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Encontro de laticínios em Uberlândia discute tendências de mercado, inovação, consumo e gestão de fornecedores

GIRO DE NOTÍCIAS

EM 04/08/2015

11 MIN DE LEITURA

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Dando início à programação do Interleite Brasil 2015, realizado em Uberlândia, MG, aconteceu nesta segunda-feira (03/08) o 4º Encontro MilkPoint para a Indústria de Laticínios. O evento contou com mais de 100 pessoas, reunindo empresas responsáveis pela maior parte da industrialização do leite no país.

Foram discutidos assuntos relacionados a consumo, tendências, Europa pós-cotas de produção, fidelização de produtores, gestão da cadeia de suprimentos e inovação.

Marcelo Pereira de Carvalho, CEO da AgriPoint Consultoria, fez a abertura do evento, dando as boas-vindas aos participantes, e ressaltando o foco do Encontro. “Em um momento com tantas incertezas, um evento como este tem ainda maior importância, ao fornecer dados e informações de relevância para compor estratégias e planejamento das indústrias”, afirmou Carvalho.



Iniciando as apresentações, Valter Galan, analista do MilkPoint Mercado, mostrou as “Perspectivas para o mercado de leite em 2015/2016”. Segundo o analista, o valor médio recebido pelo produtor brasileiro, no período de janeiro a julho, está 11% abaixo em relação ao ano anterior (já considerando os valores deflacionados). Aliado a isso, a receita menos o custo da ração está 12% inferior à receita do mesmo período de 2014. “Esse cenário resultou em uma queda de produção de 1% no primeiro trimestre de 2015, em relação ao primeiro trimestre de 2014”, disse.

Com demanda interna enfraquecida, os preços dos lácteos no atacado e varejo também foram pressionados. “Segundo dados da Kantar Worldpanel, o volume de vendas do leite UHT, de janeiro a maio de 2015, caiu 4,3% em relação ao mesmo período de 2014”.

Em relação ao mercado global, Galan ressaltou que o cenário atual não mostra uma recuperação de preços internacionais até meados de 2016. “A oferta cresce menos, mas ainda cresce nos principais países. Os estoques ainda são altos nos EUA e na Europa, e possivelmente na China. Além disso, as vendas enfraquecidas da Nova Zelândia podem sugerir uma formação de estoques por lá. Do lado da demanda, começa a haver uma recuperação em alguns países, mas os problemas relativos à Rússia e importações menores na China atrapalham o cenário”, afirmou.

Segundo o analista, as projeções consideram uma recuperação de preços somente a partir do meados de 2016. “O mercado e os preços internacionais deverão seguir enfraquecidos até meados de 2016. Pensando no mercado interno, as importações continuarão competitivas para o restante de 2015 e, provavelmente, primeiro semestre de 2016. Os cenário de preços ao produtor e relação de troca com ração indicam ritmo lento da produção brasileira este ano, devendo fechar o ano em queda de 1 a 1,5% em relação a 2014”, disse.

Galan finalizou sua apresentação alertando que a competitividade do leite no início de 2016 deve começar comprometida, indicando um cenário de baixo crescimento (ou nova queda) da produção, no primeiro semestre do ano. “Neste ambiente desafiador, a gestão e o controle de custos devem ser os pontos focais do produtor de leite e da indústria láctea, para que gerenciem seu negócio neste momento e saiam fortalecidos para aproveitar as oportunidades de médio prazo que nosso mercado certamente proporcionará”, ressaltou.

Na sequência, Andrés Padilla, analista do Rabobank, abordou o tema “A Europa finalmente sem cotas de produção: o que esperar agora?”

Com uma equipe global de mais de 94 analistas, o Rabobank está presente em mais de 40 países, atuando no Brasil há 20 anos, com 6 analistas.



Padilla mostrou dados contextualizando preços, oferta e demanda global de lácteos. “O mercado internacional está no menor patamar de preços desde 2009, com uma queda de 50% nos últimos 12 meses. Dois importantes compradores de lácteos, China e Rússia, diminuíram drasticamente suas importações de lácteos em 2014/15, ao mesmo tempo em que a demanda está menor”, afirmou.

Segundo o analista, a produção dos maiores produtores cresceu fortemente em 2013/14 e ainda não apresentou quedas importantes em 2014/15. “Com isso, o volume de leite disponível no mercado é maior, pressionando os preços globalmente”, disse.

Em relação à oferta, os analistas do Rabobank projetam uma queda na produção da Nova Zelândia em 2015/16; crescimento de 0,7% nos EUA; provável contração no Brasil; Argentina com expectativa de crescer 1% no segundo semestre, mas com incertezas para 2016; Austrália deve crescer de 1 a 2%. “Os preços estão sob pressão em várias regiões, porém o impacto da queda no mercado internacional tem sido assimétrico”, afirmou.

Com o fim das cotas, o crescimento da produção na UE no período 2015-20 deverá estar concentrado em alguns países, como Irlanda, Holanda, França e Polônia, Norte da Alemanha e Dinamarca. “A visão do Rabobank em 2012, sobre o potencial da Europa para 2015-20, era de um aumento de 10 bilhões de litros. Cerca de 1/3 desse volume já aconteceu. Vale ressaltar que o aumento da produção foi acompanhado por investimentos em processamento, sendo que este aumento na produção está destinado ao mercado internacional”, disse.

No entanto, Padilla afirmou que o fim das cotas acontece em um momento difícil para aumentar o superávit exportável. “Os estoques internos da Europa estão aumentando e os preços domésticos estão sob pressão. Já houve intervenções no mercado nas últimas semanas e começam os protestos. Os preços mal cobrem as margens operacionais”. Porém, segundo ele, os investimentos dos últimos anos fazem pouco provável uma queda na produção nos próximos meses.

Finalizando sua apresentação, Andrés Padilla deixou o questionamento: “a indústria já está preparada para receber o leite adicional... Mas o mercado internacional está preparado para absorvê-lo?”

Encerrando as palestras do primeiro painel do evento, Luciana Galvão, head de marketing para a América do Sul da SIG Combibloc, mostrou as “Inovações em produtos e embalagens na indústria de leite fluido”.

Dados por ela apresentados mostram que 45% das inovações acontecem na Europa, seguida da Ásia (39%). “Apenas 8% das inovações acontecem na América do Sul. Precisamos pensar no que podemos trazer de novo para nosso mercado”, disse Galvão.

Entre as empresas mais inovadoras em leite longa vida estão grandes grupos europeus, como Lactalis, Sodiaal e Nestlé, assim como empresas de mercados emergentes, entre elas a Lala, no México, e Murray Goulburn, na Austrália. E também grandes grupos varejistas, como Carrefour e Auchan.

Segundo Galvão, as principais formas de se inovar é retirando ou adicionando componentes. “Como exemplo, podemos citar produtos sem lactose, sem gordura, sem aditivos. Por outro lado, há produtos com adição de ingredientes para saúde dos ossos, melhor digestão, anti-idade, entre outros”, disse.

Produtos naturais, regionais ou orgânicos também vêm ganhando espaço. “O leite regional promove uma compra mais emotiva e pessoal. É percebido como um produto de maior qualidade, promovendo também a rastreabilidade”, afirmou. “Já os produtos orgânicos possuem um link direto com produtos naturais, e o mais importante são as certificações, que garantem a origem e aumentam a credibilidade junto ao consumidor”, afirmou.

Luciana mostrou também produtos desenvolvidos para atender demandas muito específicas, como leite para diabéticos, leite para mulheres, leite para atender grupos religiosos, entre outros.

Como mensagem final de sua palestra, Luciana Galvão mostrou os 5 principais direcionadores da inovação em embalagens: 1. Conveniência (tampas, facilidade de abertura, uso permitido em micro-ondas); 2. Interatividade (QR Codes e oturos); 3. Apelo ecológico (matéria-prima sustentável, com baixa pegada de carbono e maior porcentagem de material proveniente de fontes renováveis); 4. “Premiumnização”(formatos inovadores para produtos premium); e 5. “On the go”(embalagens individuais para consumo em movimento).

No período da manhã houve também o Espaço Empresarial SCLRota, com apresentação de Otávio Augusto Rodrigues Fernandes sobre a “Utilização de Tecnologias Mobile para Rastreabilidade e Otimização da Captação de Leite – Uma gestão inteligente”.



O segundo painel do evento focou consumo e inovações. Abrindo o período da tarde, Rita Navarro, gerente de novos negócios da Kantar Worldpanel, fez “Um raio X sobre o consumo de leite e derivados no Brasil”. Após aumento de renda, ascensão das classes e acesso ao crédito, os lares tiveram um boom no consumo em 2009 e 2010, que se estabilizou nos anos seguintes”, afirmou. Segundo ela, principalmente nas classes médias e baixas, o desejo de consumo é casa e comida. “O brasileiro está mais preocupado com a qualidade de vida e a saúde. “Frente a essas mudanças, os consumidores alteram seus padrões de consumo e priorizam saudabilidade”, disse.

Em 2008, o item “leite e derivados” ocupava a 12a posição na lista de consumo de alimentos dos brasileiros. Em 2015, passou a ocupar a 3a posição.

No entanto, o atual cenário econômico deixa os consumidores mais desconfiados em relação ao futuro, devido ao aumento da inflação e diminuição da renda. “O consumo, de modo geral, foi impactado no primeiro trimestre de 2015, porém mantém patamares acima dos últimos anos”, afirmou Navarro. Da queda de consumo registrada neste período, 81% está concentrada em oito categorias: cerveja, leite UHT, suco em pó, água mineral, leite pasteurizado, leite fermentado, açúcar e refrigerantes.

Analisando esses dados, a gerente da Kantar Worldpanel, mostrou que as categorias de maior valor agregado crescem na cesta de derivados de leite. “Considerando o período julho 2014 a junho 2015, enquanto o consumo de leite pasteurizado caiu 3 pontos percentuais (pp), o consumo de iogurte natural cresceu 4 pp, e o iogurte grego, + 11 pontos percentuais. “Os derivados de leite representam oportunidades de aumentar o consumo”, disse.

Outro fator interessante é que a “praticidade” continua conduzindo o consumo. Há 4 fatores que ditam o consumo atualmente: benefício, praticidade, saudabilidade e diferenciação. “O leite UHT se destaca e cresce através do custo-benefício. Hoje, o leite UHT atinge 92% dos lares brasileiros”, disse Navarro. Segundo ela, outro item importante é a inovação. “O iogurte grego traz inovação e diferenciação para a categoria, e mantém a tendência de crescimento”.

Encerrando sua palestra, Rita Navarro afirmou que, para equilibrar a sua conta, os brasileiros diminuem o volume da cesta de alimentos, e ainda optam por categorias de valor agregado. “O destaque do ano foi o iogurte grego”, disse. “Apesar de ser uma das cestas mais impactadas pelo aumento de preços, a cesta de bebidas se destaca pelas escolhas mais práticas e saudáveis. Suco pronto para beber e água de coco foram as categorias que mais se destacaram.

Para Navarrao, sofisticação é o fator chave para leites e derivados. “A diferenciação traz novos compradores para o Iogurte Grego, e ganho de volume para o leite UHT no ano móvel 2015”, finalizou.

A próxima apresentação foi de Samir Ruggiero, gerente de supply chain da Starbucks, que abordou a “Gestão da cadeia de suprimentos – o exemplo da Starbucks”.

Presente em mais de 60 países, através de mais de 22 mil lojas (105 no Brasil), a Starbucks possui um faturamento anual de US$ 16 bilhões.

A empresa, que tem como missão “Inspirar e nutrir o espírito humano – uma pessoa, uma xícara de café e uma comunidade de cada vez”, desenvolve grandes iniciativas globais, voltadas para fornecimento ético, sustentabilidade e trabalhos comunitários.

“Em termos de volume, o leite é um item muito importante para a rede Starbucks, sendo que 90% dos produtos levam leite em sua composição”, afirmou Ruggiero. Nos EUA, o consumo anual de leite nas lojas Starbucks é por volta dos 400 milhões de litros. Os fornecedores são indústrias e cooperativas, com negociações mensais, baseadas em indicadores de mercado. No Brasil, são consumidos anualmente 2,5 milhões de litros nos produtos Starbucks, tendo como fornecedores indústrias e cooperativas, com negociações trimestrais, também baseadas em indicadores de mercado.

Em relação à rede de fornecedores de leite, a empresa tem como objetivos a segurança alimentar, influenciar toda a cadeia do leite, inovar e colaborar. “Temos a estratégia de estabelecer e desenvolver parcerias com fornecedores, cooperativas e produtores que tenham mecanismos/programas com reais propósitos em relação às pessoas, ao planeta e aos animais”, disse o gerente. Segundo Ruggiero, outras estratégias incluem a identificação e promoção de incentivos para uma atividade sustentável e rentável, além da redução de desperdício em toda a cadeia.


Encerrando o Encontro, Marcelo Pereira da Carvalho, CEO da AgriPoint, falou sobre a “Fidelidade entre indústria e produtores de leite: bases conceituais para adaptação ao mercado de leite brasileiro”.

“A relação com fornecedores pode ser fonte de vantagem competitiva”, afirmou Carvalho, iniciando sua apresentação mostrando a importância de se investir em novas formas de gerenciar a rede de suprimentos, substituindo o “ganha-perde” pelo “ganha-ganha”.

Marcelo falou sobre o papel das indústrias na fidelização de produtores. E questionou os participantes: “Qual é o custo da troca de produtores?”, considerando principalmente reposição de volume, logística, qualidade, risco ambiental, outros riscos e trabalho envolvido.

O resultado do produtor depende de fatores como preço, custo e crescimento sustentável. “Além do preço, há outras formas de gerar resultados, e se o produtor perceber que seus objetivos finais estão sendo atingidos por alguma ação realizada pela empresa, a chance de fidelizar, inclusive reduzindo o peso da variável preço, é maior”, afirmou Carvalho.

Um dos principais atributos de valor considerados pelo produtor são as vantagens econômicas/serviços aos quais pode ter acesso. “Nesse sentido, várias ações podem ser propostas, como por exemplo a facilitação de crédito, gestão de risco, pool de compras, convênios, treinamento, informação, assistência técnica, softwares de gestão, bonificação compatível com a importância do atributo do leite/produtor para a indústria, bônus por tempo de fornecimento, etc”, mostrou Carvalho. “Há também os benefícios intangíveis, como maior transparência, redução da barreira hierárquica, status, além de elementos que valorizem a relação indústria-produtor”, afirmou.

Nesse sentido, Marcelo indagou para algumas questões: “as empresas dão a ênfase adequada para mudar a relação e tirar da variável preço a totalidade do valor que existe na transação? Serviços ao produtor são vistos como investimentos, ou como custos? Em que nível hierárquico está a discussão sobre esse assunto na empresa? Quem gerencia esse tema é a mesma equipe de compra de leite? A visão de longo prazo sobrevive às pressões de curto prazo?”

Carvalho finalizou sua apresentação afirmando que a relação com os fornecedores pode sim ser fonte de vantagem competitiva. “O mercado brasileiro de leite, pela heterogeneidade de preços e especificações do produto leite, alto grau de competição e baixa eficiência produtiva e gerencial, apresenta condições especialmente oportunas para que se desenvolva programas de fidelização”. E enfatizou que “é preciso haver mudança de conceito (e investir)”.

O 4º Encontro MilkPoint para a Indústria de Laticínios foi realizado pelo Portal MilkPoint, e contou com o patrocínio Master da SIG Combibloc, patrocínio GOLD da SCL Rota, patrocínio SILVER da Smart Question - gestão da coleta de leite, e com o apoio da Kantar Worldpanel, Rabobank, Silemg, e Sindileite.

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