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O que cinco anos de trabalho podem fazer

POR SAVIO SANTIAGO

SÁVIO SANTIAGO

EM 25/09/2019

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Estamos em meio a uma avalanche de mudanças no setor. Muito se diz sobre limitações, impossibilidades e dificuldades estruturais (que existem, de fato), mas a principal pergunta que devemos nos fazer é: quantas vezes tentamos?

Como tudo na vida, quando alguém logra êxito em qualquer questão, uma grande maioria passa a especular fatores facilitadores. Fulano comprou um belo carro: “ah, mas com aquele emprego até eu”. Ciclano conquistou uma nova casa: “Com herança até eu”.

O fato é que a esmagadora maioria das pessoas que não conseguiram sucesso nem mesmo tentaram. Enquanto houver um exemplo de sucesso ele pode ser replicado. Essa é a capacidade humana de fazer acontecer e no caso do setor lácteo, em específico, quem não faz está causando danos a quem faz.

Para todo indicador que já formou uma série histórica temos um caminho a analisar. Se não deu certo, alguém não avaliou os números com critério, não planejou as ações ou não as colocou em prática. Se deu certo é possível afinar os ajustes para fazer melhorar ainda mais.

Olhando cinco anos atrás podemos ver várias evoluções em nossas vidas. Pessoas positivas estão mais bem relacionadas, com mais recursos, mais ativas e mais felizes. Corporações estão mais estruturadas, crescendo, com equipe mais bem qualificada e com mais resultados. Fazendas estão crescendo em produção, geração de empregos e satisfação de seus proprietários.

O sucesso, invariavelmente, tem uma coisa em comum: o trabalho. Mas não é só o trabalho pesado de sol a sol. É o trabalho intelectual, planejado, que pode sim dar errado em alguns momentos, mas que logo em seguida surgem soluções para mitigar percalços naturais.

”Ah, mas o governo, o custo Brasil, o mercado, meu vizinho, a fiscalização, as estradas, a mão de obra, a corrupção...”. Todos obstáculos são comuns a todos. Ficarão no mercado aqueles que entenderam que, antes de tentar mudar o mundo, precisam mudar o seu mundinho. Antes de jogar leite fora no gramado do palácio do planalto precisam entrar em suas fazendas e entender onde estão jogando o resultado do leite fora todos os dias.

Hoje, tive e curiosidade de olhar alguns dados que temos arquivados de exatos cinco anos atrás. Para entendermos melhor, e por questões de proteção de dados, vou expor somente a qualidade média do leite recebido naquela época:

  • CBT (Contagem Bacteriana Total): 113
  • CCS (Contagem de Células Somáticas): 498
  • Proteína média: 3,19
  • Gordura média: 3,70
  • 1 Certificação BPF (Boas Práticas de Fabricação) com 55% das fazendas aprovadas.   

Aquele era um momento em que mudanças não tinham tanta pressão regulatória. Implantamos uma política naquele ano praticamente oposta a todas as práticas de mercado existentes. Apanhamos muito!

Sofremos com os produtores que negavam o que era proposto e deixavam nossa rede de fornecimento, indo para o laticínio vizinho que usava a “não cobrança” como argumento comercial. Nossos técnicos, por vezes, eram ridicularizados ou até mesmo tratados inadequadamente em fazendas que iam trabalhar. Melhorávamos o leite de fazendas que na primeira curva de valorização saíam da empresa sem sequer avisar. Mas, não desistimos!

O caminho foi nos mostrando quem eram os produtores e as fazendas que aderiam a cultura da qualidade como ganho de resultado e como princípio de vida. Não promovemos uma troca da nossa rede de fornecedores, conseguimos de lá para cá manter a maior parte das fazendas que se propunham a participar de um sistema respeitoso, justo e engrandecedor de parceria.

Quem se motivava pelo imediatismo de mercado, a qualquer preço, logicamente, não ficou conosco. Nosso sistema deu previsibilidade e é competitivo por períodos mais longos, mas busca minimizar flutuações de curto prazo. Essa característica nos afastou dos especuladores.

Criamos uma relação oferta/demanda direcionada. Ao mesmo tempo que o especulador sem cultura de qualidade se afastava de nós, o produtor profissional que tem cultura de qualidade e padrão se aproximou. Sentimos que as ofertas de leite que a Verde Campo estava recebendo já vinham filtradas somente com as características que nós desejávamos. Passou a ofertar leite para a Verde Campo quem tem o nosso perfil, da mesma forma que nós só procuramos quem se encaixa na nossa visão.

Hoje os números ainda não estão como planejamos. Estamos acostumados com melhoria contínua e o trabalho mostrou que dá para fazer. Se os números não são ainda melhores é porque não tomamos a decisão de apenas trocar de fornecedores, mas investimos na melhoria de quem estava fora do padrão mas queria melhorar.

O trabalho foi intenso nesse período: foram mais de 4.500 visitas técnicas, mais de 120 mil interferências de qualidade individuais em vacas (análises de CCS, cultura ou CMT), milhares de animais recebendo genética melhoradora, dentre outras intervenções.

Os números médios de hoje são:       

  • CBT (Contagem Bacteriana Total): 8
  • CCS (Contagem de Células Somáticas): 260
  • Proteína média: 3,29
  • Gordura média: 3,71
  • 4 Certificações BPS nacionais com 100% das fazendas aprovadas.
  • 1 Certificação internacional sendo implantada

Podem falar por aí que a nossa grama é mais verde, que temos vantagens, que nosso produto é mais bem posicionado, mas o fato é que trabalhamos. Nossos técnicos saem todos os dias de casa com um destino certo: alguma fazenda parceira!

Enquanto houver um resultado positivo, uma melhoria, um êxito ele pode sim ser replicado. Copiar coisa boa não é feio, pode ser feito e dá certo. 

Faço um convite a cada um dos amigos que me honrou lendo o texto sobre a nossa experiência. Olhe 5 anos atrás na sua vida e faça uma comparação. Seja qual for o resultado, use de forma crítica e planejada para elaborar ações de melhoria para o próximo período de 5 anos. Os resultados vão te surpreender.

SAVIO SANTIAGO

Gestor de Matérias Primas Lácteas da Verde Campo,
empresa do grupo Coca-Cola especializada em lácteos saudáveis. Pioneira na produção de produtos sem lactose. Tem na linha produtos reduzidos em sódio, zero açúcar e proteinados.

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AMAURIK CEZARIO COELHO

PASSA TEMPO - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 30/09/2019

Parabéns, Sávio
Sou proprietário do laticínio VAIDOSA, e atravéz da convivência com você, me convenci dos resultados de se pagar por qualidade. Já colhemos modestos resultados, e aprendemos que não basta apenas pagar, mas tem que apoiar e mostrar o caminho para aqueles que desejam. Ou seja, na medida do possível vamos tentar seguir o caminho trilhado pela VERDE CAMPO, indiscutivelmente a empresa referência no melhoramento da qualidade do leite.
ORLANDO SERROU CAMY FILHO

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 30/09/2019

Parabéns Sr. Amaurik, quando temos declarações de laticinistas se referindo à melhoria da relação com os produtores de leite e apontando qual o caminho, sentimos alegria, pois são sinais de prosperidade em uma questão, há muito, relegada ao desprezo. Sucesso!
SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 30/09/2019

Obrigado Amaurik !

Tudo o que fazemos já vale a pena só de ouvir um depoimento como esse.

Conte sempre conosco para a troca de experiências. Abraço!!
EM RESPOSTA A ORLANDO SERROU CAMY FILHO
SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 30/09/2019

O Amaurik é um jovem empresário, visionário.

Acredito que os resultados que ele terá vão servir de impulso a toda uma região e categoria de laticínios.
CARLOS ROBERTO DO NASCIMENTO

SÃO TIAGO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/09/2019

Muito bom, Sávio.
Só não compreendo o motivo pelo qual, vocês da Verde Campo, dispensaram um grupo de fornecedores do município de Nazareno. Fornecedores que ao longo dos anos adequaram à todas exigências estabelecidas pela empresa...
Simplesmente, vocês deram um tempo pra que eles procurassem um novo comprador.
Felizmente, pelo profissionalismo de cada produtor, daquele grupo, não faltou empresa que se interessasse pela sua produção e fecharam um contrato anual com uma empresa idônea...
Fica a pergunta: até qdo os produtores estarão sujeitos ao interesse apenas do comprador, que no primeiro impacto negativo cai por terra aquela conversa de fidelidade?
SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 27/09/2019

Bom dia Carlos!
Obrigado por participar!
Nesse caso logicamente que por respeito a eles não posso expor os motivos a um terceiro. O motivo foi claramente informado a eles e posso te garantir que não foi por qualquer "impacto negativo".
Como disse na matéria, prezamos por qualidade, melhoria contínua e também por uma relação de parceria em que especulações buscam ser minimizadas tanto do nosso lado da indústria quanto do lado dos produtores, e defendemos o melhor contrato que pode existir: o da transparência, previsibilidade e da liberdade.
Meu contado é savio@verdecampo.com.br, lá eu te informo meu telefone para que eu te explique melhor caso tenha necessidade.
Abraço e obrigado mais uma vez!
MARISTELA M. GIACOMOLLI KOCHENBORGER

IBIRUBÁ - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/09/2019

Olá...gostei muito do seu texto e concordo inteiramente,pois é o velho ditado:muitos querem ter o que temos,mas não querem passar pelo que passamos.Temos um tambo com 150 vacas em ordenha,mas um trabalho que começou a 30 anos já.Acompanhamis todas as evoluções técnicas e de qualidade, até cultura de microbiologica faço na propriedade,mas enfim tudo pela qualidade do leite e produtividade.... abraço
SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 27/09/2019

Obrigado!

Parabéns pelo empenho e resultados Maristela !

Abraço
JAQUELINE PAIM CERETTA

IJUÍ - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/09/2019

Excelente artigo Sávio. Só próspera que tem constância de propósito, busca melhorias, foca na solução e gera resultados. Além, de todos os fatores que os "amadores " apontam e reclamam, existe ainda "o não querer fazer" o que é uma lástima. Parabéns. Tens minha admiração.
SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 27/09/2019

Valeu Jaqueline!

Você é um exemplo de planejamento e execução alinhadas com seus objetivos!

Tem a minha admiração também

Abraço!!
MARIUS CORNÉLIS BRONKHORST

ARAPOTI - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/09/2019

Sávio parabéns pelo artigo muito bom e verdadeiro .
Só muda quem que , e a frase quem não faz atrapalha quem faz enriqueceu o artigo logo de saída .
SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 26/09/2019

Obrigado Marius !!! Tem razão
WILSON CAETANO DE SOUZA

PALMITOS - SANTA CATARINA - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 26/09/2019

Parabéns Sávio perfeito as colocações.
SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 26/09/2019

Obrigado Wilson
PAULO FERNANDO MACHADO

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 26/09/2019

Legal, Sávio. É isto aí - melhoria contínua!
SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 26/09/2019

Obrigado por ler e comentar professor !!!!
MAURO ARAUJO DIAS

ANÁPOLIS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/09/2019

Excelente o texto, para mim é animador, quando vejo que tentar e tentar, buscar o excelente é a meta, vejo que estou no caminho certo, tenho aplicado na fazenda as boas práticas e tenho obtido êxito nelas, e reconhecimento do laticínio que forneço, cada exigência é um desafio a ser enfrentado, e tenho quase vencido todos, mas vou chegar lá, gosto de desafios, pois eles são que nos fazem crescer.
SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 26/09/2019

Parabéns pela visão Mauro !!!!
SIDNEY MERO

EM 26/09/2019

Show a materia , acompanhei de Sao Paulo , pois ja estou 4 anos na Cia.
E indo para 5 anos.
A materia é perfeita pois a analogia que vc fez com a vida pessoal tem sim tudo a ver com a realidade.
Forte abs
SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 26/09/2019

Obrigado amigo Sidney !!!!!
CLEIDIMAR BATISTA DE PAULA

GOIÂNIA - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 25/09/2019

Excelente artigo. Serve para uma profunda reflexão. Sou técnico e a coisa que mais me desagrada é aquela ladainha de sempre dizendo que o leite não compensa, que o preço não paga os custos. Quando se analisa o perfil desses produtores, eles não investem em animais especializados, não produzem alimentos de qualidade para o rebanho, não tem nenhum controle zootécnico da propriedade, ou seja, vivem de extrativismo. Parabéns pelo artigo
SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 25/09/2019

Obrigado Cleidimar!
ORLANDO SERROU CAMY FILHO

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 25/09/2019

Muito bom o artigo Sávio, você tocou no ponto mais conflituoso para indústria e produtores, o planejamento de longo prazo. Mas, a mensagem que fica evidente é a busca da parceria em uma relação, cada vez mais, dependente de confiança.
SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 25/09/2019

Obrigado Orlando !
BRUNO VICENTINI

LAVRAS - MINAS GERAIS

EM 25/09/2019

Impecável!
"Foco na solução e não no problema"!
SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 25/09/2019

Obrigado Bruno