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Cai o número de produtores de leite do país

O aumento do custo da mão de obra e do valor da terra no Brasil, principalmente a partir de 2006, fez o número de produtores de leite recuar de forma expressiva nos últimos anos. Pesquisa realizada pelo MilkPoint e pela Associação Leite Brasil mostra que o país tem hoje cerca de 250 mil produtores de leite que comercializam a matéria-prima no mercado formal - isto é, com inspeção - e produzem, em média, 244 litros de leite/dia.

O último dado disponível do Censo do IBGE, de 2005-2006, mostrava um número total de 1,35 milhão de produtores no país. Desse total, 930 mil comercializavam leite nos mercados formal e informal e 420 mil utilizavam o leite apenas para consumo próprio.

A pesquisa do Milkpoint, consultoria especializada em lácteos, e da Leite Brasil se baseia em levantamento realizado entre junho e agosto deste ano a partir de uma amostra de 50 laticínios do país. Juntos, eles processam cerca de 30% do total de leite adquirido pelas indústrias no Brasil. O volume equivale a 6,7 bilhões de litros de leite em uma produção total inspecionada de 22,3 bilhões de litros, de acordo com dado do IBGE do ano passado.

Segundo Marcelo Pereira de Carvalho, analista do MilkPoint, a conjuntura econômica explica a redução no número de produtores de leite e a mudança de perfil. "A produção diária por produtor sempre foi muito pequena [no Brasil] e a produtividade por área, baixa. Em uma situação em que a taxa de desemprego é baixa e a renda média aumenta, como ocorreu a partir de 2002, o pequeno produtor ou seus filhos não têm incentivos para permanecer na atividade, porque terá oportunidades melhores de auferir renda", diz.

Assim, acrescenta, a opção para o pecuarista é deixar a atividade ou aumentar a produção para justificar sua permanência. Conforme Carvalho, a forte alta do valor da terra a partir de 2007 também estimulou o aumento da produtividade para justificar a exploração do ativo. "Do contrário, o produtor arrendará a terra para outra atividade, venderá a propriedade ou se dedicará a outra atividade agrícola", argumenta.

Os 50 laticínios pesquisados pelo MilkPoint e pela Leite Brasil recebem leite de mais 75 mil produtores nacionais. Considerando os 6, 7 bilhões de litros recebidos e o número de 75 mil pecuaristas, a pesquisa chegou à produção média diária por fornecedor de 244 litros.

Carvalho explica que uma primeira extrapolação dessa amostragem leva ao número de 250 mil produtores que atuam no mercado formal. Em um cenário em que os produtores informais tenham a mesma produção média diária que os formais, o total de pecuaristas de leite no país (formais e informais) chega a 360 mil. Para chegar a esse número, os autores do estudo dividiram a produção brasileira total de leite (formal e informal), de 32,091 bilhões de litros em 2011 (último dado disponível), pelos 365 dias do ano e depois pela produção diária de 244 litros.

Mas, presumindo que a produção diária do pecuarista que atua no mercado informal é menor que a do formal, o número total estimado de produtores de leite no país aumenta e alcança 415 mil pessoas. "Supondo, arbitrariamente, que o produtor informal produz um terço do formal, chega-se a um número de 81 litros por dia por produtor", estima o especialista.

Considerando que o mercado formal, de 22,3 bilhões de litros, equivale a 70% do total, isso significa um mercado informal de cerca de 9,7 bilhões de litros. Desse volume informal, metade (4,876 bilhões de litros) é comercializada. Tal volume dividido pela produção diária estimada e pelos 365 dias do ano leva a um número aproximado de 165 mil produtores de leite que vendem no mercado informal.

A partir desses dados é possível deduzir que o número total de produtores saiu de 930 mil (dado do IBGE) em 2005-2006 para 415 mil atualmente. Porém, admitem os autores da pesquisa, "não é possível ter uma conclusão segura sobre a magnitude exata da redução do número de produtores" nesse intervalo.

Como explica Carvalho, isso ocorre porque a pesquisa feita pelo Milkpoint e pela Leite Brasil tem metodologia diferente da utilizada pelo Censo do IBGE. No levantamento mais recente, só foram considerados os produtores que vendem o leite para laticínios inspecionados, enquanto o IBGE considerou a produção formal, a informal e a também a de subsistência.

Ainda assim, diz o especialista, há fortes indicativos de que muitos produtores deixaram a atividade entre 2006 e agora, período em que a produção total de leite aumentou cerca de 30% no Brasil.

Jorge Rubez, presidente da Leite Brasil, considera que a redução do número de produtores de leite no país é positiva. "A tendência é reduzir o número de produtores e aumentar a produção", afirma. Além disso, acrescenta, por conta dos custos elevados para transportar a matéria-prima, a tendência é que os laticínios prefiram captar leite de grandes produtores que podem fornecer volumes maiores.

O presidente da associação acredita que os produtores que atuam hoje informalmente tendem à formalização e não considera que os deixaram atividade foram prejudicados. "O fato de um produtor deixar a pecuária leiteira não significa que ele deixou a terra. Ele pode ter migrado para outra atividade ou arrendado a área", afirma.

O levantamento da Milkpoint e da Leite Brasil indica, ainda, que a faixa de pecuaristas com produção acima de 500 litros por dia (35,6 mil produtores, ou 14,2% do total que vende no mercado formal), é responsável por 56% da produção de leite inspecionado do Brasil e cerca de 40% do leite total produzido. Além disso, 82 mil pecuaristas produzem quase 80% do leite inspecionado no país, segundo a pesquisa.

Um dos sinais de que houve concentração da produção é que, conforme o Censo de 2005-2006, havia, naquele período, apenas 8.792 pecuaristas de leite com produção superior a 500 litros/dia no país.

A pesquisa revela ainda que os pequenos produtores (até 250 litros por dia), apesar de serem a maioria (ver quadro), são responsáveis por apenas 23% do leite formal produzido. Já os que produzem mais de 3.000 litros/dia (0,9% do total) são responsáveis por 13,7% do total de leite processado pela indústria.

Carvalho - para quem o processo de concentração deve continuar - diz, ainda, que o pagamento pelos laticínios de bônus por volume de leite recebido também pode ter estimulado produtores a crescer.

A pesquisa da Milkpoint e da Leite Brasil obteve informações de laticínios do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país. Segundo os autores, essas regiões têm o preço de terra em média mais elevado e podem ter tido uma redução maior do número de produtores do que Norte e Nordeste, regiões que representam 18% da produção de leite brasileiro. Ainda assim, afirmam, "isso não invalida a análise e a constatação de que o aumento do custo da terra e da mão de obra acelerou o processo de concentração na pecuária leiteira".

A matéria é do Valor Econômico, com informações do MilkPoint.
 

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JOAO COSTA

FLORIANÓPOLIS - SANTA CATARINA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 19/09/2013

Muito pertinente a análise realizada.

Parabéns aos envolvidos e organizadores do artigo.



Joao Henrique Cardoso Costa

Engineer Agronomist, BSc., MSc.

PhD. Student - Animal Welfare Program

jhcardosocosta@gmail.com

http://www.landfood.ubc.ca/animalwelfare/  

Faculty of Land & Food Systems

University of British Columbia

191 - 2357 Main Mall, Vancouver, BC

V6T 1Z4  Canada

ph: 604 845-5820

fax: 604 822-6394

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/09/2013

Prezada conterrânea Rosângela Zoccal: Não nos podemos esquecer que estes dados são de 2006.

Hoje, produtores com menos de cinquenta litros de leite nem encontram laticínios que queiram receber seu leite, lembrando que um tanque de expansão, para funcionar, necessita de, no mínimo, sessenta litros de leite, o que inviabiliza o resfriamento de tal produto.

É claro que existem os tanques comunitários, mas, em termos gerais, são muito poucos  e encarecem o transporte e, por fim, o produto, inviabilizando a captação. Não se olvide dos transportadores a latão, mas, estes, bem o sabemos, mais que estarem com dias contados, já deveriam ter sido banidos do sistema.

Além do mais, este quadro de que fala o artigo em comento somente começou a ser desenhado, em termos de Brasil, a partir de 2011, quando as exigências do mercado interno e do internacional fizeram com que os volumes de leite procurados fossem severamente ampliados e a busca pela qualidade do produto acentuada.

Cresceu, daí em diante, a quantidade de produtores mais especializados, que puderam e adotaram a escala de produção.

Esta é a constatação da pesquisa, com a certeza de que o volume ofertado pelos que têm produção acima de quinhentos litros/dia, hoje, representa mais de cinquenta por cento do total inspecionado.

Um abraço,





GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

ALFA MILK

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

=HÁ OITO ANOS CONFINANDO QUALIDADE=

http://www.fazendasesmaria.com

ROSANGELA ZOCCAL

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 17/09/2013

Prezados

Para colaborar com os dados apresentados pela pesquisa

Vejam os dados do Censo Agropecuário do IBGE de 2006, com uma tabulação especial.

Do total de 1.350.809 estabelecimentos com leite, temos o seguinte:



Menos de 50  L/dia     1.076.169

De 50 a 200 L/dia     230.639

Mais de 200 L/dia     44.001



Acredito que o IBGE vem retratando a realidade de que temos muitos produtores de subsistência e "relativamente" poucos empresariais.



MÁRCIO FONSECA DO AMARAL

ALEGRETE - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 16/09/2013

Bom dia! Parabéns pela matéria, a qual nos dá uma noção mais lúcida do que a simples análise dos números do IBGE. Estes, mesmo sendo os únicos oficiais, deixam muito a desejar quando se analisa os dados locais de cada município. Mas, as análises feitas pelos que me antecederam, embora  estejam de acordo com o que penso em vários pontos, me coloca na obrigação de tecer alguns comentários, pois trabalho com extensão rural há 22 anos, justamente quando houve a liberalização dos preços dos lácteos pelo governo e, desde então ouço esta história. Não se discute o quanto é positivo ao mercado e a eficiência na unidade de produção o aumento na média das escalas de produção, mas o que não podemos concordar é a de que os pequenos proprietários de terra estejam condenados ao esquecimento e deixados a mercê do mercado, pois o que temos visto é que, independentemente de tamanho das propriedades, o que tem feito mais diferença na possibilidade de permanecer na atividade, ou não, é o profissionalismo com a qual a propriedade é trabalhada nos seus mais diversos setores de gestão, através de bons programas de assistência técnica. Mas, é claro que isto só faz diferença para quem quer e, a tendência de redução de produtores é uma realidade em todas as atividades, que não só no leite. Portanto, devagar com os absolutismos, pois se isto fosse tão verdadeiro bastaríamos ter 17,5 mil produtores com produção diária de 5 mil litros em média e estaríamos com a mesma produção atual. E, isto não é interessante socialmente para ninguém....o resto nem se discute.
MICHEL VALTER KAZANOVSKI

QUEDAS DO IGUAÇU - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 16/09/2013

Atrair, desenvolver e manter pessoas altamente qualificadas e motivadas para o setor. Este é o grande desafio.

Temos uma lista gigantesca de oportunidades a serem aproveitadas mas o maior desafio são as pessoas, sejam elas funcionários e colaboradores, mas principalmente, produtores com vocação para esta atividade.

De nada adianta termos recursos, sejam físicos ou financeiros, se não tivermos pessoas aptas a fazerem o melhor uso destes. Programas como o "Balde Cheio" tem um importante papel em reconhecer estas pessoas e capacita-las. Porém considero que há um enorme risco destes produtores atendidos estarem na próxima lista de exclusão, caso não se coloque na mente destes que um planejamento para elevação de uma escala cada vez maior, contratação de pessoas, integração de novas áreas a sua produção não ocorra. Dar dignidade a vida de um pequeno produtor é um gesto fenomenal, mas não garante sua sustentabilidade no ritmo que a produção de alimentos vem mudando. Porém não deixa de ser um grande programa. Talvez alguns ajustes finos devessem ocorrer.

Pessoas talentosas têm as habilidades e a motivação para alcançar o sucesso na produção de leite. Estas habilidades são desenvolvidas através de uma combinação de educação e experiência. Para se obter renda e sustentabilidade as explorações leiteiras precisam ter uma boa gestão. É muito raro encontrar estas características no campo. Com esta nova investida pública na intenção de alavancar a produção nacional de leite caberia no planejamento criar escolas técnicas especializadas neste setor. Uma atividade tão complexa não cabe na apertada grade curricular dos cursos técnicos e acadêmicos de ciências agrárias.

Investimentos do governo associados a indústria e outros setores ligados a cadeia precisam ser feitos para dar formação adequada e assegurar, baseado em conhecimento, a retenção de pessoas talentosas demonstrando as oportunidades deste setor. Este pode ser o caminho para garantir a renovação de pessoas não apenas na fazenda, mas na pesquisa e na indústria.

Caso contrário esta tendência de exclusão seguirá em ritmo acelerado e a produção nacional de leite será para poucos tão qual os sistemas integrados de aves e suínos.
PEDRO AUGUSTO CARVALHO PEREIRA

GUARATINGUETÁ - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 16/09/2013

Prezado professor Paulo,

há tempos venho colocando suas ponderações em discussão com colegas da extensão.

Depois de tudo que acompanhei de tais projetos e de experiência na extensão acredito que a manutenção dessas políticas de fomento são mais de caráter político (social ?)que técnico...
PAULO R. F. MÜHLBACH

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 15/09/2013

Frente aos fatos que, gradativamente, corroboram a materialização dessa tendência na redução do número de produtores e aumento da escala de produção - ressalvadas algumas exceções a nível mundial - pergunto-me sobre a coerência de programas tipo "Balde Cheio" e de consideráveis investimentos governamentais na produção leiteira em assentamentos.

Não seria de se esperar que, no médio e longo prazos, a atividade leiteira não se sustentará em tais situações por  limitações de espaço físico?

Ou será que, de uma hora para outra, florescerá entre esses micro-produtores (com áreas individuais inferiores a 15-20 ha) um sentimento de coletividade, união, etc. que garantirá sua sobrevivência futura?

As políticas governamentais para o setor deveriam estar prevendo a tendência futura, racionalizando o emprego de recursos sempre tão escassos.
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/09/2013

Estimado Gustavo Juñen: Gracias por su manifestación. No és uma desgracia la situación en que la cantidad de productores baja, si la cantidad de la leche aumenta.

És uno señal de que las haciendas lecheras están siendo profesionales. Solamente eso.

Por el menos en Brasil, eso no és causa para el aumento de las explotaciones. Por supuesto, ello és debido por la terquedad del mercado, por la exploración de los productores por las plantas industriales.

Saludos.



GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

ALFA MILK

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

=HÁ OITO ANOS CONFINANDO QUALIDADE=

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GUSTAVO JUÑEN

MALDONADO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 13/09/2013

Muy buen artículo.

Desgraciadamente este es un fenómeno global que algunos países tratan de detener con subsidios.En Uruguay sucede lo mismo:la cantidad de leche remitida a las plantas industriales aumenta,pero baja la cantidad de productores y aumenta el tamaño de las explotaciones.
OSWALDO GUIMARAES COSTA PINTO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/09/2013

Bom Dia Paulo Fernando;

Seu comentario é uma visão realmente do que ocorre em minha região. Os filhos de produtores de leite migraram para outras atividades, hoje no meio rural existe os minifundios e poucas propriedades, onde sobrevivem o patriarca e sua esposa, ambos com a aposentadoria rural.O meio rural está virando um "sertão".Os ambientalistas, não precisarão de muito esforço, pois estamos vendo pequenas pastagens virando cerrados, açudes sendo tomados pelas taboas, pequenas varzeas antes ocupadas por plantações de arroz, simplesmente abandonadas e alagadas.Dá pena ver fazendas pujantes de 30,20 anos atras, hoje em decadencia.
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 13/09/2013

Obrigado a todos pelos comentários. Conforme o Guilherme constatou, nosso objetivo não foi definir com exatidão o número de produtores, mas sim constatar uma tendência que, a meu ver existe. Vale lembrar que entre o Censo de 1995/96 e 2005/06 já houve uma redução de quase 500.000 produtores - 1 a cada 11 minutos. E a grande mudança econômica e na dinâmica agrícola ocorreu principalmente após 2007.



Sobre tanques comunitários, de fato não foram considerados, o que subestima em algum grau os dados (alguém tem essa estimativa?). Por outro lado, em Estados como MG, em função de incentivos fiscais,  há 1 produtor que vira 3, 4...Conversando também com várias empresas, há percepção é que os números estão bem mais próximos da realidade do que os dados do Censo, que presumivelmente estão desatualizados.



Sobre a não inclusão de laticínios do Nordeste, sim, esse fato deve contribuir para uma subestimativa do número, embora no mercado inspecionado a contribuição do Nordeste (e Norte) não é alta. Dessa forma, acredito que para o mercado inspecionado os números estejam bastante próximos da realidade.



Marcello, os dados individuais dos laticínios participantes não serão divulgados, mas iremos publicar algo mais sobre o trabalho. O que procuramos fazer foi uma amostragem que pudesse ser representativa do setor. Há um aspecto adicional: 5 grandes laticínios não participaram, porém estão no ranking da Leite Brasil deste ano. Acrescentando esses dados teríamos 45% da produção inspecionada brasileira e a média de produção por produtor subiria ainda mais, indo para 246 kg/dia e 248.000 produtores formais. A nossa amostra, nesse caso, seria de quase metade do leite inspecionado, com mais de 50 empresas com atuação em diversas regiões.



Não temos a pretensão de estabelecer o valor exato. Em um setor com alta carência de estatísticas, o que procuramos fazer foi reunir informações atualizadas sobre o que acontece no setor, devendo os números ser analisados como uma tendência - e que o argumento de "1,3 milhão de produtores, 5 milhões de pessoas, etc" certamente não procede - pelo menos sob a ótica da importância na produção.



ESTÊVÃO DOMINGOS DE OLIVEIRA

QUIRINÓPOLIS - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 12/09/2013

Saudações a todos e parabéns aos organizadores do artigo.



Essa diminuição drástica de produtores de leite ocorreu em países com produção mais profissional e está ocorrendo agora com maior intensidade em nosso país. O produtor rural, assim como todos nós, precisa de dinheiro para viver. Paixão é algo interessante, mas somente quando a grana está cobrindo as despesas. Quando as perspectivas não são interessantes (continuidade) todo mundo acaba abandonando o barco e somente ficam os mais eficientes, alguns tolos e aqueles que não dependem da atividade para sua sobrevivência.



Sucesso
PAULO FERNANDO ZAIDEN REZENDE

JATAÍ - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/09/2013

Parece que os comentários são a continuação do texto, são todos sinceros e refletem as realidades de cada qual que o escreveu e de sua região, é bom lembrar que assim também se faz uma pesquisa.

Mas contando a minha realidade e da minha região, estou em Jataí-GO, região produtora de grãos e de leite e tenho notado um fator interessante que vem acontecendo na nossa cidade. Já a algum tempo não vejo mais filhos de produtores de leite seguirem a atividade dos pais, talvez por falta de incentivo do próprio pai ou pelo desanimo do filho em ver o pai sempre reclamando da atividade, dizem que produtores de leite "chora" muito.

Na atividade de grãos vejo o inverso, os filhos empolgados e querendo melhorar a atividade e as condições de trabalho, prova disso é que trabalho no laboratório de anatomia animal da UFG(Universidade Federal de Goiás) aqui em Jataí e hoje se pegarmos os alunos do curso de agronomia, aprovados no ultimo vestibular, a grande maioria são filhos de produtores, fato que não é visto, por exemplo, no curso de veterinária.

Não sei se esse fato particular  pode servir de parâmetro, mas acho que quem mora na nossa região(Jataí, Rio Verde, Mineiros, Quirinópolis e outras) vem assistindo essa realidade. É possível ver filhos de "sojicultores" empolgados, falando sobre a atividade na cooperativa, nos bares, na faculdade e nas rodas de amigos. Parece que estão empolgados com uma atividade que pulsa a mil e impulsiona o PIB brasileiro e muda, aos poucos, o discurso dos políticos ao falar sobre o assunto. Seria essa a diferença entre as atividades? Uma em ascensão e a outra em queda?

Outro fator que foi citado em comentários acima é a mão de obra, é verdade que todos nós sofremos muito, muito, muito e muito com isso e acho que esse foi um dos fatores que nos fez parar com a atividade leiteira(estávamos a mais de 20 anos) e posso dizer que já estou com saudade(vendemos as vacas a 5 dias) e quero relatar que esse é um problema vivido também pelos produtores de grãos, só que na atual conjuntura parece não abalá-los.

Não estou querendo explicar, ao contrario, estou apenas citando um fato para que possamos refletir sobre o assunto.

E a proposito, as vacas que vendemos foram para outro produtor que comprou as nossas vacas e as de outros produtores que também saíram da atividade, concentrando várias propriedades(e produtores) em uma só, deixando mais uma dúvida, será que os produtores estão diminuindo mesmo? Ou estão apenas migrando?

Enquanto isso vejo os piquetes tombarem diante de máquinas pesadas, dando lugar ao grão que empolga gerações de produtores que estufam o peito e gritam: "Somos produtores de grãos"...     E o nosso leite onde fica????
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/09/2013

Prezado amigos: A estatística é uma ciência que toma em consideração determinados parâmetros para, em face de uma parte, estimar o produto do todo.

Portanto, as palavras do Marcelo Pereira de Carvalho, no artigo em comento, não podem ou devem ser entendidas como exatas, mas, apenas e tão somente, se dirigem ao campo das probabilidades.

Por óbvio, sabemos todos nós que o número de empreendimentos industriais e da captação por eles implementada é muito maior e mais significativa que os valores apresentados no texto, mas o resultado final, a conclusão da matéria é única e precisa, dentro das limitações de erro acima externadas.

Portanto, aos colegas Marcello de Moura Campos Filho e o conterrâneo Marne Sidney de Paula Moreira, advirto para que não vejam os números como a realidade, mas, sim, como uma possibilidade.

Quanto aos dizeres do companheiro Oswaldo Guimarães Costa Pinto, com os agradecimentos pelas palavras elogiosas a mim dirigidas, devo dizer que a qualificação da mão de obra, nas fazendas leiteiras brasileiras, deve ser implementada pelo próprio proprietário, já que, se ficarmos esperando os mirabolantes "cursos do Governo" que, embora bem intencionados, quase nunca são suficientes à demanda, a situação no campo será a atual - caótica. Este aspecto, também, integra o catálogo das obrigações do produtor profissional.

Nós, da ALFA MILK - Fazenda Sesmaria, atualmente, incentivamos e treinamos nosso pessoal na própria fazenda, através da equipe de Médicos Veterinários, Agrônomos e Zootecnistas que nos assistem, que ministram cursos práticos aos mesmos, capacitando-os e aperfeiçoando suas já obtidas qualificações.  

Assim, hoje, temos funcionários que são inseminadores, tratoristas, tosquiadores, casqueadores, técnicos em qualidade do leite, entre tantas outras funções específicas do setor, sem qualquer gasto adicional, além dos prêmios e bônus de produção que passam a receber, mensalmente, após o aval da equipe de treinamento.

Um abraço,



GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

ALFA MILK

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

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JOSÉ ANTONIO

SALVADOR - BAHIA

EM 12/09/2013

A analise do Marcelo serve de parâmetro para as futuras politicas publicas e privadas voltadas ao Centro-Sul e não reflete o numero e a realidade do País conforme o próprio pesquisador informa, a metodologia foi a informação tem base em 50 industrias localizadas no Centro-Sul.



Uma informação que considero relevante e deve ter peso em volume (l/dia), trata-se da existência da figura do carreteiro / tanqueiro atravessador / vendedor de leite spot, o popularmente conhecido "dono do leite" em muitas regiões brasileira, ele é quem aparece na estatística e não os produtores do leite que ele entregou para indústria como fosse da sua propriedade. São raras as indústrias que não tem esta figura emblemática do cotidiano mundo rural brasileiro independente da UF.

   

O País está esquecido por décadas do que é politica de desenvolvimento, aliás sabem como não fazer . Se utilizarmos do raciocínio empregado na analise aplicando para os estados da Região Nordeste, fazendo uso da informação disponível de domínio publico, que   aproximadamente 398.777 produtores de leite com produção media inferior a 100 l/dia (IBGE/Embrapa) que lá existem nos dias de hoje , estariam desaparecido e fazendo parte de uma estatística como ex-produtores.



No mais, suponho que o Centro-Sul possui mais de 50 indústrias.  
OSWALDO GUIMARAES COSTA PINTO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/09/2013

Oi Guilherme Alves; sempre leio seus comentarios e concordo com sua visão REALISTA.

Mão de Obra rural (digo desqualificada, pois qualificada nem imagino o que é) é o grande gargalo atual.

Minha opinião sobre a materia é que ficarão no mercado somente dois tipos de produtores:

1- Grandes grupos agropecuarios(industria) que produziram e envazaraõ seu proprio produto, ligados a grandes redes supermercadistas.É uma tendencia como a soja, milho,  confinamento,suinocultura granjas de frango etc,etc. Estes grupos conseguem fazer a contratação desta mão de obra, nos centro urbanos e fazer o transporte.Terão fartas linhas de credito, e influencias politicas.

2- Pequenos produtores INTEGRADOS a latcinios. O modelo é semelhante aos integrados de frango de corte , e de suinos. Neste caso usa-se mão de obra garantida(familiar, normalmente o "veio" e a "veia", pois os filhos foram procurar novas oportunidades nos centro urbanos). São pequenos produtores, mas com alta tecnologia, genetica, produtividade. Terão o suporte dos laticinios em assistencia tecnica, insumos ,concentrados e volumosos.O integrador fornecerá a vaca recem parida em um lote de numero fixo de unidade. Assim que a media de uma unidade diminuir a assitencia tecnica fará a subtituição. Não haverá cria e recria.Desta maneira o laticinio não estará a merces de poucos produtores com poder de barganha. Serão muitos ovos em uma cesta.

MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/09/2013

Qual a captação de cada um  desses 50 laticínios da pesquisa? Segundo informações obtidas junto ao SEBRAE-SP  só em São Paulo temos 190 pequenos e médios laticínios que operam imagino formalmente. Acho que 250.000 produtores formais é muito pouco.

Seria possível enviarem a pesquisa por e-mail ou pelo correio no endereço abaixo:



Av. Manoel Afonso Ferreira 651

Campinas - SP

CEP 13100-029



Marcello de Moura Campos Filho
WANDELL SEIXAS

GOIÂNIA - GOIÁS - MÍDIA ESPECIALIZADA/IMPRENSA

EM 12/09/2013

  

Acompanho a vida dos produtores rurais, e os de leite estão inseridos neste conjunto, e o que percebo é que eles são muito desunidos. A decorrência natural é que divididos são presa fácil das indústrias de laticínios. Os produtores precisam estar mais unidos, formar associações e comprar e vender sempre em conjunto. A busca do que oferece melhores preços, melhores condições, deve ser persistente ou o caminho natural. Na Nova Zelândia, por exemplo, a cooperativa de laticínios é uma só. São os cooperados que produzem, transportam o leite in natura para um grande centro, industrializam, exportam o leite em pó em grandes conteiners. Enfim: fazem todo o ciclo do leite. Na Nova Zelândia, pelo que sei, outras companhias de laticínios não entram no país. É o exemplo de que a união faz a força.
SILVIO CHINAZZO

NICOLAU VERGUEIRO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/09/2013

Acredito q diminuiu o numero de produtores  primeiramente pq o leite ficou muito inviavel financeiramente enquanto industrias crescem produtor para. E o consumidor ainda nao tem um leite de comfiança
MARNE SIDNEY DE PAULA MOREIRA

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 12/09/2013



Prezados,

concordo com as questões apresentadas em editorial do site pelo Marcelo anteriormente quanto ao aumento do custo da mão de obra e o preço da terra, que com certeza são fatores que estão fazendo mudanças na produção de leite brasileira.

Quanto ao número de produtores apresentados nesta matéria "TRUCO".



Abs,



Marne Moreira

Embrapa Gado de Leite