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CNA: política cambial já provoca danos à pecuária

GIRO DE NOTÍCIAS

EM 07/07/2005

3 MIN DE LEITURA

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A atual política cambial do governo, que mantém o dólar subvalorizado, valendo menos que R$ 2,40, já provocou danos à pecuária de leite brasileira. O setor, que no ano passado registrou pela primeira vez superávit na balança comercial de lácteos, volta a importar, prejudicando a produção interna, a renda do produtor e a geração de empregos. O alerta é do presidente da Comissão Nacional da Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNPL/CNA), Rodrigo Alvim, ao analisar os resultados da balança comercial de lácteos do primeiro semestre.

Entre janeiro e junho, o Brasil exportou o equivalente a 32,7 mil toneladas de lácteos, o que gerou receita de US$ 50,7 milhões. No mesmo período, entretanto, as importações do segmento atingiram 40,6 mil toneladas, com gastos na ordem de US$ 68,5 milhões. O resultado final foi um déficit na balança comercial de lácteos de US$ 17,9 milhões. Em igual período do ano passado, o déficit foi de US$ 7,5 milhões, e aos poucos, foi revertida a situação. Em 2004, a balança comercial de lácteos foi superavitária em US$ 11,5 milhões. Se as atuais taxas de câmbio forem mantidas, será difícil repetir esse resultado positivo em 2005, disse o presidente da CNPL/CNA.

Segundo Alvim, nos últimos anos, a pecuária leiteira nacional investiu em modernização, qualificação e aumento da produtividade, mas todas essas conquistas correm risco de serem perdidas se mantidos os atuais patamares do câmbio. Com o dólar barato, alertou, há estímulo ao aumento das importações e inibição às exportações.

O resultado final é o crescimento de oferta de lácteos no mercado interno, com queda de renda ao produtor. "O setor estava bem, com preços internos estáveis. Entramos no período de safra, em outubro do ano passado, com queda suave dos preços, o que não ocorria há muito tempo", lembrou Alvim. "Agora, em poucos meses, devido à desvalorização do dólar, já percebemos os prejuízos. Com o atual câmbio, há dificuldade em exportar", considerou o presidente da CNPL/CNA.

O cenário fica ainda mais complicado porque o país, frente ao bom momento da pecuária leiteira, expandiu a produção em 6% em 2004, e em 9,6% no primeiro trimestre, comparado aos resultados de janeiro a março do ano passado. É mais um fator que gera grande oferta e conseqüente queda de preços pagos ao produtor. Em Minas Gerais, estado responsável por 30% da produção nacional de leite, o crescimento foi de 10% em 2004 e de 9% no primeiro trimestre de 2005.

Dados referentes exclusivamente ao mês de junho mostram que as importações de lácteos somaram 8,3 mil toneladas, 88,6% a mais que as 4,4 mil toneladas de igual período do ano passado. Em receita, as importações de lácteos em junho representaram despesas de US$ 14,1 milhões, 111,7% a mais que os US$ 6,6 milhões de igual mês de 2004. As exportações de lácteos também cresceram, mas em ritmo bem mais lento. No mês passado, as remessas de lácteos somaram, 5,3 mil toneladas, 16,1% a mais que as 4,6 mil toneladas de junho do ano passado. No acumulado do primeiro semestre as exportações de US$ 50,7 milhões do setor representam valor 71,1% maior que os US$ 29,6 milhões de remessas de lácteos de igual período do ano passado. Apesar do resultado das exportações dos primeiros seis meses sugerir que o setor passa por momento positivo, a tendência, caso mantida a atual taxa de câmbio, é de gradativa queda da taxa de crescimento das exportações.

A CNA está se preparando para realizar, nos próximos dias, reuniões com lideranças da pecuária de leite nacional, de forma a estudar propostas que minimizem os impactos no setor. "Há preocupação de que se repita a crise de 2001, quando houve crescimento de oferta. A solução, à época, foi buscar a possibilidade de exportar, o que conseguimos e que agora, devido ao câmbio, poderá gerar nova crise", disse Alvim.

Fonte: CNA, adaptado por Equipe MilkPoint

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ANTONIO CESAR FERREIRA

CAJOBI - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/07/2005

Precisamos valorizar a nossa moeda, nos tornarmos mais ricos e competentes. Só assim teremos boas rendas, salários dignos e um povo vivendo com pelo menos o básico para uma vida normal.



É assim que devemos pensar e não pensarmos em desvalorizar nossa moeda. Isso para mim é no mínimo estranho. Será que nós não estamos viciados em coisas fáceis. É mais fácil desvalorizar a moeda do que tornarmos competentes.



Nós temos que exigir uma política agrícola melhor de nossos dirigentes para que possamos competir neste mundo globalizado. Nós temos que nos tornarmos mais competentes e exigir um pouco mais dos nossos políticos, para que eles se tornem competentes.



E não ficar choramingando que somos pobres, que os países desenvolvidos ficam nos sugando. Isso é se esconder atrás da nossa incompetência. Vamos encarar o problema de frente e não ficar procurando caminhos mais fáceis e continuar empurrando com a barriga.



Nós temos que procurar valorizar a nossa moeda, isso é normal. No Brasil quando o dólar aumenta tudo aumenta de preço. Quando o dólar cai os insumos, fertilizantes etc. não acompanham a queda.



Nós temos que reclamar isso, tem alguma coisa errada nesta política. Você acha que uma simples valorização ou desvalorização da moeda resolve nosso problema.



Antonio Cesar Ferreira
ROBERTO JANK JR.

DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/07/2005

O cenário é muito perigoso. Já conhecemos o dano causado por importações desmedidas e por nossa ausência de atitudes na administração dos estoques de leite do mercado



É fácil prever para o curto prazo um grande abastecimento estimulado pelo leite importado, ocasionando o recuo do preço spot e o desvio dos excedentes para o leite longa vida, produto de eleição para os excessos do mercado. A conseqüência será o recuo no mercado do valor do longa vida em um primeiro momento, seguido dos outros leites e derivados no momento seguinte. Depois virá o desestimulo do produtor e um novo ciclo.



É a nossa velha sina de volta, estimulada por uma política cambial descabida e por nossa inércia, enquanto cadeia, ao deixar de enfrentar com energia os assuntos de nossa competência, como a administração de estoque estratégico, excedentes e os formatos para o desaparecimento das sobras pontuais, causadas por agentes externos como clima, taxa de câmbio e variações do preço internacional. Como disse o Marcelo, somos todos culpados.
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