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A importância da suplementação com metionina protegida na produção, saúde e reprodução da vaca leiteira moderna - Parte 2

Por Fernanda Lopes, Gerente de Especialidades Ruminantes - Adisseo América do Sul e Carolina Bespalhok Jacometo, Pós Doutoranda na UFPel

A importância dos aminoácidos vai além da produção de leite


Na primeira parte desta série, discutimos o efeito da suplementação com metionina protegida (MET) durante o período de transição, abordamos assuntos relacionados ao balanço negativo de proteína metabolizável (PM) nos primeiros dias pós-parto, o efeito da MET como protetor hepático, agente antioxidante e como este aminoácido essencial atua positivamente nos marcadores de inflamações.

Nesta edição discutiremos os efeitos da suplementação com MET na reprodução, mais especificamente como a MET atua diretamente no desenvolvimento do embrião.

Efeito da metionina no desenvolvimento do embrião

A fertilização e os primeiros dias do desenvolvimento embrionário ocorrem no oviduto. O embrião chega ao corno uterino cerca de 5 dias após o estro, atinge o estádio de blastocisto entre 6 a 7 dias após o estro e do dia 14 ao 19 passa por uma fase denominada alongamento. O embrião alongado secreta a proteína interferon-tau, que é essencial para o reconhecimento do corpo lúteo e persistência da gestação. A partir do 25º-28º dia, o embrião liga as carúnculas ao útero e começa a estabelecer uma relação vascular com “a mãe” através da placenta. Antes da fixação o embrião fica flutuando e depende de secreções uterinas para energia e de ‘blocos de construção’, por exemplo aminoácidos, para o seu desenvolvimento. Por isso, é fundamental entender como as alterações nas concentrações de aminoácidos da circulação sanguínea, e consequentemente no útero, interagem nos diferentes estágios de desenvolvimento do embrião.

Uma série de experimentos foram conduzidos juntos à Universidade de Wisconsin e Universidade de Illinois para melhor entender o envolvimento da MET no desenvolvimento embrionário.

Dr. Wiltbank e grupo da Universidade de Wisconsin conduziram um experimento com 309 vacas da raça Holandês em lactação (138 primíparas e 171 multíparas) em uma fazenda comercial em Wisconsin. Este experimento tinha as seguintes hipóteses: a suplementação com MET aumenta a proteína no leite, aumenta a porcentagem de vacas gestantes nos dias 28, 32 e 61 após a inseminação artificial (realizada no dia 63 +/- 3) e reduz as perdas de prenhez. As vacas foram aleatoriamente alocadas em 2 tratamentos:

1) Controle (CON): dieta basal para fornecer 2.500 g de PM com 6,9% de lisina (%PM) e 1,9% de metionina (% PM);
2) Smartamine® M (MET): dieta basal para fornecer 2.500 g de PM com 6,9% de lisina (% PM) e 2,3% de metionina (% PM).

As vacas foram alocadas em 3 lotes, com canzil individual e alimentadas com a dieta basal 2 vezes ao dia, do dia 28 a 129 DEL (dias em lactação). Após a ordenha
da manhã, as vacas eram presas no canzil por 30 minutos para o fornecimento on top para o grupo MET (50g de mistura contendo 29 g de DDG e 21g de Smartamine® M) e CON (50g de DDG). As vacas foram sincronizadas com o protocolo duplo-Ovsynch e inseminadas.

A prenhez foi checada nos dias 28, 32, 47 e 61 após IATF. Amostras de leite foram coletadas individualmente uma vez por mês para análise da composição. A produção de leite foi similar entre os grupos, entretanto vacas alimentadas com MET apresentaram maior concentração de proteína no leite (3,05 % CON vs. 3,12 % MET; P< 0,01), e redução na perda de prenhez entre os dias 21 e 61 depois da IATF (16,7% CON vs. 10% MET). A perda de prenhez entre os dias 28 e 61 não foi diferente para primíparas (12,8% CON vs. 14,6 % MET; P=0,54), entretanto, foi reduzida para as multíparas suplementadas com MET (19,6% CON vs. 6,1 % MET; P=0,04), resultados similares foram observados para primíparas entre os dias 32 e 61, porém em vacas multíparas, a suplementação com MET reduziu a perda de prenhez de 8,9% CON vs. 0,0% MET (Tabela 1.)


Toledo et al., 2015


A redução taxa de perda de prenhez observada nas vacas alimentadas com Smartamine® M. sugere um favorecimento à sobrevivência do embrião, ao menos para as vacas multíparas, como foi mostrado neste estudo (Wiltbank et al., 2014).

Um outro estudo realizado pelo grupo Dairy Focus da Universidade de Illinois, coordenado pelo Dr. Felipe Cardoso, teve por objetivo determinar o efeito da suplementação de MET protegida no acúmulo de lipídios em embriões no período pré-implantação. Vacas com mais de uma lactação, foram divididas aleatoriamente em dois tratamentos entre 30 a 72 DEL: 1) Controle (CON): n=5, dieta basal com relação lisina:metionina (LIS:MET) de 3,4:1; e 2) Smartamine ® M (MET); n = 5, dieta basal adicionada de Smartamine® M, com a relação LIS:MET de 2,9: 1. As vacas foram submetidas a um protocolo de superovulação, foram inseminadas, e os embriões foram coletados através de lavagem uterina 7 dias após a inseminação artificial. Recuperou-se 37 embriões, sendo que os provenientes das vacas que receberam o tratamento MET apresentaram maior acúmulo de lipídios (P = 0,02), quando comparado aos das vacas não suplementadas. Não houve efeitos do tratamento quanto ao número de células ou estágio de desenvolvimento. Em conclusão, a maior concentração de lipídios nos embriões de vacas suplementadas sugere a metionina como uma importante fonte de energia para o desenvolvimento inicial do embrião, visto que há fortes evidencias que as reservas endógenas de lipídios servem como um substrato energético para o embrião (Acosta et al., 2016).

 
Figura 1. Acúmulo de lipídios em embriões coletados no dia 7 de vacas alimentadas com a dieta controle ou dieta controle mais Smartamine® M. (Acosta et al., 2016)

Além disso, alguns estudos vêm investigando os impactos genômicos da suplementação com MET, ou seja, como a nutrição pode regular o metabolismo a nível celular. Peñagaricano et al (2013) observaram que a suplementação de vacas com Smartamine ® M (2.875 g de PM, com 6,8% de lisina e 2,4% de metionina - % de PM), do pós-parto ao 70 DEL, foi capaz de modular a expressão de genes relacionados ao desenvolvimento embrionário e à resposta imune nos embriões.

Um estudo de Acosta et al (2016) também avaliou o nível de metilação global dos embriões, que é um dos mecanismos epigenéticos capaz de regular a expressão gênica e essencial para o desenvolvimento embrionário. Os autores observaram uma redução na metilação global nos embriões das vacas suplementadas com Smartamine® M. Entretanto ainda há necessidade de estudos complementares para confirmar se essas alterações nos embriões irão permanecer ao longo da gestação e afetar a fisiologia da prole.

Vemos então que os benefícios da suplementação com metionina vão muito além da produção de leite e da concentração de proteína, os impactos na saúde, desempenho e reprodução estão tornando-se cada vez mais evidentes, afirmando esta estratégia nutricional como uma ferramenta aliada para o sucesso no período de transição e lactação.

Bibliografia disponível mediante solicitação.

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