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Metionina mais do que leite: Balanço de aminoácidos e o metabolismo energético

Jorge Henrique Carneiro. MSc, Dairy Progress Consultoria.

Valdir Chiogna Junior. MV, mestrando, Milk + Consultoria

Fernanda Lopes, PhD, Gerente de Ruminantes da Adisseo América do Sul

 

Em artigos anteriores nessa sessão, discutimos sobre os desafios sofridos pelas vacas leiteiras durante o período de transição, definido como um período marcado pelo balanço energético negativo (BEN) (Drackley, 1999). Porém, essa fase também é marcada pelo balanço de proteína negativo (BPN), principalmente até por volta da 4ª semana após o parto (Bell et al., 2000).

O conhecimento na área de nutrição de vacas em lactação está em constante evolução, sendo que a suplementação de proteína vem ganhando atenção, baseando-se não somente nas frações proteicas degradáveis e não-degradáveis dos alimentos, mas também nas exigências de aminoácidos (AAs) específicos. Com isso, espera-se melhores ajustes nos modelos de predição nutricionais, que consequentemente devem gerar maior confiança para os nutricionistas no balanceamento de aminoácidos (Schwab e Broderick, 2017).

A suplementação de AAs deficientes e/ou o balanceamento destes durante o período de transição é uma estratégia eficiente para o balanço negativo de proteína, com efeitos positivos sobre o desempenho e a saúde destes animais. A alta demanda de AAs durante esse período, não se dá apenas para a síntese de proteína do leite, mas também para a manutenção do sistema imune, o desenvolvimento do fígado e glândula mamaria, a síntese de proteínas de transporte e diversas enzimas necessárias no metabolismo (Larsen e Kristensen, 2013).

A concentração circulante de metionina diminui acentuadamente próximo ao parto, e seus níveis séricos normais não são restaurados até o 28° dia pós-parto; portanto, aumentar a disponibilidade de metionina durante esse período poderia beneficiar o desempenho desses animais (Zhou et al., 2016) (Figura 1).

Figura 1. Concentração de metionina no plasma de vacas não suplementadas com metionina durante o período de lactação.

A suplementação de metionina na dieta melhora a funcionalidade do fígado, representado pela sigla LFI (liver functionality index). Este índice representa um parâmetro de avaliação da saúde metabólica de vacas em transição. Vacas com alto índice LFI tem menor incidência de desordens de saúde e melhora do desempenho na lactação, além de maior consumo de matéria seca (Zhou et al., 2017).

No estudo de Osorio et. al., (2013), a suplementação de metionina protegida aumentou a produção de leite, porcentagem de proteína no leite, leite corrigido para energia e produção de gordura. Outros autores ainda observaram aumento da capacidade de fagocitose dos neutrófilos, sugerindo melhora do sistema imune, além de tendência na redução de cetose no pós-parto. A metionina é um importante precursor da fosfatidilcolina, componente chave da lipoproteína de muito baixa densidade (VLDL) e responsável pela exportação de triglicérides nestas lipoproteínas, protegendo o fígado do acúmulo dos mesmos (Osorio et al., 2014), evitando-se assim a esteatose hepática ou o “fígado gorduroso” (Figura 2).

Figura 2. Ciclo metabólico da metionina

Grande parte dos benefícios observados com a suplementação de metionina são devidos a melhora na imunidade, oriundos da maior produção de compostos secundários como taurina e glutationa, criando a hipótese de maximizar o consumo de matéria seca (CMS) através de um alivio geral do status inflamatório. (Zhou et al., 2016b; Osorio et al., 2014).

Porém, resultados divergentes em relação ao CMS foram observados em estudos prévios. Alguns estudos justificam esta inconsistência pela quantidade e qualidade da metionina suplementada.

Alguns autores atribuíram a maior produção de leite devido ao aumento do CMS, porém isso explica apenas parte do incremento da produção, existindo ainda a otimização do uso de lipídeos de reserva corporal mobilizados (Osorio et al., 2013). Sun et al., (2016) concluíram que além do maior consumo houve melhor modulação do metabolismo hepático dos lipídeos, melhorando a saúde e o desempenho das vacas. Outros autores evidenciam que a melhor eficiência energética pode ser em parte devido à redução da demanda pelo sistema imune (Batistel et al., 2017) (Tabela 1).  Além do aumento do CMS, outros estudos observaram elevações importantes nas concentrações de GH (hormônio do crescimento) após o parto em vacas suplementadas com metionina. O hormônio de crescimento modula diversas vias do metabolismo de energia, como produção de glicose, lipogênese e lipomobilização.

Tabela 1. Efeito da suplementação de metionina em diferentes experimentos durante o período de transição.

 

Osorio et al., 2013

Batistel et al., 2017

Zhou et al., 2016

 

Controle

Metionina

Controle

Metionina

Controle

Colina

Metionina

CMS, kg/d

13,3

15,4

16,1

17,7

17,6

16,8

19,0

LCE, kg/d

41,0

44,9

37,4

41,7

41,0

40,0

45,3

Proteína, %

3,04

3,22

3,19

3,35

3,07

3,22

3,31

Gordura, %

4,27

4,38

4,10

4,07

3,61

3,87

3,75

*Números em vermelhos foram estatisticamente diferentes.

CMS = Consumo de matéria seca

LCE = Leite corrigido para energia

Mas e após o período de transição? A suplementação de uma fonte confiável de metionina protegida poderia aumentar a produção de leite em vacas de alta produção?

Pesquisa recente no Brasil mostrou que vacas suplementadas com a metionina protegida Smartamine produziram 1,6 kg a mais de leite do que vacas não suplementadas, porém sem alteração de consumo entre tratamentos, resultados parciais (Tabela 2).

Tabela 2. Efeito da suplementação de Smartamine em vacas de alta produção

 

Dieta

 

 

Controle

Smartamine

P-valor

Leite, kg/d

40,1a

41,7b

0.02

Gordura, %

3,22a

3,43b

0.04

Proteína, %

2,97a

3,12b

<0.01

Peso, kg

655,9

648,3

0,13

ECC

3,4

3,3

0,09

(Chiogna Jr. et al.; dados não publicados)

Esses resultados sugerem que outros mecanismos, como a suplementação de metionina buscando o balanço ideal de AA, são capazes de aumentar a produção de leite sem necessariamente aumentar o CMS. Linhas de pesquisa estão sendo discutidas para elucidar como a metionina poderia auxiliar no metabolismo energético e atuar diretamente na produção de leite.

 

Para saber mais, entre em contato pelo box abaixo.

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