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O que posso fazer pelo meu parceiro produtor?

POR SAVIO SANTIAGO

SÁVIO SANTIAGO

EM 28/09/2017

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Dando sequência ao tema que tratei no artigo "Relação entre produtores e indústrias, onde podemos melhorar?" pretendo ir mais a fundo e discutir o que pode ser feito em prol dos produtores de leite por parte da indústria, em uma efetiva relação de parceria.

É inegável que a indústria é a maior propulsora de mudanças no setor leiteiro. Ela tem mais possibilidade de transferir conhecimentos, tecnologias e processos de forma eficiente, em alguns casos vinculando essas atividades a variáveis comerciais. O produtor de leite não deve nunca ser encarado como mero fornecedor. Nas mãos dele está a constância de qualidade e de fornecimento. O produtor fiel entrega para a indústria rotineiramente uma matéria-prima confiável, segura e de qualidade. Para responder a pergunta do título, precisamos seguir dois caminhos:

Primeiro caminho: devemos visitar a fazenda com olhar técnico. Identificar as fraquezas que podem levar a operação a passar por dificuldades em algum momento. Verificar histórico de análises de leite, escore corporal dos animais, adoção de Boas Práticas de Produção, analisar princípios de bem-estar animal, disponibilidade de alimento para o rebanho, dentre outras questões.

Segundo caminho: pergunte ao produtor o que está causando dificuldade em seu processo produtivo, se ele está satisfeito com a sua condição atual e onde ele quer chegar. É preciso entender quais são os valores principais que regem a atividade daquela fazenda para avaliar se são compatíveis com os valores eleitos pela indústria para a sua existência.

A partir daí, é importante criar uma relação dos itens que estão abaixo da expectativa na fazenda e que causam problemas para a indústria. Esses pontos devem ser priorizados nos planos de ação que serão adotados.

Hoje temos disponível uma grande força de trabalho técnico que tem trazido efetivos avanços para produtores que topam o desafio. Programas como Balde Cheio, Educampo, Cooperideal, além de empresas e indústrias que têm setores voltados para dar esse apoio, têm conseguido uma verdadeira revolução em modelos de produção que levam a eficiência.

Consultoria técnica rural eficiente deveria ser encarada por produtores e indústrias como prioridade. Ainda são comuns hoje questionamentos sobre o custo e viabilidade desses projetos. Nesse ponto, só podemos afirmar o seguinte: assistência técnica é fundamental e quem não enxergar dessa forma tende a ficar atrasado e se inviabilizar em um futuro próximo.

Cada vez mais a atividade vem impondo ganho de eficiência aos participantes. Temos visto com muita frequência fazendas e indústrias tradicionais sendo varridas do cenário porque não enxergaram que estamos passando por um processo de evolução muito acelerado.

Na Verde Campo hoje, temos disponível um técnico para cada 20 produtores. Conseguimos a cada mês realizar pelo menos uma visita com objetivo de transferir tecnologia. São projetos voltados para a genética como o +LEITE+SÓLIDOS e o recém criado 'Projeto de Melhoria Genética de Lavras e Região' que, irá distribuir em sua primeira fase, mais de 1000 embriões para nossos produtores sem nenhum custo.

Programas contínuos de melhoria de qualidade do leite posicionaram as nossas médias de CBT (Contagem Bacteriana Total) e CCS (Contagem de Células Somáticas) entre as melhores do país. Projetos de certificação em Boas Práticas de Produção e a recente certificação em bem-estar animal que projetam a nossa marca a mercados mais exigentes e conscientes dos nossos valores. Além disso, estimulamos parcerias com técnicos do Balde Cheio, programas de gestão informatizada e eventos para treinamentos nos mais diversos temas.

Encaramos essas ações citadas acima como prioritárias em nosso planejamento estratégico. Logicamente elas surtem efeitos distintos em diferentes perfis de produtores. Alguns ficaram pelo caminho por não acreditarem nas demandas que vão surgindo e por talvez, não compartilharem dos nossos valores principais.

A grande maioria aceitou os desafios propostos. Esses produtores evoluíram, cresceram e se tornaram mais independentes e muito mais eficientes. Outros que não são nossos parceiros, procuram constantemente a empresa com interesse em fornecer a sua produção para obter os benefícios que oferecemos. Já tivemos momentos de atender produtores que não são fornecedores em demandas mais urgentes, vislumbrando uma melhoria no âmbito regional para a atividade.

Comparamos a evolução de dois produtores familiares da Verde Campo na região de Lavras. O intuito é gerar uma visualização bem simples da diferença de evolução do produtor que aderiu a assistência técnica que oferecemos e outro que segue sendo parceiro mas ainda não iniciou o trabalho técnico.

Os dois têm bons índices de qualidade e preços finais equivalentes, por isso avaliamos a diferença de faturamento nos baseando no preço médio dos dois no mesmo período. O produtor assistido adotou sistema de pastejo rotacionado (parte irrigado) e segue todos os controles de gestão que propomos. O produtor não assistido também baseia a sua produção no pasto mas sem um trabalho específico de intensificação ou controles propostos. Segue análise comparativa:

verde campo - assistência técnica
 
A produção total do produtor assistido nesse período foi 162.117 litros superior ao outro não assistido, representando uma diferença financeira de R$ 186.175,00. Considerando que esse valor é resultado de 44 meses de análise, podemos afirmar que o produtor assistido teve renda média superior ao não assistido em R$ 4.231,00 a cada mês, sem contar a melhor evolução de rebanho e outros índices de eficiência em redução de custos que devem ser ainda mais significativos.

Para qualquer atividade uma diferença tão representativa de renda é crucial e pode ser considerada como o limite entre o sucesso e o insucesso, mas nesse caso é ainda mais importante por ser uma propriedade rural familiar. Quando iniciou o trabalho nessa fazenda, a Verde Campo identificou que o produtor tinha a necessidade de ter um trabalho técnico mais específico e o parceiro manifestou a vontade em realizar o trabalho. A partir daí os vínculos que existem nessa relação comercial são muito maiores e mais fortes que qualquer variação de mercado em qualquer momento. 

É preciso ficar claro para os dois elos, que preço de leite não é tudo. Em determinados períodos podem surgir dificuldades pontuais de mercado que causem alguma desvantagem competitiva. Nesses momentos, todo o restante da relação colaborativa é fundamental para reequilibrar a balança e trazer a certeza de que vale a pena manter a parceria viva.
 

SAVIO SANTIAGO

Gestor de Matérias Primas Lácteas da Verde Campo,
empresa do grupo Coca-Cola especializada em lácteos saudáveis. Pioneira na produção de produtos sem lactose. Tem na linha produtos reduzidos em sódio, zero açúcar e proteinados.

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SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 03/10/2017

Valeu Serjão;

Estamos juntos
SERGIO MASSERA

TRÊS CORAÇÕES - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/10/2017

Savio, o legal é que você escreve o que pratica. Sou testemunha disto.

Gostaria de adicionar que os laticínios deveriam entender que os produtores brasileiros além de sustentar toda a carga tributária e partidária do custo Brasil ele realiza planejamentos e investimentos a longo prazo somente. Não adianta em um ano pedir uma linha de trabalho e no ano seguinte querer mudar esta demanda.

Me frustra muito escutar que o produtor brasileiro não é eficiente, sendo que temos técnicos brasileiros indo ensinar as nossas práticas para os Europeus. Lembrando que em demais países os produtores possuem incentivos e benefícios para se manterem na atividade enquanto aqui somos castigados constantemente pelas ações governamentais, partidárias e por certos laticínios de grande porte que realmente visam derrubar o que levamos anos para construir.

Realmente valorizo a parceria que temos!

TARLEI TELIO VINHAL

CARMO DO PARANAÍBA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/09/2017

Na contramão da ideia deste artigo várias indústrias estão alongando ainda mais os prazos para pagamento exemplo da Tiroles e Nestle como podemos confiar parece q a indústria acha q só o produtor tema ser burro de carga isso significa q produtores estão financiando as indústrias o q deveria ser o inverso completo absurdo!!!!!!
SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 29/09/2017

Obrigado Luiz;

Pode me enviar por email

Abraço
LUIZ EDUARDO ARAUJO

ITAPERUNA - RIO DE JANEIRO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 29/09/2017

Parabéns Savio.
Compartilhamos o seu conceito de que a empresa compradora deve ser parceira do produtor para que possa progredir na sua atividade.
Durante um período de 15 anos coordenamos um trabalho com estes conceitos na Fleischmann e Royal ( Leite Glória) onde fazíamos justamente a Assistência Técnica aliada a um sistema de fomento bancado pela própria empresa para produção de volumosos, financiamento de concentrado, equipamentos , etc,
Segundo a nossa experiência Assistência Técnica sem Fomento é difícil deslanchar, vira Insistência Técnica sem resposta.
Os resultados a que chegamos , são semelhantes a sua curva de resultados.
Parabéns , o caminho é este. Tenho resultados muito bons em uma apresentação de um período de 06 anos , tanto de aumento de produtividade , quanto quanto na estabililização
da sazonalidade. Se tiver interesse posso lhe passar.