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Chile: setor teme dependência do México nas exportações

GIRO DE NOTÍCIAS

EM 10/10/2005

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O acordo de livre comércio entre México e Uruguai e o eventual fechamento de um com a Argentina, duas potências leiteiras, alertam para a excessiva concentração das exportações chilenas de lácteos ao México.

O que até agora parecia um ganho, a conquista do México pelos exportadores chilenos poderá ser uma grande mancada, se este país avançar em suas negociações comerciais com outros países leiteiros.

De fato, o Tratado de Livre Comércio entre México e Uruguai, firmado em 2004, entregou aos mexicanos uma cota de importação de queijos de 6,6 mil toneladas, que entrou em vigência em julho passado.

As exportações de queijos chilenas a este país no primeiro semestre deste ano chegaram a 8,735 mil toneladas, de forma que os envios uruguaios já criam um cenário diferente, pelo menos para este produto, na segunda metade deste ano.

Nos últimos cinco anos, o Chile passou de importador líquido de lácteos para um incipiente exportador, que neste ano pretende superar os US$ 100 milhões em vendas neste setor.

O notável crescimento, que começou em 1999 com US$ 31 milhões, no entanto, tem um importante complicador. Do total de envios lácteos no primeiro semestre de 2005, 63,2% dos US$ 57,8 milhões exportados foram ao México. Em produtos, 67% das compras de leite condensado são feitas por este país. Com relação aos queijos, 96% do faturamento chegou pelo mesmo mercado.

Uma mostra da avalanche chilena é que este país tem se transformado no principal abastecedor do México em queijos e leite condensado. Entre janeiro e junho, os envios de queijos chegaram a US$ 23,4 milhões (8,735 mil toneladas) e os de leite condensado, a US$ 21,5 milhões (19,368 mil toneladas).

Até aí tudo bem, com exceção da questão de não colocar todos os ovos na mesma cesta. No entanto, existem precedentes sobre esse assunto. No final dos anos noventa, 75% das exportações argentinas eram destinadas ao Brasil. A crise asiática e a desvalorização do Real sepultaram este mercado, o que gerou uma quebra no setor de lácteos argentino. Porém, a Argentina aprendeu a lição. Hoje, envia somente 15% de seus lácteos ao Brasil, 75% a outros 10 mercados e o resto, a outros mercados menores.

Esta questão deve constar da agenda láctea do Chile. O México é deficitário no setor de lácteos. "Ainda há espaço para crescer. A demanda aumenta a um ritmo maior que a produção interna de lácteos", disse o presidente da Associação de Exportadores de Lácteos, Manuel Zamora.

Devido à sua escassa produção interna de leite fresco - em 2004 chegou a 9,9 bilhões de litros para 100 milhões de habitantes -, os mexicanos dedicam a maior parte de seu leite à fabricação de produtos frescos, o que gera um importante déficit em produtos processados. Assim, por exemplo, a produção de queijos chegou a 130 mil toneladas, mas a importação foi de 82 mil toneladas.

Desconcentração

Na indústria de lácteos do Chile existe consciência sobre esse assunto. A Watt's (Loncoleche, Calo), por exemplo, concentra 76,7% de seus envios ao México. A Soprole, envia 99% de seu queijo gouda ao México.

"Estar concentrado é uma vulnerabilidade, é claro. Por isso, queremos diversificar", disse o gerente de negócios internacionais da Watt's, Cristián Gubler.

A Soprole, outro gigante do setor, concorda com os riscos da concentração. "Sem dúvida, como estratégia de longo prazo, nunca é bom depender de somente um mercado. Estamos diversificando nossas exportações a outros países centro-americanos, com leite fluido e manteiga", disse o gerente de exportações da Soprole, Jorge Caorsi.

A fórmula para reduzir a pressão, segundo Gubler, estaria em desenvolver produtos mais elaborados e diversificados, para diferentes mercados segundo suas preferências.

"A política, mais do que desenvolver produtos tipo commodity - como leite em pó ou queijo gouda - é ir a outros de maior valor agregado, como leite fluido integral, desnatado, com sabor, sobremesas, cremes longa vida, e a mercados diversos. Cremos que em médio prazo poderia ser uma estratégia mais rentável", disse Gubler.

O Governo chileno também está ciente da situação. "Estamos tentando uma forte diversificação trabalhando no mercado dos Estados Unidos, onde temos uma cota de 3,5 mil toneladas que achamos provável chegar neste ano com produtos diversos, como leite condensado. Também estamos com expectativas com relação à Europa, já que estão terminando as negociações sanitárias, que vão nos permitir entrar neste mercado", disse o diretor da Oficina de Estudos e Políticas Agrárias (Odepa), Octavio Sotomayor.

Na opinião de Zamora há destinos inexplorados. "O Japão importa 220 mil toneladas de queijos por ano. É um mercado três vezes maior que o México", disse ele.

Fonte: Revista del Campo, El Mercúrio, adaptado por Equipe MilkPoint

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