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Uma pergunta simples: A qualidade do leite tem melhorado nos últimos anos?

POR LAERTE DAGHER CASSOLI

GIRO DE NOTÍCIAS

EM 27/07/2012

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Nesse artigo iremos tentar responder a uma pergunta que frequentemente é feita a nossa equipe da Clínica do Leite: "Mas e ai? A qualidade melhorou ou não nos últimos anos?". Aparentemente trata-se de uma pergunta simples que poderia ser respondida sem mais delongas. No entanto, a sua resposta necessita de uma análise intensa e cuidadosa sobre o banco de dados de resultados de análise. Ao longo destes últimos 2 meses, fizemos um estudo, o qual iremos apresentar neste artigo para que possamos responder de forma técnica e científica se a qualidade melhorou ou não ao longo dos últimos anos.

O banco de dados da Clínica do Leite - ESALQ/USP

A Clínica do Leite monitora leite de cerca de 366 indústrias localizadas principalmente nos estados de São Paulo e Minas Gerais, mas também em Goiás, Paraná, Mato Grosso do Sul e Bahia. O programa de monitoramento iniciou-se em 2002/03 e intensificou-se após 2005 com a IN-51. No início eram menos de 15 indústrias com cerca de 2.000 produtores monitorados. Este número foi aumentando a cada ano e em junho de 2012, atingimos cerca de 40.000 fazendas com pelo menos uma análise mensal.

Variáveis de avaliação da qualidade do leite e seleção de produtores

Para este estudo, utilizamos duas variáveis de avaliação da qualidade do leite, a contagem bacteriana total (CBT) e a contagem de células somáticas (CCS). Foi considerado o período de 2007 a 2012 (até junho 2012), e para cada produtor selecionado, foi calculada a média geométrica anual para CCS e CBT.

Em relação aos produtores selecionados, temos que destacar aqui qual foi o critério utilizado tendo como objetivo responder a pergunta inicial "A qualidade do leite melhorou nos últimos anos ?". Para responder a esta pergunta temos que analisar sempre a mesma população de produtores durante os anos de 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012. Portanto, selecionamos somente produtores que tiveram análise durante os 5 anos consecutivos. Assim poderemos analisar se de fato houve alteração na qualidade do leite.

Além disso, incluimos nesta avaliação o fator "Programa de valorização por qualidade (PVQ)", ou seja, dividimos os produtores em dois grupos: Grupo A (produtores cujas indústrias compradoras remuneram por qualidade - PVQ) e Grupo B (produtores cujas indústrias compradoras não remuneram por qualidade - SPVQ). Com esta análise poderemos verificar se os produtores com PVQ apresentaram uma melhoria da qualidade mais intensa que os demais.

Resultados observados

Na tabela 1, são apresentados o número de produtores que tiveram resultados de análise durante os 5 anos (2008, 2009, 2010, 2011 e 2012), tanto para CCS quanto para CBT. Como podem observar trata-se de um número significativo de produtores, quase 10 mil, acompanhados durante os 5 anos. Como o ano de 2012 ainda não se encerrou, iremos considerar apenas até o ano de 2011 para fazermos as nossas considerações.

Tabela 1. Número de produres monitorados continuamente durante 5 anos


Para cada ano e grupo, distribuimos os produtores de acordo com determinadas faixas (classes) de CCS e CBT. Do ponto de vista analítico, a distribuição dos produtores por faixas é a melhor maneira de se caraterizar a população estudada.

No Gráfico 1, apresentamos esta distribuição para CBT de produtores não submetidos a programa de valorização da qualidade (SPVQ). Podemos notar que a % de produtores com CBT acima de 600 mil UFC/mL diminui significativamente de 49% em 2008 para 33% em 2011 (redução de 32%). Se considerarmos o limite de 100 mil, tinhamos 15% de produtores "conformes" em 2008 sendo que em 2011 esta proporção subiu para 23% (aumento de 50%). Fica evidente portanto a melhoria na CBT ao longo dos 5 anos, mesmo para produtores que não estavam submetidos a um PVQ.

Gráfico 1. Distribuição de 5.149 produtores sem PVQ, em função da CBT, durante o período de 2008 a 2012.


Já no Gráfico 2, temos a mesma distribuição para produtores que estavam submetidos a um PVQ.

Gráfico 2. Distribuição de 4.825 produtores com PVQ, em função da CBT, durante o período de 2008 a 2012.


Considerando limite de 600 mil UFC/mL, tínhamos uma porcentagem de 17% dos produtores em 2008, contra apenas 8% em 2011 (redução de 52%). Por outro lado, considerando o limite de 100 mil UFC/mL, em 2008 tínhamos 53% dos produtores "conformes", contra 65% em 2011 (aumento de 30%). Assim como os produtores sem PVQ (SPVQ), produtores submetidos a PVQ apresentaram uma melhora significativa na qualidade do leite quanto a CBT.

A velocidade com que ocorreu esta melhoria pode ser questionável, visto que estamos falando de 5 anos e de uma variável (CBT) que tecnicamente é uma das mais fáceis de serem trabalhadas.

Vale ainda ressaltar aqui a diferença que existe entre produtores submetidos ou não a programas de valorização da qualidade. Observem que abaixo de 100 mil UFC/mL (limite que será adotado em 2016), quase 70% dos produtores que recebem por qualidade, já estariam conforme, contra apenas 23% dos que não recebem por qualidade.

E quanto a CCS? Será que também estamos observando uma melhoria significativa? No Gráfico 3 é apresentada a distribuição dos produtores não submetidos a um PVQ (SPVQ).

Gráfico 3. Distribuição de 5.111 produtores sem PVQ, em função da CCS, durante o período de 2008 a 2012.


Diferentemente da CBT, a % de produtores acima do limite de 600 mil cels/mL não se alterou e inclusive sofreu aumento de 21% em 2008 para 26% em 2011. Se considerarmos o limite de 400 mil cels/mL (que passará a valer em 2016), tinhamos 55% dos produtores "conformes" em 2008 e 50% em 2011. Através destes resultados, podemos concluir que a qualidade do leite não melhorou quanto a CCS, em produtores que não recebem por qualidade (PVQ). Mas e os que recebem por qualidade? Será que melhoraram a CCS visto que foram incentivados financeiramente para isso ?

Como podemos observar no Gráfico 4, também não houve qualquer tipo de melhora na qualidade do leite quanto a CCS, mesmo nos produtores que foram "incentivados".

Gráfico 4. Distribuição de 4.806 produtores com PVQ, em função da CCS, durante o período de 2008 a 2012.


Da mesma forma, diferentemente da CBT, para CCS não existe diferença na distribuição dos produtores com ou sem PVQ.

Tal comportamento sugere que existam outros fatores que influenciam na redução da CCS, que não o PVQ. Somado a isso, sabemos que o controle da mastite é um tema complexo e que exige um esforço muito grande por parte do produtor.

Como pudemos observar através dos resultados aqui apresentados, nota-se uma melhoria da qualidade quanto a contagem bacteriana total nos últimos anos, talvez numa velocidade não tão grande como poderíamos imaginar. Além disso, produtores com PVQ possuem um leite com menor CBT. Já para CCS, nota-se que não houve qualquer tipo de melhoria nos últimos anos o que comprova que o controle da mastite é um dos grandes desafios dos produtores e técnicos.

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KASSIANO ANDRE TREZZI

TEUTÔNIA - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 11/08/2014

Professor,



falando em qualidade surge quase sempre a melhoria de CCS e CBT



temos outros desafios e outros problemas de qualidade que estão surgeindo nos ultimos tempos, acidez baixa, LINA e outros..

Uma que aparece com frequencia e merece destaque é  crioscopiá  de 0,550, a,555, 0,560 e mais..ja em amostras direto de animais..

consegue comentar algo nesta questão??
ANASTACIA HALAJDA RESSEL

PONTA GROSSA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/12/2012

Flavio, manejo de ordenha, pré e pós ordenha e digo mais todas as instalações da propriedade toda devem estar direcionados para a qualidade do produto LEITE. Estes itens  e outros muitos são exigidos na Certificação de Propriedade, verifique este assunto,  a Dra. Roberta Zugue é especialista no assunto.

Anastácia.

FLAVIO

ITAPETININGA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/08/2012

ANASTACIA  E MUITO FACIL BAIXAR CCS E MUITO  FACIL BAIXAR CBT E SO VC ME DIZER  A ONDE EU COMPRO VACAS MECANICA SO ASSIM  EU POSSO ISOLAR ELA  DA URINA DO ESTERCO E DO BARRO
LOMANTO ARANTES MORAES

ANÁPOLIS - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 13/08/2012

Parabéns pelo trabalho!


Todos os comentários são pertinentes e seria material para longas discussões no que tange o papel a ser exercido por cada ator, como por exemplo: O estado, a industria, o produtor, os técnicos, os pesquisadores e etc. Porém gostaria de me ater a apenas um ator, o consumidor. No caso devemos fazer algumas perguntas, como:


a) O consumidor percebe a qualidade no produto final?


b) O consumidor percebe diferença nas marcas?


c) O consumidor já recebeu alguma informação midiatica sobre a IN 51 ou 62? Por que ela é necessária? Quais os riscos a sua saúde ? O que significa o Selo SIF?


e) O consumidor tem a oportunidade (direito) de identificar os niveis de qualidade (ao menos cbt e ccs) dos derivados expostos na gondôla dos mercados?


f) O consumidor teve (ou tem)  oportunidade de saber o que é cbt e ccs? Mesmo numa visão simplificada. Obs.: Podem me questionar que isto não seja importante, mas digo que a maioria dos consumidores sabem pouco tecnicamente sobre energia eletrica, porém a grande maioria sabe identificar uma geladeira com o selo de baixo consumo.


g) Coincidência ou não, o ponto "G", A ignorancia do consumidor é bom ou ruim para a cadeia?

Bem amigos! Creio que poderiamos mexer muito neste queijo, se atingirmos quem paga a conta.

Abs.
LAERTE DAGHER CASSOLI

PIRACICABA - SÃO PAULO - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 02/08/2012

Bom dia a todos,

Todos os comentários são muito interessantes e oportunos o que sempre enriquece a discussão. Esperamos sempre poder publicar aqui informações sobre qualidade do leite e que sejam de interesse do setor.

Saudações

Laerte
JORGE ANTONIO LOEBENS

VERA CRUZ - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 01/08/2012

Excelente artigo e radiografia do que está acontecendo na região avaliada. Gostaria que este artigo servisse de estímulo e até compromisso aos Laboratórios de qualidade do Leite  do Sul para também mostrarem os seus resultados (Laboratório da UPF, Univates, etc.). Noutro dia ouvi  um palestrante dizer que a figura do Estado(Poder Público) nasce de um dos instintos menos nobres da espécie humana que é a incapacidade de se autogerenciar,precisando desta figura externa para fazer isto e que é o Estado. E aí concordo plenamente com o colega Guilherme Alves de Mello Franco. Parece que temos uma complacência mórbida com o amadorismo. O colega Michael coloca que quando o "cutuco" existe os resultados aparecem. Está na hora do MAPA, SIF, etc ; tirar os olhos do papel. Todas as indústrias são obrigadas a confeccionarem o seu MBP (Manual de Boas Práticas de Fabricação) que deveria prever também a forma de coleta de seu produto. Como pode então ser possível que empresas ainda coletem leite de baldes parados na beira da estrada ? (acontece também na minha região). E a culpa não é de quem põe na beira, pois ele, sem saber, também acaba sendo vítima como toda a cadeia, quando dá o estouro. Basta lembrarmos da operação "ouro branco", leite com água oxigenada, cal, etc. Aí não há marketing que resolva. Parabens pelo trabalho.
ANASTACIA HALAJDA RESSEL

PONTA GROSSA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 01/08/2012

È simples baixar a CCS, voce baixando a CBT  uma grande parte da CCs vai baixar,porque esta alta, tambem tem muita relação com higiene tais como, cama da vaca, piso, manejo pós ordenha, regulagem do sistema de vácuo etc.

Att:.

Anastacia
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 31/07/2012

Prezado Laerte: Parabéns pela análise. É uma pena que tenhamos que nos dedicar a analisar os problemas brasileiros de qualidade do leite, porque, ao contrário do que possa parecer, os produtores não fazemos mais do que nossa obrigação em destinar ao mercado um produto de qualidade, eis que lidamos com um alimento nobre, essencial à vida da população, despiciendo haja ou não pagamento superior por este estado de coisas. É preciso, de uma vez por todas, deixar de procurar motivações para que não se tenha melhorias na qualidade do leite nacional e, realmente, impor regras rígidas para que o pecuarista se concientize desta necessidade. Não é hora mais de desculpas. Quem não pode ou não quer pugnar pelas necessárias melhorias, que saia do mercado. O que não se pode é permitir, como até agora tem sido, que os profissionais paguem pelos erros dos amadores. E tal determinação também deve ser aplicada à indústria, eis que, malgrado toda a excelente legislação, continua-se a transportar leite de latão, às claras, em todos os recantos do Brasil, sem que haja nenhuma interferência das entidades responsáveis pela fiscalização - muitos destes laticínios possuem selo do Sistema de Inspeção Federal (SIF) e deveriam estar sendo punidos por tais práticas atentatória à norma vigente. Falta de pessoal voltado para a fiscalização efetiva de há muito deixou de ser desculpa: falta de interesse, entendo mais adequado aos fatos, infelizmente.

Um abraço,

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
MICHAEL WARKENTIN

PALMEIRA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 30/07/2012

Caro Laerte!

Gostaria de parabenizá-lo pelo artigo aqui publicado.

São realmente questões que necessitam ser debatidos constantemente a fim de se obter melhores resultados.

Quanto à CBT, realmente não há muito o que falar, ela depende da higiene na ordenha, ordenhador e equipamentos.

Quanto à CCS, darei a minha versão aos fatos o que tenho feito e visto na minha região.

Tínhamos em nossa propriedade problemas com CCS e valores ao redor de 400. O leite que vendíamos era pago através de um sistema de qualidade e por este motivo nos vimos obrigados a melhorar a qualidade do leite.

Para isso iniciamos o programa gestão de qualidade por intermédio de uma associação que temos próximo a nosso município e que trabalha em parceria com as nossas indústrias na região. Logo no início já vimos a diferença pois através dos resultados individuais de CCS por vaca pudemos identificar quais os animais que estavam com problemas e através desta mensuração tratá-los ou em último caso descartar os animais que acabavam dando "prejuízo" na propriedade.

Após um período utilizando o gestão de qualidade iniciamos o controle leiteiro oficial e os dados hoje são os seguintes.

Média CCS dos 12 aos 24 meses: 302

Média dos últimos 12 meses: 100

Média no último controle: 76.

Acho que os números falam por si só. Vale lembrar que estas médias são do rebanho inteiro e não são descartados animais nos dias de controle, sendo que são analisados até animais que eventualmente estão em tratamento.

Da mesma maneira verifiquei avanço no combate a CCS em rebanhos em que dou assistência onde através de controle individual de CCS por vaca, sendo através CMT ou controle leiteiro os resultados foram muito satisfatórios para redução da CCS.

Após identificar os animais ´problemas´ não se deve optar em descartar os animais imediatamente. O mais correto e o que nós temos feito é realizar cultura antibiograma para identificar qual o tratamento mais eficaz e assim não gastar dinheiro com medicamento que talvez não tragam os resultados esperados. Se mesmo assim não há resultado eficaz opta-se pelo descarte mas asseguro que não foi o nosso caso.

A prorrogação dos limites para qualidade também não devem na minha opinião serem feitos, necessitamos sim de fiscalizações mais eficiente e exigir a qualidade em todos os estados e adotar política de pagamento por qualidade em todo território nacional. A produção de leite não é ´hobby´ e sim atividade que exige profissionalização.

Como temos muitas empresas trabalhando na comercialização de produtos de higiene e tratamento devemos trabalhar em conjunto para ajudar a combater estes problemas no campo e desta maneira solucionar os problemas e sermos referência também na qualidade do leite vendido.

Att

Michael
WELINGTON ROBERTO MATTANO GEAROLA

TOLEDO - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 30/07/2012

Bom dia a todos e todas!

PARABÉNS PELO TRABALHO CASSOLI! Em especial a todos da Clínica do Leite - ESALQ/USP!

Primeiramente gostaria de enfatizar que o trabalho demonstra que O DEVER DE CASA DOS PRODUTORES, tem muito mais haver com pagamento por qualidade, que simplesmente  falarmos de falta de higiene. SE NÃO HOUVESSE EMPRESAS COMPRANDO E COLETANDO LEITE SEM HIGIENE OU FORA DAS NORMATIVAS, não haveria uma faixa tão grande de produtores permanecendo por anos fora do padrão, PODEMOS FAZER UM PARALELO COM TRAFICO DE DROGAS, SE NÃO HOUVESSE COMPRADORES (LATICÍNIOS SEM COMPROMISSO COM QUEM CONSUMIRÁ OS PRODUTOS FABRICADOS), NÃO HAVERIA TRAFICANTES (PRODUTORES QUE PERMANESSEM FORA DO PADRÃO). É simples criticarmos a FALTA DE HIGIENE dos produtores, como também é simples NÃO ter uma política consistente de pagamento por qualidade e assistência técnica dentro da grande maioria das empresas, por outro lado, vemos o descompromisso do Governo através das normativas, liberação de créditos sem vistoria e acompanhamento técnico, falta de programa assistência técnica, cota de volume para importação, incentivos para produz com qualidade superior... Devemos também repensar nos moldes de fiscalização das indústrias lácteas, pois como sempre o Governo repassa à indústria a obrigação em suprir sua ineficiência técnica em orientar e assistir os produtores rurais, onde a indústria de alguma forma tenta penalizar produtores fora do padrão, a exemplo: leite com resíduo de antibiótico, com acidez, crioscopia... que NÃO deveriam ser coletados, mas com a pressão de outras industrias que "carregariam" este produto alegando boa qualidade, mesmo que para descartar o volume comprometido e assim angariar mais um produtor para seu quadro de fornecedores. Para que não aconteça esta migração a indústria coleta e descarte na plataforma (indústria responsável, idônea) gerando negociação de leite impróprio para industrialização e prejuízo para toda a cadeia.

Mesmo assim, há inúmeros produtores e empresas que tem responsabilidade na matéria prima ou produto acabado, que buscam agregar valor por qualidade e seriedade através da melhoria continua e o fortalecimento da cadeia.

Somos responsáveis  pela realidade no setor e devemos primar por qualidade e responsabilidade desenvolvendo NOSSOS PAPÉIS nos elos da cadeia de forma idônea e ética.
ROBERTO A. DA COSTA

POÇOS DE CALDAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 30/07/2012

Muito bom artigo Laerte!!!!

A melhoria da qualidade do leite, mesmo que ainda longe do ideal, está fornecendo ao consumidor final opções de compra para produtor de melhor valor nutricional, mais saudáveis, com menos risco a saúde.

Aliado as melhores poderes aquisitivos este processo tende a se intensificar. Desta forma ganha toda a cadeia efetivamente preocupada com a qualidade. Da origem da matéria prima às gôndolas de supermercado.

É preciso que toda a cadeia do leite fique alerta, pois estamos caminhando a passos largos para qualidade e quem não se atentar a isso vai ter dificuldade de se posicionar no mercado. A demanda por leite está aumentando ao longo dos anos, porém a demanda por leite de qualidade está se tornando ainda mais aquecida gerando oportunidades para todos.

Ao produtor cabe entender também não só os benefícios de um pagamento por qualidade mas também os benefícios relacionado ao negócio, como aumento de produtividade, melhor sanidade, velocidade de ordenha, rejeições, e melhores oportunidades aos seus produtos, etc.

As indústrias cabem entender a qualidade sobre os aspectos relacionados à rendimento industrial, reclamação de consumidores, perdas, etc.

Ao consumidor entender que qualidade representa segurança, nutrição e sabor. A qualidade começa na matéria prima do produto e qualidade manipulada não é a mesma coisa que qualidade adquirida pelas boas práticas de produção e fabricação!

Abraços!
ROQUE KIRCHNER

PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 30/07/2012

Bom trabalho.

Apesar de ser um trabalho que exclui exatamente aqueles que possuem as maiores contagens (principalmente CBT). São aqueles produtores infiéis às industrias ou seja aqueles que mudam de galho em galho. Nós sabemos que o problema das altas contagens se encontra principalmente nestes produtores. Observações feitas junto a produtores de algumas indústrias que não pagam por qualidade, dão conta que em nossa região,  as médias ultrapassam 55% de produtores com CBT acima de 600 mil.

Neste caso, incluidos aqueles que pulam de galho em galho ou de uma indústria para outra.

Grande abraço
PATRÍCIA SALES

ITANHANDU - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 30/07/2012

Texto muito bom.

Creio que até 2016 tem muita coisa pra ser feito, tenho a opiniao de que o pequeno produtor em grande maioria, é o que mais tem dificuldade em relação a CCS, pois o muitas vezes o tratamento tem custo muito alto, já a CBT como exige higiene, é "mais fácil" de conseguir um resultado mais favorável.
CÉSAR ALBERTO COUTINHO

NOVA PRATA - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 30/07/2012

Outra situação, é o fato do Brasil nunca ter tido extensão rural, em sua integra, se o governo tivesse investido em extensão corretamente muito dos problemas inerentes a produção teriam diminuido. Ensinar a pescar, é um recurso pouco usado.
CÉSAR ALBERTO COUTINHO

NOVA PRATA - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 30/07/2012

Trabalhamos no RS, e notamos por trabalho a campo que esta resposta estas observações são muito pertinentes, poucas ações existem para baixar a CCS e CBT, os laticinios em sua maioria parece não ser deles o problema. O Criador fica a merce de todo tipo de sorte, que varia desde  o preço do leite até a desinformação, as cooperativas para conter custos, a cada dia sucateam seus departamentos técnicos, e um sistema de investimento onde não existe a preocupação de colocar a desinfecção de ordenha como item de suma importancia na cadeia do leite, o que ocorre corretamente em 90% dos casos, e o governo, bom este tem todo o descrédito da situação,  O MAPA é muito bom em burocratizar, agora fiscalizar que é bom, fica nos corredores de Brasilia e em cada Delegacia Regional, para o governo ainda segue a maxima "mentir sempre, pode virar verdade". Afinal pagamos a conta.
MARCO ANTONIO COUTO

PIRACEMA - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 30/07/2012

Olá Sr Laerte.

Farei também uma pergunta simples: Como fazer então em relação a CCS alta? será que as indústrias estão pagando por qualidade mas não estão ensinando aos produtores como faze-lo? Como técnico em laticinios tenho muitos problemas com leite de CCS alta, sendo na verdade hoje o grande problema de muitas indústrias de queijos, iogurtes e bebidas lacteas. Ai me pergunto, teremos que rever como melhorar o trabalho de campo ou simplesmente ignorar a questão da CCS alta e adaptar a tecnologia de produção e os prazos de Shelf Life  dos produtos lacteos?

Tenho cliente com mais de 90% de CCS alta no leite recebido em seu laticinio. Como sanar ou no mínimo diminuir este problema?

Parabéns pela abertura do debate, de um assunto urgente a ser resolvido.
GIOVANA DE SOUSA RODRIGUES

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 30/07/2012

o q tem me assustado em termos de qualidade do produto lacteo eh q decadas atras mto poucos aditivos eram permitidos. hj ateh no leite "integral" longa vida encontramos conservantes e outros aditivos.
ELIZARIO PEDROZO

ENÉAS MARQUES - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/07/2012

Parabens pela Matéria.

CBT- que é apenas Higiene, qualidade nos produtos de Higiêne, e resfriamento rapido, é simples.

CCS - Já é uma questão um pouco mais dificil, entra a questão  Genética, defesa imunológica, mastite Sub-Clinica etc..

Gordura - Gado Holandes é direcionamento genética a Longo prazo, pouca Mudança

Proteina- Nutrição, consegue pouca alteração.

Estou constatando que em minha região esta havendo uma seleção, o que aconteceu na suinocultura há muitos anos esta ocorrendo hoje no Leite, muitos estão abandonando a atividade, principalmente pequenos produtores de Leite.

A conscientização infelizmente ocorre pelo valor da remuneração. É um processo lento mais irreversivel.

Abraço a todos, e mais uma vez nota 10 pela matéria.
RENAN LIMA

VIÇOSA - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 27/07/2012

Ótimo artigo, parabéns. Infelizmente a qualidade do leite brasileiro continua sofrível, ainda há muito o que ser feito se algum dia quisermos comprar galões de leite no supermercado como acontece nos Estados Unidos e em outros países onde a qualidade do leite é superior.
MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/07/2012

Caro Laerte

Parabens pelo artigo.

Com relação a CBT , de 2008 para 2012, acima de 100, para os sem PVQ o controle mostra que passou de 84% para 71% ( valores altos ) enquanto que os com PVQ passaram de 47% para 30%, mostrando mais do que o dobro de resposta com relação aos sem PVQ, que o pagamento por qualidade se generalizado levará aos padrões previstos na IN 62, e o que não é de surprender, pois é uma questão simples que depende fundamentalmente de higiene de ordenha.

Já com relação à CCS, de 2008 para 2012,acima de 400,  o controle mostra que os sem PVQ   não tiveram evolução, ficando em 55%, e os com PVQ passaram de 55% para 51%, ou seja uma evolução muito pequena.

Ora, sabemos que o problema de redução de CSS é complexo e caro para o produtor.

Pergunto:

1) Que valores a indústria teria que oferecer num programa de PVC para estimular e conseguir que a maioria dos 50% que estão com CCS acima de 400 possam ficar abaixo no prazo que passará a vigorar esse limite?

2) Face a complexidade e custos envolvidos na redução de CCS, e os valores que teriam que ser pagos no PVC forem muito altos e inviaveis para a indústria, não seria o caso de na IN 62 se rever esse limite, passando por exemplo de 400 para 500, ou ampliar o prazo para vigorar o limite de 400?

Penso que os técnicos devem discutir bem essa questão, pois ficará muito ruim para a IN 62 se ao chegar na data prevista para vigorar o limite de 400, um número perto de 50% dos produtores não conseguir atingir esse limite.

Abraço

Marcello de Moura Campos Filho