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Programa Leite Mais Saudável: visão do setor

SÁVIO SANTIAGO

EM 13/09/2018

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Programa Leite Mais SaudávelEm tempos de campanha eleitoral muito se escuta falar sobre redução de benefícios fiscais ao setor produtivo. Alguns postulantes ao cargo majoritário mais radicais falam em cortes drásticos em todos os benefícios com o argumento equivocado de que eles beneficiam somente a setores mais abastados da sociedade.

Sabemos que existem programas de incentivo fiscal que atendem a lobbies de setores poderosos e que devem de fato ser avaliados pelo próximo governo. Em conjunto com o corte de gastos da máquina pública, a revisão fiscal é uma ferramenta desejável de reajuste das contas públicas, que não só é necessário como urgente.

Em 2015, o governo anunciou: se as indústrias de laticínios quisessem se beneficiar com o crédito presumido de PIS e COFINS, elas deveriam investir 5% do valor apurado em um novo programa denominado Leite Mais Saudável, aprovando projetos junto ao MAPA e Receita Federal e respeitando regras na sua execução.

Como acontece com todas as iniciativas vindas do governo, a desconfiança inicial foi inevitável. Indústrias não acreditavam que ao aplicar recursos, teriam de fato os créditos homologados. Produtores falavam que as indústrias executariam projetos “para inglês ver” e que os resultados não chegariam ao campo.

A realidade do Brasil na produção de leite era preocupante. Um país continental, com condições climáticas e territoriais privilegiadas para ser o maior player mundial, mas com uma atividade em sua maioria amadora, ineficiente que propicia uma matéria-prima final de baixa qualidade e competitividade no ambiente internacional.

Muitos alegam que não existem condições de concorrência global para o leite brasileiro e o culpado eleito é o custo da máquina brasileira. Seríamos fadados a ser eternos importadores de leite e participantes de um sistema subdesenvolvido, de baixa tecnologia empregada e sem estímulo ao investimento. O fato é que existem no Brasil muitas fazendas, regiões e indústrias que mostram - através de seus exemplos em números - o inverso. Podemos sim ser muito competitivos e ter um setor protegido por superávit comercial constante. Mas precisamos replicar os modelos eficientes que temos em operação em nosso país.

A maioria das indústrias não empregava tecnologia no campo. Não tinham planos de educação continuada efetivos em qualidade do leite, gestão, genética e treinamento de seus produtores. Outras já tinham equipes voltadas a fomento da atividade em vários projetos próprios independente de não ter contrapartida fiscal. Essa realidade tão diferente entre indústrias nacionais já mostrava a gritante diferença tecnológica que separava produtores vinculados a indústrias com equipes técnicas dedicadas a extensão quando comparadas a outras que não dedicavam investimentos a esse trabalho.

Nesse contexto, a criação do Programa Leite Mais Saudável foi uma grata demonstração de que o Estado pode promover políticas estratégicas de médio e longo prazo que tragam desenvolvimento e sustentabilidade de cadeia, mudando a vida das pessoas pela via da oportunidade.

Na Verde Campo, estamos incluídos no universo de empresas que já tinham um sistema de extensão de fomento disponível para os nossos parceiros produtores, muito diferenciado do que acontece no mercado. Mesmo assim, o Programa Leite Mais Saudável, já em seu segundo projeto, foi um divisor de águas na efetividade da nossa equipe técnica e nos resultados práticos que obtivemos.

No primeiro projeto de redução da Contagem de Células Somáticas (CCS) de um grupo de produtores, conseguimos melhorar o índice em mais de 60%. Sabendo que a mastite é a principal causa da inviabilidade de fazendas leiteiras, concluímos que o projeto foi uma poderosa ferramenta tecnológica de efetividade social. Conseguimos manter o produtor no campo, com mais efetividade e sucesso na atividade.

Após um ano do segundo projeto, denominado “Melhoramento Genético de Lavras e Região” já entregamos quase 500 embriões de origem muito melhorada em produção de leite, sólidos e conformação aos nossos parceiros. Produtores pequenos que nunca tiveram acesso nem a inseminação artificial receberam, com contagiante alegria, embriões de animais oriundos de vacas muito diferenciadas, mantidas em um “banco genético” subsidiado pelo projeto com sêmen de touros da mais alta linha. Para isso, desembolsaram somente o custo das doses de sêmen.

Temos conhecimento de várias indústrias executando projetos de qualidade do leite e gestão de fazendas vinculadas ao Programa Leite Mais Saudável. Muitas delas pertenciam aquele quadro de empresas que não levavam conhecimento aos produtores. Se o impacto foi grande nos produtores da Verde Campo - que sempre tiveram a presença da empresa em suas fazendas - no caso dos produtores vinculados a essas indústrias, certamente o benefício foi a porta de entrada para o sucesso na produção de leite rentável e de qualidade.   

Diante de tantos bons exemplos, é evidente que o Programa Leite Mais Saudável ultrapassa muito a ideia de mais um simples programa de benefício fiscal. Trata-se de uma ação estratégica bem fundamentada, planejada e que está sendo efetivamente executada e fiscalizada. Uma iniciativa de governo que pode representar a mudança do setor leiteiro, incluindo o Brasil no cenário competitivo internacional.                 

SÁVIO SANTIAGO

Gestor de Matérias Primas Lácteas da Verde Campo,
empresa do grupo Coca-Cola especializada em lácteos saudáveis. Pioneira na produção de produtos sem lactose. Tem na linha produtos reduzidos em sódio, zero açúcar e proteinados.

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ANTÔNIO CARLOS DE SOUZA LIMA JR.

GOIÂNIA - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 16/09/2018

Caro Sávio,
O exemplo da Verde Campo, que conheço bem, é uma referência para o setor. Os ganhos de qualidade são muito elevados e num curto espaço de tempo. A obsessão por ganhos de eficiência e produtividade da empresa, através de suas ações estratégicas, explicam os resultados.
Parabéns pelo artigo e à equipe pelos projetos!
SÁVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 18/09/2018

Obrigado meu professor!
O senhor faz parte dessa história
Abraço !
NELIO RAMOS

GOIÂNIA - GOIÁS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 14/09/2018

Sávio, Parabens pela ótima matéria! Acredito que quando há interesse e "mente aberta", como em vosso caso, as coisas podem ser mudadas e para melhor, muito melhor! Sabendo do tipo de Empresa que você trabalha, não é dificil entender que voces conseguem enxergar longe! Sonho que algum dia a gente possa estar no patar de outros países, cuja produção leiteira seja digna de ser reconhecida e valorizada! Acho que vocês são um exemplo a ser seguido, e espero que as autoridades e poder público, assim os enxerguem!
SÁVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 13/09/2018

Obrigado pelas palavras Nélio