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As micotoxinas e a contaminação do leite

POR RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

E THIAGO BERNARDES

THIAGO FERNANDES BERNARDES

EM 17/04/2007

4 MIN DE LEITURA

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A aflatoxina B1, classificada como cancerígena ao homem, se ingerida pelos animais em lactação (vaca; ovelha; cabra) passa pelo leite como seu metabólito (aflatoxina M1). Portanto, a contaminação de AFB1 nos alimentos utilizados para compor a ração dos animais causa dois problemas:

a) danos diretos aos animais, se ingerida em concentração elevada, determinando afecções crônicas ou agudas;

b) contaminação do leite.

No passado acreditava-se que a taxa de passagem da micotoxina do alimento para o leite era de 2%. Porém, estudos recentes colocaram em evidência que tal taxa está correlacionada com dois fatores: potencial produtivo do animal (kg leite/dia) e estágio de lactação.

Os valores de 2 a 2,5% referem-se a vacas com produção entre 16-25 kg/dia em estágio de lactação avançado. Como os animais estão se tornando cada vez mais produtivos, com produção superior a 30 kg de leite, a taxa se torna mais elevada, com valores próximos a 4%, como demonstrado na Figura 1.

Figura 1. Relação entre produção de leite e taxa de passagem de aflatoxina no leite.


Fonte: Veldman et al. (1992)

No início da lactação, os bovinos apresentam taxa de passagem entre 8 a 30% superior em relação ao estágio de lactação mais avançado. Além disto, o estado de saúde dos animais também interfere nesta relação, pois vacas com problemas de infecções nas glândulas mamárias aumentam esta taxa.

Desse modo, vacas em lactação com produção superior a 30 kg de leite/dia não podem consumir mais que 40 µg de AFB1, pois apresentarão concentração de AFM1 acima de 50 ppt (limite para os países europeus), como descrito na Figura 2.

Figura 2. Relação entre o consumo de AFB1 e a concentração de AFM1 no leite.


Fonte: Veldman et al. (1992)

O cálculo realizado para determinar a contaminação de AFM1 no leite a partir da presença de AFB1 nos diversos alimentos que compõe a ração, esta representado na Tabela 1.

A taxa de passagem da micotoxina para o leite deve ser calculada com base no conhecimento preciso do conteúdo de AFB1 em cada ingrediente e a exata quantidade dos mesmos utilizados na ração. Deve estar claro que a concentração de micotoxina presente na análise é expressa em percentagem da matéria seca, sobretudo nos alimentos com alto conteúdo de água, como as silagens. O erro pode ser grosseiro se os valores não forem corrigidos para a MS, tornando a ração, em algumas situações, de alta periculosidade.

Assim, o cálculo para silagem de milho pode ser realizado da seguinte forma:

25 kg de silagem x 0,33 (concentração de MS) / 100 = 8,3 kg MS
8,3 kg MS x 1 µg/kg (AFB1 MS) = 8,3 µg de AFB1 ingerida pelo animal com a silagem de milho


Repetindo o cálculo para todos os ingredientes da ração se determina por uma simples somatória, a ingestão diária de AFB1 por animal:

8,3 µg (silagem de milho) + 3,9 µg (milho moído) + 5,3 µg (outros ingredientes) = 17,5 µg/animal/dia

A partir deste ponto entra em jogo o animal que transforma a AFB1 em AFM1 que estará presente no leite em relação ao potencial produtivo e estágio de lactação, como comentado anteriormente.

No exemplo, está hipotetizado uma produção média diária de 35 kg de leite, que determina uma taxa de passagem de 3,7%. Multiplicando a AFB1 ingerida se obtém a concentração de AFM1 que chegará ao leite diariamente:

17,5 µg/animal/dia x 0,037 (taxa de passagem 3,7%) = 0,65 µg/animal/dia de AFM1 no leite, que expresso em nanograma, corresponde a:

0,65 µg x 1000 = 650 ηg de AFM1 no leite


Portanto, a concentração de AFM1 por quilograma de leite será de:

650 ηg / 35 kg = 18,3 ηg/kg, o que corresponde a 18,3 ppt/kg

Tabela 1. Exemplo de cálculo da taxa de passagem de aflatoxina dos alimentos utilizados na ração para o leite excretado pelos animais.


Como a silagem de milho entra na ração sempre em quantidades elevadas (20 a 30 kg/animal/dia) deve-se ter particular atenção com o tipo de análise efetuada no momento de determinar a concentração de micotoxina. A análise deste alimento deve ser realizada em HPLC (High Performance Liquid Chromatography), pois o teste de Elisa (comumente utilizado) sem protocolo de extração e purificação pode fornecer valores superestimados, podendo criar alarme numa situação onde não há risco.

Como intervir sobre a ração quando existe o risco da concentração de micotoxina atingir os limites estipulados por lei?

Se a análise do leite apontar valores de AFM1 próximo ou superior aos limites exigidos pela lei, deve-se descobrir o alimento que está determinando elevado consumo da toxina e executar as seguintes alternativas sobre a ração fornecida aos animais:

-efetuar a análise de AFB1 em HPLC para cada ingrediente suspeito: é mais conveniente gastar com uma análise precisa e ter certeza do resultado do que agir de modo incorreto;

-se a silagem for o alimento contaminante, deve-se substituir em parte por outras forragens (feno ou silagem de leguminosa) havendo, porém, a preocupação de não reduzir drasticamente o avanço diário da massa. Além deste detalhe, se faz necessário descartar as partes evidentemente deterioradas, com alta temperatura e presença de mofo;

-se o milho for o alimento contaminante, pode-se substitui-lo por outros ingredientes energéticos, como a polpa cítrica peletizada.

-a adoção de compostos que captam a toxina também pode ser uma alternativa, quando a concentração estiver muita alta na ração. O princípio de ação destes compostos é majoritariamente físico, ou seja, eles possuem a capacidade de adsorver as moléculas de aflatoxina, com as quais se tornam inativas. Estes produtos são capazes de reduzir em até 30% a contaminação. Nos países da Europa, a recomendação é de 50 a 300 g/animal/dia, com custo adicional de 6 a 15 centésimo de euro/animal/dia.

RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

Zootecnista pela Unesp/Jaboticabal.
Mestre e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP.
Gerente de Nutrição na DeLaval.
www.facebook.com.br/doctorsilage

THIAGO BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

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CARLOS ROSA GODOI

RIO VERDE - GOIÁS - ESTUDANTE

EM 09/11/2007

Parabéns, o assunto é de importância para alertar os produtores que não têm conhecimento do assunto, que é grave e causa sérios prejuizo ao produtor.

EDSON CARLOS POPPI

OUTRO - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 07/05/2007

Parabéns pela otima matéria, que serve de alerta para este grave problema, que na maioria das vezes é negligenciado nas propriedades leiteiras.

Temos conseguido ótimos resultados com o uso de inoculantes bacterianos a base de Propionibacterium(anti-mofo), diminuindo a proliferação de fungos e tornando a silagem de milho muito mais estável em contato com o ar. Edon Carlos Poppi
Zootecnista
Produtor de Leite
Maringá-Pr
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