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MG: Cifra cobrada dentro da porteira registrou aumento de 19,1% em 2013

GIRO DE NOTÍCIAS

EM 09/01/2014

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MG: Cifra cobrada dentro da porteira registra aumento de 19,1% em 2013

O início da atual temporada de chuvas, em novembro, aumentou a produção de leite no campo e, claro, reduziu o preço do alimento nos últimos dois meses de 2013. No acumulado do ano passado, porém, o valor do litro subiu acima da inflação tanto na cifra paga ao fazendeiro quanto no desembolsado pela dona de casa de Belo Horizonte. No caso da cifra cobrada dentro da porteira, o aumento entre janeiro e dezembro foi de 19,1%, de R$ 0,8925 para R$ 1,0635, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Nas gôndolas de padarias e supermercados da capital, o percentual avançou 9,7%, de R$ 2,06 para R$ 2,26, de acordo com a Secretaria Municipal Adjunta de Segurança Alimentar e Nutricional (Smasanorizonte).

Já o aumento da inflação oficial do país, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), não acompanhou a alta ao produtor e a verificada nas gôndolas de BH. O IPCA de 2013 só será conhecido na próxima sexta-feria, porém, especialistas acreditam que o indicador ficará próximo de 5,74%, segundo o Boletim Focus divulgado ontem – o documento é elaborado pelo Banco Central com base em consultas aos principais economistas do país. De janeiro a novembro, o IPCA subiu 4,95%.

O presidente da comissão de Pecuária Leiteira da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e da mesma comissão na Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg), Rodrigo Alvim, explica que parte do aumento do litro do alimento entre janeiro e dezembro se deve à globalização: “Devido a uma grande seca na Nova Zelândia”. A Nova Zelândia é um país pequeno, com cerca de 4 milhões de habitantes, mas ocupa a liderança no ranking mundial de volume de leite comercializado entre países.

O especialista esclarece: “O planeta produz algo em torno de 600 bilhões de litros por ano, sendo que cerca de 40 bilhões são negociados entre países. Desse último volume, a Nova Zelândia responde por 35% a 40% do que é negociado. A queda na produção de lá interferiu nos preços daqui (para os produtores, que puderam cobrar mais)”. Para se ter ideia, o litro pago ao fazendeiro subiu todos os meses de janeiro a outubro, o que refletiu nas gôndolas. A chegada da chuva, contudo, abriu a temporada de safra e reduziu os preços tanto dentro da porteira quanto nas prateleiras.

Em recuperação os produtores rurais lamentam as quedas no último bimestre, pois muitos ainda não recuperaram as perdas registradas em 2012 pela cadeia leiteira. Mais uma vez, a globalização ajuda a entender o lamento dos fazendeiros naquele ano: uma forte estiagem nos Estados Unidos queimou grandes plantações de milho, elevando o preço do grão no mercado internacional. Resultado: produtores de milho no Brasil optaram por vender as espigas na terra do Tio Sam, onde o preço estava mais atrativo, desbastecendo o mercado nacional.

É importante recordar que o milho é a base da ração do gado leiteiro. “A ração representa cerca de 40% do custo do leite”, observa Alvim. Em 2012, em razão do aumento do custo da produção do alimento, a produção de leite no Brasil subiu apenas 0,6%. Para se ter ideia, de 2008 a 2011, a média anual havia sido de 4,5%. “O custo está muito alto para o produtor”, lamenta Juscelino Castelo Branco, fazendeiro e gerente-geral da Cooperativa Agropecuária de Pompéu, no Centro-Oeste de Minas, a principal bacia leiteira do estado.

Em dezembro, ele recebeu R$ 1,11 por litro produzido. Poucas semanas antes do início da safra, recorda Castelo Branco, ele embolsava cinco centavos a mais pela mesma quantidade do produto. “Em outubro foi o pico: R$ 1,19 foi quanto saiu o litro de leite ao produtor em nossa região”. Em Belo Horizonte, o pico do preço médio do longa vida nas prateleiras ocorreu no mesmo período: R$ 2,51. Naquele mês, o peso do leite e derivados na composição da inflação do país foi de 2,1672%. Parece um percentual baixo, mas em janeiro havia sido de 1,8936%. “Pouco aumento ou pouca queda não influencia a composição”, justifica o economista Paulo Otávio, da Smasan.

A diferença entre o peso do leite na composição do IPCA de novembro para o de janeiro foi de 14,4%, o que mostra a relevância dos preços nos dois meses. Apenas a título de ilustração, o tomate, que chegou a ser considerado o “vilão” da inflação em 2012, teve como maior peso na constituição do IPCA o percentual de 0,3550% em setembro do ano passado, no maior percentual do hortifruti para esse indicador ao longo do exercício anterior.

A produção de leite deve crescer, em média, 1,9% ao ano até 2023. O percentual é menor do que a média anual registrada entre 2008 e 2011 (4%). Os dados são do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A pasta estima que, daqui a 10 anos, a produção de leite terá aumentado 20,7% em relação à época atual. Em toada praticamente igual, o consumo terá crescido 20,2%.

Na prática, segundo o estudo, embora os dois percentuais sejam parecidos, o resultado “coloca o consumo num nível pouco abaixo da produção nacional, o que ainda assim exigirá certo volume de importações, previsto próximo de 1 bilhão de litros em 2023, a menos que políticas públicas específicas para o setor sejam implantadas”.

A produção de leite em Minas Gerais, principal bacia no país, saltou 20% no confronto entre o terceiro trimestre de 2013 e igual período de 2012. O percentual é bem maior do que os 8,3% apurados na média nacional. Em todo o país, foram captados, no terceiro trimestre do ano, 5,98 bilhões de litros, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desse total, 26% saíram de fazendas mineiras. (PHL)
 
As informações são do Estado de Minas, resumidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.

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