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A "moda" brasileira da micotoxina no ambiente zootécnico

POR THIAGO BERNARDES

THIAGO FERNANDES BERNARDES

EM 25/11/2014

2 MIN DE LEITURA

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Thiago Fernandes Bernardes

Micotoxinas são substâncias produzidas por fungos (mofos) que podem estar presentes nas silagens e em outros ingredientes da ração (milho; caroço de algodão; polpa cítrica) e que podem afetar a saúde animal e, até humana, pois a aflatoxina (tipo de micotoxina) pode ser excretada no leite e causar-nos câncer.

Em 2006 eu utilizei este espaço pela primeira vez para falar sobre a presença de micotoxinas nas silagens e uma possível contaminação do leite. A intenção naquele momento era única: alertar o governo e a indústria que teríamos que pensar nisso no futuro. Por quê? Porque desde os anos 90 a comunidade europeia e norte americana vinham apontando essa possível interferência negativa no leite e então vinham criando regras rígidas. Como estamos num mundo globalizado e exportamos produtos lácteos é natural que algum dia alguém iria exigir regras internas que acompanhassem as internacionais. Daquele período para cá se passaram oito anos e durante esse período o governo brasileiro, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, criou em 2011 a RDC-7 estabelecendo limites de micotoxinas em alguns alimentos destinados a alimentação humana, inclusive o leite. Especificamente para o leite e produtos lácteos os limites são iguais aos americanos, os quais são mais permissivos que o europeu.

Somado a isso, muitos pesquisadores começaram a criar linhas de pesquisa sobre a presença de micotoxinas na ração animal e os seus efeitos sobre a saúde animal e contaminação do leite. Muitos deles posicionaram estes estudos como principais e tem divulgado isso de forma intensa. Bem, aquelas pesquisas que relacionam as micotoxinas com os possíveis efeitos sobre a saúde e reprodução animal eu entendo que devem ser tratadas como prioridade, pois respostas estão buscadas para resolver problemas que afetam a rotina das fazendas.

Contudo, a relação em presença de aflatoxina na ração e a excreção no leite é um assunto que deve ser tratado com cautela. Por quê? Porque grande parte do nosso leite ainda é vendida de forma não fiscalizada (informal). O leite fiscalizado ainda sofre para se adaptar às regras básicas. Ou seja, presença de aflatoxina no nosso leite e punição é algo para um futuro. Não temos laboratórios e pessoal treinado para tal. A análise de aflatoxina é muito complexa e somente pouquíssimos laboratórios no nosso país são capazes de realizá-la. Portanto, temos que resolver os problemas básicos e, posteriormente, investir pesado em micotoxina. De nada adianta seguirmos a tendência europeia e norte americana. Eles são países de primeiro mundo e com um sistema de produção de leite diferente do nosso. Pesquisa não pode seguir "moda". Pesquisa precisa ser tratada com seriedade e investimentos precisam ser dados aos problemas que os produtores enfrentam no dia a dia.

Outra preocupação é que falar de contaminação de leite neste momento pode criar um pânico na população. Pessoas podem parar de ingerir leite porque vão pensar que leite causa câncer. É que o chamamos de ‘tiro no pé’. As pesquisas neste País precisam ser mais organizadas e discutidas. Governo, indústria, academia e produtor precisam se reunir e tratar os assuntos de forma mais profissional. Um pesquisador que posiciona, neste momento, o efeito da aflatoxina sobre a composição e produção do leite está deixando de estudar outros assuntos que são mais relevantes para os produtores. Vamos deixar a Europa e a América do Norte estudar isso, pelo menos, por enquanto. Vamos focar nas respostas que os produtores estão ávidos para receber. Pensem nisso!
 

ARTIGO EXCLUSIVO | Este artigo é de uso exclusivo do MilkPoint, não sendo permitida sua cópia e/ou réplica sem prévia autorização do portal e do(s) autor(es) do artigo.

THIAGO BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

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ROBERTO MANGIÉRI JUNIOR

JUNDIAÍ - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 06/12/2014

Citado como fui no comentário do sr. Paulo Heinzmann, apenas gostaria e lembrar que o que prego é leite produzido a partir de pasto. No pasto bem manejado não tem micotoxina.

Sugiro também que o Sr. Paulo releia não só o meu comentário, mas todos os demais e que "possa" perceber qual dos comentários é o GROSSEIRO!


THIAGO BERNARDES

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 05/12/2014

Caros leitores, agradeço pelos comentários, os quais são enriquecedores. Gostaria de destacar que alguns não entenderam a mensagem passada por meio do artigo (ou não quiseram entender).

A proposta aqui não é 'empurrar com a barriga'. Vejam que no início do texto ressaltei que em 2006 eu já alertava sobre o problema. Até aquele momento no Brasil ninguém havia discutido sobre micotoxinas em alimentos de uso zootécnico. O governo só se mexeu em 2011 lançando a RDC-7, a qual, na minha opinião, foi copiada dos valores americanos. Por que? Porque especificamente para o leite nada aqui foi feito. Se foi feito não foi publicado. Porque sinceramente não entendo de onde saíram aqueles números. Se alguém por aqui souber, por favor nos esclareça.

A proposta deste artigo foi de alertar a comunidade que nós devemos discutir de forma madura os assuntos de interesse nacional. Como nós iremos criar regras, neste momento, para os produtores se nem laboratórios competentes para tais análises nós temos.

Por outro lado, existem tantos assuntos básicos que necessitamos resolver e que passamos por cima deles tudo para seguir a tendência americana e européia. E quem paga por isso é o produtor rural que todos os dias está lá tirando o seu leitinho.

Muitas pessoas deveriam sair dos seus escritórios e pisar na terra para saber qual a real necessidade dos produtores brasileiros. Precisamos discutir metas para a nossa cadeia leiteira (talvez para as outras também). De dentro do escritório é fácil criar regras e projetos. Aliás, o que a gente mais tem feito é criar projetos para os produtores 'grandes'. Mas esquecemos que mais da metade dos produtores de leite são pequenos ou familiares. Eu sei que o impacto sobre a produção nacional de leite desses produtores não é forte, mas vocês devem entender que há um papel social importante porque famílias são mantidas no campo. Esses produtores estão ávidos por informação. Mas infelizmente poucos se preocupam com eles. Tem muitos 'pequenos' que se tivessem acesso a informação se tornariam 'grandes' rapidamente. Mas as nossas políticas não querem enxergar isso. É sempre melhor visitar a casa do 'grande'....

Outro detalhe que eu gostaria de destacar é que trabalhar com o pé no chão, diante da nossa situação financeira das instituições públicas e de infra-estrutura não é ser irresponsável. É ter consciência que não somos capazes de estudar determinados assuntos quando comparado aos países de primeiro mundo. Posso falar disso porque sou pesquisador e sei das nossas limitações como Brasil.



Att,



Thiago Bernardes
PAULO LUIS HEINZMANN

RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 04/12/2014

Prezados,



Está bem claro que todos sabemos da importância que possuem as micotoxinas (várias) na produção animal, por interferir na sua saúde e nos resultados zootécnicos!!



Também acredito ser de conhecimento comum que a aflatoxina M1 ( um metabólito da afla B1), pode ser encontrada no leite de vacas que consomem alimentos contaminados (não somente grãos!!).



Mas gostaria de lembrar que as micotoxinas certamente estão presentes em diversos alimentos humanos, e arrisco-me a afirmar que a grande maioria dos alimentos que contenham amendoim, nozes, amêndoas, ou outros com menor frequência, como os derivados de trigo e demais cereais, também possuem micotoxinas acima dos limites toleráveis.



Apesar disso, entendo mas discordo dos argumentos do autor, pois ao meu ver, não podemos fazer vista grossa a um problema que afeta o desempenho de nossos animais e a qualidade do que produzimos, e assim também a saúde do consumidor.



Portanto, o problema é bem maior do que a contaminação "somente" do leite, e falta-nos vergonha na cara por concordar com a produção de alimentos  sem qualidade.



Discordo também, dos erros grosseiros do comentário do Roberto, de Jundiaí, e gostaria de pedir ao Sr Heber Brenner, por ser de Brasília, que tente convencer nossos cabeças-ocas de lá a investir um pouco de suas roubalheiras em extensão rural, em indenizações rápidas e pagando o valor real para animais condenados por Brucelose (para não citar as demais enfermidades), e reformular todo o sistema de inspeção do País, pois o que aí está, NÃO FUNCIONA!! Sobram exemplos que comprovam a ineficiência do sistema, e muitos deles já esculhambaram com a já cambaleante imagem do leite no nosso País.



Ficaria tremendamente envergonhado em fazer parte de tudo isso aí, e me conformar com a situação!!
PEDRO CARLOS CANI

VITÓRIA - ESPÍRITO SANTO - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 03/12/2014

Pedro Carlos Cani

Agrônomo do Serviço Público Estadual



Concordo com Heber Brenner, De fato é injustificável adotar  posição tão cautelosa.

Nós somos competentes para estudar e definir nossos rumos quanto a micotoxinas.

Além disso sempre existe a péssima tendência de seguir os limites americanos. Aliás é como o uso de somatotropina que é proibida no mundo todo menos nos EE UU e no Brasil




DOUGLASY CASTRO RATHKE

CONSTANTINA - RIO GRANDE DO SUL - MÉDICO VETERINÁRIO

EM 01/12/2014

Soluções não "caem de uma hora pra outra do céu " , todo o problema deve ser discutido pois só quando atingir certa maturidade tal discussão é que as boas ideias aparecem.  
FABIO ANTUNES RIZZO

PELOTAS - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 01/12/2014

Assim como quase todas as medidas de "alarme" no que se refere ao leite, devemos ser responsáveis e cautelosos quando se fala sobre micotoxinas e a cadeia produtiva do leite. Discordo do autor no que se refere a "deixar que europeus e americanos pesquisem a respeito". Temos muitas universidades e instituições de pesquisa, bem como muitos pesquisadores no Brasil com competência suficiente para produzir respostas a estes questionamentos, e em condições brasileiras (tropicais e subtropicais). Talvez o que falta seja investimento em pesquisa e principalmente, em transferência de tecnologia, com foco na real necessidade advinda do campo, pois as pesquisas, o conhecimento, as informações que permanecem confinadas em bibliotecas universitárias e/ou publicada em artigos internacionais, não chega ao extensionista com a velocidade que deveria, nem tão pouco ao produtor. Ainda, discordo do Sr. Roberto Junior que parte da premissa que leite deveria ser produzido somente "a pasto", pois como se sabe, diversas pastagens de clima temperado (Avena strigosa, Lolium multiflorum, Centeio), assim como pastagens naturais podem apresentar infestações fúngicas e ter presença de micotoxinas. É sabido que a maioria das indústrias de ração animal priorizam a qualidade dos insumos (milho, trigo, etc) para rações de aves e suínos em detrimento a rações de bovinos, fato esse que talvez justifique em parte sua afirmação. Mas nada que medidas de controle na matéria prima não possa mudar essa realidade.  Enfim, micotoxinas é sim um assunto relevante na produção de leite, seja em relação a saúde animal, ou a saúde do consumidor, pois se quisermos fortalecer o setor lácteo temos que estimular o hábito de consumo de leite e derivados na população. Diferentemente da prática atual, não devemos incitar e gerar dúvidas na população leiga quanto a qualidade e segurança dos produtos inspecionados, devemos cobrar sim uma inspeção sempre rigorosa, e ao invés de noticiarmos somente problemas, deveríamos propagandear soluções.
JOSÉ FERNANDO

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - ESTUDANTE

EM 28/11/2014

Olá, Thiago. Você pode falar um pouco a respeito da doença de Johne - Mycobacterium avium subesp. paratuberculosis?
IREZÊ MORAES FERREIRA

SÃO JOSÉ DOS QUATRO MARCOS - MATO GROSSO - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 28/11/2014

"DEIXAR QUE OS AMERICANOS E EUROPEUS PESQUISEM SE MICOTOXINAS FAZEM MAL A SAÚDE DOS ANIMAIS E A SAÚDE HUMANA E EM QUE NÍVEL " PARA DEPOIS O BRASIL VER O QUE VAI FAZER EM RELAÇÃO A ESSA QUESTÃO É " MÍNIMO COMODISMO " NATURAL DO COMPORTAMENTO DOS BRASILEIROS, QUE SÓ COLOCAM CADEADOS NAS PORTAS DEPOIS DE SEREM ARROMBADOS.
ALFREDO ALCIDES

VIÇOSA - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 27/11/2014

O importante é dinheiro no bolso do produtor, a saúde do consumidor pouco importa para eles.

Afinal, quem se preocupa com a saúde da população já desgraçada?
HEBER BRENNER ARAUJO COSTA

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 26/11/2014

Moda???? Respeito o conceito de não hiper estimar um determinado risco, mas chamar micotoxinas de moda e falar para deixarmos este assunto pra lá é no mínimo irresponsabilidade! Ciência não pode ser modista, mas riscos de micotoxinas em segurança do leite não é moda, é fato!

Existem problemas e riscos sanitários talvez mais preocupantes e de risco relativo maiores em relação ao leite nacional? Provavelmente sim, inclusive quanto aos residuos de antibióticos no leite. Mas deixar as micotoxinas de lado não me parece uma abordagem minimamente razoável, ainda mais no nosso sistema de produção.

Lembro que cerca de 80% do leite nacional são produzidos por apenas 20-23% dos produtores, de modo que é possível que ações organizadas e direcionadas de boas práticas agropecuárias a este público específico de produtores mitiguem sobremaneira a maioria dos diversos riscos físicos, microbiológicos e químicos da maior parte do leite nacional, inclusive das micotoxinas.
CLAUDIO NERY MARTINS

ACEGUÁ - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/11/2014

Concordo com o posicionamento do Tiago em relação à divulgação de informações sobre a ação das micotoxinas na qualidade do leite, mas concordo que é um item a ser estudado e parametrizado por ser o leite um alimento que é usado de forma geral pela população. Junto aos pesquisadores, os produtores poderiam pedir é um maior trabalho na influencia das micotoxinas no desenvolvimento reprodutivo de nossas produtoras pois esse sim é de um custo altíssimo na produção.
OSCAR URDANGARAY

BUENOS AIRES - BUENOS AIRES - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/11/2014



--Estimado:

                    Creo que si la meta es producir leche de primera calidad en la región, no podemos dejar el problema de las micotoxinas de lado. Además debemos considerar que afectan la sanidad de los animales y su desempeño reproductivo.





--Un abrazo: Oscar.-
RONALDO CASTRO MOREIRA

WENCESLAU BRAZ - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/11/2014

Você está coberto de razão, não estamos conseguindo fazer o básico ainda, os desafios para nossa cadeia produtiva são enormes, lutamos até hoje contra leites subsidiados e de qualidade duvidosa vindos através de artimanhas internacionais. Temos que manter o foco nas necessidades maiores e mais urgentes para o setor.
ROBERTO MANGIÉRI JUNIOR

JUNDIAÍ - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/11/2014

....leite sadio é leite de "capim" (no máximo de feno e boa qualidade). Leite a partir de ração (milho e soja transgenicos) /silagem e outros subterfúgios é discutivel....muito discutivel.  É preciso primeiro procurar fazer um produto de boa qualidade e depois pensar no $. Acho até que deveriamos criar uma diferença entre leite produzido a partir de capim (solo fertil) e os demais. Este leite sim pode ter preço de remedio.($$$)
MAURICIUS

LONDRINA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 25/11/2014

Concordo com você Thiago, deve-se tomar um certo cuidado no que é divulgado.

Mas acho que deveríamos primeiro, pelo menos conseguir se adequar a Legislação vigente.

Pois nem isso fomos capazes ainda.
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