FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

Mais fidelização, menos oportunismo

POR SAVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

SÁVIO SANTIAGO

EM 02/01/2018

13
7
Com o passar do tempo, tem se desenhado um movimento comercial de relações mais fidelizadas e menos oportunistas no mercado do leite. Essa tendência se reforça tanto na relação produtor/indústria como na movimentação de compra e venda de leite entre cooperativas e indústrias.

A principal motivação da parte vendedora, é minimizar os fortes impactos causados pela instabilidade do mercado lácteo e o que os compradores esperam é garantir matéria-prima de qualidade elevada, com garantia de origem e constância.

Quando avaliamos o mix de preços de leite ao produtor comparado com o mercado spot nos últimos dois anos, fica claro que a comercialização direta no campo tem curvas mais estáveis. Por outro lado, o mercado de oportunidade se comporta com maior instabilidade, registrando momentos de alta rentabilidade seguidos de variações muito fortes levando a períodos de elevados prejuízos.



As indústrias que produzem produtos de maior giro - as “commodities lácteas” - além das cooperativas que compram leite para revender, têm mais dificuldade de garantir uma curva menos intensa na compra do leite a campo. Elas operam com margens negativas em determinados períodos tentando se compensar em outros.

Fonte: Milkpoint Mercado

Portanto, empresas muito atreladas a commodities como UHT, muçarela, leite em pó e revenda de leite in natura “spot”, têm dificuldades de propor políticas mais regradas de compra de leite com pagamentos bem definidos por qualidade, produtividade e boas práticas.

Em tese, todos os participantes do setor, tendem a preferir históricos menos agressivos de variação. É complexo planejar custos e receitas com o efeito “montanha russa” e com a necessidade rotineira de compensar perdas. Diante desse cenário, se reforçam algumas tendências. 

A primeira delas, é que a indústria procura elevar o nível de participação de produtos de maior valor agregado em relação às commodities em seu mix. É intensificado o processo de pesquisa de mercado para identificar nichos e tendências de consumo motivando o lançamento de produtos inovadores que tem por característica uma menor volatilidade de preços e a maior rentabilidade. 

A partir daí se faz necessário garantir uma matéria-prima mais constante e de maior qualidade. Não é possível fazer produto bom e diferenciado com leite ruim. Características como rendimento industrial, qualidade sensorial e maior tempo de prateleira são fundamentais para o sucesso de um produto diferenciado. O consumidor não admite pagar a mais por um produto que não entrega efetivamente o adicional de qualidade que ele espera. Com isso, tem se reforçado modelos de compras mais transparentes que visam pagamentos por qualidade sérios, bem elaborados e que reforçam planos de melhoria contínua em fazendas pelo Brasil a fora. 

Produtores com boa qualidade têm se vinculado a indústrias que pagam por isso e que conseguem compensar esse prêmio adicional pago com a oferta de produtos especiais e de bom valor no mercado. Por outro lado, fazendas problemáticas, atrasadas e resistentes, tendem a se colocar em empresas com maior participação de produtos de baixo valor agregado, sem trabalho ou pagamento efetivo por qualidade e com uma curva de preços mais agressiva tanto no produto final como na matéria-prima.

Algumas cooperativas repassadoras de leite também tiveram oportunidade de celebrar contratos com base indexada no decorrer de 2016 início de 2017. Em regra, as indústrias compradoras que firmaram contratos com terceiros (spot), incluíram regras claras de qualidade e boas práticas que até então não faziam parte desse tipo de negociação.

Fazendas e indústrias que seguem alheias ao processo de ganho de qualidade em curso no Brasil estão ficando com oportunidades comerciais restritas, negociando cada vez mais entre si e ficando a deriva das mais intensas variações e inseguranças oriundas desse ambiente de mercado volátil e imprevisível.

Na Verde Campo, elevamos o percentual médio do peso do pagamento variável do leite. A medida que o tempo passa, a formação do preço do leite fica cada vez mais nas mãos dos produtores. Bônus e penalizações de qualidade tiveram correções significativas, chegando a propiciar uma diferença entre o extremo bonificado para o extremo penalizado em qualidade de até R$ 0,70 por litro de leite comercializado. Temos uma grande equipe de técnicos voltada para processos de melhoria contínua nas fazendas e que propiciam aos nossos produtores elevar sua média de preços recebidos,  e assim melhorar constantemente seus índices e resultados.

Esperamos assim continuar fortalecendo a parceria com nossos produtores, exercendo o nosso papel, de levar conhecimento, colaboração e resultados ao campo.

Desejamos um 2018 de realizações, sucesso e muito aprendizado a todos os amigos leitores do MilkPoint, parceiros da Verde Campo e a todo o setor lácteo nacional!

SAVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

Gestor de Matérias Primas Lácteas da Verde Campo,
empresa do grupo Coca-Cola especializada em lácteos saudáveis. Pioneira na produção de produtos sem lactose. Tem na linha produtos reduzidos em sódio, zero açúcar e proteinados.

13

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

SAVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 05/01/2018

Valeu Zamboni !!!
CARLOS ALBERTO T. ZAMBONI

MOCOCA - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 05/01/2018

Parabéns Savio

Irá chegar o momento em que os consumidores de lacteos, principalmente de leite UHT, o mais consumido, irão perceber que existem Empresas que valorizam e as que não valorizam a Qualidade. Aí sim se iniciará a seleção do "joio, do trigo"

abs

Zamboni

SAVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 05/01/2018

Obrigado Carlos
CARLOS BENEDITO BASTOS

ITAPETININGA - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 05/01/2018

Sávio, simplesmente fantástico seu artigo, análise e visão perfeita do momento atual , e que direção temos que seguir.Temos que deixar pra trás este círculo , finge que paga leite, outro finge que tira leite e vice versa.Muitos sem escala e sem qualidade vendem seu leite para fabricantes clandestinos de queijo, ou os próprios se aventuram na fabricação , vendendo queijos a atravessadores , valores irrisórios, complicando de vez a relação mercado indústria estabelecida e seus encargos, o círculo vicioso é abrangente, cada um por si e todos com a razão.Resumo a qualidade é a única saída para todos.
SAVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 03/01/2018

Obrigado João;

Nós também temos muita expectativa que as coisas caminhem para esse lado;

Abraço e feliz 2018
JOÃO AUGUSTO MACHADO CALDEIRA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/01/2018

Há algum tempo voce abordou aspectos da relação produtor laticinio com relação a mercado.
Agora o assunto é qualidade do leite x mercado x relaçao produtor laticinio.
Esta é a visao sonhada por muitos produtores. Voces estão de parabens com esta politica.
desejo que ela se propague. Parabens!
SAVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 03/01/2018

Obrigado pela participação amigos!!

Vagner e Amaurik, realmente essa tendência se reforça e fará amadurecer o mercado lácteo brasileiro,

Obrigado Arnaldo!! Quanto maior previsibilidade, mais fácil se planejar;

Professor Paulo;
É isso mesmo, toda grande caminhada começa com os primeiros passos e atitudes simples;
Obrigado pelo comentário!
PAULO FERNANDO MACHADO

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 03/01/2018

Parabéns, Sávio. Como comentei, acho que este é o caminho. estamos tentando fazer projetos mirabolantes para "salvar" a pecuária de leite brasileira quando deveríamos trabalhar localmente - cada indústria entendendo melhor seu cliente e o atendendo a partir de uma matéria prima adequada ao produto desejado. Isto é que fará a revolução na pecuária de leite.
ARNALDO BANDEIRA

CURITIBA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/01/2018

Otimo artigo, parabens! Um ambiente de negocio mais estavel so vai fazer bem a cadeia do leite.
AMAURIK CEZARIO COELHO

PASSA TEMPO - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 03/01/2018

Parabéns Sávio

O crescimento do números de empresas que pagam por qualidade no Brasil, só corrobora com seu artigo, a medida que o consumidor for acostumando com os produtos dessas empresas o mercado se estreitara para as outras. Sem contar que o custo de industrializar leite de qualidade e menor.


VAGNER ALVES GUIMARAES

VOTUPORANGA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 02/01/2018

Verdade absoluta.
A qualidade do leite caminha por caminhos sem volta aos que profissionalizarem suas atividades terão espaços garantidos no mercado lácteo. Esta nascendo um novo conceito de leite no Brasil. com aval dos seus consumidores.
VAGNER ALVES GUIMARAES

VOTUPORANGA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 02/01/2018

Verdade absoluta.
A qualidade do leite caminha por caminhos sem volta aos que profissionalizarem suas atividades terão espaços garantidos no mercado lácteo. Esta nascendo um novo conceito de leite no Brasil. com aval dos seus consumidores.
AISLAN FURTADO FRANCO

INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 02/01/2018

Parabéns pelo artigo!