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Ampliação do bloco europeu gera expectativas positivas no setor de lácteos da UE

GIRO DE NOTÍCIAS

EM 05/05/2004

5 MIN DE LEITURA

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A entrada de 10 países na União Européia (UE) em primeiro de maio significou que as cotas de exportação, os impostos alfandegários e os subsídios à exportação serão divididos entre os estados membros existentes e os novos estados membros.

Alguns produtores dos países que entraram estão otimistas com relação às novas oportunidades. "Eu acho que será mais fácil fazer negócios com o oeste", disse o gerente da maior companhia de lácteos da Lituânia, Marijampoles Pieno Konservai, Egis Bardonis. "Haverá alguns custos de alfândega, mas isso não será problema".

Bardonis acredita que as grandes companhias privadas, como a Marijampoles, estão em uma boa posição para se beneficiar do maior acesso aos novos mercados. Sua companhia já faz negócios com países da Europa e da África, e a acessão simplesmente significa que as últimas restrições comerciais serão eliminadas.

Um relatório recente feito pelo Rabobank chamado "A nova União Européia: previsão para produtores, processadores e comerciantes" é também otimista sobre as previsões para a indústria de lácteos dos países que entraram no bloco europeu. O relatório prevê que os novos Estados Membros estão bem posicionados em longo prazo devido aos seus baixos custos de terra e mão-de-obra.

O secretário geral da Associação de Lácteos da Europa, Joop Kleiveuker, questionou se isso realmente fornecerá aos novos membros da UE uma vantagem com relação aos 15 países que já eram do bloco. "No momento, há um preço menor do leite no leste. Mas isso será resolvido relativamente rápido. O que os produtores precisam é melhorar a eficiência de sua produção".

De qualquer forma, a situação dos grandes processadores de lácteos como a Marijampoles é muito diferente da situação dos produtores menores, que constituem a maior parte da indústria de lácteos dos países que entraram na UE. Estes processadores não têm uma economia de escala para se beneficiar com o acesso a novos mercados e muitos não cumprem com os requerimentos da UE referentes à segurança alimentar.

"Considere a Polônia, por exemplo", disse Kleiveuker. "Existem 1,2 milhão de propriedades que podem ser chamadas de leiteiras, mas somente 380 mil delas distribui leite para a indústria de lácteos. As demais produzem leite que é consumido localmente. Essa é uma situação totalmente diferente dos velhos Estados Membros".

Atualmente, poucas operações de lácteos estão de acordo com os requerimentos sanitários e de higiene da UE. De acordo com um estudo recente do mercado de lácteos da Bulgária, somente 2% das companhias de lácteos conseguiram receber licenças para exportar ao bloco.

"Indubitavelmente a acessão significará uma série de processadoras que não estarão aptas a se adequar aos requerimentos", disse o vice-presidente de operações comerciais para Europa e África da Tetra Pak, Pär Söderlund. "Estes negócios irão ou fechar permanentemente ou serão comprados por outros negócios relacionados. Entretanto, muitos destes são muito pequenos ou seus aparatos de processamento são muito antigos para torná-los ofertas viáveis de negócios".

Alguns estabelecimentos de lácteos do Leste Europeu trabalharam para se adequar rapidamente aos padrões da UE para serem compradas por uma companhia ocidental.

"Nós não esperamos muitas mudanças a partir do primeiro de maio", disse o porta-voz da Friesland Coberco, Rob van Dongen. "Nós sabermos há muito tempo que isso ia acontecer e estávamos preparados para isso. Grandes divisões do setor de lácteos do leste já estão sob o controle das companhias ocidentais".

Van Dongen acredita que esta é uma coisa boa para a indústria de lácteos dos países que entraram no bloco. Ele disse que as companhias de lácteos dos países do Leste Europeu podem se beneficiar da tecnologia e dos equipamentos dos países do oeste. O fechamento de plantas de produção na Holanda devido à consolidação significa que a planta de lácteos Nutricia, da Friesland, na Hungria, está apta a importar equipamentos e tecnologia ocidental.

Outras recentes aquisições na Hungria incluem a compra da companhia de sorvetes Schöller Budatej pela Nestlé, a aquisição da planta de alimentos congelados da Unilever pela Globus, e a compra da companhia de lácteos Mizo por investidores privados.

Van Dongen previu que a acessão não alterará dramaticamente o atual estado da indústria de lácteos da Europa. As cooperativas do oeste, como a Friesland, continuarão comprando leite localmente dos produtores de seus próprios países - no ano passado a companhia comprou 5,2 bilhões de litros de leite de produtores holandeses. Ele disse que não será viável nem eficiente em termos de custo transportar o produto cru para o leste europeu onde os custos de produção são mais baratos.

Companhias privadas como a Nestlé têm maior liberdade para expandir para a região, mas parece que os produtores de leite do leste continuarão fornecendo para seu mercado doméstico, ainda que com tecnologia ocidental e, cada vez mais, nas mãos de companhias ocidentais.

Entretanto, alguns processadores de lácteos do oeste vêem oportunidades de exportação nos países novos. A Arla Foods está investindo 15 milhões de Coroas Dinamarquesas (US$ 2,40 milhões) em uma nova fábrica de mussarela da companhia de lácteos na Polônia, com o objetivo específico de fornecer o produto para uma Europa unificada. "Há algumas excelentes oportunidades para a Arla Foods nos novos países da UE", disse o diretor regional da Arla, Frede Juulsen. "Entretanto, isso não acontecerá da noite para o dia - isso é algo que requer uma grande quantidade de trabalho duro e investimento". Pelas leis comerciais existentes antes da acessão dos países, a companhia somente tinha permissão para exportar 10% de toda a cota de exportação de queijos para os países velhos da UE de um total de 10 mil toneladas. Isso mudou a partir de primeiro de maio.

"O consumo de mussarela deverá aumentar na Europa e nós queremos ter uma maior fatia deste mercado", disse Juulsen. "Com nossa grande produção de mussarela na Dinamarca e com a expansão na Polônia, nós fortaleceremos consideravelmente nossa posição como um fornecedor de mussarela na nova e ampliada UE".

Do ponto de vista do setor de lácteos dos países do oeste, então, a acessão não parece apresentar nenhuma ameaça, mas sim, somente oportunidades. Os produtores do leste claramente não estão em posição atualmente de exportar grandes quantidades. Alguns processadores do oeste, como a Friesland, vêem a maior liberação comercial simplesmente como uma forma de conquistar um apoio nos novos mercados domésticos emergentes; outros, como a Arla, vêem uma oportunidade para fabricar bens processados para exportação de forma mais barata.

Para os processadores do leste europeu, enormes desafios estruturais vêm pela frente. Para se beneficiarem do aumentado acesso aos novos mercados, melhorias na estrutura, produtividade e conhecimento terão que ser feitas.

Em 04/05/04 - 1 Coroa Dinamarquesa = US$ 0,16047
6,23160 Coroa Dinamarquesa = US$ 1 (Fonte: Oanda.com)

Fonte: Dairy Reporter, adaptado por Equipe MilkPoint

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