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Quem serão os produtores que ficarão na atividade?

Recentemente, em uma conversa informal com um produtor amigo que decidiu sair da atividade, essa questão voltou a ser tema de forte reflexão: quem serão os produtores que ficarão na atividade? Não se trata de uma discussão inédita, porém é uma realidade que se atualiza de tempos em tempos com muitas variáveis novas, mas que também revive problemas antigos.

No caso desse amigo em específico, a decisão de encerrar a atividade se deu no momento em que ele se viu em uma encruzilhada onde um caminho seria investir para se tornar um produtor com escala de produção e com status de empresa rural, ou manter sua estrutura familiar desafiando a realidade de uma sucessão improvável diante de herdeiros formados exercendo suas profissões com êxito na cidade.

Essa situação em específico, prova que não somente o ineficiente sai da atividade. É um exemplo de produção eficiente, bons resultados de qualidade, propriedade assistida, mas que precisaria nesse momento ter escala empresarial para poder contratar mão de obra especializada que suprisse a falta da colaboração familiar.

Portanto, esse produtor em especial tem duas motivações principais para encerrar a atividade: uma antiga que é a dificuldade de sucessão familiar nas fazendas leiteiras e uma relativamente nova que é o maior potencial competitivo de fazendas que atendem a diferenciais valorizados no mercado. Nessa propriedade, o principal limitante foi o volume de produção limitado que é sabidamente muito bem precificado no Brasil. Mesmo eficiente como propriedade média, para contratar a melhor mão de obra, comprar insumos diretos mais baratos e receber o melhor preço de leite, era preciso produzir mais e para isso nesse momento havia grande demanda por investimentos. Como investir esperando retorno em longo prazo se não há sucessão familiar para assumir? Fim de linha. Isso quer dizer que todos os produtores pequenos e médios sairão da atividade? Certamente não.

Modelos de produção familiar que tem como base os mesmos conceitos de eficiência das fazendas empresariais, em sistemas de baixo custo, que têm sucessão garantida, com diferenciais substanciais em qualidade do leite, ficarão na atividade com grande possibilidade de sucesso. É preciso entender quais são os diferenciais competitivos que o setor leiteiro nacional valoriza.

Cada item desses terá valor variável de acordo com a realidade da propriedade e considerando o que o mercado valoriza naquele momento, mas o que é importante entender é que quanto mais itens atendidos pelo produtor, mais possibilidade de sucesso ele tem. É claro também que quando existe a impossibilidade de atender um, outros devem ser supervalorizados com o objetivo de compensar o quanto for possível a perda daquele diferencial.

Se você é um pequeno produtor que fatalmente não terá os benefícios propiciados pela escala de produção, a melhor decisão será de agregar valor de qualidade de leite e nas boas práticas e buscar através da assistência técnica métodos e técnicas precisas para ter um custo de produção imbatível. Além disso, nunca confundir uma exploração pequena e profissional com um sistema de pura subsistência, por mais que os recursos oriundos do processo se destinem exclusivamente a sua subsistência. Considerando isso, deverá ter controle e eficiência na gestão. Outras estratégias também podem ser bem-vindas visando minimizar a falta de escala, como por exemplo, o associativismo.

Se você é um grande produtor, já tem valorizada a sua escala de produção na venda do leite. Seu custo de insumos tem importante vantagem obtida nas compras diretas. É imprescindível investir em sistemas de alta tecnologia, inovação e também prezar ao máximo por qualidade na produção. Se faz necessário investir em recursos humanos, formar equipe, ser empresa.

Se você é médio, precisa realmente decidir se permanecerá médio considerando se tem sucessão para manter a fazenda ou se vai se tornar grande, demandando investimento, assistência técnica e muito esforço. Essa realmente é a realidade mais complexa de se estabelecer na atualidade.

Se o cenário atual já está tirando da atividade produtores eficientes por questões estratégicas e conjunturais, o ineficiente então está fadado a se inviabilizar rapidamente. Questões relativas à qualidade do leite (como tenho repetido rotineiramente nesse espaço), além de indicadores produtivos, reprodutivos, sanitários e de gestão não poderão mais ser encarados como itens assessórios, mas sim, como ferramentas indispensáveis de gerenciamento para quem quer se tornar competitivo.

Estamos desenvolvendo na Verde Campo, um trabalho piloto de assistência em gestão para os nossos parceiros. A análise dos dados tem nos mostrado o grande abismo que existe entre o produtor eficiente e o ineficiente. Essa conclusão não tem ligação com qualquer julgamento quanto a sistemas de produção, raças ou regiões. Está cada vez mais claro que cada propriedade tem a sua peculiaridade e deve ser tratada com ações e estratégias personalizadas, considerando que existe uma enorme lista de variáveis.

Estaremos promovendo no dia 13/07/2018 o 2° DIA DA GESTÃO DE FAZENDAS LEITEIRAS VERDE CAMPO, em Lavras MG. Na oportunidade, exemplos de fazendas eficientes e temas ligados a gestão serão apresentados visando especializar nossos produtores. As inscrições estão abertas.

Vai de fato se estabelecer na atividade o produtor que sabe aonde quer chegar, tem segurança quanto a continuidade do negócio, se especializa nos mais diversos setores da fazenda, tem assistência técnica comprometida com seus resultados e preza por qualidade e adoção de boas práticas.

SÁVIO SANTIAGO

Gestor de Matérias Primas Lácteas da Verde Campo,
empresa do grupo Coca-Cola especializada em lácteos saudáveis. Pioneira na produção de produtos sem lactose. Tem na linha produtos reduzidos em sódio, zero açúcar e proteinados.

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CARLOS BRITO

CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 23/07/2018

De grande valia seu artigo meu amigo, aqui no sertão baiano essa problemática é ascendente, pois a cada dia que passa os produtores estão desanimando, em muitos casos, os indicadores são positivos, boa produtividade por ha, litros/homen/dia, mais o grau de investimento e manutenção (obrigatórios) pesam na hora final do balança, ficando pouca margem bruta. Com este pensamento, os produtores acabam desanimando e criando um efeito cascata em sua família, fazendo com que os poucos sucessores vão para os grandes centros.
GLADSTON MACHARETH

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL

EM 10/07/2018

Concordo plenamente com o exposto, mas estendo também às outras atividades pecuárias, como a cria e engorda, onde a falta de adoção de uma pecuária com precisão, com menor tempo e custo de produção e, consequentemente, com maior rentabilidade sobre o capital investido em uma fazenda, levará muitos produtores deixarem a atividade.
SÁVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 10/07/2018

Bom dia Gladston,

Temos vários experimentos que evidenciam que a atividade leiteira bem administrada e planejada, propicia uma rentabilidade por área imbatível a qualquer exploração do agronegócio,

Realmente, apesar dessa característica positiva, ela também demanda mais dedicação na gestão e envolvimento do empreendedor, fato que causa diversas dificuldades como citamos no texto: sucessão, qualidade na gestão, escassez de mão de obra especializada;

Mas tenho convicção que quando "a engrenagem embala" a atividade é com certeza a que mais da retorno por área e mais satisfação ao produtor.

Obrigado pela valiosa participação!
EDMILSON MARTINS DE MENDONÇA

CORONEL XAVIER CHAVES - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 09/07/2018

Interessante a visão do autor sobre o futuro das propriedades leiteiras. É fundamental estar atento ao cumprimento dos diversos diferenciais competitivos. A margem para erros é muito estreita, precisamos ser gestores eficientes e empreendedores natos se quisermos continuar produzindo leite.
SÁVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 10/07/2018

Valeu pela participação Edmilson !!!!
ADELMO JOSÉ DIAS

VARGINHA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/07/2018

É o único caminho, ser competitivo e eficiente.

Parabéns !
ROSANE

SEROPEDICA - RIO DE JANEIRO - PESQUISA/ENSINO

EM 03/07/2018

Artigo muito bom, colocando pontos importantes para quem trabalha com leite. Em resumo, mesmo sendo pequeno ou médio é preciso ter um olhar empresarial para continuar na atividade.
SÁVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 03/07/2018

Obrigado Rosane!!
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/07/2018

Por isso, o Governo tem que deixar de "proteger" a agricultura familiar como se ela fosse o ovo de Colombo e passar a destinar recursos fartos e fáceis para toda a cadeia produtiva do leite. Sabemos nós que a agropecuária familiar não é o ambiente do futuro. Precisamos produzir para além de nossas mesas, se quisermos ter voz para lutar por preços mais justos. Na cadeia produtiva do leite, a qualquer nível, nacional ou internacional, o que tem mandado, nos últimos anos, e estende braços enormes para os anos vindouros, é, justamente, a escala de produção, nos fazendo crer, com muita ênfase, que as pequenas propriedades, ainda que eficientes, tendem a desaparecer do mapa, porque não será viável, comercialmente, para a indústria, captar pequenas quantidades de leite (menos de seiscentos litros/dia). A solução, em tese, seria o cooperativismo, que você descreve em seu artigo, amigo Sávio Santiago, mas, este, infelizmente, não está no DNA do Brasil e envolve um problema muito sério: diversidade de qualidade entre produtores diferentes, o que tende a desqualificar o produto, no geral (o quadro que vislumbramos, hoje, é a fuga dos produtores para as indústrias menos exigentes, ao invés de tentarem se adequar às normas de higiene e manejo sanitário, mesmo que isso implique em auferir preços menores pela produção). Como se vê, sucessão familiar, embora tema de relevância, não se afigura como determinante, mormente quando estamos a viver dias em que a profissionalização das granjas leiteiras é inevitável, sendo transformadas em empresas, cuja continuidade será muito mais possível pela eficiência que pelos homens que a conduzem.
Parabéns pelo texto e pelo tema.
Um abraço,


GUILHERME ALVES D MELLO FRANCO
ALFA MILK - FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
www.alfalatte.com.br
SÁVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 03/07/2018

Obrigado pela ótima participação Guilherme;

Creio que o pequeno que atenda a diferenciais e tenha eficiência em uma estrutura associativista pode se manter competitivo, mas logicamente que tudo favorece a escala de produção. Nesse contexto ele deixa de ser "pequeno" em alugum momento, agindo com cabeça de grande;

Sobre os produtores que pulam para industrias regionais que não são exigentes em qualidade, eles estão só retardando o final anunciado. Na verdade, esses dois participantes tendem a ficar fora do mercado em curto período;

Obrigado mais uma vez pela valiosa participação !
JULIANO CORREA

AJURICABA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/07/2018

Realmente, o leite é uma ciência. Sempre tive uma dúvida, se fala muito em pequeno, médio e grande produtor, como você, Sávio, classificaria quanto a litragem produzida, cada categoria?
SÁVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 02/07/2018

Olá Juliano,

Essa não é uma avaliação certeira. Depende muito da região;

Aqui na nossa região, na nossa opinião, o pequeno é o que produz abaixo de 600 litros dia, o médio vai dessa faixa até 2.000 litros e o grande daí pra cima,

Abraço
ADIR FAVA

MURIAÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/07/2018

O médio produtor de leite por mais eficiente que seja somente anda para traz (em termos relativos às demais atividades) porque a relação de custo/beneficio é cada vez mais desfavorável. Os insumos e a mão de obra cada vez mais caros e o preço do leite não acompanha. Se o médio produtor investir em qualquer outra atividade vai ser mais vantajoso. Ou seja, quem pode permanecer produzindo leite é o pequeno produtor que não tem empregado e o grande produtor que tiver o máximo de automação no sistema de produção. O médio produtor tem que mudar de ramo, sem dúvida alguma.
SÁVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 02/07/2018

Isso que identificamos, mas o médio pode tomar a decisão de investir para ser grande;

A atividade leiteira quando comparada a outras atividades por área é imbatível, mas quando explorada com profissionalismo e eficiência

Obrigado!
DARLANI PORCARO

MURIAÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/07/2018

O grande produtor nesse nosso país , é difícil de continuar , os custos aumentam demais , e a mão de obra melhor só diminui , enquanto o pequeno , faz o seu queijo , tem suas galinhas , e outras pequenas fontes de renda e mora geralmente na pequena propriedade, então , se o govêrno não dar condições mínimas aos produtores em geral vai ficar difícil. Veja a saúde, desde quando um produtor médio pode pagar um plano de saúde para a sua família, e o pior, o INPS não funciona , a não ser para os políticos bandidos em sua maioria
SÁVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 02/07/2018

Boa tarde Darlani,

Mesmo com todas as dificuldades externas, existem muitos produtores que estão conseguindo se destacar e obter resultados satisfatórios

Abraço
EM RESPOSTA A SÁVIO SANTIAGO
DARLANI PORCARO

MURIAÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/07/2018

Quando o produtor não depender da renda da propriedade em 100% , aí pode dar até certo , ele faz mais por hoby ou esporte , lazer , então fica mais fácil., abraços!
SÉRGIO CATTONI

TÉCNICO

EM 02/07/2018

Muito bom.
Perfeito, preciso e útil.
Parabéns.
SÁVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 02/07/2018

Obrigado Sérgio!!
EM RESPOSTA A SÁVIO SANTIAGO
MATOZALÉM CAMILO

ITUIUTABA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 04/07/2018

Boa análise do tema Sávio. Apenas acrescentando que ser pequeno ou grande não é avaliado apenas pelo volume, tem produtor com atividade viável economicamente com pequeno volume e outros com volume enorme totalmente inviável do ponto de vista financeiro. Tem que que se atentar para o profissionalismo. Cada produtor tem uma necessidade de escala de acordo com suas expectativas para o negócio e conforme sua demanda de renda. Com o avançar do tempo muitos sairão e outros tantos entrarão na atividade e a pecuária leiteira continuará sendo um mistério para muitos. Atividade tida como de baixa remuneração por vários, mas por outro lado responsável pela sobrevivência e manutenção de quase totalidade das pequenas propriedades do Brasil. É realmente fascinante a pecuária de leite. Somente quem faz sabe bem do que se trata, quem comenta de fora da porteira, de dentro dos gabinetes, não têm a menor idia do que está falando.
EM RESPOSTA A MATOZALÉM CAMILO
SÁVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 04/07/2018

Obrigado pela participação Matozalem,

Afirmei exatamente que a classificação grande/médio/pequeno, depende da quantidade de diferenciais competitivos o produtores atende. O desenho atual porém, e menos misterioso que parece. A atividade cada vez menos aceita ineficiências grosseiras como no passado.