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Nasce uma nova estirpe de produtor de leite no Brasil

Por Wagner Beskow, MyPoint Pro - postado em 18/01/2013

102 comentários
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Nos países que concorrem pelo mercado mundial de leite (especialmente Nova Zelândia, Austrália, União Européia, EUA, Chile, Argentina e Uruguai), a grande maioria dos produtores vivem em suas propriedades, dependem exclusivamente da renda do leite para sobreviver; marido e mulher constituem a principal mão-de-obra fixa; teem terras muito mais caras que as nossas; recebem preços similares ou inferiores aos que tem sido pagos aqui e adquirem os demais insumos a preços muito parecidos aos que pagamos. Todos eles enfrentam secas ou fortes estiagens, muito frio (inclusive neve em muitos casos), calor, flutuações de preços e concorrência externa, se não em seus mercados domésticos, certamente na disputa, nem sempre leal, por mercados de países que eles dependem para viver.

Mesmo com tais adversidades, muitos desses produtores auferem margens que lhes teem garantido boa qualidade de vida ao longo dos anos. A pergunta que todo o brasileiro ligado à cadeia do leite deveria fazer é: "como?", pois tal resposta nos encurtaria caminho, sofrimento, atraso e desgaste. Não se trata de procurar ou copiar receitas. Não há receitas, mas pessoas inteligentes estudam como as outras solucionaram seus problemas e buscam nelas inspiração para solucionar os seus. É o que fizeram esses países e ainda continuam fazendo. Exemplo recente é o alto interesse dos americanos em cursos, palestras e seminários sobre sistemas de produção de leite a pasto. "É sucesso garantido organizar conferências sobre pastagens nos EUA", garante Michael Allen, professor do Departamento de Zootecnia da Michigan State University (NZ Dairy Exporter, out./2012, p.134).

Três grandes grupos mundiais de produtores e sistemas de produção

Para fins de conhecer e agir é sempre bom simplificar. Com isso em mente, eu costumo usar a seguinte classificação e gostaria de explicá-la e compartilhá-la com vocês.

Grupo 1: União Européia e EUA

Foram os países mais subsidiados no passado. Também são os que enfrentam os maiores frios, com alto custo energético para combatê-lo. Pela adversidade climática, desenvolveram um sistema de produção onde os animais são confinados e servidos uma "dieta total" no cocho. Pelo intenso trabalho que isso demanda, aliado ao alto custo e escassez de mão-de-obra local, investiram pesado em mecanização intensiva e, mais recentemente, em automação. São líderes nessas tecnologias.

Confinamento Europa - Foto Wagner Beskow
Confinamento na Europa. Esta foto poderia ser em qualquer país que use o free stall.

Genética e nutrição de gado de leite são duas áreas do conhecimento de grande destaque neste grupo de países e, por isso, possuem as vacas de mais alta produtividade. Por garantias e facilidades políticas do passado, puderam desenvolver sistemas tecnicamente muito eficientes e bem pensados, mas que só eram rentáveis em condições artificiais, resultantes de exportações ou produção subsidiados. Atravessam grave dificuldade econômica desde 2008 e muitos teem quebrado desde então. São organizados e conseguem exercer muita pressão política na UE e alguma nos EUA.

Em todos eles tem crescido a proporção de trabalhadores oriundos de países em desenvolvimento por se sujeitarem mais facilmente à rotina do leite, recebendo salários menores (p.ex. indianos na UE e mexicanos nos EUA). São os produtores que sofrem a maior pressão de adaptação no momento: ou conseguem artifícios políticos para melhorar suas margens ou quebram em grande proporção, pois poucos deles conseguem mudar de sistema. Mesmo para os de clima que permitiria uma base pasto, a resistência é muito grande, especialmente pelo alto investimento realizado em estrutura e maquinário para confinamento. Simplesmente não admitem que o preço do leite não mais cubra os custos tradicionais, mas em vários momentos ele não chega a cobrir a totalidade dos gastos diretos com alimentação. É uma situação econômica, social e politicamente insustentável. Certamente como está não poderá continuar por muito tempo.

Grupo 2: Oceania

Composto por Nova Zelândia e Austrália, juntos respondem por mais de 40% dos lácteos exportados no mundo. De cultura predominantemente inglesa (também irlandesa e escocesa), desenvolveram-se com a mentalidade exportadora, buscando autonomia, independência política e qualidade de vida. São os produtores mais competitivos do mundo, aliando alta produtividade com baixo custo por quilograma de sólidos do leite, que eu chamo de GPB (gordura mais proteína bruta, base de produção e pagamento deles).

Foto Andrew Watters - MyFarm - NZ
Rebanho Holandês-Frísio e cruzas Jersey-Holando na Nova Zelândia (Foto Andrew Watters, MyFarm).

Enfrentam frios, mas normalmente não a neve. Conseguem produzir pasto 12 meses do ano, embora enfrentando secas no verão (a irrigação é indispensável na Austrália e crescente na NZ) e limitações pelo frio no inverno. Teem sua produção baseada na arte e na ciência de ajustar a curva de demanda alimentar de um rebanho de parição estacional (final do inverno) com a curva anual de oferta de pastos perenes, fazendo com que os picos de ambas as curvas coincidam na primavera e secando os animais quando o frio começa a limitar o pasto (outono). Algo mais lógico, inteligente e barato que isso? Detalhe: pasto de alta energia, proteína e digestibilidade, colhido pela vaca de forma abundante e eficiente. Em anos de bons preços, alguns produtores usam concentrado em momentos estratégicos (tipicamente aveia e em muito maior proporção na Austrália que na NZ).

São os maiores conhecedores de como se ganhar dinheiro com leite sem intervenção de seus governos. Para isso desenvolveram uma cultura de se autofinanciarem até mesmo na pesquisa, passando pelo estudo e desenvolvimento de produtos nobres extraídos do leite e também de mercados internacionais (p.ex. Dairy Australia e DairyNZ). Ninguém conhece mais sobre mercado internacional de leite que os neozelandeses e australianos. Por quê? Porque focaram nisso desde muito tempo atrás. Simples!

Passam por momentos difíceis desde 2008, mas com "a cabeça fora d'água" (margens positivas). Seu principal desafio atual são as dívidas do produtor, assumidas quando as margens eram maiores.

Grupo 3: Cone Sul Hispano-Americano

Formado pela Argentina, Uruguai e Chile, com predomínio de produtores de origem colonial alemã, italiana, russa, holandesa e polonesa. Representam um misto dos dois sistemas acima, mas em média, encontram-se ainda muito aquém em produtividade, eficiência e uso de tecnologia. Depois do Grupo 2, são os maiores conhecedores da transformação de pasto colhido pela vaca em leite (embora ainda muito atrás da Oceania). Possuem rebanhos de alto padrão genético, com predomínio de genética americana, seguida pela européia e neozelandesa.

Rebanho Holandês na Argentina, Fazenda La Elisa Ciale Alta - Foto Wagner Beskow
Rebanho Holandês na Argentina (Fazenda La Elisa).

Embora longe dos demais em resultado físico, superam o Grupo 1 em resultado econômico por seus baixos custos de produção, portanto também em potencial competitivo em épocas de dificuldade econômica. O principal fator que explica isto é o elemento pasto, seguido de terras mais baratas e mão-de-obra mais acessível de produtividade moderada.

Passam por momentos bem difíceis na Argentina (agravado por questões de política interna intervencionista), inclusive com produtores quebrando, mas com margens consistentemente positivas no Uruguai e no Chile.

E o Brasil?

O Brasil é um caso especial. Em produtividade, qualidade e tecnologias dominantes, somos uma Índia no leite (um atraso), mas em resultado técnico de propriedades de ponta em confinamento, não perdemos em nada para o Grupo 1. Tudo muito parecido, até em custos e margens, ou seja, passa-se aqui igual dilema que lá (somos uma mistura complexa).

Como para se chegar a algum lugar é necessário simplificar, para fins práticos e considerando os principais estados produtores de leite, divido o Brasil em duas realidades ligadas a suas origens: produtores do tipo patronal extrativo e do tipo familiar sobrevivente. O principal diferencial entre estes é cultural, embora também estrutural e climático.

Tipo patronal extrativo
Nas regiões não-coloniais os pioneiros receberam as terras para ocupar o território, politico-estrategicamente ─ a produção era secundária. Ao longo dos séculos, os proprietários sempre tiveram casa na cidade e no campo. Propriedade tocada, na prática, por um encarregado. São produtores falantes, de fortes opiniões, sendo que os tradicionais pouco valorizam o técnico (alguns são do tipo "não come um ovo para não jogar a casca fora", imagina usar adubo!). Seu círculo ainda se preocupa com status social. Possuem ligações ou forte influência regional da cultura e da economia do boi, café ou cana. A influência da esposa sobre o negócio é forte, mas é velada e normalmente negada, sendo que muitas decisões não passam por ela. Encontram-se frustrados que a renda da propriedade diminuiu muito e não mais sustenta empregados nem a vida na cidade (atualmente, mal paga as despesas da propriedade).

Vacas no barro - Foto Wagner Beskow
Típica cena em propriedades deste tipo de produtor. Quão frequentemente nos deparamos com situações assim e que, muitas vezes, o dono não vê nada de errado?

Tipo familiar sobrevivente
Nas regiões coloniais, os pioneiros compraram pequenos lotes de terra para produzir para os seus (subsistência). Os proprietários sempre viveram na propriedade, que é tocada pela família. São produtores introspectivos, mas com forte senso de comunidade. Valorizam o técnico, embora nem sempre demonstrem, e são frequentemente vistos como "teimosos". Não ligam para status social. A esposa participa ativamente nas decisões do negócio, muitas vezes à frente. Estão ficando velhos, o trabalho é árduo (eles o fazem mais árduo ainda), a renda é muito baixa porque produtividade e produção são baixíssimas. Os filhos não veem futuro e não querem continuar.

Propriedades mais ineficientes do que pequenas.
Típica propriedade que é rica e não sabe. A foto poderia ser de qualquer ponto do Brasil, mas esta é no RS. Julho é um mês de muito pasto na região, mas não aqui! São 8h da manhã, elas deveriam estar pastando, mas estão sem pasto, deitadas na lama com os porcos e com fome.

A grande maioria dos produtores de leite brasileiros se aproximam a um destes dois perfis simplificados e, do jeito que se encontram, não continuarão.

Nasce um novo perfil de produtor

Eu os chamo de "empreendedores rurais". São pessoas ainda raras no leite, mas que estão se proliferando de forma perceptível. O técnico já as encontra prontas. O encontro dos dois é como se eles estivessem esperando por aquele momento toda a vida. Um fala, o outro escuta. As perguntas fluem e quando coloca-se a eles onde podem chegar e como, os olhos brilham e dali para frente o trabalho é conjunto, os frutos certos e reconhecidos, simplesmente porque o que tranca nosso país, inclusive a renda do leite, são pessoas!

Edgard Bullmann Coopermil Santa Rosa RS - Exemplo do novo produtor - Foto Wagner Beskow


O produtor com este perfil não tem tamanho, origem ou região certa, nem mesmo tipo de solo. Eles estão em todo o Brasil, sejam patronais ou familiares, mas teem as seguintes características em comum:

► não são de reclamar de praticamente nada na vida;
► querem melhorar o que fazem (não se contentam de como estão as coisas);
► estão dispostos a se concentrar unicamente no leite;
► acreditam em si próprios;
► reconhecem que precisam de ajuda e que sem ela não chegarão a lugar algum;
► sabem que "para tirar tem que colocar";
► teem opinião própria e a defendem, mas fazem o que for combinado, como foi combinado;
► admitem quando erram, mas não aceitam errar;
► o marido reconhece abertamente a importância da mulher no negócio e a envolve sempre;
► valorizam as pessoas e dividem o sucesso entre os envolvidos (familiares, funcionários, fornecedores e técnicos);
► são econômicos, mas tendem a considerar custos junto com benefícios esperados.

Quando bem orientados e adotando um sistema intensivo a pasto com suplementação, estes produtores teem saído de R$450/ha/ano para R$3.800-R$4.000/ha/ano (margem líquida sobre a superfície útil). Ou seja, mais de 700% de aumento em renda líquida, com endividamento zero. Uma propriedade de 20ha de superfície útil podendo propiciar uma renda líquida de R$6.000/mês, quando hoje conseguem R$750?

Somados aos investidores de mente aberta e pés no chão, que buscam orientação e já começam certo, estes produtores ainda farão do Brasil um grande exemplo de produção rentável e altamente competitiva, sem depender de muletas nem de favores políticos.

Vacas Holandês a pasto - Foto Wagner Beskow
Em propriedades grandes (patronais), também se encontram produtores com o perfil empreendedor e dispostos a mudar sua forma de pensar e agir (Foto: experimento em grande propriedade no RS por Rebellatto e Beskow).

Pretendo falar mais sobre este sistema em outra oportunidade. Por ora, marquem bem o tipo de pessoa que consegue transformar dificuldades em oportunidades. Se você é produtor, reflita. Se técnico, faça um bem a você mesmo: procure este perfil de cliente.


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Transpondo Pesquisa, Treinamento e Consultoria Agropecuária Ltda.
 

 

Opinião

O texto deste colunista não reflete necessariamente a opinião do site MilkPoint.

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Comentários:

Sandro charopen machado

São Leopoldo - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 20/01/2013

É um bem balizado texto sobre as características dos produtores. Caro Wagner, talvez devêssemos entender que tipo (característica) de técnico teremos para esse produtor? nossas faculdades precisam prepara bem esse técnico para poder ajudar esse produtor que tá surgindo.
att.
Sandro Charopen Machado

Wagner Beskow

Cruz Alta - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
MyPoint Pro - publicado em 21/01/2013

Prezado Prof. Sandro:

O colega levanta uma questão que é naturalmente sequência do tema acima e de extrema relevância para que se faça realmente acontecer a virada que sabemos ser possível. Por este motivo creio que vou responder-te em mais detalhes que os comentários aqui permitem. Aguarda meu próximo artigo neste espaço aqui.

Muito obrigado por tua sugestão e parabéns pela visão demonstrada.

Marcelo Borges Sampaio

Jeremoabo - Bahia - Produção de leite
publicado em 21/01/2013

Parabéns pela lucidez de sua matéria, pela forma brilhante que retrata a realidade e pelo otimismo quanto ao futuro. Também acredito que só haverá espaço na atividade leiteira para aqueles que  impelmentarem tecnologias adequadas a cada região.

Teste

Pelotas - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão rural
publicado em 21/01/2013

Parabéns pela matéria, reflexão interessante.

Na minha opinião o que precisamos é de maiTécnicos com esta visão, dispostos a multiplicarem estes casos de sucesso, independente do tamanho e classificação acima citada para cada produtor, na prática vemos que a "inveja boa", daquele vizinho que esta dando certo, geralmente é o melhor argumento para convence-lo.


Marcelo Pereira de Carvalho

Piracicaba - São Paulo - Empresário
MilkPoint - publicado em 21/01/2013

Olá Wagner,

Parabéns pela estreia! Artigo muito bem escrito e que certamente trará uma boa discussão.

Grande abraço,

Marcelo

Hugo Zardo Filho

Panambi - Rio Grande do Sul - Revenda de produtos agropecuários
publicado em 21/01/2013

Boa tarde Wagner


Conheci em Wisconsin um produtor, que estava arrumando as vacas no corredor da WorldExpo. Estava limpando a cama das vacas. Estava fardado de macacão azul com tiras e camisa xadres. Boné pardo, de uma empresa de nao sei o que. Pessoa de uma simplicidade enorme, me disse, pelo meio da conversa, que estava ordenhando 2400 vacas...
Aqui em panambi tem um produtor de 30 anos que começou a incrementar a sua exploraçao leiteira. Em cinco anos ele saltou de 4500 litros por ha/ano para 21000/ha/ano.
Hoje ele ordenha 55 vacas e contratou um casal para ajuda-lo.
Enquanto um americano com 2400 vacas (provavelmente 90k litros dia) está de macacão e bota, um brasileiro com 1,9k l/dia, esta administrando seus funcionarios.
Me parece que vai alem da questao tecnica.

Parabens pelo artigo!

Abraço

Mauricio Amorim

Ivaiporã - Paraná - Indústria de insumos para a produção
publicado em 21/01/2013

Parabens.
Concordo em genero, numero e grau em tudo que voce escreveu.
Se os produtores Brasileiros evoluirem temos grande chances de ser grandes exportadores como a NZ, se isso não ocorrer muitas propriedades irão quebrar como nos EUA.

Abraço, Mauricio Amorim

Roberto A. Da Costa

Poços de Caldas - Minas Gerais - Indústria de laticínios
publicado em 21/01/2013

Parabéns Wagner,
todas as suas classificações, ao meu ver, refletem bem a realiadade e todas tem que ser respeitadas.
Como você mesmo disse, o produtor empreendedor é a minoria.  Existe um profissional a qual eu Julgo de extrema relevância e que vai de encontro com esta necessidade de sensibilizar e apresentar ao produtor para as alternativas de tecnologia, recursos, assistência, etc. Esse profissional é o EXTENSIONISTA.
Este profissionais muitas vezes são pouco reconhecidos (não falando aqui apenas de salários!) e trabalham em baixo número e em situações muitas vezes adversa.
Precisamos dar maior suporte a estes profissionais, eles são o primeiro pilar a ser desenvolvido. Eles quem irão desenvolver 'O' perfil do produtor (respeitando a cultura e tradição!) para que o consultor técnico e/ou gerencial trabalhe 'COM' o perfil do produtor.
Abraços!

Jairo Bolter

Dezesseis de Novembro - Rio Grande do Sul - Estudante
publicado em 21/01/2013

Prezado professor Wagner,

Parabéns pelo artigo! O mesmo reflete o seu conhecimento e a tua seriedade com o assunto. Continua sendo um ótimo pesquisador: com os pés no chão e com o olhar no horizonte.
Saudações!

Jairo Bolter

juarez cabral fernandes

Quirinópolis - Goiás - Cansultor e Tecnico em Ordenhas Mecanicas
publicado em 21/01/2013

Parabéns pelo artigo, na minha região já temos pequenos produtores com cerca de 4 alqueires, usando pastagens piquetiadas e suplementação de ração com média de 20 a 22 litros por animal, estes sim estão sendo empreendedores rurais, fazem o controle total das despesas da sua ´´empresa rural``., eu como técnico e consultor auxilio na rotina de ordenha e na qualidade do leite produzido, trabalhamos com CCS menor que 250 e CBT menor que 10, com isto temos vacas sadias e bem nutridas.

Euclides de Souza

Eldorado dos Carajás - Pará - Produção de leite
publicado em 21/01/2013

Wagner Beskow,
Cumprimento-lhe pelo artigo que retrata o perfil do produtor de leite à partir da realidade de cada continente até chegar na nova estirpe de produtor de leite no Brasil, não importando o tamanho da sua produção ou produtividade média do rebanho, más da sua Visão de Negócio. Acredito que o conhecimento rompe e quebra paradigmas, pois, em minha chácara, situada em Eldorado do Carajás no Pará, muitos me chamavam de louco e diziam que não ia dar certo a utilização da cerca elétrica (2 fios). Meus visinhos diziam "só acredito vendo". Hoje tenho 40 piquetes de pastejo rotacionado com distribuição de água em manilhas e maior média de animais por área, 73 animais em 19 hectares, sobrando capim e sobrando cana. O problema não está na terra, na água, na pastagem e sim nas pessoas. Temos de ler mais artigos do porte desse que voce escreveu para nos entusiasmar mais com a atividade leiteira.
Um abraço.

wilhan fernandes

Três Marias - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 21/01/2013

cara ja´sou seu fá numero um ja aguardo ancioso pela proxima materia
pode me dar seu autografo rss

luis mauricio zenteno burelo

Tuxtla Gutierrez - Chiapas - México - Produção de leite (de vaca)
publicado em 21/01/2013

Wagner, felicidades por el articulo, la tendencia esta dada para el negocio de la leche para las próximas décadas , y no es exclusivo de países es exclusivo para terrenos que tengan una vocación para la producción de leche con ciertas características . Que reunan tamaño, riego , topografia semi plana, basado en la producción de forrajes de calidad a bajo costo y claro además de esto gente capacitada al frente de todo esto. En Brasil fronterra ya tiene un ejemplo de eso en USA están los productore de georgia, todos con el mismo sistema pastoreo, promedio minimo de 2 vacas en lactancia por hectaria.  Con Minimo 200 vacas y  promedio  de 1000 vacas en lactancia estos sistemas dependen de condiciones ambientales como son el clima templado y subtropicales que permita diseminar el stress calorico de las vacas en las noches.
Ustedes estarán viendo en ese tipo de explotaciones el mayor crecimiento en producción o sea los establos del futuro.. Obrigado.

Eduardo Hara

Rio Verde - Goiás - Consultoria/extensão
publicado em 21/01/2013

Caro Wagner,

Parabéns! Gostei muito da sua matéria de estreia no Milkpoint, muito sensata e define bem o quem será a "nova estirpe de produtores de leite".

Att,
Eduardo

luis eduardo m. soubiron

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - representante comercial
publicado em 21/01/2013

Parabéns pelo artigo , sem dúvida 1 nova  ordem econômica exige um novo produtor , é positivo constatar que aos poucos eles estão dando as caras

Fernando Antonio de Azevedo Reis

Itajubá - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 22/01/2013

Wagner

Só vai sobreviver na atividade o produtor deste novo perfil, mas mesmo assim acredito que nem todos conseguiram, pois muitos desses produtores dispostos a acertar, não encontram técnicos competentes para auxilia-los.
O perfil deste profissional ou equipe é bem amplo, gestão, sanidade , produção de alimento, manejo, genética e ai vai.
Além do fator mão de obra , que a cada ano se agrava mais.
A minoria dos produtores é eficiente, como também dos técnicos!!

Wagner Beskow

Cruz Alta - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
MyPoint Pro - publicado em 22/01/2013

AMIGOS:

Muito proveitosas as colocações até aqui. Os que tocaram em falta de mão-de-obra qualificada e de técnicos competentes (com programas para valer), saibam que são dois gargalos enormes segurando nosso desenvolvimento já há um certo tempo e que ambos ainda se agravarão MUITO antes de melhorar.

Este tema é tão importante que dedicarei meu próximo artigo a ele, pois é, naturalmente sequência deste, como coloquei ao primeiro comentarista (Prof. Sandro C. Machado).

Interessante perceber que ecoa de várias e distintas regiões a impressão de que esta super simplificada descrição sintetiza, de fato, a grande maioria de produtores e realidades que temos em nosso país no leite.

Na verdade, vivemos num paraíso e tão logo destranquemos o gargalo humano todos se surpreenderão com quanto leite saltará pelas orelhas de nossas vacas. Fornecedores de insumos e serviços que sejam proporcionais ao volume produzido (e são uns quantos) vão ficar com a boca nas orelhas, pois vender em grande volume para um produtor que compra satisfeito e ganhando muito dinheiro é o melhor cenário que estes profissionais podem sonhar quando colocam a cabeça no travesseiro.

Será como desentupir uma pia cheia, puxando um tampão de sujeira. Em poucos anos não acreditaremos como estávamos trancados internamente, a tal ponto e por tanto tempo, com coisas tão simples. Isto é certo que acontecerá. Marquem bem.

A todos acima, muito obrigado pelo feedback até aqui. Poder partilhar das experiências e opiniões de vocês enriquece muito este espaço e a mim, pessoalmente.

Paulo R.C.Cordeiro

Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Indústria de laticínios
publicado em 22/01/2013

Wagner
Muito bem colocado as dificulddaes dos setor leiteiro.
Somente com tecnicos e produtores com foco na atividade, podemos melhorar, e muito.
Paulo

João Vicente Zambrano Oliveira

Bagé - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão rural
publicado em 22/01/2013

Prezado Wagner...

Parabens pela matéria, mostrasse ser um grande conhecedor da situação do produtor brasileiro, é de pessoas assim com visões claras e idéias polidas que precisamos no mundo leite. Como veterinário, produtor de leite e apaixonado pelo gado leiteiro reconheço dificuldades dos produtores. Mas como citado pelo amigo, os dois tipos predominantes de produtores não são e não serão o que o Brasil precisa para se tornar a potencia e ser capaz de competir em um mercado maior.

O produtor de novo perfil, deve ser muito respeitado pelo técnico, pois são pessoas que estão integrados junto a propriedade, e tudo funciona como uma engrenagem perfeita, pois só assim um propriedade produtora de leite garante sobrevivência. Esses produtores devem servir como exemplo para os outros, que muitas vezes criticam os bem-sucedidos, não acreditando que possam trabalhar com a "cabeça fora d'água" como citas, ou até outras histórias de pior escalão.

Essa sua matéria abre os olhos dos produtores, sendo um apelo para a melhoria, assim como citada meses atrás, ainda em 2012, na matéria do Sr. Luís Enar: "A culpa é do leiteiro." Que vez um apelo forte para a dedicaçã dos produtores, e que gerou muita polêmica nos comentários.

Mais uma vez lhe parabenizo pela matéria.

João Vicente Oliveira.

michel spier kraemer

Cruz Alta - Rio Grande do Sul - Produção de leite (de vaca)
publicado em 22/01/2013

Bom Dia Wagner.
Belo texto pois nos mostra a realidade da produção de leite no mundo, nos mostra os pontos fortes e fracos dos sistemas produtores de leite.
O Brasil é um Pais com enorme capacidade de produzir leite com custos mais baixos, pena que muitas vezes os produtores não dão ouvidos ao que pesquisadores e técnicos de campo fala a eles.
Podemos sim produzir muito leite encima de pastagens, pois aqui na região de Cruz Alta e arredores já temos bons resultados de produtores que estão trabalhando esse sistemas o qual você se refere e implanto junto  a CCGL. e hoje levamos a campo.
O grande desafio é mudar a cabeção dos produtores para um novo sistema.

Ronaldo Barroso Kuhn

Bela Vista de Goiás - Goiás - Indústria de laticínios
publicado em 22/01/2013

Devido sua alta complexidade, a cadeia produtiva de leite no Brasil foi por muito tempo negligenciada e, na maioria das vezes, muito mal administrada.
Ainda é comum a busca de resultados positivos na atividade leiteira através de fraudes que "mascarem" a ineficiência do manejo adotado.
De um lado o produtor se sente desamparado, pois não tem a cultura da FIDELIDADE, ou seja, por míseros trocados muda-se uma parceria que poderia render bons resultados.
Tal prática induz a um ciclo vicioso, onde nenhuma das partes confia na outra, levando vantagem sempre quem utiliza de médtodos não convencionais para "ganhar a concorrência".

Acredito sempre que vamos dar esta virada, pois temos condições para isso. O trabalho de parceria "EMPRESA & PRODUTOR" será o mote desta transformação.




Éderson Lima Soares

Vilhena - Rondônia - Consultoria/extensão
publicado em 22/01/2013

Muito boa a meneira com que retrata a realidade da atividade leiteira em geral.
Parabens.

Luiz Henrique Dias de Toledo Pitombo

São Paulo - São Paulo - Mídia especializada/imprensa
publicado em 22/01/2013

Prezado Wagner,

Artigo bem objetivo e positivo. Precisamos fazer uma reportagem qualquer hora.

abs

Felipe Cesar

Lima Duarte - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 22/01/2013

muito boa a matéria!!!!
vocês estão de parabéns.
espero que essa matéria possa ser motivo de reflexão para os produtores.
O Brasil no futuro poderá se tornar de importador de produtos lácteos a exportador para isso depende apenas dos produtores  e técnicos desse país.

marcelo passos sales

Extremoz - Rio Grande do Norte - Produção de leite (de vaca)
publicado em 22/01/2013

Produzir leite ou simplismente produzir  e " de fato um desafio !  Em relacao ao artigo postado se faz necessario prudencia e reflexao .  Muitas vezes  o modelo adotado e"atropelado p variaveis q nao se tem o menor controle - como foi dito . E" ai onde quem possui  taiis qualidades d adaptacao , arrisca -se na trilha do sucesso . Afinal deposito fe " q produzir leite e " mais q desafiador e " quase uma loucura . Valleu , Mp .

Alexandre Benvindo Fernandes

Rio Branco - Acre - Consultoria/extensão rural
publicado em 22/01/2013

Putzzzzzz.......Desculpe a expressão! Mas sua matéria, caro Wagner, sintetizou tudo que um técnico como eu pensa! Simplismente perfeita. Parabéns!
Acredito também como o colega Sandro, que devemos avaliar sim os técnicos envolvidos na atividade. Muitos deles fazem um deserviço muito grande.
Parabéns novamente.
Forte abraço.
ps.: Aguardo novas matérias.

Gilson Antonio Pessoa

Santa Maria - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
publicado em 22/01/2013

Prezado Dr. Wagner.

Gostaria de parabenizá-lo pelo excelente artigo, com certeza irá acrescentar muito aos leitores do Milkpoint. Este artigo já estou repassando a alunos aqui na UFSM e principalmente a alguns produtores. Por conhecê-lo pessoalmente quero mais uma vez parabenizar pela brilhante forma como conduziste esta abordagem reflexiva da organização social, econômica, produtiva e cultural da nossa cadeia produtiva do leite no Brasil.
Um grande abraço.

JESSON MARCHESAN

Chiapeta - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 22/01/2013

Prezado Wagner, parabens pelo Artigo, muito bem exposto!!!
Acredito ser de fundamental importancia avançarmos neste debate, principalmente em uma região que está sendo o foco do desenvolvimento da cadeia leiteira!!
Existe um elemeto importanticimo além dos abordados em seu artigo, que acredito cer intereçante aprofundarmos. possuimos em nossa região uma condição de implantação e produção de pastagens perenes extraordinária, ou seja, temos uma condição de horas de sol "luz", calor e umidade  durante praticamente 9 meses do ano juntada a variedades forrageiras, que nos possibilita juntamente com a assistencia técnica capaz de fazer essa leitura chegarmos a bos resultados em termos de rentabilidade das propriedades.  Acredito muito em nosso potencial, principalmente de sermos um bom produtor de pasto. Sempre digo em minhas palestras, antes de ser um bom produtor de leite, preciso ser om ótimo produtor de pasto, além de ser conhecedor das minhas vacas e do que elas gostam!!!

Um forte abraço

Paulo Rigatto

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
publicado em 22/01/2013

Prezado Dr, Wagner!
Parabéns! Brilhante abordagem e consequente repercussão, não só pelo número, mas pela diversidade, principalmente espacial, deste gigante chamado Brasil que a internet nos possibilita resumir em algumas telas de nossos monitores.
Penso que, baseado no conhecimento de causa, ninguém melhor que tu para reunir tão ampla abordagem situacional da atividade leiteira internacional e nacional que nos cerca nos dias de hoje.
Tens razão, vivemos um momento de mudança. Eu me desafio a contribuir contigo, dizendo que esta mudança relaciona-se em parte a grande alternancia de gerações que ocorre no Brasil em todos os setores. E com isso, jovens empreendedores estão chegando ao campo também. Ilustro isso baseado em relato esta semana de estudantes que ao relatarem trabalho de campo em disciplina que eu co-oriento na UFPel, apresentaram uma propriedade, objeto de atividade prática, de produção leiteira, onde o gerente e principal executivo era o genro do proprietário que abandonará atividade de agente do setor financeiro para dedicar-se a produção de leite. Este certamente um outro tipo de produtor leitero que se alinha com aqueles a que tu te referes no artigo.
Quero, no entanto, te fazer uma provocação para futuras abordagens aqui.
Essa diz respeito a forma de coordenação das cadeias de suprimentos da atividade leiteira nestes 3 diferentes modelos que abordaste. Quando falo de coordenação, não excluo as questões institucionais de politicas e governos que devem ser incluídas, mas em um primeiro momento, gostaria que destacasses aquelas relacionadas a coordenação empresarial dos sistemas de processamento e beneficiamento do leite.
Sendo um produto que necessita passar por um processo agroindustrial, questiono também a importancia da visão e comprometimento deste setor (agroindustrial) com o setor produtivo, para que esta equação de sucesso feche. De nada adiantará um setor altamente produtivo, até porque em commodities como o leite, os ganhos de produtividade (e lucro) tendem a ser repassados ao consumidor com o tempo; se não tivermos um setor processador com o mesmo "quilate" de qualidade que estas vislumbrando para o setor produtivo, concordas?
Sei que nos países (desenvolvidos) citados, ele é altamente qualificado e competitivo. Nos estamos no mesmo caminho? As empresas estão realmente suportanto o desenvolvimento de seus fornecedores, ou ainda esperam que o setor publico, via extensão rural gratuíta, eleve a qualidade de SEUS fornecedores?
Gostaria que compartilhasses tua visão sobre isso. Como tu avalias a evolução do setor processador no Brasil? Estamos no mesmo caminho da qualificação e de uma visão sistêmica da cadeia?
Parabéns mais um vez.
Forte Abraço
Rigatto

Decio rebellatto

Cerro Largo - Rio Grande do Sul - Docência
publicado em 22/01/2013

Wagner: textos como este proporcionam refletir,repensar e ter a visao global da atividade leite.
Penso que a "pia" vai ser destrancada aos poucos com "desentupidores" diversos
como a exclusão natural dos menos eficientes, troca gradativa(sucessão) familiar por pessoas mais abertas ao conhecimento e com mais conhecimento, reformulações de programas de cursos (veterinária, agronomia, zootecnia, administração ...)tarefa dificil dentro das universidades.
Mais uma vez parabéns principalmente pela coragem em tocar em assuntos polêmicos e que mexem com os brios(tipo patronal extrativo) modelo fadado a falência.
Saudações
Decio rebellatto

fFancisco Junqueira

Leopoldina - Minas Gerais - Indústria de laticínios
publicado em 22/01/2013

Este artigo no mostra que o sucesso não depende da atividade e sim da gestão.
Parabens pelo artigo.

Ronaldo Marciano Gontijo

Bom Despacho - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 22/01/2013

Essa nova estirpe de produtores está muito insatisfeita com a atual estirpe de técnicos. Se a grande maioria dos técnicos não voltar pra sala de aula e começarem a estudar dentro de pouco tempo não vão conseguir emprego nem pra limpar curral. Nos dias de hoje ainda tem técnico com assistência em grupo, que se funciona para um dá errado para cem. Tem técnico que só sabe falar das próprias ideologias e não sabe nada do que o produtor precisa. Enfim o que mais temos é gente usando diploma para tentar arrancar seu dinheiro sem te dar nenhum centavo de retorno. Só Deus é que sabe o quanto o produtor sofre com tanta incompetencia.

José Carlos Teixeira dos Reis

Outro - Rondônia - Produção de leite
publicado em 22/01/2013

Parabéns pela matéria!!!

Eng. Agr. Jair S. Mello

Cruz Alta - Rio Grande do Sul - Indústria de laticínios
publicado em 23/01/2013

Wagner !

Parabéns pela abordagem, sempre clara e objetiva dos temas.
Esse espaço será um diferencial para aqueles que realmente
querem produzir leite com renda, crescimento e com visão de
médio e longo prazo.
Abraço.

Mário Sergio Centini

Osasco - São Paulo - Produção de leite (de vaca)
publicado em 23/01/2013

Sensacional o texto!
Acredito que este tipo de produtor é que o Brasil precisa, não só para o leite, mas para a agricultura e pecuária em geral, deixando de lado definitivamente a dependência de políticas do governo para poder sobreviver.
Passaremos a não mais precisar do paternalismo governamental e teremos, aí sim, o reconhecimento de que sem o campo o pais acaba, as pessoas não comem, portanto o povo não vive,

MARCOS LOPES

Baldim - Minas Gerais - Estudante
publicado em 23/01/2013

Textos como esse nos fazem refletir sobre o papel do produtor, grande protagonista da alimentação de nosso país, que carrega nas costas o peso de alimentar uma população, mas só a classe sente o peso, a sociedade conhece apenas o "leite de caixinha". O texto é bonito, mas a realidade não é bem assim, nem todos os produtores ficam felizes ao ver suas vacas, na maioria das vezes adquiridas de terceiros, sem genética e com altos custos atoladas na lama dos currais e da falta de incentivo, todos queremos lindas pastagens, tentamos e várias maneiras reduzir os custos, mas na maioria das vezes é uma batalha travada a sós longe das técnicas e técnicos, se falta dinheiro pra manter a propriedade, como pode um pequeno produtor buscar treinamento e consultoria???
   Na maioria das vezes os órgão de extensão só estendem a mão aos que tem dinheiro e podem dar uma "gorjeta" pois seus salários já estão garantidos e além disso, atrás de suas mesas não tem barro pra sujar os pés, mas a lama já tomou todo o seu caráter.
   Parabéns amigo, mas a mudança também deve ser antes, e com mais força feita antes das porteiras, sugiro a você que faça uma artigo falando sobre os técnicos e suas boas práticas ou sua vontade de estender a mão ao produtor que precisa.  

Ramon Guimarães

Araçatuba - São Paulo - Produção de leite (de vaca)
publicado em 23/01/2013

PARABÉNS WAGNER!

EXCELENTE PAUTA, VEJO QUE NAS CONDIÇÕES E OSCILAÇÕES DE MERCADO DOS DIAS DE HOJE A TRANSFORMAÇÃO DOS DOIS PERFIS DE PRODUTORES SERÃO INEVITÁVEIS.

FICO NO AGUARDO POR MAIS MATÉRIAS E CONHECIMENTOS!

FORTE ABRAÇO!

valeriano ughini

Passo Fundo - Rio Grande do Sul - Produção de leite (de vaca)
publicado em 23/01/2013

Ola,
como está escrito os filhos não veem futuro e não querem continuar,pois veem  o sofrimento dos pais ano apos ano,como estar numa atividade em que o farelo de soja e o milho dobrou de valor em poucos meses,e o valor do leite a  ANOS é o mesmo.

Sergio Massera

Três Corações - Minas Gerais - Produção de leite
publicado em 23/01/2013

Wagner, assunto muito bem elaborado e realmente atualizado.

Quero acompanhar para aonde você irá direcionar este seu estudo.

As barrreiras que enfrento hoje para tentar manter o fluxo de caixa positivo se esbarra em:
- comportamento humano aliado aum grande êxodo de empregados rurais (pouco são profissionais na roça hoje)
- infra estrutura de uma nação (baixissimo nivel) - basta observar o custo do frete e a grande dificuldade (estrada e motorista) em se colocar insumos na propriedade em dias de chuva.
- alto custo nos investimentos (apesar de um financiamento competitivo)
- um absurdo custo de manutenção em equipamentos

Apesar de termos tecnologias e know how apropriados brigamos intensamente para nos posicionarmos com uma margem de contribuição minima satisfatória.

Como você mencionou temos que isolar a incompetência governamental, mas isto tem limite pois temos que eficientes demais para cobrir o dano que nos geram. E isto é possível somente através de muito profissionalismo de nós produtores, mas é possível.

Vejo este assunto como uma ampla e válida discussão, PARABÉNS!

Abraços

Nelchior

Guaraciaba - Santa Catarina - Estudante
publicado em 23/01/2013

Parabéns pelo artigo, muito boa a colocação do colega Marcos Lopes, realmente muita coisa precisa mudar antes das porteira, seja a questão de técnicos, fabricas de ração e por ai vai...as vezes me pergunto, porque muitos produtores tem receio quando um tecnico chega? Qual o motivo que muitos produtores não participan de palestras simpósio cujo tema é produção de leite? porque é muito facil julgar um produtor de leite, mas tenho a certeza que muitos não queiram estar no lugar de um produtor, não pela questão do salario mas sim pelo tipo se serviço que é relizado, agora, como diz o Prof sandro, um bom ténico faz muita diferença no sucesso da atividade, além da questão tecnica e tecnologias, são os inumeros os desafios DIARIOS após as porteiras.

Nelchior Sartori

Wellington Marcos de Paiva Silva

Carrancas - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 23/01/2013

"Mudar:  Única certeza estável" - mudar os pesquisadores e extensionistas que em maioria teem mais compromisso com a "tecnologia de insumos" em detrimento à "tecnologia de processos", prescrevendo receitas de uso de uréia em pastagens, sem considerar que para produzir um quilo de uréia, gasta-se a quantidade de energia contida em aproximadamente 26 litros de leite .  Mudar produtores que em maioria insistem em permanecer na ignorância técnica a espera do paternalismo governamental. Mudar nós humanos que resistimos em manter nossa forma de consumo absurda, e a nossa doentia valorização do TER em dentrimento do SER, levando a ciência geralmente a desenvolver soluções desconsiderando os limites da natureza, chegando ao absurdo de uso de técnicas insumistas onde o solo se torna mero suporte para a planta.
Parabéns pela abordagem!
Saudações aos companheiros de atividade!
Wellington Paiva

Helcio Correia

Teresina - Piauí - Produção de bovinos corte e leite
publicado em 24/01/2013

Parabens pelo artigo mostra o retrato da produção de leite no Brasil, que na minha opinião muitos produtores de leite não deverião ser chamados de "PRODUTORES DE LEITE", pelo fato de tirarem leite de vacas sem aptidão leiteira, em propriedades sem infra-estrutura minima, sem conhecimentos sobre nutição, manejo e gestão. O Brasil possui varios exemplos de "PRODUTORES DE LEITE", tecnicos e trabalhadores eficientes e competentes. O problema é que por ser um pais de grande diversidade qualquer propriedade que tire leite de uma "VACA" é chamada de "PRODUTORA DE LEITE" enquanto nas situações mostradas estamos comparando com os sistemas que utilizam as vacas, as intalações, os tecnicos, os trabalhadores, etc, apropriadas para "PRODUÇÃO DE LEITE". O nosso desafio é transformar esses "PRODUTORES DE LEITE" em reais "PRODUTORES DE LEITE" com produtividade e competividade que gere retorno financeiro suficiente para se ter dignidade.

Everton Gonçalves Borges

IBIÁ/ MG - Minas Gerais - Consultoria/extensão
publicado em 24/01/2013

Excelente e providencial artigo, quando acompanho o Projeto Balde Cheio implantado pelo Pesquisador Arthur Chinelato/Walter Ribeiro, vejo os empreendedores sendo formados. Em meus mais de 40 anos na lida com o leite, infelizmente o que mais tenho deparado e  predominam é o tipo Patronal-Extrativo, que em sua grande maioridade são herdeiros e que vivem exclusivamente jogando culpa em suas incapacidades produtivas no preco do leite recebido, quando nunca sabem nem quanto custa o seu produto. Este pessoal  ainda tem pompa, mas já não tem renda para mantê-la, não dizem produzem leite e sim tiro leite, não dizem comercializo leite e sim entrego leite, como não vão se sugeitar a colocar a mão na massa vão sair da atividade, vão vender a propriedade e viver na cidade. Os familiáres vão depender de apoios técnicos através da extensão que devem ser proporcionadas por orgãos governamentais e empresas privadas. Quando o produtor rural na atividade leiteira virar um produtor de leite na acepção correta do que é e deveria ser um produtor o Brasil será o maior produtor de leite do mundo. Repetindo, parabéns pelo excelente artigo, que o MilkPoint divulgue-o em todos os quadrantes deste país.

Paula Cristina Marcondes Lários

Itiquira - Mato Grosso - Consultoria/extensão rural
publicado em 25/01/2013

Wagner
Boa tarde
Excelente o artigo

Com relação a mão de obra estou aguardando seu novo artigo, um um assunto complicado, nossa educação está vergonhosa!

Mas gostaria de tirar uma dúvida econômica na verdade, ao referir-se a subsídios na União Européria eram subsídios do governo mesmo com taxa de juros real negativa ou era um incentivo , com as taxas de juros menores do que para outros setores por exemplo?

E uma outra dúvida sobre a Austrália e Oceania o governo não interfere em nada, não existe nenhum incentivo para os produtores? E existe uma política de preços mínimos no leite ou não?

Obrigada

Alvaro

Hamilton - Waikato - Nova Zelândia - Pesquisa/ensino
publicado em 26/01/2013

Estimada Paula (perdón por escribir en español). En NZ no existe ningún tipo de intervención del estado en el mercado de la leche, ni incentivos para los productores, ni ninguna política de precios mínimos. Espero que esto clarifique tus dudas.
Muy interesante artículo Wagner, y también los comentarios que llagan.
Saludos
Álvaro
(Investigador en Nueva Zelanda)

Wagner Beskow

Cruz Alta - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
MyPoint Pro - publicado em 28/01/2013

Prezados leitores:

Tentarei responder em conjunto e agrupar as questões.

1. SOBRE OS TÉCNICOS
A maioria das mensagens toca neste ponto. Como comentei logo no início, de fato é um ponto de estrangulamento tão importante que abordarei este exato assunto no meu próximo artigo (formação, perfil, deficiências a serem superadas, oportunidades e importância dos profissionais, entre outras).

2. SOBRE A INDÚSTRIA
Elo importante, de forte impacto no setor (boas políticas institucionais geram bons produtores, más geram maus). Não investem mais em assistência técnica (AT) porque não conseguiram equacionar "fidelidade": "investimos, formamos bons produtores e eles se vão para a concorrência". Isso ocorre com coops e empresas mercantis (há alternativas, mas as discutirei numa outra oportunidade). Nenhuma empresa brasileira de tipo ou porte que seja conta com AT oficial. Elas sabem que se foi este tempo. Muitas delas teem departamentos técnicos (pesados nas coops), mas nenhuma delas dá conta da demanda. Visões contábeis tradicionais e equivocadas de algumas tampouco mostram resultados da AT, mas eles existem quando não há elefante branco e quando aumenta significativamente produção com redução de custos. Um gargalo importante é o ponto 1 acima.

[Sobre a eficiência das indústrias relativa a outros países e repasse de custos, vou responder mas como uma nota em paralelo, para não nos desviarmos do eixo do artigo. A indústria de ácteos não consegue repassar custos. No Brasil quem manda no preço do leite (pós-Collor) é (a) mercado mundial (preços lá fora) e (b) sazonalidade nacional (oferta/demanda internas). A indústria é tão tomadora de preços como o produtor e, junto com ele, tem visto suas margens diminuírem, transferidas para o atacado/varejo. Hoje as grandes redes que fazem importação, atacado e varejo tudo numa coisa só teem grande influência no preço, mas no BR ele é ainda grandemente determinado pelo quanto o consumidor aceita pagar pelo UHT na gôndula somado ao impacto dos artifícios de barrar importações (clamamos para sermos entubados numa UTI e achamos que isso nos torna mais fortes!).

No UHT e bebidas lácteas somos muito eficientes. Nos produtos que dependam de sólidos (pó, queijos, manteiga) somos ridiculamente ineficientes porque nossa matéria prima é uma água (história de pagamento por litro levaram à genética e nutrição para produzirmos e recebermos por água). Encerro este comentário aqui para mantermos foco, mas são pontos MUITO importantes no todo].

3. CUSTO BRASIL
Em parte abordado na falta de estradas etc. Sim, é absurdo e temos que trabalhar para melhorar, mas isso é lento! Quem apostar unicamente nesta via vai morrer de velho esperando mudanças. Vamos mudar da porteira para dentro primeiro, pois em 7 meses temos uma nova propriedade nas mãos, rica, produzindo muito e com folga para brigar fora. Na soma geram impostos que darão moral para o setor EXIGIR as mudanças necessárias. Acredito nas soluções nesta ordem.

(continua...)

Wagner Beskow

Cruz Alta - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
MyPoint Pro - publicado em 28/01/2013

4. PRODUTOR COITADINHO
Alguns (poucos) assim se postaram. Não existe NENHUMA razão para setor algum ser protegido e receber papinha na boca. Produtor de leite não é mais nem menos que um dono de um restaurante, ou qualquer outro empresário. Quem espera preço, proteção e pena, sinto muito mas está com a atitude errada. Temos que exigir o que é obrigação do Estado (governos): impostos decentes com retorno destes em estradas, luz elétrica e legislação condizente com o desenvolvimento do setor. Fora isso, quanto menos governo no nosso caminho, melhor. Até 1990 quando Collor assumiu tínhamos preços de leite tabelados. O setor desde então acha que tudo é preço e que preço é político. Pessoal, em que mundo vocês vivem? Acordem!

A renda líquida do produtor é PRODUÇÃO x PREÇO - CUSTOS, mas se fala como se fosse só preço. Claro que preço é importante sim! Mas e o resto? Como a propriedade não aumenta sozinha, produção aumenta com aumento de PRODUTIVIDADE. Esta sai de CONHECIMENTO + DESEMBOLSOS (gastos e investimentos), que compõe os custos. Hoje o produtor brasileiro tem demonstradamente condições de aumentar sua renda líquida em 300 a 700%, sem contar com nenhum centavo de aumento de preço. Isso está ao alcance de todos, desde que chegue a esse produtor o CONHECIMENTO (daí a importância do item 1 acima). Com conhecimento se aumenta produtividade REDUZINDO CUSTO POR LITRO (não confundir com reduzir custo total) e isso é que gera mais resultado líquido.

O produtor que não está focado nisto está produzindo leite na LUA e não se deu conta. É vítima potencial de políticos e politiqueiros que prometem o que não podem entregar nem garantir. LEITE = MERCADO + COMPETÊNCIA. Só isso! Era politicagem, era briga, era bate boca, era governo, era pressão, era garimpar o melhor preço, era... Enquanto uns ganham R$0,05 na garimpagem, outros (que aceitam mudanças e as mudanças certas!) aumentam a margem em R$0,20 a R$0,30/L e seu volume dobra. Quem é o esperto?

Ser coitadinho é ser vítima e algumas pessoas serão vítimas sempre, se não dos governos, serão das indústrias, das cooperativas, até do fornecedor de insumos e serviços.

5. SUBSÍDIOS
Dr. Alvaro Romera (acima) acabou me ajudando. Acho que para a Oceania está respondido. Na UE há ainda algumas coisinhas que hoje não os tornam mais competitivos frente a nós, tamanha as dificuldades deles (custo da mão-de-obra, preço da terra, exigências ambientais etc.). Nos EUA tem um gatilho de ajuda quando o preço é muito baixo, mas é tão ridiculamente baixo esse gatilho que não faz diferença. No abate de novilhas para subir preços e nas exportações é dinheiro dos produtores via CWT, uma coop central que os voluntários descontam no leite para manter um fundo com este propóstio (da mesma forma que SENAR não é subsídio, é pago pelo setor).

6. PERFIS
Me surpreendeu positivamente ver tantos corroborando com o que foi proposto. Que bom que as vezes podemos simplificar e acertar.

7. AGRADECIMENTOS
A todos vocês por todo o feedback!

Paulo Rigatto

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
publicado em 28/01/2013

Muito bom Dr. Wagner!!
Meus cumprimentos. Tenho muito interesse em aprofundar estudos sobre "cases" que envolvam grupos de produtores (envolvendo o processamento) em açoes que se aproximem e/ou caracterizem como de "supply chain" no agronegócio. A cadeia do leite me parece um prato cheio para estes processos, pela relação tecnologia (conhecimento) x produtividade (lucro).
Quem sabe não estreitamos contato para virmos a identificar e divulgar "cases" ( ou mesmo apenas iniciativas) positivas nesta área.
Vamos em frente!
Rigatto

Walfredo Genehr

Ibaiti - Paraná - Pesquisa/ensino
publicado em 28/01/2013

Caro Prof. Wagner, parabéns pelo tema que abordastes e, principalmente, ao definir o perfil dos produtores de leite e de "carne" brasileiros, onde classificastes os produtores do tipo patronal extrativo (tratam o sistema produtivo como um prostíbulo; o produtor - gigolô e a vaca - prostituta)  e do tipo familiar sobrevivente. O descrever a realidade, como o fizestes, é falar a verdade, isto sempre gera polêmica, pois contraria interesse dos incompetentes e dos que "mamam nesta teta".
A Assistência Técnica (AT) desenvolvida pelos órgãos governamentais é a maior piada de mau gosto (humor negro) que existe aqui no Brasil. Nunca teve comprometimento com o produtor (E isto não é culpa dos técnicos), pois só é feita para satisfazer a politicagem e nisto, sim, tem técnico que só sabe falar das próprias ideologias e sem efeito prático para com o produtor. Mudam os governantes e com elas as diretrizes governamentais e o coitado do produtor, que acreditou na ilusão do governo anterior, "paga a conta".
Sr. Wellington Paiva, concordo em  gênero e número com as suas colocações. Mas quem cria os técnicos "vendedores de insumos" é a assistência governamental. Este tipo de técnico ocorre por razão de sobrevivência, já que o produtor não o procura de forma direta. Com relação a energia produzida, utilizada e desprendida no sistema de produção esta é o "calcanhar de Aquiles"  da pecuária de leite e de carne, pois o desperdício de energia ao longo do processo produtivo (que é a partir da fotossíntese até o término do beneficiamento industrial)  é um absurdo, chega a soma de, aproximadamente, 50% (Energia = Capital). Começando pela uréia prescrita  na adubação de pastagens e/ou nas lavouras de milho, sorgo e outras, já que a uréia, para ser produzida, necessita, por quilo, da energia contida em 26 litros de leite, como muito bem o colocastes.
Solução para tudo existe, basta aplicar com competência a tecnologia existente, de forma multidisciplinar e não só por etapas pontuais.
Att.
Eng.Agr. Walfredo Genehr

Wellington Marcos de Paiva Silva

Carrancas - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 28/01/2013

Sr. Walfredo Genehr, obrigado por comentar minha participação neste debate, pois já estava desiludido com os amigos debatedores tergiversando sobre a origem do problema.
Saudações aos companheiros de atividade!
Wellington Paiva

Ronaldo Marciano Gontijo

Bom Despacho - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 28/01/2013

Senhor Wagner,

Gostaria que o senho explicasse como a liberação da importações de leite pode beneficiar o produtor de leite nacional. Desde quando receber menos pelo leite resulta em mais dinheiro no bolso? O correto não seria lutarmos por melhores preços?

Walfredo Genehr

Ibaiti - Paraná - Pesquisa/ensino
publicado em 29/01/2013

Sr. Ronaldo Marciano Gontijo, acho que o Prof. Wagner já foi bem claro com relação ao quadro que refletem as suas perguntas. O mais lógico é começarmos pelo tema de "lutarmos por um melhor preço para o litro de leite", claro que isto é um movimento vazio. Como foi colocado, quem define o preço é a capacidade do poder aquisitivo do mercado consumidor, o preço ao consumidor é inversamente proporcional ao consumo deste. Assim, o menor preço pelo leite faz com que aumente o consumo do mercado consumidor, já que aumenta a parcela de indivíduos com capacidade para a compra do leite. A aplicação das tecnologias existentes de forma competente de maneira a aumentarmos a produção por unidade área ( é o fator ao qual está atrelado o custo de produção do leite) faz com que diminua o custo por litro de leite. Assim, esta diminuição de custo e o aumento no volume de leite produzido por unidade de área são os fatores que geram o aumento na lucratividade de uma propriedade. E o mais importante, a certeza de colocação da produção junto ao mercado consumidor. Espero que tenha sido claro o suficiente.
Att.
Eng.Agr. Walfredo Genehr

Michel Valter Kazanovski

Quedas do Iguaçu - Paraná - Produção de leite
publicado em 29/01/2013

Caros debatedores e ao autor deste.

Wagner, concordo com suas colocações. A pecuaria nacional realmente vem mudando de cara e isso ocorre a uma velocidade relativamente rapida, comparado a lentidão do processo evolutivo da cadeia lactea nacional.
O que veremos nesta década é uma boa fatia de produtores abandonar a atividade. Isso, como citastes, não é problema de ninguém mais que a sua própria incopetência de obter lucro nesta atividade.
A agropecuaria segue os mesmos princípios economicos que qualquer atividade comercial ou produtiva. Tantos reclamam do preço pago ao produtor e que devemos lutar por preços melhores. Pois bem, se analizarmos os preços pagos ao produtor brasileiro, nas principais regiões produtoras, veremos que desde 2009 estes preços seguem acima da média internacional paga aos produtores. Reclamamos do que então?
Muitos reclamam do custo de produção muito alto. Temos mão-de-obra barata. Se é mal qualificada, sem comprometimento e esta pouco disponivel é por que o produtor não paga bons salarios, direitos trabalhistas, boas condições de moradia, plano de careira, treinamento, etc. Ainda tem produtor que acha que vai contratar alguem por 1 salario minimo para o sujeito começar a ordenhar as 4 da manha e sair da fazenda as 7 da tarde 7 dias por semana.
Tem quem reclama do custo dos concentrados. Aqui temos um leque de opções para usar na dieta das vacas. No Brasil se produz soja, milho, trigo, cevada, sorgo, algodão, girassol, amendoim... Imaginou se tivessemos que importar estes produtos. Nos Estados Unidos o custo do milho saltou de U$2,50 para U$ 7,50 por bushell em 3 anos. Aqui reclamamos que o milho do centro oeste não chega no sul. Nos EUA 1/3 da produção vai para etanol (que se explodam os produtores). Será que os problemas brasileiros são tão diferentes?
PRODUÇÃO X PREÇO - CUSTOS. Só existe esta receita! Se tenho uma propiedade de 10 ou 100 ou 1000 ha não importa. A elevação do lucro da sua fazenda só vai ocorrer elevando-se a produtividade por área multiplicado pela maior margem de lucro possivel obtida por litro produzido. Ai vem a grande pergunta: O que é mais facil, conseguir 5 centavos a mais por litro de leite do meu laticinio, via chantagem de ir para outra empresa, ou reduzir 5 centavos no meu custo de produção via aumento da eficiencia da minha produção?

Abraço a todos

Michel Kazanowski

Ronaldo Marciano Gontijo

Bom Despacho - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 29/01/2013

Senhor Walfredo,

Lutar por melhores preços é um movimento vazio sim, mas lutar por menores preços é um movimento idiota.

Ronaldo Marciano Gontijo

Bom Despacho - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 29/01/2013

Prezado Michel,

Então se você tem a opção de receber R$ 0,05 a mais pelo litro você prefere reduzir esse mesmo valor no seu custo e continuar recebendo o mesmo valor? Eu prefiro reduzir os mesmos R$ 0,05 e receber mais R$ 0,05, afinal eu não sou burro de perder R$ 0,10 a mais de lucro.

Wagner Beskow

Cruz Alta - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
MyPoint Pro - publicado em 29/01/2013

GONTIJO:

Pela tua foto vejo que és jovem. Por tuas posições pensava que pertencias a uma geração a tua frente (li também mensagens tuas em outras discussões). No que vou te expressar abaixo espero que teu lado jovem entenda.

Ninguém aqui é dono da razão. Tu não estás errado em falar e brigar por preço (a equação que te apresentamos mostra isso), mas não estás preparado ainda para enxergar o que te estamos dizendo. Mais lá na frente talvez. Aqui, por consideração a todos, decidi abordar tuas questões, mas no meu dia a dia sou obrigado a seguir em frente e deixar produtores que se debatem cegamente por preço seguir seu curso (eles não precisam de minha ajuda, precisam de um celular com bastante crédito e bateria).

Tu perguntas "...como a liberação das importações de leite pode beneficiar o produtor de leite nacional...?"

Em 1989 tínhamos um Brasil cheio de barreiras à "frágil indústria nacional". Como resultado, só a classe alta tinha telefone e levava-se anos esperando uma linha. Só tínhamos carros nacionais, mas pagávamos por "carroças" igual aos bons carros estrangeiros. Tínhamos uma "reserva nacional" na informática (era proibido importar) e, assim, um computador nacional PC-XT (menos capacidade de processamento que o mais chinelo celular de hoje) nos custava US$1.564,00 (equivalente a US$2.895,85 hoje, corrigido pela inflação do dólar). Ou seja, seria como pagar hoje R$5.849,60 por um celular simples.

Graças à abertura que se seguiu (com choradeiras, quebradeiras, queda de presidente da república!) temos um mundo melhor. Carros de luxo ao preço que custavam as "carroças"; telefone até desempregado tem; e um computador PC custa hoje R$1.700,00, ou seja, 3,4 vezes mais barato e 567 vezes mais veloz.

Ampliou-se o acesso à população, todos vendem mais e todos nessas cadeias ganham mais. As margens diminuiram, mas as vendas aumentaram astronomicamente em todos esses segmentos. Um setor lucrativo investe e cresce, porque vê futuro. Ganhar mais, em todos esses casos não significou maiores preços. Veio de mais LIBERDADE para os empreendedores melhor atenderem a demanda do consumidor e trabalharem inteligente e eficientemente para atendê-la.

No leite é a mesma coisa. Temos que analisar da frente para trás. O objetivo da cadeia não é sustentar produtor de leite é colocar leite na mesa do consumidor, ou tu não concordas? Na ponta, para todos ganharem, temos que aumentar o consumo e melhorar a qualidade e só vamos conseguir isso com mais produtividade e menos custo (todos os elos, inclusive e hoje principalmente o produtor).

Vai quebrar muita gente? Vai! Estão quebrando neste instante que digito. Queres ser um deles? Acho que não... Então tenta entender a linguagem aqui, porque ela é outra. E não importa se tu gostas ou não, como não importou para os produtores de outros países (lê o que aconteceu na NZ em 1984, por exemplo). É um processo duro e sem volta. Seja esperto (não "safo") e faça parte, ou forçosamente procurarás outra atividade.

Paula Cristina Marcondes Lários

Itiquira - Mato Grosso - Consultoria/extensão rural
publicado em 29/01/2013

Alvaro muchas Gracias!!!

Michel extremamente pertinente seu ultimo comentário. A realidade do produtor de leite é uma só, estão sempre reclamando que são injustiçados que o litro do leite não paga os custos.
Certamente não fazem um controle contábil das despesas. Tem que parar de reclamar um pouco e ir atras de informação.
Primeiro lugar contabilizar tudo na propriedade
Pagar salários condizentes as funções, realmente por 1 salário ninguém vai acompanhar ordenha as 4 da manhã
Oferecer treinamento aos funionários, moradias decentes e pegar um bom livro e estudar  Sr. produtor
Vá fazer cursos e assistir palestras
Contrate consultores, reclamar não vai mudar a situação
Informação sim vai mudar

edeval benati

Diadema - São Paulo - nem lembro mais
publicado em 29/01/2013

Pessoal,
       Ninguem fez comentario sobre OFERTA X DEMANDA.
       Os compradores de leite/laticinios, vivem dizendo que o preço é baixo devido a excesso de oferta. Se temos excesso e falamos em aumentar a produtividade,alguem tem que espirrar, isto é,cair fora da atividade.
       Todo negocio é bom,só depende do dono.
       Quando o negócio não é bom, é porque o dono também não o é.
       Quanto maior o lucro, maior é o risco
       Produtores de leite,vivem na corda bamba, sem risco e sem lucro.
       A cadeia do leite é fortissima ;- Laticinios,lojas, insumos,sites, cursos,revendas,leite em Pó e UHT importados,artigos técnicos etc,etc ,só arrebenta no produtor.
       Desculpem, é uma visào externa, de quem já deveria ter caido fora ,por falta de produtividade / competência.

           Sorte a todos!!
         
       

Wagner Beskow

Cruz Alta - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
MyPoint Pro - publicado em 29/01/2013

Prezado GONTIJO:

Todas a mensagens postadas aqui requerem que o responsável (neste blog, eu) avalie o conteúdo e aprove ou não sua publicação (isso é para evitar conteúdos proibidos ou agressões e ofensas). Como prova de que aceito opinião diversa, fui eu quem clicou ACEITAR em todas as tuas mensagens até agora.

Há duas mensagens tuas pendentes: numa tu ironizas o que um(a) outro(a) leitor(a) te disse e noutra tu fazes a continuação de teu desabafo. A primeira eu não vou permitir porque não é construtiva e se derivaria em perda de tempo para todos (para dizer o mínimo).

A segunda, dirigida a mim, vou publicar e me abster de comentar em respeito ao teu ponto de vista, certamente válido e compreensível.

Agradeço tua participação e disposição em discordar, como a de qualquer outro que assim o deseje fazer e te digo isso com sinceridade, Gontijo. Sempre que encontrei opiniões contrárias senti que valeu a pena ouvir. Estamos todos sempre aprendendo e por que eu seria diferente? Claro que não.

Ronaldo Marciano Gontijo

Bom Despacho - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 29/01/2013

Senhor Wagner,

Seu discurso fez muito sucesso 20 anos atrás, era moda entre os técnicos. Mas 20 anos se passaram, as fazendas evoluíram muito comparado com o que eram, e a assistência continua a mesma de 20 anos atrás. Vejo pelo seu discurso que sua maior preocupação no momento é com a situação dos produtores argentinos, que estão bem piores que os brasileiros. Me parece que o senhor não consegue aceitar nenhuma opinião diferente da sua, eu não choro para que o governo crie medidas de apoio para os produtores, mas não desejo que nosso governo faça caridade com os argentinos, até porque eles impõe barreiras para produtos de nossa industria, é mais que justo que nosso governo imponha alguma restrição aos produtos deles.
Não estou reclamando do preço que estou recebendo, mas não sou louco de vir aqui dizer publicamente que desejo que os preços caiam para nós produtores, afinal eu sou produtor e gosto de dinheiro. Vendo meu leite para quem está pagando mais, não tenho vergonha disto, quem quiser me chamar de ineficiente fique a vontade, prefiro ser chamado assim que vender meu leite R$ 0,10 mais barato para outra empresa, pois seria chamado de louco ou burro! Tenho bom acesso, ótima qualidade, um volume pequeno ainda, apenas 1500 litros/dia, mas que sempre tem gente querendo comprar. Não creio que para alguem ser eficiente na produção de leite ele precise receber um preço baixo, tenho plena consciência de que nossa margem está caindo, se fizermos a conta usando a "moeda leite" temos a clara visão de quanto estamos perdendo o poder de compra, o que nos obriga a produzir volumes cada vez maiores e com menos mão de obra para mantermos nossa renda. Não sou o ignorante que o senhor imagina, apenas não compartilho de suas idéias. E por último eu não pedi, estou pedindo, ou pedirei sua "AJUDA", creio que o senhor não é o ultimo profissional que dispomos e muito menos o melhor que temos, para mim o senhor é tão humano e falível quanto qualquer outro.

Michel Valter Kazanovski

Quedas do Iguaçu - Paraná - Produção de leite
publicado em 29/01/2013

Caros amigos,

Que a atividade leiteira sofreu redução de margem em 2012 todo mundo sabe. O que há de errado nisso? Pessoalmente em 2012 produzi 17,5% a mais e lucrei 5% a menos que em 2011. Se avaliar o desempenho deste ano diria que foi um ano otimo.
Construi um novo baracão de alimentação com capacidade do triplo de vacas que hoje detenho, uma sala de ordenha com a mesma capacidade, um silo de alvenaria para 400ton de silagem e pavimentei todo o aredor das instalaçoes com pedras iregulares (45% do valor financiado e o restante com sobras mensais da atividade).
O ano de 2011 sim foi um ano excelente, 2013 e 2014 tem tudo para ser também, respeitando a ciclicidade de tres anos que a atividade apresenta. Que haveram muitos anos iguais ou piores que 2012 pode ter certeza. A pergunta que cada um deve fazer. Estou preparado para isso? Estarei pronto para aproveitar quando os bons ventos soprarem?
A atividade leiteira não é, nem nunca será, blindada de crises. Se produzir leite em um ano como esse foi dificil, então o que dirá dos produtores de grãos que tem um risco muito maior pois movimentam montantes muito maiores, tem elevado capital imobilizado em maquinas e instalações, na maioria financiados e que depreciam rapidamente, podem perder tudo em algumas semanas de falta/sobra de chuva, e ainda tem de enfrentar a montanha russa da bolsa de Chicago. Pergunte a um produtor comercial se é possivel fechar as contas produzindo menos de 50 sc/ha de soja em uma média de 10 anos. Isso que eles somente contam o COE, se contabilizassem CT ja tinham vendido tudo.
Não há mais lugar para amadorismo e choradeira. Quem tiver coragem de erguer a cabeça e enchergar o favoravel tempo apontado no horizonte tomara suas providencias para que a proxima safra seja muito melhor que a anterior.

Abraço

Michel Kazanowski

Walfredo Genehr

Ibaiti - Paraná - Pesquisa/ensino
publicado em 30/01/2013

Sr. Ronaldo Marciano Gontijo, vejo que a sua retórica está tomando rumos nada agradáveis e não vejo nenhuma situação de algum comentário que possa ter induzido esta direção. O que vejo são comentários de pessoas preocupadas em achar soluções e/ou alternativas para contornar os problemas que o tema "perfil de produtor" nos fez refletir. Mas o seu último comentário me fez voltar no tempo e isto é mais do que os "20 anos de discurso" que mencionastes. Me lembrei de um colega de turma, que fez uma menção muito parecida como a sua ao então Prof. Jorge Lopez, meu mestre, da cadeira de Gado de leite, que este não havia alterado em nada o conteúdo ao longo de 24 anos que ele dava aula. A resposta foi muito simples: "Que o Sr. aluno então apontasse quais poderiam ser as mudanças na vaca que demonstrassem a necessidade na mudança do conteúdo, já que, na visão do mesmo, o úbere continuava a ter quatro tetos". Portanto, Sr. Ronaldo, nós temos que agradecer ao MilkPoint por ter tido a ideia de criar este espaço de troca de ideias e a pessoas como o Prof. Wagner por se dispor a dedicar o seu tempo e saber para, de forma gratuita, aumentar e enriquecer o conhecimento de quem o procura.
Att.
Eng.Agr. Walfredo Genehr

Ivan Geraldo da Silva

Lavras - Minas Gerais - Consultoria/extensão rural
publicado em 30/01/2013

Parabéns! Wagner, Em 21 anos de lida com o leite, Nunca ví um  assunto tão real da situaçao que vivenciamos a cada dia no campo. As  mudanças feitas por aqueles que se permitem, geram resultados,mas a desconfiança e as incertezas dos produtores os travam na maioria, dos casos.A  falta de incentivo por parte do governo,da cadeia etc...
     Sua matéria ,foi 1000....

Ronaldo Marciano Gontijo

Bom Despacho - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 30/01/2013

Caro Walfredo,

Vou ser claro e direto; deve-se mudar o discurso porque já estivemos livres de barreiras comerciais na importação de lácteos e não deu resultado, as barreiras foram criadas justamente para evitar um prejuízo maior em todo setor leiteiro. Dê uma olhada neste artigo e vera que não sou o único que se mostra contra as importações de leite da Argentina:  http://www.milkpoint.com.br/cadeia-do-leite/giro-lacteo/brasil-renova-acordo-com-argentina-para-importacao-de-leite-em-po-82277n.aspx

Walfredo Genehr

Ibaiti - Paraná - Pesquisa/ensino
publicado em 31/01/2013

Sr. Ronaldo Marciano Gontijo, o comentário a respeito das cotas de importação de leite da Argentina já o havia lido e não vejo absolutamente nada de estranho e contrário aos interesses nacionais. Se Argentina quer nos mandar leite "mais barato do que o custo de produção", isto é problema deles e quem agradece é o consumidor de leite brasileiro. Mas não vejo em um país como a Argentina, indivíduos que não saibam fazer cálculos de custos, muito pelo contrário. Portanto, tudo que já foi discutido até momento ainda não ficou claro para o senhor, o que queres que lhe diga? Agora vou lhe fazer uma pergunta: qual é o seu custo de produção por litro de leite? Pelo que vejo na cotação média nacional o produtor está recebendo R$0,81 por litro. E o custo de produção utilizando todas as técnicas de manejo adequadas, inclusive irrigação, trabalhando dentro de um conceito de sustentabilidade ambiental efetivo e não demagógico, não passa de R$0,45(o custo real) e isto com bastante gordura para baixar mais ainda o preço de custo. A margem de lucro é de R$ 0,36 / litro de leite produzido. Isto quer dizer que produzindo 3.150 litros de leite mês/ha você teria uma receita líquida/ha/mês igual a R$1.134,00. Se estiveres trabalhando 10 ha a sua receita líquida é R$ 11.340,00/mês. Quem ganha isto no Brasil trabalhando em outros setores? Mas isto não se consegue usando o modelo europeu e muito menos usando o conceito de "baldes de leite por vaca".
Vejo oportuno para complementar o que foi escrito pelo Sr. Edeval Benati, "que ninguém havia feito comentário sobre Oferta X Demanda". O preço não é baixo por causa da oferta de leite e, sim, devido ao baixo poder aquisitivo da população. Como já havia colocado anteriormente, diminuído o valor do leite aumenta o consumo, que é o aumento da Demanda. Para que isto aconteça temos que diminuir os custos de produção e aumentar o volume de leite por unidade de área.
Espero que tenha sido claro o suficiente.
Eng.Agr. Walfredo Genehr

Michel Valter Kazanovski

Quedas do Iguaçu - Paraná - Produção de leite
publicado em 31/01/2013

Caro Wagner e Walfredo,

Nesse novo modelo de produtor uma característica é comum. Na maioria deles são pequenos produtores e a limitação de área é um problema.
Pensando nisso poderia no Brasil implantar-se o sistema sharemilking, haja visto que há muita área agricultável país afora?
Ou, o leite sendo uma atividade muito mais rentável que outras atividades produtivas, inclusive lavouras tradicionais como soja e milho, o arrendamento seja uma boa opção. Na região o hectare é arrendado por 1.200,00 para uso o ano todo. Muito interessante perante ao potencial que o leite pode render. Sendo assim a quantidade de terra que o produtor possui passa a não ser mais um limitante sendo usado essas áreas arrendadas para produção de volumoso.

Abraço

Michel Kazanowski

Walfredo Genehr

Ibaiti - Paraná - Pesquisa/ensino
publicado em 31/01/2013

Olá Sr. Michel Valter Kazanovski,  muito bem colocada a sua observação. O modelo de produtor não é necessariamente o pequeno produtor, mas a característica que este deve apresentar é a apontada pelo Prof. Wagner, com absoluta certeza. Quanto ao modelo de exploração, a meu ver, o sistema "sharemilking" é uma bela alternativa, pois o valor de referência do litro de leite a um custo de produção efetivo R$0,45 é para uma situação de 100% da área arrendada, 100% do capital de investimento financiado ao custo financeiro normal do mercado e 100% da mão de obra contratada. Na minha ótica, o elemento "landholder" com andar do empreendimento sendo eliminado do processo, mas porque assumir o custo da terra (a não ser por razões de investimento), cabe, isto sim, fazer bons contratos de médio e longo prazo.
Att.
Eng.Agr. Walfredo Genehr

Michel Valter Kazanovski

Quedas do Iguaçu - Paraná - Produção de leite
publicado em 31/01/2013

Olá Walfredo,
O custo médio da terra para aquisição varia de R$ 20 a 40.000,00/ha. Se considerarmos o quanto este valor renderia na aplicação mais comum este ja dá o valor do arrendamento. A opção de aquisição só será interessante como investimento visando valorização futura e agregação de capital ao patrimonio da empresa. No entanto, para inicio de negócio quanto menor o capital imobilizado menor será o custo de produção, além de poder destinar estes recursos para investimentos de retorno a imediato como correção de solo, animais, estrutura.

Abraço

Michel Kazanowski

Walfredo Genehr

Ibaiti - Paraná - Pesquisa/ensino
publicado em 01/02/2013

Olá Michel
Meus parabéns, pelo tino comercial, pois o Payback de um projeto para a condição por mim descrita anteriormente, onde o capital próprio inicial é igual a zero, é de 33 meses. Observando que o prazo de carência para iniciar a amortização do capital financiado é de 36 meses. Neste período, você paga a implantação de um novo projeto no valor aproximado de R$1.714.375,70, que corresponde ao custo do investimento necessário para uma área de 50 ha. E o custo da terra, usando o referencial mais alto, é de R$ 2.000.000,00. Quanto aos recursos investidos para a implantação como a correção de solo e a infraestrutura física e outros, eles tem um prazo de validade calculados e compensados pela depreciação, portanto para isto tem que ser negociado o período do contrato de arrendamento. Assim não preciso te dizer que o sistema "sharemilking" é o melhor.
Abraço,
Walfredo

Michel Valter Kazanovski

Quedas do Iguaçu - Paraná - Produção de leite
publicado em 01/02/2013

Caro Walfredo,

O sistema sharemilking tem diferentes formas de contrato onde o dono da area participa com maior ou menor investimento. Dado o custo do arrendamento local qual seria a melhor opção para o produtor brasileiro?

Abraço

Michel Kazanowski

Walfredo Genehr

Ibaiti - Paraná - Pesquisa/ensino
publicado em 01/02/2013

Olá Michel,
Toda relação comercial visa interesse econômico, quanto maior é a maturidade dos participantes em entender que devemos assumir os riscos e os custos do investimento, de forma proporcional, e onde o retorno econômico para ambas as partes será equitativo, mais perfeito é o Ponto de Equilíbrio da relação.  Este é o detalhe, a meu ver, que quer se obter no sistema "sharemilking".  
Na situação de arrendamento que temos aqui, não vejo outra coisa a não ser a condição de aluguel, pura e simplesmente, das terras. Neste caso, cabe uma análise, por parte do inquilino, se a localização e as condições da área são compensadoras para o tipo de empreendimento que deseja desenvolver. Quanto ao custo, os valores praticados, atualmente, no mercado, são interessantes para o inquilino e para o locatário, pois são atrelados a quantidades de sacas de milho e/ou soja por unidade de área. Para o dono das terras é um bom negócio, já que o retorno líquido, em valor, é maior do que teria, normalmente, sem investimento, com a produção própria.
Qual é o melhor sistema para o produtor?
A meu ver, vai depender da visão deste, que pode ser de empreendedor e ou de explorador. Assim, o empreendedor vai optar pelo sistema "sharemilking" e o explorador pelo arrendamento.
Abraço,
Walfredo

Walfredo Genehr

Ibaiti - Paraná - Pesquisa/ensino
publicado em 02/02/2013

Caro Michel,
Na pressa atropelei o tema, portanto uma correção:
a)     Qual é o melhor sistema para o Proprietário das terras ("landholder" ) ?
A meu ver, vai depender da visão deste, que pode ser de empreendedor e ou de explorador. Assim, o empreendedor vai optar pelo sistema "sharemilking" e o explorador pelo arrendamento.
b)     Qual é o melhor sistema para o Produtor?
Os dois sistemas podem ser bons. Mas, possivelmente, a longo prazo a margem de lucro líquido no arrendamento pode vir a ser maior. Ambas as situações são dependentes da elaboração de um bom contrato de direitos e de responsabilidades (obrigações).
Abraço,
Walfredo

Michel Valter Kazanovski

Quedas do Iguaçu - Paraná - Produção de leite
publicado em 02/02/2013

Ola Walfredo,

O duro vai ser convencer tradicionais produtores de soja as premissas desta forma de contrato.
Bem, é muito provavel que a principio o modelo exploratorio ira predominar. Aquele produtor que destacar empreendedorismo encontrará parceiros para montar os primeiros contratos sharemilking, usando recursos de um e experiencia de outro em busca de um objetivo comum, o LUCRO.

Abraço

Michel Kazanowski

Michel Valter Kazanovski

Quedas do Iguaçu - Paraná - Produção de leite
publicado em 02/02/2013

Caro Walfredo,

Sua simulação é um retrato real de quanto a atividade pode ser rentável, porém, devo fazer algumas ressalvas. Este custo de R$0,45/litro (COE) é plenamente possivel, este foi o valor que obti no ano de 2012. No entanto uma produção superior a 100 litros/ha dia não se consegue da noite para o dia, principalmente em terras arrendadas. Portanto levantar este alto valor de investimento além de complicado para um investidor que começa com um capital igual a zero é provavel, quase certo, que não alcançara tais indices nos primeiros anos de trabalho, levando a um maior periodo para amortização dos investimentos.
A razão disso são inumeras. É necessário corrigir área, formar estrutura, instalar irrigação se necessário, plantar capim (se for cynodon é muda por muda), formar equipe e treina-la, enfrentar problemas da atraso nas edificações (o mal do brasileiro, nada sai no prazo previsto), encontrar animais, e isso é um grande problema, você pode até comprar o numero necessário para a lotação proposta, o duro é obter animais que reproduzam bem, que tenham alta persistencia, boa produção e sanidade de acordo. Por estes e tantos motivos diria que o primeiro ano seja para implantar o projeto e trazer os primeiros animais, o segundo inciar a produção e resolver problemas estruturais e de ineficiencia operacional, no terceiro começar a estabilizar o sistema, no quarto chegar a uns 20.000 litros/ha e la pelo sexto a setimo ano chegar a produção que sujeres. Portanto um prazo minimo para se trabalhar com segurança seria 10 anos para amortização do capital aplicado.
Outra historia é se o produtor ja tem um rebanho selecionado e estavel, experiencia e uma boa equipe de colaboradores e resolve iniciar um novo empreendimento. Ai basta "queimar" a reposição de seu rebanho, completar com mais quantos animais necessarios forem e iniciar o trabalho. Mesmo assim diria 5 anos para numeros expressivos serem alcançados.
Por tudo isso sempre sugiro muita cautela a quem resolve enbrenhar-se por estas veredas. É sempre melhor iniciar o negocio em uma pequena escala para depois amplia-lo, se for capaz.

Abraço

Michel Kazanowski

Walfredo Genehr

Ibaiti - Paraná - Pesquisa/ensino
publicado em 02/02/2013

Caro Michel,
Filosoficamente chegamos ao ponto em que fechamos o círculo em relação ao tema proposto pelo Prof. Wagner, "Nasce uma nova estirpe de produtor de leite no Brasil" e o ponto a ser observado é a característica de perfil que deve ter este produtor que esta nascendo.
O que temos a somar ao proposto é o perfil que deva ter o Proprietário das terras ("landholder"), que vai além do conceito de Produtor, que é o de ser um empreendedor.
Assim, para que ocorram as mudanças na direção de termos os primeiros contratos realizados sob a forma do sistema "sharemilking" no Brasil, de forma predominante, vai demorar algum tempo. Enquanto isto, com o sistema de arrendamento, cabe ao Produtor de leite (inquilino) absorver ao seu perfil o empreendedorismo e as características apontadas pelo Prof. Wagner.
Com relação ao prazo de instalação do projeto, em condições ideais, se leva um ano para obter os rendimentos desejados, mas isto sim, em uma área de até 10 ha para a condição da realidade do produtor  brasileiro, em vista das linhas de crédito que temos.
O francês diria: - C'est la vie ! (É a vida)
Michael, meu e-mail para contato, caso queiras, é : walgenehr@gmail.com
Abraço,
Walfredo

Michel Valter Kazanovski

Quedas do Iguaçu - Paraná - Produção de leite
publicado em 02/02/2013

Caro Walfredo,

Antes de surgirem landholders com interesse e maturidade para fechar um contrato de sociedade com um produtor de leite os próprios terão ainda que muito aprender sobre produção intensiva em clima tropical e sub-tropical. O potencial produtivo ainda é muito pouco explorado. Seja nas áreas de pastagem que por falta de fertilidade, manejo, planejamento forrageiro suportam lotação muito inferior a que poderiam, quanto a produção do milho ainda rende muito pouco gerando uma silagem com qualidade baixa. No mais se perde por reprodução, por falta de conforto, por dietas mal balanceadas, por cria e recria mal feita. Enfim temos ainda muito para crescer dentro das nossas próprias porteiras para depois lançar velas buscando terras arrendadas, contratos sharemilking...
Tudo isso mostra o quanto a situação do produtor brasileiro é favorável. É o país do futuro!
Vamos acompanhando esta mudança e contribuindo da melhor forma possível esta nova classe de produtores.
Meu contato é michel_kz@hotmail.com

Abraço

Michel Kazanowski

Marco Liberatti

São Paulo - São Paulo - Indústria de laticínios
publicado em 02/02/2013

Parabéns pelo excelente texto, Wagner Beskow. Sua percepção dos diferentes "tipos" de produtores, seu contexto sócioeconômico e, sobretudo, da gênese de um novo tipo de empreendedor rural contribuiram para que eu pudesse formar um quadro nítido da produção leiteira no Brasil. A base de todo o mercado lácteo é o produtor leiteiro. Que esses novos empreendedores ajudem a construir um Brasil novo e mais próspero.

Sds.,
Marco

Wagner Beskow

Cruz Alta - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
MyPoint Pro - publicado em 03/02/2013

Prezados amigos:

Por sugestão que partiu do Prof. Sandro Charopen Machado, reforçada pelas colocações de vários outro leitores, elaborei um artigo sobre o tema, disponível no MilkPoint:

O TÉCNICO QUE O MERCADO PRECISA
http://www.milkpoint.com.br/mypoint/transpondo/p_o_tecnico_que_o_mercado_precisa_curso_formacao_tecnico_ensino_pesquisa_extensao_resultado_produtividade_universidade_assistencia_motivacao_5016.aspx

Aproveito para agradecer as mais recentes discussões sobre o perfil do produtor e temas relacionados. Algumas excelentes considerações e trocas de experiências.

Obrigado também pelo feedback mais recente direcionado ao artigo.

Daniel Vieira Batista

Uberlândia - Minas Gerais - Reprodução de Bovinos
publicado em 06/02/2013

Prof. Wagner primeiro quero comprimentá-lo pelos belos artigos colocados para nós leitores aqui no Milkpoint.

Minha pergunta é: Em qual modelo de produção, Confinamento ou Pasto, com uma produção de 30.000 Lt de Leite/Ha/Ano, qual é a melhor rentabilidade líquida ?

Obrigado

Wagner Beskow

Cruz Alta - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
MyPoint Pro - publicado em 07/02/2013

Prezado DANIEL:

Obrigado pelos cumprimentos. Olha, a pergunta é justificável, mas a resposta realmente depende muito mais de como cada um desses dois exemplos estão 1) estruturados e 2) administrados do que de CONFINAMENTO x PASTO.

Sempre tenho cuidado com essa discussão porque algumas pessoas levam para o lado da paixão por A ou B e acabam ficando um tanto cegas e defensivas.

Há porém algumas coisas que tenderão a ser verdadeiras, mesmo num grande espectro de comparações destes dois modelos. Para ambos produzirem 30.000L/ha/ano, o CONFINAMENTO (considero aqui o free stall):

- Requer mais capital imobilizado em construções, máquinas e equipamentos.
- Requer maior intensidade de trabalho (mão-de-obra).
- Depende de silagem como a base alimentar, que por ser pobre em proteína, requer elevada suplementação proteica (a fração mais cara do alimento). Ela também tem que ser colhida, armazenada e servida.
- Por outro lado, sofre menos oscilações sazonais por contar com uma oferta de alimento mais constante.
- Tende a atingir maior produtividade por vaca, da forma como o pasto tem sido (mal) manejado no Brasil.

Por todos esses fatores, o custo normalmente é maior no confinamento, especialmente alimentação, depreciação e de oportunidade do capital. Isto obriga o confinador a ter maior escala, porque sua margem por litro tende a ser menor.

Ao fixares a comparação em 30.000L/ha/ano aumentas as chances do pasto ser mais rentável (margem maior para um mesmo volume por área tudo isso relativo a um capital menor para obter os 30.000L). Outra generalização: o risco alimentar tende a ser menor no confinamento, mas o risco do resultado ser negativo é maior pelas estreitas margens.

Note que conheço casos de sistemas a pasto com custo igual e até superior a certos confinamentos. No Brasil há um grande desconhecimento de eficiência em tudo, muito mais ainda em produzir pasto em quantidade e qualidade e fazer a vaca colhe-lo eficientemente.

Um dia falarei do sistema intensivo a pasto com suplementação (SIPS), que desenvolvi. É o sistema mais rentável para o Brasil, com tudo de bom de ambos os sistemas acima e margens líquidas que nenhum deles iguala.

Para encerrar, leite é um ÓTIMO negócio para quem tem a terra e deseja saber o que produzir nela e, ao decidir pelo leite, construir o rebanho aos poucos. Bem conduzido, nas mãos de um produtor com o perfil certo, deixará ótima renda para a família, mas aqui se olha qualidade de vida, não retorno sobre o capital investido.

Para quem tem capital noutro lugar e deseja saber se vale a pena investir no leite, comprando terra, vacas e toda a estrutura, o buraco é mais embaixo, pois como retorno sobre o capital investido o desafio é bem maior. No SIPS, é possível superar 20%, tenho alguns casos acima de 35%, mas uma grande fração tem dificuldade de passar de 14% ao longo de vários anos. Isso com assessoria. Os que estão sem ajuda alguma são os que estão em maior dificuldade no momento.

Mais que isso, só caso a caso.

Daniel Vieira Batista

Uberlândia - Minas Gerais - Reprodução de Bovinos
publicado em 07/02/2013

Entendido Prof. Wagner

Estou querendo investir no leite, tenho uma área de 96 ha disponíveis e quero tirar um leite barato que me dê um retorno maior e acredito que seja a pasto a melhor solução.
Vou começar do zero, utilizando genética da NZ para fazer meu gado através da IA e estou tentando adquirir a genética da Leitíssimo para acelerar esse processo.

Com certeza iremos conversar muito ainda e assim sendo deixo meu Abraço.

Walfredo Genehr

Ibaiti - Paraná - Pesquisa/ensino
publicado em 07/02/2013

Daniel, o que foi colocado pelo Prof. Wagner resume plenamente como deve ser visto e avaliado o quadro do sistema de produção leiteiro. Apontou em especial os pontos onde a nossa realidade brasileira tem as maiores falhas e os fatores para tomar cuidado com o "buraco mais em baixo" (que achei muito oportuno em ser salientado). Todo processo para que venhamos a diminuir as situações de risco dependem de investimento cultural e econômico.
Quanto à questão de pasto, gostaria de fazer um adendo ao tema. Para a situação proposta, 30.000 lt de leite/ha/ano nós teríamos uma demanda de 29.638,00 Kg de MS/ha/ano, com uma lotação de 4 UA/ha e 3,5 % de MS/PV. Os números nos mostram o quanto de apertada fica a situação, mais ainda se formos avaliar em cima da FDN.
Pontos críticos: 1º) O volume de MS; 2º) a digestibilidade do pasto e 3º) a capacidade digestiva do animal.
Aí eu perguntaria:
a)     Qual é a forrageira que seria utilizada? É claro que me dirias Panicum maximum (Mombaça e Tobiatã são de porte maior e folhas mais largas, seguidas pelo Colonião e Tanzânia) e/ou Pennisetum purpureum (Capim-elefante: Napie, Cameron, Twain, Merck, etc). Mas, como estas são plantas C4, isto é, gramíneas tropicais, elas tem uma velocidade de maturação foliar (lignificação) muito rápida o que leva a uma baixa digestibilidade, portanto, temos que saber manejá-las muito bem para obtermos os resultados desejados.
b)     Qual a capacidade digestiva do animal? Esta está vinculada a fatores como: stress animal, conforto térmico, volume,  qualidade de forragem oferecida e fator racial, entre outros, como já salientados pelo Prof. Wagner.
Assim, a meu ver, para a realidade brasileira em termos climáticos, seria interessante um modelo misto onde a alimentação principal seria a pasto, com alta oferta de forragem por m², para que o animal consiga o volume desejado de MS em um curto espaço de tempo, nas horas mais frescas do dia, e, depois, seguir para uma área coberta para ruminar (com o bucho cheio leva até nove horas, dependendo da característica racial), onde terá água e conforto térmico. Uma das razões para esta alternativa não só esta baseada no maior rendimento animal, mas, também, é a obtenção do maior volume de resíduos animais para vários outros fins, como uma fonte de energia e/ou para que possamos fazer uma adubação orgânica mais homogenia e controlada da pastagem.
No entanto, não vamos esquecer do grau de dificuldade e, isto, nos faz lembrar que em todas as situações (Produtor já estabelecido e/ou para investidores) as margens econômicas são estreitas e necessitam de um ajuste adequado, principalmente, de gestão técnica e econômica. Prá não atingir o "buraco de baixo".
Mas isto, como foi colocado pelo Prof. Wagner, depende de cada realidade individual.
Att.
Eng.Agr. Walfredo Genehr

Daniel Vieira Batista

Uberlândia - Minas Gerais - Reprodução de Bovinos
publicado em 07/02/2013

Walfredo Obrigado pela explanação

Minha idéia é trabalhar com animais jersolando linhagem da NZ onde os animais são selecionados a pasto para uma maior e melhor produção.

O pasto escolhido é o Tifton-85 rotacionado e irrigado, com o solo corrigido e sendo adubado. Assim teremos um alimento com maior teor de PB, aumentando a taxa de lotação.

Att
Daniel

Walfredo Genehr

Ibaiti - Paraná - Pesquisa/ensino
publicado em 07/02/2013

Daniel, por observações com esta cultivar, o Tifton-85 (E posso te dizer que são bem longas, estas foram na época e na propriedade do empresário gaúcho que foi um dos introdutores desta, lá se vão alguns anos), não sei se vais atingir a demanda necessária. Com relação a FDN vais poder ter uma boa condição, que é chegar por volta dos 40 - 45%, se o manejo da pastagem for bem conduzido. Mas no ponto do volume de matéria seca (MS), no RS e no PR, nas condições ideais de FDN, chega-se a algo de entorno de 15.000 a 20.000 kg/ha/ano. Com relação à raça de gado jersolando, linhagem da NZ, não a conheço e não tenho uma noção de peso corporal desta e nem de rendimento.
Posso de afirmar, com uma margem de segurança, para sua condição, se fores querer explorar a alimentação direcionada ao pastejo, o ideal é usar animais com o menor peso corporal, já a taxa de mantença é a mais baixa. Dentro desta linha, a Jersey de pequeno porte, com a uma produção de média 20,5 litros de leite/vaca/dia/ano, com a lotação de  4 vacas/ha, fará você atingir o seu volume de leite desejado. Só que nunca podes te esquecer de que a demanda de matéria seca vai estar em torno de 1 kg de MS/ 1lt de leite e o conforto térmico é o ponto mais importante a observar, para atingires a tua meta.
Mas, tudo que estamos falando é no universo teórico, o certo é ver em pequena escala, na sua propriedade, do rendimento de umas três alternativas de forrageiras como estas se comportam, para direcionar o investimento definitivo. Uma boa alternativa seria tentar cultivares de Panicum maximum e Pennisetum purpureum, com uma boa relação folha/caule, para comparar com tifton-85.
Abraço,
Walfredo

Walfredo Genehr

Ibaiti - Paraná - Pesquisa/ensino
publicado em 07/02/2013

Daniel, uma pequena correção:Só que nunca podes te esquecer de que a demanda de matéria seca vai estar em torno de 1 kg de MS/ 1 lt de leite / ha / ano.

Antonio Celso Ferreira Ferraz

Cachoeira Paulista - São Paulo - Consultoria/extensão
publicado em 08/02/2013

Bom dia! Muito bom texto!
Sou técnico da extensão pública numa região tradicional de leite. Mão de obra existe ainda, pordutor de leite também, fazendas leiteiras e compradores industriais e cooperativas. Por outro lado somos uma população de 5% na zona rural e 95% nas cidade, logo o produtor rural é deixado de lado pela sociedade, governo e até familiares. Acomodado nesta situação triste e de degradação pessoal, de produção rural, familiar, a zona rural compete com a cidade com muita desigualdade.
Na cidade aqueles que não quiseram mudar, acabaram: vejamos os mercadinhos, empórios, padarias familiares, farmácias tradicionais... Na roça sobraram aqueles que não desistiram ainda e aqueles que estão tentando mudar!!!
A produção regional de leite continua a mesma até crescente, mas o número de propriedades leiteiras diminui sempre.
Então trabalhamos como "uma injeção de ânimo" com os produtores que querem mudança. Infelizmente ainda são poucos!!! As mudanças ainda são lentas também!!! Mas, existem mudanças!!!
Por isso que disse anteriormente: o entrave é a "TOMADA DE DECISÃO: QUERO MUDAR!!!" Isto cabe ao consultor, ao extensionista e também ao produtor de leite. Quando isto ocorre, soluções são buscadas, caminhos são trilhados, dificuldades vencidas...
Sistemas de produção tendem ao pasto, mas aqueles que ainda querem basear a produção no cocho precisam tomar a decisão de 'mudar', buscando menores custos de produção, e nem sempre isto ocorre.
Esta é a nossa labuta... E textos com o seu nos mostra que não estamos sozinhos...
Abç,
Eng. Agr. Antonio Celso F Ferraz

Daniel Vieira Batista

Uberlândia - Minas Gerais - Reprodução de Bovinos
publicado em 08/02/2013

Prezado Walfredo,

Estou lendo um artigo do Luis César Dias Drumond onde ele fez um experimento jogando 200 m3/ha/ano de dejeto de suíno tendo uma produção de 5928 Kg de MS por ciclo de 28 dias. Claro que a época do ano vai influenciar tendo uma menor produção no inverno e maior no outono. Se você quiser posso te enviar o artigo.

Att
Daniel

Walfredo Genehr

Ibaiti - Paraná - Pesquisa/ensino
publicado em 08/02/2013

Daniel, eu teria interesse, sim, sobre o artigo. Mas, o que me preocupa é o volume muito alto por m² de esterco de suíno usado. O risco de impacto ambiental é grande, no que se referente à contaminação do lençol freático com níveis tóxico de potássio. Já que a dinâmica de deslocamento do potássio é alta, recomenda-se, normamente, o seu uso, conforme a indicações através de análise de solo, em parcelamento com o nitrogênio, para um melhor aproveitamento pelas plantas e diminuir a contaminação do lençol freático. Como veterinário, sabes bem o que é uma intoxicação por potássio. Outro detalhe, com o uso nesta quantidade e de forma continuada, em curto espaço de tempo, também, o nível de fósforo começa a ficar crítica, de maneira a interferir na disponibilidade do zinco para a planta. Outra questão é a quantidade de matéria seca de tifton produzido, será que não é volume de massa verde? Pois, neste nível de adubação, só conheço o capim elefante que poderia chegar a este volume de matéria seca por ha, que é de 77.000 kg/ano. Mas, mesmo assim, ainda continuo com a minha posição com relação à recomendação que te fiz, já que estamos falando em um universo teórico, o certo é ver em pequena escala, na sua propriedade, se estes números conferem.
Abraço,
Walfredo

Michel Valter Kazanovski

Quedas do Iguaçu - Paraná - Produção de leite
publicado em 08/02/2013

Ola Walfredo,

Gostaria de considerar algumas coisas sobre seu ultimo post.
Para atingir uma produtividade de 30.000 litros/ha/ano proposto tu colocas uma lotação de 4 vacas/ha e um consumo de 1kg de MS para cada litro produzido. Portanto estas vacas para produzir 20,5 litros em média teriam que consumir 20,5 kg de MS de pasto.
Se tratando de capim C4 isso é impossível. O consumo médio de uma vaca jersey ou jersolando, em média, fica em 12 a 14 kg de MS de pasto, quando bem manejado. Para atingir o restante da produção o demais terá de ser suplementado por concentrado. Isso leva a uma redução ainda maior do consumo de volumoso
Não há problema nisso, porém uma produção de 7500 litros por ano usando vacas jersey ou cruzadas, de peso médio de 450-500kg manejadas a pasto fica dificil.
Diria que para atingir esta meta deveriamos trabalhar com tais animais, esperando uma produção entre 4500 a 5000 litros/ano, portanto uma lotação de 6 a 7 vacas que consumiriam as 30 ton. produzidas. Se tratando de MG, no caso do Daniel, o tifton alcançaria tal produção com folga.

Abraço

Michel Kazanowski

Walfredo Genehr

Ibaiti - Paraná - Pesquisa/ensino
publicado em 08/02/2013

Caro Michel, resultados superiores a esses são relatados por Cruz Filho et al. (1996), em pastagem de capim-elefante irrigado, na Região Norte de Minas Gerais, onde foram obtidas produções de leite acima de 30.000 kg/ha/ano.
O exemplo usando 4 vacas produzindo 20,5 lt de leite em média, foi para me aproximar de ideia de atingir o modelo do Daniel entre estes o peso corporal e da demanda de matéria seca. E, em cima disto, falando que achava temeria a situação, pois não via viabilidade. Pois para atingir os objetivos propostos, teríamos que ter 100% da pastagem aproveita, que não se consegue, geralmente é de no máximo 70%, e ter uma necessidade de conversão por PV 2.5% para ter a relação de 1:1.
Agora, usando o modelo de Cruz Filho et al. (1996), se você trabalhar com animais com PV médio 420 kg, com um consumo de 3% do PV, que lhe dá uma relação de 1 kg de MS/ha = 0,91 lt de leite/ha /ano. Vais ter um consumo 12,6 kg de MS/animal/dia. Tendo uma FDN entre 40 a 50% que se consegue dependendo manejo dado à pastagem, com PB em volta de 13%. Você consegue uma produtividade média por vaca acima de 15 lt. Com uma lotação média de 6 animais /ha, chegas a uma produtividade de 32.850 lt/ha/ano. Isto sem suplementação.
Mas, não podemos esquecer que agora estamos trabalhando com um modelo teórico, na prática, dentro de situações particulares, podemos ter resultados menores ou maiores.
Abraço,
Walfredo

Walfredo Genehr

Ibaiti - Paraná - Pesquisa/ensino
publicado em 08/02/2013

Michel, uma correção: relação é de 1 kg de MS/ha = 1,01 lt de leite/ha /ano

Nelchior

Guaraciaba - Santa Catarina - Estudante
publicado em 09/02/2013

Olá Wagner, mais uma vez está de parabéns, muito foi falado sobre produtores, tecnicos, imdustria, preço, qualidade entre outros, como produtor de leite e estudante de Medicina Veterinári 10° semestre, é possivel sim ganhar dinheiro produzindo leite, mesmo com tantas entraves enfrentada, seja ela de qualquer natureza. Cito uma, (custo de produção) gostaria de saber do seu ponto de vista, a  possibilidade do produtor com auxilio de um tecnico qualificado formular o concentrado para suplementação na propriedade? visto que, a grande maioria dos produtores de leite, produz milho e soja, vendem esses produtos e compram o concentrado ( ai vem a choradeira leite não da dinheiro, muito custo), vejo uma alternativa economicamente viável, silagem de grão umido de milho, a qual utilizo a  mais de 5 anos, sem problema algum.

até

Nelchior

Wagner Beskow

Cruz Alta - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
MyPoint Pro - publicado em 10/02/2013

Prezado NELCHIOR:

Cada caso requer ser analisado com atenção especial, mas como regra geral, posso te afirmar o seguinte:

1) O leite bem trabalhado é de 8 a 10 vezes mais rentável que soja e milho grão.

2) Produtor de leite que tenha restrição de área deve se profissionalizar e se especializar no leite e parar de colocar dinheiro fora com lavoura (a esposa sabe disso!). Estas culturas, com a atual tecnologia que exigem, são para lavouras de 300 ha para cima para valerem apena, sobretudo por causa do maquinário.

3) O concentrado ("ração") formulado em casa sai mais caro que a ração comercial de qualidade por motivo de economia de escala. A fábrica dilui custos em muitas toneladas. Tens que computar o tempo envolvido (tempo é dinheiro) mais a qualidade final do produto, sobretudo se se for incluir aditivos como bicarbonato, gordura protegida, monensina sódica etc. O produtor pode trocar tempo (grande no processo manual) por equipamento, mas é um investimento que não se paga (capital + depreciação), a não ser em grandes propriedades (mais de 300 vacas).

4) O mercado de ração para gado de leite é altamente competitivo. As empresas trabalham com margens pequenas, facilitam aquisição de silos para armazená-la, se cooperativas ainda facilitam o pagamento etc.

5) Por tudo isso, o negócio é aprender a produzir pasto de qualidade e a fazer a vaca colhê-lo com eficiência, suplementando com concentrado para ir mais longe e com silagem para suprir as faltas de pasto. Perde dinheiro e perde tempo quem insiste em lavoura para grão em pequena propriedade.

Sobre a silagem de grão úmido (SGU), é a principal fonte de acidose ruminal que conheço no campo. Só porque tem a palavra "silagem" o produtor acha que pode substituir a SMPI (silagem de milho planta inteira) por SGU e não pode! SGU é CONCENTRADO energético!

1) Não vale a pena pelos mesmos motivos acima.

2) Perder a planta do milho para ficar só com o grão é esquecer que a vaca é ruminante. Isso veio da suinocultura e infestou que nem praga as propriedades produtoras de leite.

3) Salva bicho? Salva! Mas é esse o propósito da propriedade, salvar? Produz leite? Depende do volumoso que acompanha. Vale a pena? Não. É extremamente cara, é um desperdício e vale apenas como tapa buraco de exceção e emergência.

As observações acima refletem minha experiência e meus dados. Certamente outros terão outras experiências. Notem: temos penúria no campo. Vacas morrem de fome. Nessas condições até papel é comida para vaca (basta adicionar uma fonte proteica junto) que ele também "salva bicho". O sujeito que perdia animais, adota papel jornal e ureia, conclui que "vale a pena". Tudo é uma questão de ponto de vista e objetivos da atividade.

Nelchior, fui enfático porque muitos produtores tem focado nas coisas erradas. Estás concluindo tua faculdade e tens grandes desafios pela frente. Um deles é fazer o produtor ganhar dinheiro no leite. Pensa com carinho nos pontos acima.

Muito obrigado e boa sorte na profissão.

Nelchior

Guaraciaba - Santa Catarina - Estudante
publicado em 10/02/2013

Wagner, não estou dizendo que, SGU é a solução, e nem substituir SGU por SMPI, coompreendo e reflito seu feedback.


Pois essa é a realidade na minha região, pequeno produtor plantado soja e milho e realmente vaca passando fome por falta de pasto.

Em relação (a fabrica dilui custo), eu acredito e MUITO está claro que não tenho experiencia suficiete para tratar desse assunto, mas te digo, que na pratica seguida de confirmação laboratorial existe ] ] muito inferior a papel de jornal com ureia, salvo as exceção.

Wagner Beskow

Cruz Alta - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
MyPoint Pro - publicado em 10/02/2013

Nelchior,

Realmente tem muita ração comercial de péssima qualidade, principalmente para os que buscam apenas preço. Como é importante separar o "joio do trigo", e por existir excelentes rações, uma orientação que sempre dou é pedir a composição da ração ao fornecedor assim como informações bromatológicas desta. Se der sorte, às vezes é do mesmo lote, mas em geral é uma análise feita de um outro lote mais antigo, de mesma composição (se for empresa idônea).

De posse desta informação e pretendendo comprar deste fornecedor por longo prazo, vale a pena enviar, por conta própria, uma amostra para um laboratório fazer a bromatologia pelo método NIRS, para então confrontar esta com o que o fornecedor informou.

Um dos principais pontos a observar no concentrado é o NDT. Se a base for pasto verde de alta qualidade, quanto menos proteína melhor (e mais barato).

Entendo o que dizes. Apenas aproveitei tua questão para deixar o alerta aos que deixam de considerar os pontos que levantei. Tem vaca por aí "fuçando que nem porco" de tanto grão úmido... Sobre a soja em pequenas propriedades, é realidade em várias partes do Brasil, infelizmente. Já milho grão é menos, mas mesmo assim tem bastante. Tuas preocupações procedem.

Abraço e obrigado por tua participação.

Michel Valter Kazanovski

Quedas do Iguaçu - Paraná - Produção de leite
publicado em 10/02/2013

Caro Wagner,

Vejo o grão úmido com bons olhos. Tem custo, sem duvida. Mas se pensarmos em ração comercial, de modo geral, o que se vende não é o que necessitamos em nosso sistema de produção intensiva a pasto. Precisamos de concentrado com alto valor energético, com concentração de amido, alta digestibilidade e baixo teor protéico. Dificil encontrar!
Não preciso plantar milho em minha propiedade. Os produtores são assanhados por variedades de milho cada vez mais precoce para colher o quanto antes e plantar safrinha. Se tu propor colher 15 dias antes eles aceitam na hora. Milho de alta qualidade, de lavouras com produção acima de 200 sacas/ha de grao seco (ve-se que é planta bem nutrida), com maior digestibilidade que o grão seco, maior teor protéico e uma caracteristica a ser destacada, estabilidade. A ração que tu compra hora é feita com ingredientes de alta qualidade, quando disponíveis, hora com péssimos como milho safrinha morto por geada, colhido com alto teor de umidade, que muitas vezes enbolora nos armazens até ser secado, sorgo ou outros grãos de menor degradabilidade.
Mais um ponto é que tendo ingredientes separados faz-se a dieta que melhor se adapta a sua necessidade naquele momento, dependendo do volumoso que esta sendo utilizado.

Abraço

Michel Kazanowski

Lucas Salvador Pereira

Pouso Alegre - Minas Gerais - Produção de leite
publicado em 01/03/2013

Professor Wagner,
Sou produtor de leite (na atividade há dois anos) começando do nada e disposto a fazer o certo, o que mais provavelmente me levará ao sucesso na atividade.Moro em Pouso Alegre, sul de Minas Gerais, com inverno mais frio.No meu entendimento, o pastejo rotacionado (irrigado se necessário) com suplementação razoável de concentrado (mais ou menos 4 kg/cab/dia), vacas de bom potencial genético e pequeno porte, produzindo cerca de 15 litros vaca/dia no período das águas me parece uma opção razoável. No seu sistema intensivo com suplementação  como seria o manejo alimentar do gado no inverno? Atualmente, uso cana com uréia mais concentrado para manter média de 15 litro/dia. Devo irrigar, usar sobressemeadura de aveia com azevem. Na sua opinião, estou no caminha certo? Onde encontro informações sobre os seus SIPS? Muito Obrigado.

Engº Agrônomo Daniel Seffrin Herther

Caibaté - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão rural
publicado em 08/03/2013

Sou Eng. Agrônomo-Geomensor, Consultor em Agropecuária, Produtor Rural de Grãos e Criador de Gado Leiteiro Holandês - Jersey para a Produção de Leite em Caibaté, região das Missões no Rio Grande do Sul. Tive o prazer de conhecer o Prof. Wagner e ouvir muitas de suas palestras aqui no estado e concordo plenamente com ele de que a elaboração de ração feita em casa, além do risco de toxinas e perdas; é também muito mais cara para o produtor. Calculei e recalculei os custos/kg de ração e não me convenci de fazer. Com os preços em alta das principais fontes de energia e proteína (milho e soja) e mais os suplementos já citados pelo prof., estava com 0,12 centavos/kg  de ganho com uma ração 20% comercial. Gostaria que alguém me provasse o contrário porque afinal somos produtores e queremos sempre aumetar nossos resultados. Desde já agradeço algum comentário em relação ao assunto. Abraço Beskow e aos leitores.

Wagner Beskow

Cruz Alta - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
MyPoint Pro - publicado em 05/06/2013

Prezado Kazanowski: Se considerarmos o que predomina no mercado de rações, é verdade a questão qualidade que colocas, com exceções que conheço. Quanto à composição delas para sistemas base pasto, concordo 100%. Na medida que o uso eficiente de pastos de alta qualidade aumente, as fábricas de ração terão que ir se ajustando. Queremos alto NDT, mas baixa proteína para esses casos. O milho nos dá isso, pena que o milho brasileiro é tão inferior ao americano em NDT.

O ponto que me referi foi ao mau uso da silagem grão úmido e o produtor que a utiliza para tapar falta de volumoso e causa acidose. Outra coisa: silagem grão úmido é mais cara colocada no cocho que grão de milho seco, em minha visão, só se justificando para milho safrinha da Região Sul quando as lavouras não chegam a ficar prontas antes do frio chegar. Do contrário eu recomendo segurar o grão no pé e colher tudo. É economicamente mais negócio.

Agradeço por tuas muito bem vindas contribuições.

Abraço,

Wagner
https://www.facebook.com/Transpondo

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