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Alteração no tamanho de partículas - Quais as relações durante a fermentação e abertura do silo?

POR RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

E THIAGO BERNARDES

THIAGO FERNANDES BERNARDES

EM 01/06/2012

3 MIN DE LEITURA

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Quando se pensa na relação existente entre o teor de matéria seca, o tamanho de partícula e densidade da massa, provavelmente a primeira imagem que vem em mente é de uma silagem com quantidade considerável de palhas, que provavelmente foi colhida com elevado teor de matéria seca, o qual gerou dificuldade na picagem durante o processo de ensilagem, principalmente para máquinas que possuem uma ou duas linhas de corte (tracionadas por trator). Por outro lado, quando visualizamos a forragem com teor adequado de matéria seca (p.ex. em silagem de milho - 30 a 35% de MS), estabelecemos relação positiva, com adequado tamanho de partículas, gerando densidade no silo com valores normais.

A pergunta é: O que ocorre durante o processo de fermentação com o estabelecimento desses fatos? Ou seja, irregularidades inerentes ao processo.

A Figura 1 é uma imagem difícil de ser vista no campo, porém ela traz uma informação muito relevante.


Figura 1. Silagem de milho colhida por máquinas diferentes.

O silo em questão, no início de seu enchimento foi abastecido com forragem colhida por meio de colhedora automotriz, porém esta máquina teve problemas técnicos e houve necessidade da continuidade da colheita com máquina tracionada por trator, gerando a discrepância entre os tamanhos de partículas, o qual dividiu o silo em duas porções distintas.

Apesar da grande diferença visual entre os tamanhos de partículas, um ponto de destaque é a diferença entre as temperaturas das silagens, apresentando a silagem que teve sua partícula mal picada, superioridade em 5 oC (41 oC) frente a silagem bem picada (36 oC). A questão agora é: Qual o indicativo desta diferença? O que pode estar gerando aumento da temperatura de uma silagem mal picada frente a uma bem picada?

A resposta pode seguir em diferentes direções, porém vamos nos remeter até o campo, local genitor da forragem. Para que esta silagem tivesse sua partícula prejudicada durante o corte, o seu teor de matéria seca estava elevado, no caso da Figura 1, o teor de matéria seca apresentado para a silagem foi de 37%. Quando nos deparamos com forragens no campo com elevado teor de matéria seca, não devemos somente nos preocupar com picagem, ao contrário, muitos podem ser os problemas da forragem permanecer mais tempo no campo, sendo que um desses problemas é o aparecimento de fungos, os quais a partir de certo momento iniciam seu desenvolvimento na forragem.

A Figura 2 mostra a relação existente entre o aparecimento da micotoxina zearalenona (produzida pelo fungo do gênero Fusarium) em função do aumento do teor de matéria seca da forragem ou do prolongamento da forragem no campo.


Figura 2. Teor de matéria seca e concentração de zearalenona em plantas de milho. (Oldenburg, 1996)

A planta no campo exposta por maior período de tempo, mostrou-se susceptível ao ataque de invasores, sendo os fungos um dos principais, gerando aumento na quantidade de seus esporos e por uma questão de competição iniciando a produção de micotoxinas.

Dessa forma, retornando a silagem em questão, temos que uma planta com maior teor de matéria seca, não apenas terá menores quantidades de carboidratos solúveis para a ocorrência do processo de fermentação, mais também a maior quantidade de fungos que serão carreados para dentro do silo.

Com a dificuldade na picagem, mesmo com aumento em carga de compactação, a silagem não atingirá densidade suficiente (por volta de 650 kg/m3), e sendo assim, a maior quantidade de poros existentes prejudicará a fermentação ou o consumo deste oxigênio remanescente prolongará a fase de respiração, o que poderá gerar maiores perdas.

Um fato importante de se comentar é de que a carga de fungos provenientes da lavoura "seca" terá sua ação sobre a qualidade da silagem, não somente no início do processo fermentativo (fase de respiração), mais principalmente após a abertura do silo, com a exposição da silagem ao oxigênio. O oxigênio será o "interruptor" de liga e desliga ou de inicia e pára, com relação ao desenvolvimento de fungos.

Assim, na Figura 1, a resposta para a maior temperatura na silagem mal picada é pela maior entrada de oxigênio para dentro do silo, o qual maximizou a crescimento da população de fungos presentes na forragem, estabelecendo a maior deterioração aeróbia da mesma.

A regra para obtenção de silagem de qualidade é o monitoramento constante do teor de matéria seca antes do início da colheita, respeitar a compactação no silo e principalmente, apresentar cautela no afiamento e revisão das facas que picam a forragem. Com pequenas observações, as chances em se obter silagem de qualidade são grandes.

RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

Zootecnista pela Unesp/Jaboticabal.
Mestre e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP.
Gerente de Nutrição na DeLaval.
www.facebook.com.br/doctorsilage

THIAGO BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

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RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 08/01/2013

Prezado Paulo,



Na Figura é um aparelho medidor de temperatura. Um determinador de matéria seca que você pode adquirir no mercado tem o nome de koster.



Atenciosamente



Rafael & Thiago
PAULO CESAR SPIRONELLO

SÃO JOSÉ DO CEDRO - SANTA CATARINA - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 07/01/2013

bom dia  gostaria de adquirir um aparelho que mede o teor da silagem . o que vi na figura 01
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 26/11/2012

Prezado Evandro,



A farinha de trigo é um alimento altamente energético para ruminantes. Como você comentou que é um tipo de varredura, você deve ter cuidado quanto a contaminação desse produto com micotoxinas, o qual pode prejudicar a saúde animal.



Se a qualidade for boa, sem problemas para o uso. Com relação a quantidade aconselho a realizar análise bromatológica básica do mesmo. Também é interessante saber o teor de amido.



Atenciosamente



Rafael Amaral
EVANDRO

TERESÓPOLIS - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/11/2012

Prezado Rafael, tenho disponibilidade em conseguir farinha de trigo, não é farelo, e sim farinha, varredura, sacos vencidos ou estourados/rasgados, e não achei na internet nenhum tópico para utilização desse produto na alimentação de bovinos, vc sabe se posso usar e como seria, que quantidade posso dar diáriamente ?

Normalmente uso pastagem e um pouco de farelo de trigo e fubazão.

E eu sei que vc não domina  a arte da criação de monogástricos, mas gostaria de usar esse espaço para perguntar aos amigos criadores que por aqui passam se alguém usa ou já usou farinha de trigo na alimentação de suinos e pudesse me ajudar também com quantidade diária e com o que misturar, hoje em dia o que a gente puder fazer para baratear os custos, é válido.

Desde já deixo meu abraço a todos, obrigado.
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 23/11/2012

Prezado Evandro,



Na minha opinião, o pequeno produtor deve primeiro pensar na silagem. Pois durante a escasses de alimentos ele não terá outra fonte suficiente de forragem.



Caso ele opte pelo rolão, a quantidade de alimento armazenada será menor, apesar de ter valor nutritivo superior a silagem de milho. Mais a vaca não viverá somente de rolão!



Acredito que a silagem é a melhor opção.



Sucesso!



Rafael Amaral



EVANDRO

TERESÓPOLIS - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/11/2012

Olá, Rafael, a pasto sim, mas a minha pergunta é:

- para o pequeno produtor, na época da seca, o que é melhor, mais prático e mais fácil ou menos dificil, e mais vantajoso, é claro, fazer silagem com o milho ou colhê-lo mais seco para ficar mais fácil armazená-lo em sacos ou depósito para posteriormente triturá-lo e fazer rolão com a espiga inteira ?

- e o que é mais nutritivo, a silagem ou o rolão com espiga inteira ?

Desde já, obrigado.
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 19/11/2012

Prezado Evandro,



Vai depender se existe na propriedade fonte de volumoso para os animais (p ex. pastagem) e do nível do produção dos animais.



Como é o seu sistema de produção?



Att



Rafael Amaral
EVANDRO

TERESÓPOLIS - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/11/2012

prezado rafael, acredito que quase todos os tópicos avaliados acima se referem aos grandes criadores, mas no caso dos pequenos criadores vc acha mais viável colher o milho bem seco ( que fica mais fácil de ser armazenado ), e fazer o milho moído ou rolão com palha e sabugo diariamente e fornece-lo fresco ao gado ou vc acha que a silagem é melhor que o rolão ?

obrigado.
ALEXANDRE BENVINDO FERNANDES

RIO BRANCO - ACRE - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/08/2012

Fico agradecido Rafael.
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 16/08/2012

Prezado Alexandre,



Para a colheita do milho o que se recomenda é que o teor de matéria seca da planta esteja entre 30 a 35%, o que equivale, dependendo da localidade, em torno de 120 dias de crescimento da planta.



O grão geralmente nesse ponto se encontra com 2/3 de seu espaço preenchido por grânulos de amido e com consistência farinácea.



Atencisoamente



Rafael & Thiago
ALEXANDRE BENVINDO FERNANDES

RIO BRANCO - ACRE - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 15/08/2012

Caríssimo Rafael, me perdoe pelo questionamento, pois acredito que é bem básico mas na minha região a silagem está começando a ser utilizada. Meu questionamento é sobre o momento do corte. A planta - milho - deve estar verde? O ponto do grão seria qual? Com quantos dias de vida deverá ser o corte da planta?


Desde já agradeço.
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 11/06/2012

Prezado Leandro,

A compra desse tipo de máquina é aconselhado apenas para produtores que possuam e necessitem desse equipamento, geralmente produtores com nível tecnológico elevado. Entretanto, o que vem acontecendo no Brasil e a cada dia isso aumenta são os prestadores de serviços para confecção de silagem.

O produtor contrata o serviço e os prestadores conduzem a colheita, enchimento e compactação. O feedback de produtores que estão utilizando este serviço é bastante positivo.

Com relação ao seu comentário da afiação de facas e condução de máquinas de uma ou duas linhas, concordo totalmente que é possível obter silagens excelentes, tudo é uma questão de como a propriedade está preparada para a condução da silagem.

Atenciosamente

Rafael & Thiago
LEANDRO

PLANALTO - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/06/2012

Não há dúvida que a auto motriz é melhor né, vale uns 250 mil reais. Faço silagem na fazenda com a movida a trator e sempre cortei milho mais pra seco que pra verde, conselhos do Keplim. Da trabalho ficar afiando facas da colhedora tres veses ao dia mas pica muito bem obrigado, tambem tem a regulagem que é vital, tenho usado o tamanho de 0,5cm de particula, um trator apropriado é muito importante, trator de baixa potencia não mantem padrão de corte. Não é perfeito, mas não precisa desenbolsar quase 300 mil reais numa máquina, que pra produzir leite acho que dificilmente terá o dinheiro de volta. Acho que seus comentários incentivam a compra de tal máquina, cuidado produtor endividado o perigo de falencia é grande. VAMOS ANDAR COM OS PÉS NO CHÃO SENHORES.
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 05/06/2012

Prezado Rafael,

Esse valor é bem próximo ao que comentamos nas respostas anteriores.

Acredito que se a compactação for respeitada e feita de maneira correta e o silo em questão for capaz de absorver toda a forragem que chega com o uso de automotriz, conseguimos obter valores maiores ao de 650 kg MV/m3, podendo chegar a 750 Kg.

Atenciosamente

Rafael & Thiago
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 05/06/2012

Prezado Patrick,



Infelizmente não tivemos possibilidade de mensurar o teor de matéria seca, pois no momento da visita não tínhamos equipamento para determinação e a propriedade também não tinha microondas.



Com relação a retirada diária, a fatia é por volta de 30 cm.



Sim, com certeza as informações auxiliariam na melhor identificação do problema, porém acreditamos que a menor densidade foi a grande responsável pela diferenças em temperatura.



Abraços



Rafael & Thiago
PATRICK SCHMIDT

CURITIBA - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 05/06/2012

Parabenizo os colegas Rafael e Thiago, pelo excelente artigo. A situação apresentada realmente é muito didática.

Tenho duas perguntas:

-Foi medido o teor de matéria seca em separado, nas partes superior e inferior?

-Foi medida a espessura de retirada diária?



Essas informações seriam úteis para entender mais sobre as diferenças dentro do silo.

Abraços,

Schmidt

RAFAEL

SOROCABA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/06/2012

Parabéns pelo artigo.



Os Americanos tem falado muito em se fazer silagem de milho com partículas de 3/4 de polegadas, utilizando assim automotrizes com processadores de grãos. Gostaria suas opiniões sobre a compactação deste material, sera que se consegue a densidade suficiente de 650 kg de material por m³?

Ainda se tratando de automotrizes que chegam a produzir até 80 toneladas M.V. / hora.



Att...

RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 04/06/2012

Prezado Cláudio,



Acredito que existem dois pontos de vista. Apesar de a silagem de milho ser fonte nobre de energia, não podemos esquecer da fibra que ela também fornece. Essa discussão é bastante variável entre um nutricionista e com quem trabalha com o processo de conservação.



Eu vejo a possibilidade de se elevar o tamanho de partícula de uma silagem de milho, para valores próximos a 20 mm, entretanto, só concordo se utilizarmos máquinas automotrizes que são capazes de manterem tamanho de partículas homogêneos. Acredito que a forragem cortada com máquinas de uma ou duas linhas podem gerar tamanhos de partículas variável quando aumentamos o tamanho do corte.



Também, do ponto de vista da conservação, quanto menor o tamanho da partícula, a compactação e densidade do silo serão privilegiados, o que auxiliará em melhores condições para fermentação.



Sem dúvida, caso a propriedade tenha possibilidade de inserir pré-secado, feno ou outra fonte de fibra longa, quem ganhará será o animal, com melhorias na condição de fermentação ruminal, entretanto, nem todas as propriedades tem tradição ou não estão preparadas para uso desta tecnologia.



Atenciosamente



Rafael & Thiago
THIAGO BERNARDES

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 04/06/2012

Cláudio,



Tudo vai depender da exigência dos animais que você está tratando e do tipo de colhedora que a propriedade possui.

Com as autopropelidas é possível trabalhar com tamanho médio (TMP) de 20 cm ou um pouco maior que a mesma irá quebrar os grãos (caso o cracker esteja acionado). As colhedoras tracionadas por trator "sofrem" mais para partir as partículas de forma homogênea. Elas quebram os grãos, mas as palha e os sabugos podem aumentar o TMP, levando a muita rejeição de cocho, principalmente se a matéria seca da planta estiver acima de 36%. Rejeição de cocho pode não levar ao objetivo do animal consumir FDNfe como o nutricionista desejava, levando a disturbios metabólicos em animais mais exigentes.



Att,



Thiago & Rafael.
CLÁUDIO HENRIQUE OLIVEIRA DE CARVALHO

CÁSSIA - MINAS GERAIS

EM 01/06/2012

Caros Rafael e Thiago.

Parabéns pelo artigo. Muito didático e esclarecedor.

Na opinião de vocês qual a melhor maneira de se obter uma silagem de boa qualidade? Cortes pequenos o suficiente para que causemos um "ferimento" nos grãos ou vocês acreditam na teoria de produzir uma silagem que também tenha tamanho de partícula que possa estimular à ruminação? Na minha concepção, trata-se de um alimento extremamente nobre para que seja fornecido como fonte de fibra! Acho que a questão da fibra longa na dieta pode muitas vezes ser solucionada de outras formas, como o fornecimento de um capim picado, um pré secado, feno, entre outros. Qual a opinão de vocês.

Att.,

Cláudio.
MilkPoint AgriPoint