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Sorvete no pote impulsiona marcas

O mercado brasileiro de sorvetes encolheu 3,6% em volume de vendas no ano passado, para 547,8 milhões de litros. Em faturamento, o setor cresceu 5,2%, chegando a R$ 14,9 bilhões, de acordo com dados da Euromonitor International. Fabricantes relataram que obtiveram crescimento na receita com a ampliação de linhas de sorvetes mais sofisticadas e a adoção dos potes redondos a partir de meio litro, que proporcionam para o consumidor um preço mais baixo em comparação às porções individuais e picolés. Parte das indústrias também incrementou as vendas com o aumento da distribuição geográfica de suas linhas.

mercado brasileiro de sorvetes

Renata Benites Martins, analista de alimentos da Euromonitor International, observou que o setor se dedicou em 2016 ao desenvolvimento de produtos de valor agregado mais alto. Agora, os fabricantes investem mais em sabores exóticos, como crème brûlée, pistache com chocolate, macadâmia e chocolate belga. Ao mesmo tempo, buscam diferenciação por meio de embalagens e novos formatos - sendo que os potes de meio litro ganham mais força.

Entre os fabricantes, a Unilever, dona da Kibon, manteve a liderança no mercado, com 22,7% de participação. Ela é seguida pela Nestlé, com a Froneri (6,7%), General Mills, com o Häagen-Dazs (2,0%), Jundiá, com 1,5% e Creme Mel Sorvetes, com 1,4%. A Unilever ampliou a distribuição da sua marca de sorvetes de alto valor agregado - a Ben & Jerry's - de 700 pontos de venda para 2,2 mil no ano passado. Desse total, nove são lojas próprias, sendo cinco em São Paulo, uma em Campinas (SP) e três no Rio de Janeiro.

"Foi um ano bem forte para a marca. Conseguimos dobrar de tamanho em volume, receita e participação de mercado com a expansão geográfica", afirmou André Lopes, diretor da Ben & Jerry's no Brasil. De acordo com dados da Nielsen, a marca fechou 2016 com 17,9% de participação na categoria de sorvetes 'premium'.

Lopes disse que pretende triplicar as vendas da marca em 2017, com abertura de "mais de dez" lojas nas regiões Centro-Oeste, Sul e Nordeste, expansão das vendas em redes de varejo e lançamento de novos sabores. "A despeito da economia ainda em recessão, o consumo de sorvetes de alto valor agregado continua crescendo. Com a expansão geográfica, o resultado é mais forte", acrescentou Lopes.

Em relação à marca Kibon, a Unilever ampliou a oferta de sabores do Kibon Blast, vendido em potes de 1 litro e de 85 gramas, das linhas de picolés e das linhas Kibon de 1,5 litro.

A Nestlé também reforçou a categoria de sorvetes mais sofisticados, agora por meio da Froneri, joint venture entre a Nestlé e a europeia R&R para a área de sorvetes e alimentos congelados, que começou a operar no Brasil em outubro de 2016. A Nestlé informou que contratou 130 temporários para trabalhar no período de alta temporada na fábrica de sorvetes. A companhia reforçou a produção de potes de sorvetes, com versões em 1,5 litro, 140 mililitros e embalagens de 455 mililitros e aumentou a oferta de sabores. A Nestlé não informou o seu desempenho de vendas.

A Sorvetes Jundiá se concentrou no desenvolvimento de sabores novos para crescer em meio à recessão. Sérgio Bergamini, diretor executivo da Sorvetes Jundiá, disse que a companhia aumentou as vendas em 17% em 2016, graças à ampliação das linhas de produtos e da rede distribuição, que hoje supera 25 mil pontos de venda.

De acordo com o executivo, a categoria que mais cresceu foi a linha de picolés e sorvetes de 2 litros com sabor de iogurte grego, com frutas amarelas e com frutas vermelhas. Para 2017, a companhia investirá na ampliação da linha Grego Jundiá. "O mercado de sorvetes encolheu em 2015. Para este ano, estamos apostando muito na recuperação do mercado e no nosso crescimento com novos produtos", afirmou Bergamini.

A moda dos potes e dos sabores exóticos tem ajudado também empresas regionais a ter um desempenho acima da média do setor. É o caso da Perfetto, de Jundiaí (SP). Fundada há 20 anos, a fabricante vende sorvetes com a marca Perfetto para o interior de São Paulo, Minas Gerais e Goiânia.

Roque Dalcin, diretor de operações da Perfetto Alimentos, disse que a receita da companhia cresceu 8% no ano passado, chegando a R$ 83 milhões e, neste ano, a previsão é de crescimento de 30%, com a ampliação da distribuição nas regiões Sudeste e Centro-Oeste e o lançamento de novas linhas de potes de sorvetes e picolés.

"A recessão teve muito impacto no varejo, principalmente nas empresas de pequeno porte. Fabricantes maiores, que vendem para redes de autosserviço [supermercados] sofreram menos com a crise. Com o fim da recessão neste ano, a tendência é de melhora nas vendas", afirmou Dalcin. Atualmente, segundo o executivo, 70% das vendas da Perfetto é de potes de sorvetes. A companhia vende principalmente para redes de supermercados e hipermercados. A lista inclui Carrefour, Walmart e redes regionais como Supermercados BH, Estoril e Savegnago.

Dalcin disse que a Perfetto trabalha com preços 10% a 15% abaixo dos valores cobrados pelas líderes Kibon e Nestlé e, com isso, consegue atrair consumidores interessados em poupar dinheiro. A empresa também investiu em linhas exóticas para atrair os consumidores, incluindo um picolé ondulado, potes de sorvete de iogurte com amora, sorvete de bolo de cenoura e de leite trufado.

A Cacau Show, que começou a vender sorvete em 2016, também ganhou espaço no setor com a introdução de um sorvete tipo italiano de coco com pedaços e de mousse de maracujá, além dos picolés.  A meta da companhia era que a linha de sorvetes atingisse 15% das vendas nas lojas ao longo de 2016, mas chegou a quase 19%. A receita total da Cacau Show cresceu 4,1% no ano passado, para R$ 2,77 bilhões. "Para 2017, a previsão é de crescimento de 80% nas vendas de sorvete", afirmou Alexandre Costa, presidente da Cacau Show.

A Associação Brasileiras das Indústrias e do Setor de Sorvetes (ABIS) não possui ainda os dados de vendas do setor em 2016, nem projeções para este ano. O Brasil é o quinto maior mercado de sorvetes do mundo, representando 5,7% das vendas globais de sorvetes. 

Leia também: 

Ben & Jerry's: há mais de dois anos no Brasil, marca cai no gosto dos brasileiros

As informações são do jornal Valor Econômico.

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