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Quando as metas de venda tornam-se um tiro no pé

Por Wagner Beskow, MyPoint Pro - postado em 01/07/2013

23 comentários
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“Não aguento mais vendedor aqui em casa. Estou quase colocando uma placa lá na frente: proibido vendedores”. Quem nunca ouviu um desabafo desses ou não convive com produtores de leite, ou não tem deles suficiente abertura.

Proibido vendedores


Este tema é tão delicado e ao mesmo tempo tão importante para a cadeia produtiva do leite que não tenho como deixar de abordá-lo.


Da importância dos insumos e dos serviços para o produtor

Não se produz leite só com terra, vaca e pessoas. Embora alguns produtores tentem, esses são justamente os que não passam de 8 L/vaca/dia, com 800.000 de CCS, outro tanto de CBT e menos de 2.000 L/mês. "Não comem um ovo para não jogar a casca fora" com medo de gastar muito, mas quando se calcula seus custos, frequentemente atingem e até passam de R$1/L, dada a baixíssima e insustentável escala de produção. Esse produtor orgulha-se em dizer "eu não uso ração" e quando usa é 1, no máximo 2 kg/vaca/dia, da mais barata que puder encontrar, quando não é ele mesmo que a prepara, jamais levando em consideração o elevado custo que significa seu próprio tempo: o custo de deixar de fazer outras coisas que ninguém pode fazer por ele ou para as quais ele não consegue pagar quem faça. Este é um custo muito importante que ele negligencia e por isso acaba tomando decisões erradas.

Embora insumos sejam indispensáveis, a verdade é que nem todos são realmente necessários ou trazem resultado econômico positivo. Portanto, há aqui uma primeira justificativa para o produtor se colocar numa posição defensiva: ele não deve comprar todo e qualquer produto ou serviço que lhe é ofertado. Os próprios profissionais de vendas sabem disso.

Como, então, separar o joio do trigo? A grande maioria dos produtores de leite brasileiros não têm conhecimento técnico suficiente para decidir objetiva e racionalmente se um determinado produto ou serviço irá de fato trazer os benefícios que lhes são apresentados. Estes produtores precisam de um apoio o mais imparcial possível e, se tiver que ser parcial, que seja parcial para o lado deles. Quem oferece esse apoio? A busca de respostas para esta pergunta merce grande atenção do produtor.

Instituições públicas de ensino, pesquisa, extensão e assistência técnica costumavam ser a principal referência. Hoje isso já não é mais regra, pois nem todas são imparciais nessa questão e há um crescente e preocupante distanciamento entre estas e os reais problemas enfrentados no campo. Posicionamentos anti-multinacionais, anti-transgênicos, anti-químicos sintéticos, anti-alimentos concentrados, anti-commodities, anti-royalties em sementes são compreensíveis na academia, mas acabam por distanciar essas instituições ainda mais dos desafios encontrados no campo.

Por sorte, nem todas se encaixam nessa generalização e há excelentes profissionais e louváveis trabalhos sendo realizados, tanto por instituições públicas dos setores acima, como privadas. O problema é o acesso à informação, o produtor se beneficiar de tal conhecimento e de tais profissionais num modelo que os enclausurou e os obriga hoje a publicar em "revistas científicas de alto impacto", impacto em citações por outros cientistas, pois o impacto no campo tem sido mínimo, por vezes próximo a zero. Os que não se ajustam a esse modelo têm suas carreiras comprometidas. Raros são os profissionais que conseguem driblar todas essas barreiras e levar ao campo ciência aplicada com praticidade e resultados.

É necessário que os serviços públicos acima retomem o foco, reganhem o rumo, valorizem resultados de seus profissionais no campo e que o produtor entenda que tudo é pago. Não existe nada de graça. Ou se paga diretamente por um serviço ou ele é cobrado por outras vias, que nem sempre são claras. Isto é válido para qualquer serviço prestado por quaisquer instituições, sejam governos, cooperativas ou empresas mercantis.

Dadas todas essas dificuldades, considerando que o produtor precisa de ajuda hoje e não "um dia quando as coisas melhorarem", deixo aqui algumas sugestões. Assim, antes de agradecer e descartar um vendedor e seu produto, pergunte-se:
  • 1. O que está sendo apresentado pelo vendedor faz sentido? Se não fizer, faça mais perguntas a ele. Se não entender, ou se ele não souber explicar, não compre no ato. Peça o cartão com contatos dele e procure uma orientação de sua confiança.
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  • 2. Ele apresentou alguma evidência, pequena que seja, do produto/serviço ter sido testado técnica e, de preferência, cientificamente, mesmo que de forma preliminar?
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  • 3. Há evidências de algum sucesso anterior ou você faria parte dos primeiros a usarem comercialmente? Caso afirmativo, requer mais cautela. Como você fica se não der certo? Ele lhe oferece alguma garantia, reposição ou compensação? Caso negativo, ele lhe alertou que pode o resultado não sair como se espera?
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  • 4. O vendedor sabe o impacto do que ele propõe no seu custo de produção, incluindo algum trabalho extra que seja necessário? Alguns vendedores tem grande conhecimento deste aspecto, outros (normalmente mais novatos) não tem noção do que significa na sua vida incorporar o que ele quer lhe vender.
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  • 5. O vendedor afirma que os benefícios serão maiores que os custos acima? Se não forem, por que você usaria? Onde é que você ganha?
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  • 6. Se o(s) benefício(s) apontado(s) não são mensuráveis diretamente, os ganhos indiretos justificam sua adoção? Ele, pelo menos, afirma que sim?
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  • 7. O que lhe está sendo apresentado parece bom demais para ser verdade? Baratinho, super-eficiente, fácil de usar e com resultados quase milagrosos? Cuidado! Normalmente sua impressão inicial é correta, pois "na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma". O bom produto se vende quase que sozinho, exceto bem no início. Produtos que há anos remam e nunca decolaram em vendas, normalmente já foram julgados e condenados pelo mercado. Ou são ineficazes, seus resultados não justificam o investimento, não trazem resultados claros ou a empresa não investiu o suficiente. Em todos esses casos, o problema não é seu. Fique longe e deixe os testes para quem não arrisca seu negócio testando. Produtor não deveria ter que testar nada. Teria que receber tudo testado e com mínimas garantias do vendedor previstas na legislação (MAPA, ANVISA e PROCON). Infelizmente, as deficiências e atrasos de nosso país obrigam produtores a ter que testar muita coisa. Uma coisa é o produtor tomar a iniciativa de testar algo, outra é um vendedor lhe vender um produto cujos resultados ainda precisam ser avaliados, sem isso ser informado ao produtor.

A produção de leite é muito complexa. A interação de fatores como solo, temperatura, umidade, luminosidade, higiene, sanidade, nível nutricional do rebanho, manejo sanitário, manejo alimentar, manejo reprodutivo, dedicação das pessoas envolvidas, enfim, tudo isso e muito mais interage e determina os resultados. Em um sistema complexo o resultado de um produto nunca é uma relação simples de uma dose de A produzindo Y de resultado e pronto.

As interações acima (várias coisas agindo ao mesmo tempo) são o principal motivo porque as recomendações de produtos e práticas de manejo necessitam antes passar pelo crivo científico. É claro que as empresas tem que vender (e precisamos que elas vendam muito!), mas para se manter no mercado a maioria delas sabe que não podem agir de má fé, porque a cadeia do leite é muito seletiva e não perdoa. Um produtor frustrado não apenas deixa de comprar, mas fala contra aquela empresa ou seu produto para várias outras pessoas em seu círculo de relações. Sem falar que alguns deles são importantes formadores de opinião em suas regiões. Todas boas empresas levam isso muito a sério.

Mesmo assim, certos produtos por não terem exigência legal específica, passam apenas pelo crivo interno do setor de pesquisa e desenvolvimento (P&D) das empresas e estes nem sempre possuem conhecimento e estrutura suficientes para testar aquele produto nas condições que de fato será utilizado. Muitas das decepções surgem desta limitação, por isso cada vez mais as empresas do setor buscam validação a campo.

Três conclusões devem ser extraídas dessa complexidade:
  • 1. O produtor não pode concluir que um produto não funciona ou "não presta" porque, no caso dele, não funcionou. Pode um produto ser excelente, testado e comprovado mas não apresentar resultados por ser mal empregado ou pelas condições locais se combinarem de forma especial que impeçam a expressão do que seria esperado. Isso ocorre. Qual a solução? Leia o rótulo, pergunte ao vendedor, busque assistência profissional e sempre siga as recomendações e as leve a sério.
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  • 2. Um vendedor não pode alegar que o produto/serviço dele funciona sempre, em qualquer propriedade, em quaisquer condições. Isso não existe pelos mesmos motivos da complexidade do sistema e, se assim ele alegar encare com cautela.
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  • 3. Um produto que ainda não tenha sido testado em escala comercial (o mundo real) tem que ser vendido com prudência e o produtor tem direito de saber que este é o caso, para então decidir se aceita correr o risco ou não, mesmo que pequeno. Empresas sérias facilitam a adoção inicial de um produto novo para gerar confiança antes de promovê-lo em massa. Este produto tem que estar pronto e testado nos limites legais e de capacidade da empresa. Se fugir disso é experimentação e o produtor tem que ser informado para decidir se quer participar, mesmo que não esteja desembolsando.

O valor de vendedores e de produtos de confiança

É importante registrar que se observam no campo inúmeros casos de extrema satisfação e até de verdadeira e sincera gratidão entre produtores e vendedores, assim como entre produtores e produtos. São casos que estampam alegria no rosto do produtor quando perguntados ou quando se cita um determinado vendedor, uma empresa ou um certo produto a eles. É muito gratificante para os envolvidos e prova de um trabalho honesto e bem feito.

Sobre as metas de venda

Se o produtor precisa de insumos e de serviços, qual é o problema que vendedores tenham metas de vendas e promovam seus produtos? Em princípio, nenhum, mas da forma como tem sido feito não está sendo bom para ninguém.

Vejamos algumas reclamações de produtores:
  • 1. "Eles vêm aqui em casa, parecem ter todo tempo do mundo e eu já não posso mais parar tudo para atender alguém que eu não chamei, para ouvir sobre um produto que eu não estou interessado. O problema é que a gente fica meio assim né...".
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  • 2. "Antes era de vez em quando, mas agora quase todos os dias tem um aqui em casa".
  •  
  • 3. "Eu agora é assim: se me incomodarem e insistirem, aí mesmo que eu não compro".

Se para os vendedores que estão tendo esses problemas também vale a máxima "o cliente sempre tem razão", então é necessário abrir o olho.

É preciso colocar-se no lugar do produtor, lembrando que o dia é curto, que o serviço se acumula e que às vezes as janelas de tempo para certas operações são estreitas e valiosas, visto que o produtor depende das condições meteorológicas, dos estágios de desenvolvimento das plantas e das necessidades dos animais. Perder uma aplicação de ureia na pastagem, uma colheita de silagem ou o cio de uma vaca para ouvir longas explicações sobre produtos jamais será bem vindo.

Imagine que você ligou para um cliente importante, difícil de pegá-lo no telefone. Aí, quando ele atende, alguém desliga seu telefone e puxa um assunto que você não estava interessado em tratar. Agora, para agravar, imagine que essa não é a primeira vez que lhe fazem isso. Percebeu a semelhança?

É necessário vender e para isso ser melhor e mais eficiente que a concorrência, mas não é sufocando nem importunando o cliente que você irá atingir suas metas. Desse jeito "é certo que vai dar errado". Você desagradará ao produtor, a seu chefe e a si mesmo. Solução? Que tal tentar algo assim:
  • 1. Engaje-se em vender produtos bons, necessários, que façam a diferença e que os resultados sejam detectáveis pelos produtores. Se você aceitar vender outro tipo de produto, sinto muito, mas a frustração é inevitável e será diária.
  •  
  • 2. Conheça o perfil de seus clientes, suas rotinas, seus horários, suas necessidades e saiba detectar quando não chegou na melhor hora. Nesses casos, diga ao produtor: "O senhor me desculpe. Vejo que não cheguei numa boa hora. Vou só deixar esse folheto ali em cima e volto num outro dia, num horário que eu não vá lhe atrapalhar tanto. No material tem meu nome e telefone. Um bom dia e um bom trabalho pra vocês!" Uma postura dessas, se verdadeira e sincera, abre portas. Você verá.
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  • 3. Seja criativo. Pense noutras formas de seu produto ou serviço chegar até o produtor. A melhor venda você fará quando o produtor estiver procurando ou pensando no seu produto. Pense em como fazer isso acontecer com mais frequência.
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  • 4. Menos é mais! Mensagens simples, curtas e claras, tanto faladas como escritas, são sempre melhores. Vá direto ao ponto.
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  • 5. Prefira trocar de empresa do que ficar mal visto com os produtores. Produtores gostam de vendedores fiéis a uma empresa, mas mais que nada preferem gente em quem eles podem confiar. Conheço muitos casos de vendedores que carregam seu portfólio de clientes tendo passado por diferentes empresas e lidado com diferentes produtos. Por quê? Porque sabem trabalhar, se preocupam com o produtor, lhes conquistaram a confiança e entregam resultados.

Matando a galinha dos ovos de ouro

As propriedades rurais, com os produtores e suas vacas, são a galinha dos ovos de ouro da cadeia produtiva do leite. Ninguém irá bem ao longo da cadeia se estes forem mal.

Tudo começa com a fotossíntese: a captação de energia pela pastagem ou pela lavoura para silagem e produção de concentrado. Ali é incorporada a riqueza vinda do sol. O que se segue é transformação daquela energia que o produtor se especializa em captar e o retorno desta, retroalimentando o sistema (ver figura abaixo).
cadeia produtiva do leite - produção e retorno
Fluxo simplificado de produto, insumos, serviços e dinheiro na cadeia produtiva do leite (W. Beskow).


Entende agora onde está a "galinha dos ovos de ouro" e por quê?

O barato normalmente sai caro

A falta de conhecimento de como funcionam as coisas leva produtores a quererem sempre o mais barato, só que raramente ele é a melhor opção. Há casos de ótimos produtos com preços muito competitivos, até mesmo os menores da praça, mas o normal é que os melhores, os que darão o melhor retorno econômico, estejam entre os mais caros. O produtor tem dificuldade em compreender isso, requerendo tempo e experiência para romper esta barreira. Semente de forrageiras e sanitizantes são típicos produtos que o produtor insiste em querer apenas o que é mais barato. Alerte-se, no entanto, que nem sempre o que é caro é bom.

Custo total versus custo por litro

A busca de redução de custos não significa parar de comprar, nem se quer comprar menos. Significa aumentar a produtividade de forma eficiente, com isso reduzindo o custo por litro. Um produtor pode estar gastando muito mais por mês ou por ano e ganhando muito mais dinheiro, desde que sua produtividade tenha aumentado em maior proporção que seus custos anuais.

É por este motivo que a cadeia do leite é uma mina de ouro. É possível vender muito e deitar a cabeça no travesseiro com a sensação de ter ajudado muitos produtores a ganhar, ao invés de ter que ludibriar, como em alguns setores. Para ganhar mais o produtor precisa gastar mais! Acreditem, não tem outra forma, mas até o produtor entender isso, leva tempo. O segredo está em saber no que gastar, quando e como empregar o que foi comprado para que resulte em mais leite de menor custo unitário. Ensinar essa fórmula ao produtor deve ser a missão de todos os técnicos e também dos vendores inteligentes.


Wagner Beskow
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TRANSPONDO Pesquisa, Treinamento e Consultoria Agropecuária Ltda. - Wagner Beskow

 

Opinião

O texto deste colunista não reflete necessariamente a opinião do site MilkPoint.

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Comentários:

TADEU ROBERTO SIERAKOWSKI

Paranavaí - Paraná - Revenda/ distribuição de produtos para a produção
publicado em 02/07/2013

MUITO BOA SUA MATÉRIA SR WAGNER, E MUITO OPORTUNA TAMBÉM.

Sidney

Goiânia - Goiás - Produção de leite (de vaca)
publicado em 03/07/2013

Parabens. Foi um relato sincero e de muito fundamento.

Luiz Laudelino Soares

Campo Mourão - Paraná - Consultoria/extensão
publicado em 03/07/2013

A busca pelo crescimento, faturamento,ou mesmo pela sobrevivência, faz com que as empresas de insumos/cooperativas tracem estratégias, campanhas de vendas,  às quais os produtores, nem sempre conseguem se defenderem.  A única solução é ter uma assessoria técnica, confiável e desvinculada de qualquer compromisso comercial.  

mateus gasparetto

Rondinha - Rio Grande do Sul - Produção de leite (de vaca)
publicado em 03/07/2013

Excelente posicionamento!!! Vou imprimir  um banner e pendurar na entrada da propriedade....!!!!!

Saudações e admiração.

Jair Tessmann

Pelotas - Rio Grande do Sul - Produção de leite
publicado em 03/07/2013

    Excelente matéria!!! Essa prática de abordagem e venda agressiva é mais comum do que se pode imaginar, não são raras as vezes que a gente entra nas lojas para comprar determinada marca ou produto e o promotor (vendedor) tenta vender um similar... Infelizmente a pressão e a política do lucro acima de tudo, atropelam a ética...

Marcos Goulart Pereira (Markito.'.)

Pouso Alegre - Minas Gerais - Técnico
publicado em 04/07/2013

Prezado Dr. Wagner Beskow

Saudações

Excelente materia, faz refletir a importância e a responsabilidade de cada componente da Cadeia Produtiva do Leite; esta materia baliza a pratica da ética.

Agradecido.

Marcos Souza de Freitas

Santa Rosa - Rio Grande do Sul - Produção de leite
publicado em 04/07/2013

Não dá para parar de ler. Parabéns!

Gustavo Ribeiro da Silva

Nova Olímpia - Mato Grosso - Produção de leite (de vaca)
publicado em 04/07/2013

Excelente abordagem. Muitas vezes compramos produtos que não dão resultados economicamente viáveis. São muitas as empresas que só tem a preocupação em vender, e esta sedução muitas vezes nos afasta da natureza do animal. Concordo com sua teoria de que devemos ser seletivos e criteriosos nas compras de insumos.

PARABÉNS PELA MATÉRIA.

Silas Primola Gomes

Rio Claro - São Paulo - Pesquisa/ensino
publicado em 04/07/2013

Parabéns pela matéria e pela forma de abordagem do tema!

RENAN PEREIRA JUNQUEIRA

Carmo de Minas - Minas Gerais - REPRESENTANTE PREMIX NUTRIÇÃO DE RESULTADOS.
publicado em 04/07/2013

ÓTIMA MATÉRIA E PRINCIPALMENTE SOBRE AS VENDAS NAS COOPERATIVAS.

Baltazar Rodrigues

Cuiabá - Mato Grosso - Revenda de produtos agropecuários
publicado em 04/07/2013

Sou vendedor e realmente estas metas colocadas em nós vendedores, nos colocam muitas das vezes em xeque de ambos lados ( com produtor e empresa ).

sebastião sabino junior

Carneirinho - Minas Gerais - Revenda de produtos agropecuários
publicado em 04/07/2013

Muito boa matéria, com excelente embasamento na área técnica e na comercial.

TADEU ROBERTO SIERAKOWSKI

Paranavaí - Paraná - Revenda/ distribuição de produtos para a produção
publicado em 05/07/2013

OLHA BALTAZAR, TENHO UMA LOJA EM PARANAVAÍ - PR E MAIS OU MENOS COMO OS PRODUTORES RECEBO MILAGREIROS TODOS OS DIAS, INCLUSIVE MULTINACIONAL COM PRODUTOS PARA DESINFECÇÃO DE ORDENHA E SUPLEMENTO MINERAL, E TODOS SEM EXCEÇÃO QUEREM PROVAR QUE O PRODUTO É EXCELENTE E QUAL O VOLUME A SER COLOCADO EM CADA PRODUTOR. TEMOS QUE NOS COLOCAR NO LUGAR DOS PRODUTORES PARA VER SE REALMENTE AQUELE PRODUTO E AQUELA QUANTIDADE É REALMENTE NECESSÁRIO.

Walfredo Genehr

Ibaiti - Paraná - Pesquisa/ensino
publicado em 06/07/2013

Olá Prof. Wagner,
Realmente tens tido abordagens sobre a cadeia produtiva do leite bem interessantes e o tema ora abordado é mais um destes.
Comentário A:
A medida que fui lendo retornei no tempo, ao período de "recém formado", em que comecei a trabalhar como assistente técnico de uma loja de insumos (Vendedor de insumos) e o público alvo desta eram os produtores do CEASA, de Porto Alegre. Neste trabalho consegui uma coisa única, na época (talvez para os tempos atuais também), que era a de ter certa autonomia com relação ao produtor, como desenvolver uma relação ética direcionada a este, não direcionada, especificamente, as metas de venda da loja. Certo dia me aconteceu um fato onde um produtor em dificuldades devido ao preço baixo do seu produto (beterraba) e eu compadecido com o problema deste o orientei a diversificar a produção e apostar no tomate. Foi quando ele me disse que outros técnicos haviam dito que o solo da propriedade do mesmo não podia ser usado para o tomate, pois estava "contaminado por viroses" (???). A partir deste comentário o orientei a me trazer uma amostra de solo, que mandei analisar. O resultado, como esperado, era alta concentração de fósforo (540 ppm) o qual interferia na absorção do zinco pelo tomateiro de maneira  que induzia à deficiência deste, dando sintomas do vírus do ponteiro. Assim, fiz um plano de manejo de correção do solo, com o tamponamento do fósforo em relação ao zinco, e o fitossanitário para o produtor e este plantou o 4 mil pés de tomate. Passado algum tempo, isto é, quando o tomateiro estava na florada da terceira penca o produtor me apareceu com um tomateiro com terra, raízes e tudo nais em um saco de ráfia e sentou em frente a minha mesa, motivo, virose do ponteiro.
É obvio que queria me "matar".
Como tinha ainda um pouco de credibilidade para ele me ouvir. Comecei perguntando o que ele havia feito de diferente do plano de manejo que eu havia indicado. Conversa vai e conversa vem, quando ele se lembrou que havia passado um engenheiro agrônomo (vendedor) e lhe vendido um produto, para aplicar com a pulverização, que era muito bom para "segurar a floração" e que tinha sido a única alteração do recomendado, só que ele não se lembrava o que era, mas que tinha ainda o "saquinho" do mesmo. Pedi que quando viesse na semana seguinte me trouxessem o mesmo para saber de que produto se tratava (eu já me imaginava o que era!).  Quando retornou, na semana seguinte, o produto em questão era: Adubo foliar Quimifol P30 (produto com 30% de fósforo). Bem, o produtor que era um "alemão" de Bom Princípio, RS, a medida que eu ia lhe explicando em "alemão" o que tinha ocorrido, isto ao longo de umas duas horas, ele ia ficando cada vez mais vermelho e quase chorando, me disse: "Que agora ele sabia quem ele tinha que "matar"".
to be continued...

Walfredo Genehr

Ibaiti - Paraná - Pesquisa/ensino
publicado em 06/07/2013

Comentário B: continuação
Assim, baseado na estória do comentário A, chego à conclusão de que o segredo é a assistência técnica de qualidade e continuada, pois esta direciona as diretrizes para que a "galinha dos ovos de ouro" tenha todas as suas necessidades satisfeitas.
A eficiência na produtividade de uma propriedade está na capacidade de gestão da "Energia do Sistema", que é a produção fotossintética da planta e a capacidade do sistema de transformá-la em produto. Este é o marco tecnológico a ser atingido dentro de qualquer sistema de produção agropecuário.
O produtor só terá êxito no processo produtivo se entender a interação holística de cada etapa dentro da cadeia de produção como um todo. Caso não tenha esta capacidade e querer ganhos consistentes, deverá ter, então, uma consultoria técnica que faça e complemente esta parte do conhecimento. Como o senhor, colocou: "O segredo está em saber no que gastar, quando e como empregar o que foi comprado para que resulte em mais leite de menor custo unitário." E isto só é possível se o produto (insumo) a ser colocado dentro do sistema satisfaça a condição do mesmo.
A meu ver, o vendedor de insumos jamais poderá ter a função de consultor técnico, visto que o foco de interesse deste é o seu "produto" e as suas metas, já que este é o seu sustento, independente da condição de origem. Jamais vai atingir os objetivos do produtor com clareza, pois não conhece a realidade de cada ponto do sistema de produção deste produtor.
Mas, "nem tanto ao céu e/ou à terra", no caso de um "vendedor inteligente", para isto, antes de mais nada, ele vai ter que ser ÉTICO, esta pode ser uma solução viável para difundir tecnologias junto aos produtores.   
Grande abraço,
Eng.Agr. Walfredo Genehr

MARCUS REZENDE

Ribeirão Preto - São Paulo - Indústria de insumos para a produção
publicado em 09/07/2013

Muito bom.
Vale a pena a reflexão.
Sucesso...

Marcos Alves Dourado Moitinho

Xique-Xique - Bahia - Promotor de Vendas
publicado em 10/07/2013

Parabéns pela matéria DR Wagner, sou vendedor a 29 anos e hoje sou Promotor de Vendas Consultiva de uma multinacional, ser vendedor, ser ético e cumprir as metas que são impostas pelas empresas é praticamente impossível, no meu caso na área que trabalho a empresa vendia + ou - 30.000,00 por ano,  minha primeira meta foi 163.000,00/ano  devido ao meu conhecimento com o produto, com a área e com os clientes vendi 215.000,00 em 8 meses, resultado no próximo ano minha meta foi de 323.000,00 vendi apenas 271.000,00 no próximo ano de 304.000,00 vendi 251.000,00 em 10 meses(Afastado por acidente de trabalho),neste  ano minha meta é de 343.000,00 ou seja as empresas apenas querem que vc venda cada dia mais, sem importar com quem tá comprando, durante o tempo afastado por acidente de trabalho ninguém da empresa ligou pra saber como estava, mas meus clientes e amigos me ligaram, por este e outros motivos sempre preferir ficar do lado dos clientes, pois o vendedor por mais que saiba vender ele não sabe fazer MILAGRES, e quando não alcanço as metas tenho que fazer relatórios explicando o por que, sabendo eles que quem diz que o vendedor  iria vender o valor da meta foi a empresa e não o vendedor.
Resultado, hoje estou desestimulado e saindo da empresa e da área de vendas, literalmente me aposentando desta atividade que tanto me preparei p/ ser um bom vendedor.
Abraços!  

Wagner Beskow

Cruz Alta - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
MyPoint Pro - publicado em 12/07/2013

Prezados amigos: a todos que deixaram seus comentários, muito obrigado. O tema vem sendo discutido na sombra das árvores não é de hoje e, como toda a história tem seus dois lados, resolvi trazê-los ao debate neste espaço, já que aqui temos todos os pontos de vista e experiências possíveis. Também é uma oportunidade para que os gestores que não vão ao campo considerem o tipo de impacto relatado, tanto por mim, como por vocês.

Os comentários parecem corroborar o que foi exposto, mas o bom disso tudo é que há formas de se trabalhar onde TODOS ganhem. Este é o desafio sempre em nossa cadeia.

Nos próximos dias, pretendo comentar individualmente algumas das colocações feitas por vocês.

Por ora, muito obrigado pelo feedback.

Grande abraço,

Wagner Beskow

Ricardo Peçanha Paez

Três Corações - Minas Gerais - Produção de leite
publicado em 12/07/2013

Prezado Wagner: Solicito maiores informações a respeito da utilização da genética neo-zeolandês na região do sul de Minas.Nossas condições são bem diferentes . Trabalho com leite a pasto no periodo chuvoso e semi confinado na seca. As forrageiras predominantes são as braquiárias, mombaça e tifton. A altitude é de 1.000m , índice pluviométrico de 1.700mm/ano.A base do rebanho é Jersey.Atualmente estou utilizando semem de Jersey e Holandes americano.A nossa topografia é semi ondulada.
                                                            Agradeço-lhe antecipamente

                                                                                      Ricardo Paez

Igor Gil

Marabá - Pará - Revenda de produtos agropecuários
publicado em 22/07/2013

Igor Gil , Marabá-PA - Zootecnista.

Parabéns pela coragem e hombridade de publicar uma matéria de tamanho valor.

Wagner Beskow

Cruz Alta - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
MyPoint Pro - publicado em 28/07/2013

Prezado Ricardo Paez, preciso de teu e-mail para poder te ajudar. Se não quiseres escrevê-lo aqui, favor clicar no meu nome (em vermelho acima) que você verá meu e-mail.

valentino mnegatti junior

Mangueirinha - Paraná - agricultura
publicado em 13/01/2014

muito boa a material elucida varios pontos da assistencia que normalmente deichamos de lado principalmente nao acreditando no tecnico grande erro prejuizo certo

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