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Leite é assunto de Estado, defende Paulo Martins, da Embrapa Gado de Leite

GIRO DE NOTÍCIAS

EM 18/08/2017

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A importação de leite do Mercosul pelo Brasil, sobretudo da Argentina e do Uruguai, foi debatida numa concorrida Audiência Pública realizada na tarde desta terça-feira, dia 15, pela Comissão de Agricultura, Pecuária Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados. A Embrapa foi representada pelo pesquisador e chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, Paulo Martins, que defendeu que o produto deve ser tratado como assunto de Estado. “É assim em toda parte do mundo. Não há nenhum país que trabalhe com livre comércio no que diz respeito ao leite”, esclareceu.

Doutor em Economia, Paulo Martins disse que o leite exige políticas de governo claramente definidas para que seja possível à cadeia produtiva cumprir algumas missões. A primeira delas é oferecer proteína animal barata para a população; a segunda, por questões sanitárias, é fazer com que o consumidor tenha acesso a um leite de qualidade; e a terceira é a de gerar emprego e renda no interior do Brasil.

Analisando os dados do censo realizado pelo IBGE em 2006, Martins mostrou que apenas 62 municípios não produzem leite, excluídos os que não comercializam o produto. “Isto demonstra que se o Brasil tivesse que escolher uma cor teria que ser o branco, pela presença maciça do leite em todos os municípios brasileiros. E acima de tudo tem a questão da interiorização do desenvolvimento que o leite promove. O leite é um vetor da interiorização de emprego e renda”, reforçou.

O pesquisador apontou a capacidade de aumento do consumo de leite no País, como um ponto de atração para a entrada de produto importado e de empresas que querem explorar o nosso mercado. “O Brasil está ainda bem aquém da sua capacidade máxima de consumo de lácteos. Estados Unidos e União Europeia já estão no limite, que é algo em torno de 270 litros de leite por habitante por ano”, explicou. Segundo ele, o consumo atual do brasileiro é de cerca de 170 litros anuais. “Nós podemos aumentar o consumo em mais de 100 litros por habitante por ano, além da previsão de crescimento populacional até 2030. Empresas tradicionais do ramo de refrigerantes também começaram a investir em leite, pois reconhecem esse potencial que o País tem em continuar incrementando o consumo desse produto”, afirmou.

Paulo Martins ratificou os dados apresentados pelo representante do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Herlon Brandão, que mostram um crescimento no volume de leite em pó importado, sobretudo do Uruguai. Em 2016, por exemplo, o Brasil importou 145,8 mil toneladas do produto, sendo 40,5 mil toneladas vindas da Argentina e 100 mil toneladas vindas do Uruguai. Oitenta e oito por cento do queijo importado também veio desses dois países.

A relação entre o volume importado e o preço pago pelo produto brasileiro também foi um ponto de convergência entre as duas apresentações. Segundo os dois especialistas, existe uma aderência muito grande entre o volume importado e a variação de preço. 

Também debateram o assunto vários deputados, além de representantes dos trabalhadores e dos produtores rurais, do Ministério da Agricultura e de outros ramos da cadeia produtiva do leite.

As informações são da Embrapa, resumidas pela Equipe MilkPoint. 

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PAULO TADATOSHI HIROKI

LONDRINA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 28/08/2017

Caro Paulo Martins, mesmo com todo o respeito que tenho pela sua capacidade de colocar as questões relativas a cadeia do leite, não posso deixar de discordar. Entendo que o mais importante numa atividade é que ela seja justa, no Brasil o negócio envolvendo o produto leite não o é. Enquanto ficamos discutindo, entre os produtores a relação com a Industria,  o segmento comércio (que considero muito importante) fica com mais de 20% do valor gerado, chegando em casos a 35% do valor de venda de um litro de leite ou até 40% nos derivados. A justificativa são os altos custos (impostos, energia, folha, etc...). A discussão é necessária, propostas de normatização e até colocar o leite no patamar sugerido, mas será que não precisamos limpar um pouco mais a questão, avaliar melhor onde estão os problemas. Acredito que a importação é um dos mais sérios, mas temos muito outros mais.
MARCIA MARIA DE OLIVEIRA

CURITIBA - PARANÁ

EM 24/08/2017

Fazer do leite um assunto de Estado, me parece um tiro no pé.  Tudo em que o Estado está envolvido não funciona.  A Embrapa é uma das exceções, mas não é por isso que vamos nos render.  Ministério da Agricultura?? Quem??  Não acredito em medidas e regulamentações que sejam isentas de interesses políticos nesse país até ultrapassarmos essa fase negra.  Níveis de produção e de consumo devem sim ser discutidos mas sem o Estado.   Produtores estão à margem da indústria que sempre é beneficiada por quem?  Pelo Estado.  Então Senhores, acho que a discussão é outra.

Tecnologia, terras, condições climáticas e genética temos. O que não temos é consumo de uma população esfolada por impostos.
SÁVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 24/08/2017



Bom dia Sr Paulo !



Longe de mim querer faze-lo acreditar em algo que não estou convicto;



Para mim, a ociosidade de alguns parques não é realmente fator de interferência de mercado, e se fosse em algum momento seria altista. Se uma indústria está ociosa, busca leite em sua região e provoca concorrência. Mas isso só ocorre quando o setor está remunerando, o que não é o caso do momento;



Realmente falta eficiência na cadeia produtiva, mas quem está discutindo isso ? Quem está propondo soluções ?

O que me incomoda, é que a cada movimento cíclico de crise, o setor se fecha em argumentos batidos que não resolvem nada. Só se fala em importações nesse momento, e não é o principal problema da cadeia, vou mais adiante está longe de ser;



Não sou a favor ou contra importações, antes que se diga. Só acho que temos que atacar o principal problema do setor que é a total falta de eficiência e desenho estratégico frente ao nosso principal nicho, que é nosso mercado interno.



Enquanto os produtores, que são o elo mais importante da cadeia, lavarem as mãos e ficarem reclamando da causa errada, os problemas se repetirão incessantemente de tempos em tempos;



Um bom dia !!!


SÁVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 24/08/2017

Caro amigo de longa data Guilherme



Um sistema de regulamentação de cotas, serve para preservar um produtor profissional como você da interferência especulativa de quem não se planeja;



Não seria pura e simplesmente um sistema de cota/excesso no preço, mas sim uma habilitação de quem tem realmente condição de produzir, planejamento para o futuro e capacidade de se manter em crescimento orgânico e planejado no setor;



Essa visão que tudo serve para "Laticínio pagar menos" não se enquadra mais nesse contexto caótico em que tudo o que os laticínios pagarem a menos ainda será insuficiente para conter seu prejuízo;



O grande causador da ineficiência do produtor foi o mesmo poder público que na matéria em discussão é colocado como solução, mas que nunca foi capaz de solucionar nada. Baixa qualidade, baixa produtividade, baixa eficiência. Por conta dessa fatia de mercado, você que é um produtor eficiente não tem a possibilidade de ver o volume excedente produzido no seu país ser escoado para outros mercados em momentos de crise, preservando assim seu negócio;



Vejo você como sempre muito crítico da indústria, em parte com razão, mas acredito que a sua visão será refinada no momento em que você começar a operar as gôndolas com o seu nobre produto. O mercado é frio, manipulador e sem alma;



A mentalidade de grande parte das indústrias já mudou, trazendo para as fazendas informação e prestação de serviços para elevar esses índices ridículos de qualidade do leite dentre outros dadas primordiais ao sucesso da atividade. Porém, a maior parte dos produtores enxerga essa tendência como "enjoamento" "exigência". Conseguem transformar a solução em queixa;



A indústria deve sim ser a mola propulsora, uma vez que não temos vontade política para tal. Mas o produtor, é o solo que deve ser fértil. Por isso, na minha opinião, entender quem pode ou não ser um produtor eficiente e útil para a cadeia. O modelo eu deixo para pensadores da atividade como você amigo;



Bom dia !!


PAULO LUIS HEINZMANN

RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 23/08/2017

Sr. Savio



Sei e concordo que o problema de ociosidade não é "generalizado", mas é sim frequente, e vou fingir que acredito que este imobilizado não é contabilizado pelas indústrias em questão, bem como que não afetaria os preços.



O motivo da irregularidade da oferta deste ano também não é regra, e sim excessão, e também não é generalizado (aqui no Sul houve seca severa, antecipada de enchente também severa), e vejo o principal motivo da irregularidade o mencionado no meu comentário anterior.



Vou concordar plenamente com seus três últimos parágrafos, onde o Sr admite claramente que temos ineficiência em todos os elos da cadeia, questão que no início de nosso bate-papo me parecia nada evidente, muito pelo contrário!!



Façamos cada um a parte que nos cabe!!



Abraço!!


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/08/2017

Prezado Sávio Barros: o sistema de cotas de produção só atende ao Laticínio, que pode pagar menos pelo leite que for produzido acima delas. O produtor, coitado, que não pode chegar para a sua vaca e dizer a ela que produza menos ou deixar ela morrer de fome para atingir a este objetivo, sempre leva o tiro mais grave. Isso foi implantado, há anos, no Brasil, é é um dos fortes causadores da baixa produtividade animal/dia que temos aqui, hoje. Não deu certo e não dará, nunca. Custamos a acabar com esta escravidão e, a volta dela, vai sepultar de vez o setor. Que se fomente a qualidade do produto, sim, mas que a Indústria, que só utiliza este "plus" para penalizar ao produtor (além de não pagar a qualidade, ainda desconta o valor do produtor), melhore seus meios de coleta de análise (o grande gargalo do sistema de pagamento por qualidade) e ofereça ao produtor as condições para que ele produza um leite melhor, com incentivos financeiros, como financiamentos de animais, de maquinário, ao invés de ver, como é comum, o produtor não como um parceiro, mas, sim, como um escravo. Entendo, por fim, que há que se ter uma mudança de mentalidade, sim, mas, não do produtor, e, sim, da indústria, para que ela entenda, de uma vez por todas, que, sem o produtor, ela, também, vai fechar as porteiras.



GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

ALFA MILK - FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
SÁVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 23/08/2017

Senhor Paulo;



Não são todas as indústrias que tem esse patamar de ociosidade, e mesmo as que tem, sofrem com a redução no retorno sobre o capital investido, não influenciando diretamente no andamento do mercado. Nesse momento, nem seria certo dizer que tem redução sobre o retorno quanto ao investimento, uma vez que muitas estão operando no vermelho;



Portanto não vejo esse como um problema principal, tampouco como um problema generalizado no setor;



Sobre a variabilidade de oferta, ela não se deu esse ano em função da sazonalidade. Números recentes mostram que em 90 dias tivemos alta de volume médio superior a 10%, e ao que tudo indica, em função do custo mais baixo com concentrados no primeiro semestre (sim, na entressafra);



Acho que existe uma forma de mudar: entender quem é produtor de fato e quem quer ser, através de cotas de produção. Promover treinamentos e especialização desses que querem produzir;



Temos muitos produtores no Brasil eficientes, com qualidade alta e custo baixo. De dar inveja nos países vizinhos. Mas temos uma esmagadora maioria que está com "a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar".



Também temos muitas indústrias com altos padrões de dar inveja no primeiro mundo, inovando e trazendo desenvolvimento para o setor, mas outras (em menor proporção comparativa) "com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar"



Acho de verdade que temos que saber do que reclamar, e ir atrás de soluções;



Abraço
PAULO LUIS HEINZMANN

RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 23/08/2017

Sr. Sávio



Você fala muito em planejamento e gestão, e tenho dificuldade em perceber tanto um quanto a outra nas indústrias de laticínios, pois com raras excessões, possuem de 20 a 60 % de ociosidade em suas estruturas físicas.



Quanto custa esta ociosidade?? Quanto aumenta o custo fixo final do leite?? Quem paga esta ineficiência?? Que planejamento houve neste sentido??



A questão da variabilidade da oferta, tem muito a ver com o sistema de produção, baseado em pastagens, e muito sensível a variações climáticas. Bem compreensível!!

Como mudar isso?? Deveríamos partir para maior conservação de alimentos e confinamento, o que envolveria vultosos investimentos em custo fixo, e poucos em sã consciência tem esta coragem, com a política atual de preços, inclusive de importação!



Então, vamos melhorar a eficiência e gestão, mas não só nós produtores!!



Abraço!!
ROBERTO JANK JR.

DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/08/2017

Corrigindo: ...sua auto estima, mas apenas se ele for vocacionado....
ROBERTO JANK JR.

DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/08/2017

Sempre que esse assunto aflora surgem idéias aparentemente antagônicas e, no final, normalmente o culpado é sempre o produtor. Não concordo.

Discordo também quando se diz que precisamos "ensinar o produtor". Ele é muito mais inteligente do que supomos e faz o que acha correto dentro do panorama e horizonte disponíveis.

Não é diferente do supostamente "capaz" produtor de soja, café, algodão ou laranja, apenas não tem o mesmo horizonte.

Optou pelo leite mas não quer cair em arapuca; por isso precisamos da estabilidade das regras.

Por outro lado precisamos entender que nem todos serão salvos.Como nos outros países, a grande maioria vai desaparecer e esse processo é inexorável.

Concordo que o que tem que ser estimulado é a qualidade e o profissionalismo, mas só de quem vai ficar no negocio e aí as regras serão mesmo de mercado. Um exemplo é o "Balde Cheio", um programa que motiva o produtor e melhora sua alta estima, mas que apenas se ele for VOCACIONADO. Não tem paraquedistas ou soluções apenas de âmbito social.

Por isso, acho que temos que cumprir esse ritual até que haja estabilidade, em seguida mostrar um horizonte claro aos produtores e "deixar a turma trabalhar"

abraços,
LUIGI CIAMBARELLA

NITERÓI - RIO DE JANEIRO - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 23/08/2017

Guilherme, temos condições sim, eu tenho o produto certo para crescimento do rebanho leiteiro, e nas condições que temos, porque aumentando a produção, a tendência dos preços é baixarem, e assim aumentaremos o consumo interno, teremos mais para enviar aos laticínios, baixamos os preços destes produtos, enfim, tudo é uma cadeia, e depois disto tudo mapeado, o brasil pode começar programas de qualificação e ordenamento do mercado.
LUIGI CIAMBARELLA

NITERÓI - RIO DE JANEIRO - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 23/08/2017

Prezados Senhores,



A quanto tempo não há inovação tecnológica no setor? Mais de 30 anos, as empresas de sêmen vivem aplicando que características de animais seriam base do melhoramento genético, sim é certo pensar assim. Se pensarmos assim nunca teremos um mercado interno comprador efetivo.

Temos que moldar o mercado primeiro, depois pensamos em qualidade de massa do leite, e podemos assim  planejar o próximo passo.

O mercado brasileiro ainda precisa evoluir para depois melhorar, o Sr. Craig já deu o caminho, como pode 11.000 produtores produzirem mais e melhor que 900.000, deveríamos ser potência mundial no leite, deveríamos ditar os preços e mercado.

Mas infelizmente deixamos todo o mercado de commodities ser regulado por outros países que protegem os seus interesses.

Pensem nisso!!!

  
LUIZ GONZAGA PEGO DE MACEDO

MARINGÁ - PARANÁ - OVINOS/CAPRINOS

EM 23/08/2017

Historicamente a cadeia produtiva do leite no Brasil enfrenta uma série de fragilidades e em destaque a maior concentração destas fraquezas ocorrem em nível de propriedades rurais, que na minha opinião e em vários casos de fato, se dão por desorganização dos produtores, seja por uma questão cultural ou por uma série de fatores ligados á gestão e planejamento da propriedade como um todo.



Sabe-se que a abertura comercial se deu de forma não planejada e isto repercute até hoje no sistema de produção. Em sendo assim, defendo que a organização do seguimento, só ocorrerá a partir da organização dos produtores em sistemas associativistas de fato, como já ocorre em boa parte da agricultura e só aí, teríamos condições de elencar um conjunto de objetivos e metas que possa dar conta de garantir a produção e produtividade do leite com qualidade e viabilidade econômica e qualidade de vida para o produtor.  Concluindo, para isto é imprecindível políticas públicas  com prazos e condições de validade, para que sejamos de fato considerados não apenas produtores de leite, mas competidores de mercado. Luiz Gonzaga Macedo - Zootecnista e Professor na UNICENTRO/Guarapuava/PR
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/08/2017

Gostaria de saber do amigo neozelandês Craig Bell como é que se atinge qualidade e produtividade num País que, via de regra, o custo de produção é maior que o recebido pelo produto? Por lado outro, como investir no aumento de produção, se a importação desenfreada do leite causa queda do valor pago ao produtor e inviabiliza o negócio?



A  maioria dos produtores brasileiros, amigo Craig Bell, não tem ou teve aporte de recursos conseguidos no exterior para montar suas fazendas, não recebe e nunca recebeu, nenhum incentivo ou subsídio do Governo ou de  grandes Cooperativas e vive, quase que exclusivamente, do que produz. As realidades entre a sua e a da maioria dos produtores nacionais são muito diferentes. Nós, os normais, não temos condições de bancar o leite mais caro do mercado (entenda, não estou comparando qualidades, porque se assim o fizer, encontraremos leites de igual monta que o seu, mas, bem mais baratos), destinado a uma diminuta classe alta, que pode comprar o melhor.



A simples compra de produtos de higiene e desinfecção já causa impactos substanciais na vida da maioria das fazendas, o que vem adiando a meta de excelência internacional que a nossa legislação pretende para o leite aqui produzido (legislação, diga-se de passagem, louvável, mas, inadequada à realidade social das fazendas). Esta, talvez, seja a causa do aumento das taxas de CCS citado por você, já que a maioria esmagadora não tem condições de, sequer, ter um Veterinário fixo, para tratar da sanidade de seu rebanho.



Em outro prisma, o povo brasileiro, no geral, sequer pode adquirir o pior dos leites, o pasteurizado. Portanto, a única saída, para nós os produtores brasileiros, seria, sim, a reserva de mercado, para evitar a absurda, desleal e odiosa concorrência do leite triangulado (ou não, para evitar polêmicas de antanho) que vem, aos milhões de litros, sem regras, encharcar as prateleiras dos supermercados nacionais.

Grande abraço,



GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

ALFA MILK - FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG.
SÁVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 23/08/2017

Bom dia !!



Respeito muito a história do Paulo, mas discordo da análise;



O estado deveria interferir em pontos primordiais para tornar o nosso leite competitivo, mas nunca na "bengala" de criar barreiras



Hoje o que temos em mãos é uma produção interna com grande variabilidade de qualidade e também uma enorme lacuna entre o produtor eficiente e o produtor ineficiente em gestão;



O Estado, ao contrário, desestimula a qualidade. A cada ano o país piora seus índices de CCS e a nossa proteína média do leite é muito inferior a de países historicamente exportadores. Vencem os prazos de melhoria e eles são postergados;



Além disso, falta regulamentação sobre quem é, e quem não é produtor de ofício nesse país. Em momentos falta muito leite e em outros sobra demais.



Como fechar o mercado de leite e criar restrições tarifárias se a nossa produção é tão inconstante e se vamos entrar em uma condição de excesso constante? Vamos precisar vender pra fora no futuro, sob pena de quebrar metade do setor;  



Como contar com o crescimento de consumo através de política pública, se o país tem crises cíclicas de renda da população causadas pelas mesmas políticas públicas equivocadas?



É preciso decidir quem é produtor de ofício, ensiná-los a ser eficientes, melhorar (e muito) a qualidade do leite para atingirmos um padrão de competitividade que equilibre naturalmente a nossa balança comercial, e porque não, nos torne superavitários;



Mais uma vez estamos atacando o bandido errado. As importações esse ano acrescentam pouco volume quando comparadas ao aumento desproporcional da produção interna em período atípico (junho a agosto);



O ano vinha de lado com consumo em queda e de repente sobe a produção em mais de 10% em um período curto. Falta planejamento, falta profissionalismo, falta a cadeia produtiva entender que independente do preço dos insumos, a oferta tem que se adequar a demanda;



Falta alguém de nome no setor ter a coragem de falar para o produtor o que ele precisa ouvir: A curto prazo precisa abaixar a produção e a médio e longo prazo melhorar qualidade, profissionalizar gestão e entender que o mercado se faz de ações organizadas e concretas, respeitando um crescimento natural e orgânico e não momentos isolados de "sensação" de ganho oportunista;



Abraço


PAULO LUIS HEINZMANN

RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 23/08/2017

Bom dia!!



É constante e notório a redução do número de propriedades, o aumento da produtividade e da produção, bem como a qualidade do leite que produzimos, o que se acentuou ao longo dos últimos anos.



O Brasil é e sempre foi, disparado, o País que mais cobra impostos em todos os setores, e não é diferente no setor primário, embutido nos preços dos insumos, encarecendo-os de forma substancial, e aumentando assim o custo de produção, também do leite.



Precisamos sim melhorar, constantemente, nossos índices de produtividade, e assim também o fazem nossos diversos concorrentes, independente do nível tecnológico que atualmente se encontram.



Se analisarmos os preços dos insumos, adubos, combustíveis, medicamentos, máquinas e equipamentos dos países vizinhos, aqui do Mercosul, constataremos que os preços de lá são de 40 a 60 % MENORES que os nossos! Isto é um FATO!!



Daí a pergunta ao Craig: Quanto a mais de eficiência deveremos atingir, comparando-nos aos nossos concorrentes, para compensar tal diferença, considerando sua teoria de não proteger nossa produção interna?? Se não tivermos proteção através de algum mecanismo, não seria coerente podermos atravessar a fronteira e comprar lá nossos insumos, o que hoje é considerado CRIME??



Assim, poderíamos sim concorrer de igual para igual no preço final dos lácteos com nossos concorrentes, mas com preços dos insumos também iguais.



Att,



Paulo
CRAIG BELL

JABORANDI - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/08/2017

Prezado Fernando,



A Nova Zelândia produz 15% mais sólidos de leite formal que o Brasil, só que faz isso com 11.000 fazendas no lugar de 900.000 fazendas.  Protecionismo nunca pode compensar para tanta diferença de produtividade, e se o setor não enfrenta essa realidade não vai avançar.  



Se estamos perdendo tempo com o Roberto mencionou é porque as politicas de leite por mais que duas decadas estão pensando em "gerar empregos" como o Sr. Paulo Martins destacou e não estão pensando em produtividade como litros/funcionario/ano, ou litros/ha/ano.   



Para ser competitivo no palco mundial, temos que enfrentar a realidade de que temos pelo menos 20 vezes mais fazendas de leite que o ideal para ficar somente perto do resto do mundo exportador em termos de produtividade.  As autoridades tem que parar de pensar no "status quo" de emprego ou até colocar mais pessoas no campo para produzir leite.  



Esse tipo de pensamento é o resultado de protecionismo causando um preço muito alto para leite crú (e preços altos para consumidores), estimulando fazendas com altos custos que não tem como sobrevivir num país exportador.  Pior, é um caminho sem saída pois cada ano que mão de obra fica mais caro em termos reais, tem que aumentar o protecionismo ainda mais para compensar e eventualmente o custo para fechar as contas seria tão alto para sociedade ou o OMC a aceitar.



Concordo que é difícil de reversar a situação, más primeiro acho que os politicos tem que reconhecer que o único caminho a seguir é produtividade e não "geração de emprego" para manter um número astronomico de fazendas de leite no Brazil.  



Att.


ROBERTO JANK JR.

DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/08/2017

Caro Craig, no mesmo período mencionado por você o Brasil trabalhou com o Real apreciado e isso é uma caraterística de países emergentes, para onde o capital externo migra com facilidade em tempos de oportunidades. Pelo mesmo motivo o Brasil destruiu seu parque industrial. O cambio apreciado corrói a competitividade de um setor em poucos meses frente ao concorrente externo.

No caso do leite, a alíquota compensatória contra a NZ foi conquistada na ocasião comprovando crédito da origem ao importador Brasileiro, com custo abaixo do valor de mercado e prazo acima do padrão de mercado. O motivo era arbítrio das taxas de juro internas contra as taxas externas. O leite não era necessário; era mero veículo para arbítrio financeiro.

Na crise recente da NZ as dívidas dos produtores foram equacionadas pelo setor. Dificilmente isso ocorreria sem a participação dos bancos NZ e do governo como mediador.

Mas não acho que você esteja errado; apenas no timing. Concordo que a industrias poderiam estar barrando leite de baixa qualidade e, em contrapartida,  incentivando mais profissionalismo no setor . E isso não é de hoje. Mas quem viveu aqui depois da abertura do mercado em 1989 sabe o quanto essa época foi desastrosa para o setor, especialmente entre os anos 1990 a 1998, período em que o Brasil se tornou o pinico do mundo para leite e crédito importados. Perdemos uma década com as medidas tomadas pelo governo na ocasião. Não recomendo repetirmos isso.

abraços,

  
FERNANDO BACK

FORQUILHINHA - SANTA CATARINA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 21/08/2017

Somos um País abençoado pelas condições de solo e clima diferenciados, o que  nos permite  produzir  leite  a custos competitivos.  Os problemas aparecem  quando se trata de carga tributária, infraestrutura de energia , logística e educação o que nos coloca sempre em grande desvantagem quando o cenário é de competição com demais países.Basta analisar estes pontos dos demais países e veremos que  a situação é de difícil reversão a curto prazo. Até lá  o sr Roberto tem razão. Necessitamos proteção por quotas até  que  tenhamos a lição de  casa bem feita.
CRAIG BELL

JABORANDI - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/08/2017

Prezado Roberto,  



So para esclarecer sobre a Nova Zelândia, a taxa de cambio flutua conforme o mercado e o governor não manipula a taxa em interesse de qualquer setor.  Com relação ao credito, o produtor tem que pagar a taxa do mercado como qualquer outro negocio.  A industria de leite não tem nem tinha favores especiais nos ultimos 50 anos. Em outras palavras quando deixa o mercado a funcionar, o resultado é melhor para tudo mundo, especialmente consumidores.  



Devido ao protecionismo, o Brasil tem durante os últimos 5 anos um dos maiores preços de leite crú no mundo, e esse não foi um driver suficiente para resolver qualidade (celulas somaticas até piorou), produtividade e também casos de adulteração de leite.  Quem paga pela inefficiencia da cadeia e protectionismo é sem duvida o consumidor brasileiro em termos da oferta e preço de produtos lactéos.  Um outro caminho além que mais protecionismo é necessário para melhorar o setor na minha opinião.



Abs,
MilkPoint AgriPoint