FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

Qual o número mínimo de amostras para pagamento por qualidade?

POR LAERTE DAGHER CASSOLI

E PAULO FERNANDO MACHADO

GIRO DE NOTÍCIAS

EM 06/12/2006

4 MIN DE LEITURA

3
0
O setor leiteiro tem sofrido grandes mudanças nos últimos anos. Dentre as mudanças, talvez a mais relevante tenha sido o inicio do pagamento do leite em função da sua qualidade.

Na maioria dos programas de pagamento por qualidade, são avaliados parâmetros como os teores de gordura e proteína, a contagem de células somáticas (CCS) e a contagem bacteriana total (CBT). A implementação destes programas causou grande impacto entre os produtores, uma vez que o diferencial de preço pode variar de R$ 0,08 a R$ 0,12. Este diferencial representa uma importante área de oportunidade para as fazendas aumentarem o seu ganho.

A avaliação da qualidade do leite ocorre pelo processo de amostragem, em que algumas amostras são coletadas e os resultados obtidos são utilizados para a classificação e pagamento de todo o leite produzido ao longo do mês.

O procedimento considerado ideal seria analisar cada remessa de leite entregue a indústria como é feito por algumas indústrias na Argentina (SanCor e Mastelone). Levantamentos mostram que o número adotado em geral é 3 a 6 amostras ao mês. No Brasil, este número varia desde uma única amostra até seis amostras.

Inevitavelmente não se pode deixar de questionar se este número de amostras é suficiente para se classificar o leite numa determinada classe de pagamento. Eventualmente o produtor está se enquadrando numa determinada classe simplesmente ao acaso.

A Clínica do Leite realizou estudo pioneiro, utilizando resultados de análise de mais de 500 fazendas com o objetivo de definir qual seria o numero ideal de amostras.

Levantamento de dados

Foram utilizados dados de 502 fazendas que tiveram seu leite analisado para gordura, proteína, CCS e CBT.

Para cada fazenda foi calculada a variação média dos resultados obtidos durante o mês. Com base nesta variação (conhecida como coeficiente de variação amostral - CV) foi possível calcular, através de equações matemáticas, qual o número mínimo de amostras que deveria ser coletado levando-se em conta a amplitude da classe de pagamento.

Resultados do estudo

No estudo foram avaliadas 502 propriedades. Foram calculados os CV para os resultados de gordura, proteína, CCS e CBT, como pode ser visto na Tabela 1.

Tabela 1. Coeficiente de variacao amostral (CV)


As variáveis CCS e CBT foram as que apresentaram o maior CV, diferentemente da proteína que se mostrou muito mais estável.

O número mínimo de amostras foi calculado em função da amplitude das classes e do nível de variação (CV), como pode ser observado nas tabelas seguintes. Foi considerado no cálculo, coleta em dias alternados (número máximo de 15 coletas no mês).

Tabela 2. Número mínimo de amostras mensais para gordura em função da amplitude da classe.


Tabela 3. Número mínimo de amostras mensais para proteína em função da amplitude da classe.


Tabela 4. Número mínimo de amostras mensais para CCS em função da amplitude da classe e valor médio de 200 mil cels./mL.


Tabela 5. Número mínimo de amostras mensais para CCS em função da amplitude da classe e valor médio de 600 mil cels./mL.


Tabela 6. Número mínimo de amostras mensais para CBT em função da amplitude da classe e valor médio de 50 mil ufc/mL.


Tabela 7. Número mínimo de amostras mensais para CBT em função da amplitude da classe e valor médio de 500 mil ufc/mL.


Os dados mostraram que o número mínimo de amostras aumenta com o aumento do CV. Além disso, quanto menor a amplitude da classe, maior o numero de amostras necessário.

Fica evidente, a partir dos dados deste trabalho, que a redução do CV seria uma estratégia para reduzir o numero de amostras. Por sua vez, o CV pode ser afetado por falhas de coleta. Para uma das indústrias avaliadas, o CV médio de todos os seus produtores para o teor de gordura foi de 1,8%, bem abaixo da media geral do estudo (5%). No caso desta indústria a coleta das amostras é monitorada intensamente.

Além disso, fatores relacionados ao rebanho podem afetar o CV, como por exemplo:

- número de vacas em lactação: quanto maior o número de vacas, menor será o CV
- manejo nutricional: quanto mais estável for a nutrição dos animais, menor será o CV
- manejo de ordenha: quanto mais estável for o manejo, menor será o CV

Outra maneira de reduzir o CV seria descartar os valores extremos do calculo. Algumas empresas monitoradas pela Clínica do Leite já adotaram esta estratégia. Com isso possíveis erros de coleta são eliminados do calculo.

No estudo também foi simulada a classificação destes 500 produtores considerando a coleta de uma ou quatro amostras no mês, num programa de pagamento padrão. Cerca de 80% dos produtores mudaram de classe, ao se aumentar o número de amostras.

A partir deste trabalho foi desenvolvida planilha que permite calcular o número mínimo de amostras para cada indústria ou até mesmo para cada fazenda. A planilha está disponível aos interessados, que deverão solicitá-la enviando email para cleite@esalq.usp.br

Conclusões

O número mínimo de amostras pode ser calculado para cada indústria e até mesmo para cada produtor. Para isto deve-se ter em mãos o coeficiente de variação (CV) e a amplitude da classe de pagamento.

Coletando-se o numero de amostras correto teremos certeza da correta classificação e conseqüentemente, remuneração.

Bibliografia


Cassoli et al. Least Number of Samples for Milk Quality Payment. Anais do III Panamerican Congress on Mastitis Control and Milk Quality, León, México, p. 248-255, 2006 a.

Cassoli et al. Amostragem de Leite para Pagamento por Qualidade. Anais do II Congresso Brasileiro de Qualidade do Leite. CBQL, Goiânia, 2006.

3

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

LAERTE DAGHER CASSOLI

PIRACICABA - SÃO PAULO - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 16/06/2008

Olá Ana Julia,

No artigo procuramos abordar o tema amostragem de leite para pagamento por qualidade, focado no numero de amostras a ser coletado.
Pelo que entendi da sua duvida, vc busca algum treinamento que forneca conhecimentos para a criação/alaboracao de um programa de pagamento.
A Clinica oferece o treinamento no Sistema MDQ de Gestão da Qualidade do Leite, em que abordamos este tema. Sugiro que se cadastre em nosso site para receber a nosso informativo eletronico onde iremos divulgar as novas datas e turmas.
QQ duvida adicional continuo a disposicao,

Att, Laerte Cassoli
Clinica do Leite - ESALQ/USP
ANA JULIA MILITÃO

ALTA FLORESTA - MATO GROSSO - PESQUISA/ENSINO

EM 14/06/2008

Gostaria de saber onde tem um curso em que possa aprender como fazer estes cálculos de pagamento por qualidade.

Obrigada

<b>Resposta do autor</b>

Olá Ana Julia,

No artigo procuramos abordar o tema amostragem de leite para pagamento por qualidade, focado no numero de amostras a ser coletado.

Pelo que entendi da sua duvida, você busca algum treinamento que forneca conhecimentos para a criação/alaboração de um programa de pagamento. A Clinica oferece o treinamento no Sistema MDQ de Gestão da Qualidade do Leite, em que abordamos este tema. Sugiro que se cadastre em nosso site para receber a nosso informativo eletronico onde iremos divulgar as novas datas e turmas.

Qualquer dúvida adicional continuo à disposição,

Att, Laerte Cassoli
Clinica do Leite - ESALQ/USP
ANTONIO LUIS B.DE LIMA DIAS

MOCOCA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 07/12/2006

Laerte, muito bom trabalho, bem claro e preciso. É uma pena que hoje a qualidade do leite no Brasil somente sirva como parâmetro para penalizar o produtor.

Primeiramente, o sistema de coleta das amostras ainda é muito ruim. Os transportadores de leite, na sua maioria são terceirizados, e o treinamento que eles recebem e a importância que eles dão para a coleta das amostras é mínimo.

Acompanho carreteiros que tem jornada de mais de 16 horas diárias, rodando mais de 500 Km por dia. Imagine como é a coleta de amostras de um individuo deste. O produtor, gerente ou ordenhador que acompanha e exige qualidade de coleta, acaba recebendo o adjetivo de encrenqueiro, enjoado e diversos outros em apenas duas semanas.

E na minha opinião, o maior problema da qualidade está na visão das empresas para o pagamento por qualidade. As duas empresas que trabalham na região de Mococa, com pagamento por qualidade, pegam o preço praticado pela concorrência e tiram o máximo que o produtor poderia vir a receber pela qualidade, e fazem deste número seu preço base. (por exemplo, o preço do mercado está em R$ 0,60 por litro, a bonificação máxima para qualidade é R$ 0,03, as empresas colocam seu preço base em R$ 0,57, portanto, o máximo que o produtor poderá receber é R$ 0,60,mas como a maioria ainda perde em qualidade, ele acaba recebendo abaixo de R$0,57).

O preço base deveria ser os mesmos R$ 0,60, se tivesse qualidade receberia R$0,63 e caso não tivesse, aí sim, seria penalizado em três ou mais centavos por litro de leite.

Continue nesta linha de trabalho, talvez um dia mostremos para a indústria o verdadeiro valor da qualidade e de um bom produtor.