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Falta de material para detectar doenças ameaça produção de carne e leite no Brasil

GIRO DE NOTÍCIAS

EM 10/05/2017

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O principal laboratório nacional de produção de kits de diagnósticos de brucelose e tuberculose bovina e aviária está “interditado” desde dezembro e põe em risco a qualidade da carne e leite do Brasil. A fabricação era feita no Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), que, até 2016, era responsável por fornecer 90% da demanda nacional de mais de 10 milhões de kits diagnósticos disponibilizados por ano.

Após auditoria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em setembro passado, o Tecpar teve de parar a fabricação dos kits antes do fim do ano. “O relatório constatou não conformidades no laboratório. Enviamos uma carta ao ministro [Blairo Maggi] e pedimos ajuda para mobilizar recursos”, explica o diretor presidente do Tecpar, Julio Cesar Félix.

O custo de adequação gira em torno de R$ 3 milhões e é preciso uma licitação para as reformas. Conforme estimativa do Tecpar, a fabricação somente deve ser normalizada entre seis meses e um ano após aprovada a concorrência. Apesar disso, segundo o diretor, esse financiamento não caberia ao estado do Paraná porque a produção é feita a preço de custo para todo o território nacional.

Por sua vez, o Departamento de Fiscalização de Insumos Pecuários (DFIP) do Mapa informou à Gazeta do Povo que está realizando importações emergenciais do Uruguai e conta com fabricação de outros laboratórios nacionais. 

País em alerta

Desde dezembro, [quase] tudo em relação à produção desses dois antígenos (nome técnico do diagnóstico) está paralisado no laboratório do Tecpar. “Neste momento, temos produtos envasados e outros a envasar”, afirma Félix. Ele estima que o atual estoque no mercado e essa nova distribuição, que ainda precisa ser liberada pelo ministério, são suficientes para abastecer o país até o final do ano.

Produtor de bovinos e presidente da Comissão Técnica de Bovinocultura de Leite da Federação de Agricultura do Paraná (FAEP), o médico veterinário Ronei Volpi faz um alerta: “se o caso não for solucionado, a consequência é a probabilidade de, entre 60 e 90 dias, serem interrompidos os programas de combate [à tuberculose e à brucelose] no país”, afirma.

A reportagem levantou que, além do Tecpar, apenas o Instituto Biológico de São Paulo fabrica esses antígenos no Brasil. Com esse cenário, pode haver falta do produto em dois meses, conforme revelou uma fonte ligada à área de sanidade animal, que prefere manter anonimato.

Luciana Faria de Oliveira, fiscal agropecuária e médica veterinária do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) diz que desde antes de 2016 já havia oscilação na disponibilidade do produto. Mas foi a partir do fim do ano passado que a situação se tornou crítica. “Com a impossibilidade de produção pelo Tecpar, a dificuldade se deu pela sobrecarga do Instituto Biológico (IB) para produção para todo o Brasil”, completa.

Estoques no limite

Atualmente, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) possui 24 estabelecimentos credenciados para a venda dos dois tipos de antígenos. Quatro foram contatados pela reportagem e todos revelaram estar com estoque baixo ou sem o produto no momento. “A ausência poderia prejudicar o controle das doenças de brucelose e tuberculose”, comenta Rafael Gonçalves Dias, fiscal da Adapar.

Superintendente da Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa, Altair Valotto estima que o produto importado tenha valor 40% a 50% superior para o produtor. “É um problema sério em nível nacional”, diz.

Cada kit de 50 doses de tuberculina (para diagnóstico da tuberculose bovina) tem custo de R$ 75, quando adquirido junto ao Tecpar; e de R$ 60, junto ao Instituto Biológico de São Paulo; conforme levantamento com lojas especializadas. Já o antígeno para brucelose é comercializado a R$ 160, com 200 doses, junto ao Tecpar. Pela entidade paulista o valor é de R$ 102, com 160 doses.

As informações são da Gazeta do Povo.

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