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Leite longa vida vive crise provocada por demanda débil e aumento de oferta

GIRO DE NOTÍCIAS

EM 29/09/2017

3 MIN DE LEITURA

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Leite longa vida no varejo vendido abaixo do custo de produção da indústria, promoção em que o produto sai praticamente de graça, leite de brinde em compras de qualquer valor. Essas promoções no varejo do país dão uma ideia do atual cenário no mercado de leite longa vida, que vive uma crise provocada pela demanda débil num momento de aumento da oferta da matéria-prima no Brasil.

Boa parte das empresas que têm no leite longa vida seu principal produto está enfrentando margens negativas, reflexo do pouco apetite do consumidor e da maior produção de leite no Brasil. Nesse ambiente, os preços de venda pelas indústrias estão em queda desde abril, conforme levantamento da consultoria MilkPoint. Nas três primeiras semanas de setembro, o preço médio caiu a R$ 1,78, queda de 15% ante a média de setembro de 2016 (valores já deflacionados).

Valter Galan, analista da MilkPoint, observa que o segmento de leite UHT "ganha mais dinheiro quando o produtor de leite ganha mais dinheiro". Assim, com a queda nos preços ao produtor devido à maior oferta, o leite longa vida também vem recuando, o que ajuda a reduzir os índices de inflação.

No primeiro semestre, a aquisição de leite pelas indústrias processadoras - um indicativo da produção no país - subiu 3,71% sobre igual intervalo de 2016, para 11,492 bilhões de litros, conforme dados do IBGE. Só em junho, a alta foi de 11% ante o mesmo mês de 2016. Para Galan, a queda dos preços do leite cru deve levar a uma desaceleração desse ritmo de crescimento da produção.

Segundo o MilkPoint, no acumulado do semestre, o volume de leite formal disponível (produção mais importações menos exportações) para cada brasileiro foi 2,2% maior que no mesmo período de 2016. Enquanto isso, o volume de vendas de lácteos em geral no varejo caiu 4,5% no mesmo período. 

As indústrias apontam também as importações de leite em pó (integral e desnatado) como um motivo para a oferta elevada, mas, de fato, os volumes vindos do exterior vêm caindo. De janeiro a agosto, segundo dados compilados pelo MilkPoint, o recuo foi de 22,8%, para 80.913 toneladas.



De acordo com Edson Martins, diretor de mercado da catarinense Tirol, as indústrias do setor vêm trabalhando no vermelho há quase um ano em decorrência do aumento da oferta de leite no país e da retração do consumo.

No caso da Tirol, disse, o prejuízo por litro de leite está entre R$ 0,40 e R$ 0,50. O custo de produção do leite longa vida hoje está na casa dos R$ 2,10, para um preço de venda ao varejo de R$ 1,65 a R$ 1,70 por litro. Diante de um consumo que resiste a se recuperar, Martins avalia que só uma forte desaceleração no ritmo de crescimento da produção levará o mercado a se equilibrar.

Pagando valores bem mais baixos do que em 2016 pelo leite longa vida, varejistas intensificaram as promoções com o produto, com o objetivo de atrair consumidores que acabam comprando outros itens nas lojas. Isso explica promoções como leite por R$ 1,59 o litro em varejista de Campinas (SP), como brinde em compras de qualquer valor, em supermercado de Concórdia (SC), e por só R$ 0,01 na compra de 12 pãezinhos numa varejista catarinense.

A indústria também está reduzindo o que paga ao produtor. A catarinense Coopercentral Aurora, por exemplo, reduziu em R$ 0,15 o litro em agosto e hoje paga R$ 1,13. E o pagamento de setembro terá nova redução, de acordo com Marcos Antônio Zordan, diretor de agropecuária da Aurora.

Segundo ele, normalmente, a Aurora recebe cerca de 1,3 milhão de litros de leite por dia, mas em agosto as cooperativas associadas entregaram, em média, 1,640 milhão de litros de matéria-prima por dia. "Nunca tínhamos recebido tanto leite", afirmou.

O diretor de agropecuária disse que a produção de leite começa a recuar no Estado, já que o pecuarista diminuiu a ração do rebanho e os pastos já começam a secar. No Sul do país, a safra de leite vai de julho a setembro enquanto no Sudeste e Brasil Central, ganha força no período de chuvas, entre outubro e fevereiro.

Embora considere que a redução da produção na região Sul deva segurar os preços do leite a partir do mês que vem, Zordan observa que o consumo ainda deve seguir pressionado com a chegada do período de férias. Na avaliação de Valter Galan, se a queda de preços no atacado chegar "de forma mais forte" ao varejo, poderá haver reação do consumo.

As informações são do jornal Valor Econômico.

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ANTONIO GAMBARELLI

IBITINGA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/10/2017

Finalmente, depois de muitos anos lendo as opiniões dos parceiros do ramo, vejo pelo menos três, que refletem claramente nossos problemas mais críticos na cadeia do leite.

Grande professor Leovegildo, srs Nelson e Aluízio, exatamente aí reside o mal do negócio: a compra da não qualidade ( a falta de pulso, ou de coragem de quem deveria cobrar a IN62), é a pior delas, pois daí já sairiam do mercado um grande volume, priorizando e premiando quem de fato tanto luta (e investe) em qualidade.

Trabalhei por anos, em empresa que fazia um esforço danado para pagar por qualidade,e, sempre foi constrangedor ouvir de produtores (leia-se tirador de leite), que o concorrente pagaria a mais, independente da qualidade (empresas que tem nome no mercado). Hoje estou desempregado, também por causa da crise, mas principalmente porque as empresas preferem colocar um "comprador de leite" ao invés de um técnico, na realidade, será a compra do volume (não importa o que venha), no preço que podem pagar.

Triste realidade, principalmente nos assentamentos, onde os técnicos pagam todos os seus pecados (com raras e maravilhosas mudanças, por aqueles que compraram os lotes de quem ganhou, e por atuação de alguns abnegados que pregam no deserto as boas novas da melhoria na produção leiteira, independente do preço preço praticado).

Continuemos a acreditar que um dia, quando o MPF fará uma operação tipo Lava Jato, os bons produtores e boas empresas (que não tem o que temer), serão valorizados, até isso ocorrer (se ocorrer) vivamos essa triste realidade.
NELSON JESUS SABOIA RIBAS

GUARACI - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/10/2017

Essa situação não muda, era hora de fazer cumprir a IN 62, não é justo esse mercado. Quem investe em qualidade do produto, é quem ganha menos em todos os momentos, pois a eventual diferença de preço que consegue, é muito mais pelo volume que produz do que pela qualidade que oferece.



Para melhorar esse cenário teríamos que ter Cooperativas de produtores voltadas para os mesmos, e não cooperativas atuando como grandes laticínios,preocupadas em crescer suas margens sem  pensar no ganho dos produtores.



No momento temos que aceitar a lei do mercado: Maior oferta , menor preço.

Um setor que não é considerado estratégico pela sociedade, é de alto risco para investimento, e aí cria-se o circulo vicioso.Estamos em mar revolto, e a deriva.
ALUÍZIO LINDENBERG THOMÉ

CARANGOLA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/10/2017

Prof Leovegildo,



existe com certeza muita incoerência por parte dos produtores de leite - e não concordo que o preço de uma vaca leiteira tenha exatamente a ver com isso - mas se as indústrias não se preocuparem REALMENTE com a qualidade do produto colocado no mercado(e por óbvio, a qualidade do que compram), se os órgãos fiscalizadores, em vez de ficar querendo penalizar os bons produtores de queijos regionais/artesanais, não se esforçarem para retirar do mercado marcas de leite de baixa qualidade como todos sabemos existir, fraudadores de toda a espécie que inundam as prateleiras com "produtos" que ninguém quer tomar (o consumidor às vezes por sua condição financeira compra, mas certamente não está criando em seu filho um novo consumidor fiel), a tendência ao baixo consumo cada vez  mais  aumentará.  Quando falta leite no mercado os a maioria dos  fabricantes de produtos lácteos  compra qualquer coisa desde que não apareçam antibióticos. Volume é o que interessa, qualidade fica em segundo plano.

Preços altos e baixos fazem parte da dinâmica do mercado. Ninguém vai vender por menos se puder vender por mais. O que espanta o consumidor, reafirmo, é a má qualidade do leite ofertado à venda. Se o produto for bom mesmo, o consumidor pode até diminuir o consumo em tempos de crise, mas não pára. E retorna às compras quando o dinheiro aparece.

E cabe, claro, a nós produtores de leite, administrar nossos custos e estarmos atentos aos rumos do mercado. E apesar de tudo, até mês passado os custos nos eram favoráveis em relação à 2016. Mas não aceito a "canga" de culpado pelas mazelas da cadeia. Simples assim.
LEOVEGILDO LOPES DE MATOS

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 02/10/2017

O gráfico acima do leite longa-vida, no ano de 2016, com os altos preços praticados, conseguimos espantar nossos consumidores e agora pagamos o preço.
LEOVEGILDO LOPES DE MATOS

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 02/10/2017

Continuamos não conseguindo enxergar nossos problemas. Produtores e lideranças falando em preço mínimo, quando 35 anos atrás reclamavam do tabelamento, sugerindo aos laticínios informarem antecipadamente o preço a ser praticado no mês subsequente - já existe legislação não regulamentada nesse sentido, e ao mesmo tempo reclamam que os preços atualmente praticados não remuneram os produtores. Muita incoerência para uma classe tão importante para a segurança alimentar do nosso país. Infelizmente os erros se perpetuam: reclamam do preço do leite e arrematam vacas leiteiras de R$ 5.000,00 ou mais. Vivenciamos recentemente produtores recebendo R$ 2,00 a 2,20 pelo leite e alguma coisa mudou? Sim, mudaram seus custos de produção que foram para qualquer coisa próxima do preço recebido, deixando todos muito mal acostumados. Hoje temos grãos mais baratos, mas não temos produtores com seus custos de produção ajustados. Deveríamos ver o que está acontecendo com a indústria leiteira uruguaia e porque eles colocam seus produtos no meu terreiro abaixo do meu custo de produção. Enquanto não soubermos diagnosticar corretamente os problemas que nos afligem, nunca teremos a mínima chance de corrigi-los. Leite caro, acima do podeer aquisitivo da nossa população, ele ficará na gôndola do supermercado e no mes seguinte o laticínio não irá precisar do nosso produto. Simples assim.
ELISEU NARDINO

MARIPÁ - PARANÁ

EM 30/09/2017

Bom dia, pode ser que no mercado os derivados não baixaram, pois na indústria estão entregando nas redes em São Paulo a 10,50 a 11,00 a mussarela
JOSELITO GONÇALVES BATISTA

UBERABA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/09/2017

Este cenário é deprimente, cabuloso é humilhante para o setor de produção. Conhecemos estes argumentos a décadas e não vai mudar se não mudar a política de remuneração do leite no Brasil. O produtor não pode mais ser tão penalizado como foi e é atualmente. Precisamos de uma política que nos dê segurança e sustentabilidade para pelo menos termos diguinidade em nosso trabalho. Tudo que acontece no mercado sobra para o produtor pagar a conta, pois o varejo e a indústria se acertão sempre é tem representantes fortes e participativos principalmente no cenário político onde tudo se resolve. E o setor de produção além de não ter união , também não tem ninguém para representá-lo e para defendê-lo com projetos e iniciativas que possa ajudá-lo frente a cenários como o que vivenciamos neste momento. Acredito que uma simples mudança na política de remuneração do leite ao produtor resolveria tudo isto, como o estabelecimento do preço mínimo  com base no custo de produção regional e o estabelecimento de cotas de produção por produtor com base na sua capacidade de produção, onde o produtor teria um registro junto ao ministério da agricultura e uma liberação para esta produção. Não sendo possível aumentar e nem diminuir ao longo do ano; caso queira aumentar teria que comprar cotas de produção de quem quer diminuir ou parar. Isto é só uma forma de tirar os oportunistas e exploradores do mercado e garantir remuneração digna aos verdadeiros produtores de leite deste pais ...

Hoje o produtor é que banca a política populista do mercado e do governo, pois medidas de amparo aos menos favorecidos é de responsabilidade do governo e não do produtor. Ou o governo subsidia o consumidor carente ou o produtor, pois não é mais possível continuar como está.

Amigos produtores chegou a hora de acordarmos do berço esplêndido em que sempre nos acostamos e partirmos para a batalha de reconhecimento e valorização do nosso trabalho, para nos assegurar sustentabilidade , segurança e perenidade bem como dignidade. Vamos à luta . Dois é mais que um e todos é muito mais que dois.
FERNANDO LOPES

SANTO INÁCIO - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/09/2017

Esse mercado do leite não muda nunca,se importa leite descaradamente do Uruguai e depois fica essa conversa de que a produção está alta(apesar de uma seca que está secando até mina de água )consumo fraco e por aí vai.

É necessário que pare essa importação,se proíba a reidratação do leite em todos os estados e que se fiscalize cada vez mais o leite.
RONEY JOSE DA VEIGA

HONÓRIO SERPA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/09/2017

Ressalto que apenas o UHT caiu o preço!! O restante dos produtos derivados de leite não baixaram de valor  nada ou quase nada, alguma coisa muito pequena para a mussarela!!

O próprio leite barriga mole continua valorizado, digo isso no preço ao consumidor, no varejo. Acredito que o consumidor está se dando conta cada vez mais, que a grande maioria desse leite em caixinha é um produto de péssima qualidade!
DARLANI PORCARO

MURIAÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/09/2017

No final das contas , é o produtor , que está pagando para tirar o leite, essa é a situação verdadeira  do leite brasileiro,porque os laticínios não   pagam  nem o custo de produção,
MilkPoint AgriPoint