este volume representa apenas 6,4% do aumento da captação formal de leite entre os meses de janeiro a junho. Só nos primeiros 6 meses de 2005, o produtor de leite entregou 915 milhões de litros de leite a mais que o mesmo período de 2004. Portanto, o grande volume de leite realmente estava aqui dentro, no próprio país.



Independente da importância da importação na formação dos preços deste ano, o senhor está coberto de razão ao dizer que o setor precisa agir, fazer algo para evitar que seja desmantelado. Aí, podemos enumerar diversas ações que devem ser postas em prática.



Quanto à importação propriamente dita, se o mercado internacional não estivesse firme, com preços altos para o leite, estaríamos numa situação bem difícil. Aí sim, poderia estar entrando muito leite no Brasil, como já ocorreu em alguns anos. Hoje, no entanto, a balança comercial do setor leiteiro, pela segunda vez consecutiva, é positiva.



O Brasil exportou 29% a mais em 2005, quando comparado ao mesmo período de 2004 (janeiro a outubro). Até o momento, o saldo em equivalentes litros de leite é de 208 milhões positivos.



Ressalto que mesmo com saldo positivo, o momento é muito difícil, pois está sobrando leite, de fato, no país. É preciso abrir mercados, caso contrário à pressão será mais alta ainda nos próximos anos.



Atenciosamente,



Maurício Palma Nogueira

engenheiro agrônomo

PLÁCIDO BORGES CAMPOS

CÁSSIA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/12/2005

Nunca tinha visto uma situação como esta antes. O preço do leite cai por que a demanda é baixa, demanda baixa no meu entender deveria cair os preços nos supermercados. Estive em um supermercado de minha cidade e fiquei pasmo: mussarela a R$10,00 o kg, fui ver um iogurte natural, o preço era de R$1,49 por 200ml. Assim fui vendo os preços em época de redução de preços ao produto?Com certeza as indústrias terão alguma explicação, mas não dá para entender.



Plácido

LUCIANO FERES JACOB

SÃO SIMÃO - GOIÁS - EMPRESÁRIO

EM 30/11/2005

Sr. Mauricio,



Referente à carta do Sr. Renato Fonseca gostaria de questioná-lo: em uma recente visita a fábrica da Nestlé de Ituiutaba, Minas Gerais, vi uma placa com os seguintes dizeres "Nossa meta 1,75 milhão de litros/ dia". Bem, pelo que me deu a entender e que eles ainda não alcançaram esta meta, ou seja, esta faltando leite no mercado, ou o consumo está baixo (acredito ser este ultimo o motivo da baixa no preço do leite). Se esta suspeita minha estiver correta o senhor há de concordar que o Sr. Renato tem razão em alguns pontos. Gostaria que o senhor comentasse a respeito.



Desde já agradeço e cumprimento pelas excelentes matérias publicadas no site.



Luciano Jacob

zootecnista e produtor rural



<b>Resposta do autor:</b>



Prezado senhor Luciano,



Uma das metas da DPA (Nestlé) é melhorar a captação entre os seus produtores, melhorando a média de produção de cada um. Com o pagamento por qualidade, melhoram o volume, reduzindo custos logísticos e o rendimento operacional na produção de derivados lácteos, com a melhoria da qualidade do leite. Reduzem custos, ganham competitividade.



A DPA, em 2004, captou cerca de 3,1 milhões de litros de leite por dia de seus produtores e mais cerca de 1 milhão de litros por dia foi comprado junto a outras indústrias-o mercado "spot". Portanto, os produtores não fornecem suficientemente para atender a demanda da Nestlé; pois cerca de 25% do leite vem de terceiros, segundo dados compilados pela Embrapa Gado de Leite, CNA e Leite Brasil.



Se Ituiutaba chegar a 1,75 milhão, sua captação vai representar cerca de 56% do leite captado pela Nestlé em 2004, em todo o país. Portanto, essa meta pode até refletir a sensação de falta de leite, mas está mais relacionada a um planejamento interno da própria DPA. Trata-se de estratégia entre as unidades.



Mas fique tranqüilo quanto a um fato. Uma hora a demanda irá superar a oferta, e os preços subirão novamente. É o raciocínio do senhor Renato. A dúvida é: quando ocorrerá e com que intensidade?



Um forte abraço,



Maurício Palma Nogueira

engenheiro agrônomo
LUCIANO FERES JACOB

SÃO SIMÃO - GOIÁS - EMPRESÁRIO

EM 23/11/2005

"O produtor está visivelmente perdendo poder de compra, embora os alimentos concentrados ainda se encontrem mais acessíveis comparativamente". Sobre estes preços dos concentrados, meu medo é que no ano de 2006 haverá uma redução drástica na produção de grãos, refletindo severamente nos nossos custos. Na minha região muitos produtores estão tendo que pagar ração que foi consumida na seca, recebendo o leite com preço de R$ 0,32. Estes logo logo estarão abrindo o bico e saindo fora do mercado. Parabéns novamente à equipe do MilkPoint pela ótima matéria editada.
RENATO FONSECA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/11/2005

Prezado Maurício,



A sua moeda parece ter apenas uma face! Você sempre fala em aumento súbito da produção, dadas as características pouco especializadas de parte significativa da produção nacional para justificar igualmente súbitas quedas de preço. E a outra face da moeda, Sr. Maurício? Quedas súbitas de preço não geram queda repentina da produção? Repare que se a sua resposta a esta pergunta for negativa, mergulharemos em uma contradição de difícil solução. Como pode a produção reagir positivamente de forma rápida, se já partir de um patamar elevado?



Em outras palavras, para haver aumento repentino, é preciso que se parta de um patamar baixo e, para se chegar ao patamar baixo, é preciso ter havido uma queda anterior. E não haveria de ter sido lenta, pois como poderia o produtor descapitalizado e de baixa tecnologia sustentar produções mais altas em um ambiente de preços baixos do leite?



Se a sua teoria da gangorra estivesse correta, viveríamos numa situação de variações abruptas de preço, tanto para cima como para baixo. Os produtores, entretanto, sabem que a velocidade da queda do preço do leite é quase sempre muito mais rápida do que a velocidade do aumento nos preços.



Além do mais, eu questiono muito este aumento súbito na produção de leite pouco tecnificada no Sudeste, ainda no início da estação chuvosa (que este ano iniciou-se mais tarde do que o habitual), quando os pastos apenas agora estão se recuperando.



A tragédia que se abate sobre o produtor de leite há muitos anos é o resultado de um mercado fortemente assimétrico, onde o poder de determinar os preços está longe de ser ditado apenas pelas leis da oferta e da procura, como as suas análises sempre deixam subentendido. Não creio em solução para este problema, fora do fortalecimento e da união dos produtores para forçar um maior equilíbrio desta viciada balança que é o mercado de leite.



Saudações,



Renato Fonseca



<b>Resposta do autor:</b>

Prezado senhor Renato,

Saudações!

Primeiramente já te respondo que minha "moeda" não tem apenas uma faceta. Se passo essa impressão, ela é provavelmente originada pela mesma sensação que explica a tão comentada lei de Murphy: tendemos a lembrar mais das coisas negativas, do que dá errado, do que nos agride.



Se o senhor acompanhar, ou reler (pois sei que se trata de um leitor bem assíduo deste site), artigos mais antigos, escritos em épocas de aumentos de preço, verá que falo também do inverso. Aliás, mesmo nos últimos artigos escritos, diversas vezes falei que esta situação é cíclica e em algum deles, que não me lembro agora, lembrei inclusive do período de mais de 20 meses de aumento ininterrupto de preços do leite.



Essa condição, de resposta rápida de produção, não é teoria, mas sim fato. Quanto mais rápido entendermos, e mais rápido buscarmos soluções, maiores serão as chances do setor conviver com os graves problemas que oscilações nos preços causam aos produtores e no planejamento das fazendas. Fingir que não existe, e não apontar o problema seria fugir da realidade.



Bom, vamos ao que interessa. O inverso é verdadeiro sim, reduções nos preços reduzem a tecnologia e, consequentemente, a produção. Por quê então não é tão comentado como o aumento da produção? Pelo simples fato de que seus efeitos são administrados pela indústria através dos estoques. Pode cair bruscamente a produção, nos mesmos níveis que aumenta, que os preços não devem subir tão rapidamente, como ocorre quando a pressão é de baixa.



O fato é que a indústria administra a queda de produção; o produtor não! Essa é a base dos ensinamentos de economia agropecuária, que inclusive acabam por justificar a necessidade do cooperativismo. O número de "players" na produção é significativamente superior ao número de "players" na indústria.



É também essa a linha de raciocínio que explica a sua afirmação, na carta a mim enviada, "o poder de determinar os preços está longe de ser ditado apenas pelas leis da oferta e da procura". Na verdade, todos os mercados seguem esta lei. Deve ser a que mais vale para o mundo, juntamente com as leis de Newton. O que ocorre é que, com informações e com ações, é possível trabalhar as oscilações de produção, trabalhar estoques e, assim, dar uma "tapiadinha" na lei. É o que a indústria faz. Há quantos anos, tanto a Scot Consultoria como outras instituições que analisam mercado, vêm chamando a atenção sobre os preços em períodos de safra que favorecem a formação de estoques?



Portanto é real a sua observação, é fato que as quedas sempre são mais rápidas que os aumentos. Concordamos, eu e você, com isso, pois trata-se de um fato. O que nos diferencia, com relação ao ponto de vista, é a explicação para tal.



Portanto, jogando com esta característica da produção, típica da realidade o produtor rural, a indústria é capaz de manter a linha média dos preços anuais mais abaixo, enquanto ela poderia estar um pouco acima.



E apenas para usar as suas palavras, infelizmente, nós vivemos sim uma situação "de variações abruptas de preço, tanto para cima como para baixo". Há poucos anos, os preços chegaram a variar 80% dentro de um mesmo ano, sem ocorrência de catástrofes climáticas ou outros tipos de catástrofes. São fatos que enfrentamos há muito tempo.



Claro, com relação à produção, é válido lembrar que apesar das quedas nos volumes, quando se reduz os preços, os mesmos sempre cairão a um patamar um pouco superior do que era o "baixo" antes da ocorrência deste ciclo. Há uma tendência de ganho em tecnologia em toda a produção agropecuária ao longo dos anos. No artigo desta quinzena, o Dr. Paulo do Carmo Martins fez uma excelente análise sobre o fato.



O sudeste também vive este fenômeno. E o mesmo não está relacionado às pastagens, mas sim ao aumento de produção a partir do fornecimento de concentrados. As pastagens estão relacionadas mais às variações comuns de safra e entressafra, normalmente uma oscilação que tem variado de 8% a 12%. Lembre-se que os 13% de aumento, relacionado no artigo, referem-se à produção de meses de safra e de entressafra.



Por fim, apesar de discordar da minha análise, acho que o senhor conclui perfeitamente a possibilidade de solução: "fortalecimento e da união dos produtores para forçar um maior equilíbrio desta viciada balança que é o mercado de leite". Caímos, novamente, na necessidade de cooperativismo.



Evidentemente que mantenho toda a análise que escrevi e venho escrevendo. Espero que eu tenha conseguido ser claro na explicação.



O que me preocupa mais, em sua carta, é quando o senhor coloca "você sempre fala em aumento", logo no início. Confesso que eu não tinha percebido esta tendência de tocar sempre neste ponto. Realmente faço isso sim, talvez seja até um vício. Talvez esteja até me tornando repetitivo.



No entanto, essa minha postura se deve ao tamanho da importância que dou a esta característica da produção nacional. Ela vale para governo, para a sociedade, produtores e técnicos. Quando todos resolverem combater este efeito, das rápidas respostas em produção pelo nosso baixíssimo nível tecnológico, estaremos combatendo também:



- o problema da baixa qualidade do leite, assunto do momento;



- o problema social do campo; maior tecnologia gera mais renda na forma de empregos, diretos e indiretos;



- o problema de mercado do produtor rural. Este ano seria de lucro, preços favoráveis. Em dois meses, o mercado mudou para prejuízo ao produtor e jogou os preços já para o segundo pior valor da história (Oscilação abrupta?);



- a questão ambiental. Obviamente que a aplicação de tecnologia é ecológica, pela possibilidade de economia de novas áreas no sistema de produção;



- o desperdício e recursos públicos. Analisando friamente, diversos programas sociais colocam micros produtores na contramão desta tendência, um problema de mercado, um círculo vicioso no processo. Analise bem, que há "produtores" de leite subsidiados no Brasil.



Enfim, são várias as questões relacionadas a esta particularidade. Agora, pelo debate iniciado pelo senhor, responda uma pergunta: A quem interessa que a produção brasileira continue "organizada" desta maneira? E quem deveria encarar o desafio?



Um forte abraço,



Maurício Palma Nogueira

engenheiro agrônomo



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