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INs 76 e 77, precisamos de mais tempo?

POR SAVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

SÁVIO SANTIAGO

EM 15/05/2019

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O nosso setor historicamente tem discussões bem acaloradas entre os elos e com o governo. Muitos julgam que a indústria é culpada de todas as mazelas, outros culpam a baixa qualidade do leite produzido no campo, há quem ache que o consumidor não dá o devido valor ao leite e tem aqueles que acham que tudo o que há de ruim vem do governo.

Tenho uma opinião ainda mais polêmica: acredito que o setor lácteo brasileiro é um ambiente de negócios pujante, valorizado, viável e que inclusive aceita “desaforos” de fazendas e indústrias ineficientes. Porém, acredito que estamos entrando em um momento perigoso, onde essa característica de viabilidade fez a produtividade e a produção subirem a um limite perigoso quando verificamos as tendências de consumo. Para piorar não exportamos significativamente nada de leite e somente entra leite externo. Não temos válvula de escape.

Um dos entraves para entrarmos nessa aventura global preservando o nosso mercado interno são os padrões de qualidade e processos. Existe uma pressão ao meu ver inexplicável de indústrias, produtores, federações e associações de ambos os lados buscando postergar essas mudanças como fizemos várias vezes com os padrões de referência de CBT (Contagem Bacteriana Total) e CCS (Contagem de Células Somáticas)

É muito claro que postergações não tem efeito nenhum de melhoria até os novos prazos combinados. Já passamos por isso várias vezes: quando o novo prazo se aproxima, nada foi efetivamente feito e novos movimentos de postergação surgem.

Os pontos principais considerados “inviáveis” por alguns em discussão nesse momento são: CBT na fazenda, temperatura na indústria e CBT de armazenamento na indústria. Francamente, não há nada mais triste para o setor do que considerar essas questões BÁSICAS inviáveis.

Tem entidade tradicional defendendo que nossos produtores não são capazes de reduzir a CBT para um limite menor que 300 mil. Em uma, apenas uma visita, a qualquer produtor um bom técnico é capaz de orientar e trazer o número para abaixo de 50 mil no outro dia. Se existem deficiências de equipamentos e estrutura, temos a indústria que pode perfeitamente financiar um equipamento melhor de resfriamento e aquecimento de água além bancos e fabricantes de equipamentos que financiam a qualquer momento – “ah mas o produtor não pode pagar”: pode sim, melhorando a qualidade ele tende a receber mais e se não investir em algum momento sairá do mercado pela qualidade baixa e pela baixa atratividade do seu leite. Temos o projeto do governo Leite Mais Saudável capaz de subsidiar financeiramente o trabalho técnico via indústrias.

Temperatura na fábrica abaixo de 7° é perfeitamente possível. Aqui temos rotas de pequenos, médios e grandes produtores que chegam tranquilamente por volta de 5°C, e até abaixo. É só programar logística, não pegar leite quente e distribuir bem o leite nos compartimentos do caminhão, de forma que a troca de calor no contato com o ambiente não seja determinante.

CBT abaixo de 900 mil na indústria está automaticamente resolvida se atendermos as duas questões anteriores e somarmos higiene ao processo de recepção e transporte. Gente, estamos falando de HIGIENE.

Quanto as questões ligadas às Boas Práticas, não são exigências ao vento. São programas que se bem executados, se tornam ferramentas em prol do produtor. Quem segue um bom programa de boas práticas melhora a eficiência do processo e ganha em rentabilidade. Os produtores deveriam estar empolgados com essa nova oportunidade, que será certamente o marco de bons resultados da sua fazenda.

Definitivamente, postergar não é pedir mais prazo. Postergar é jogar para depois o que deve ser feito hoje. Quem reclama de preços baixos e importações de leite deve ser o primeiro defensor da implantação das novas normativas e deveria inclusive brigar para que junto viesse a mudança definitiva dos padrões máximos de CBT para 100 mil e de CCS para 400 mil. Só com essa regulamentação estaremos equilibrados com o padrão mundial de países exportadores e iniciaremos um processo eficiente e mercadológico de proteção ao nosso mercado interno.  

Aos dirigentes de federações, associações, cooperativas, sindicatos e indústrias que defendem empurrar com a barriga, tenho uma sugestão: parem de atrapalhar, faça bem ao setor e aos produtores e deixe a história acontecer. De nada vai adiantar ganhar mais um tempinho porque não vamos fazer nada nesse período. Vamos acabar com esse complexo de inferioridade do setor leiteiro brasileiro e arregaçar as mangas!

Todos os produtores e indústrias são plenamente capazes de atender esses requisitos e não haverá exclusão de fazendas com as normativas. As que saírem do mercado estarão SE EXCLUINDO, e só sairão se realmente não quiserem melhorar em nada.

Recebi uma mensagem de um produtor parceiro nosso hoje que me fez “ganhar o dia”, ele disse: “estou vendo muita gente preocupada com as normativas, nós na Verde Campo já estamos preparados faz tempo”. Isso é fruto de trabalho dos dois lados, em parceria, e não tem nada de impossível.

Esse produtor está com a auto estima lá em cima, e é para onde devemos jogar a auto estima do produtor brasileiro.

SAVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

Gestor de Matérias Primas Lácteas da Verde Campo,
empresa do grupo Coca-Cola especializada em lácteos saudáveis. Pioneira na produção de produtos sem lactose. Tem na linha produtos reduzidos em sódio, zero açúcar e proteinados.

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EDIVALDO SAMPAIO DE ALMEIDA FILHO

CUIABÁ - MATO GROSSO - PESQUISA/ENSINO

EM 17/07/2019

Perfeito texto, concordo em gênero, número e grau. Enquanto estivermos com essa mentalidade pequena e derrotista, o leite brasileiro nunca sairá do atual patamar, e nunca será um player no mercado mundial. Que se inicie hoje o trabalho e se colha o fruto em pouco tempo.
MAURILIO REIS ARVELOS

SÃO JOÃO DEL REI - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/07/2019

Mudando de assunto um pouco Sávio porque haverá uma queda tão alta no preço do leite colhido em junho pago em julho de 2019? Qual a principal causa disso? Acabei de ler aqui no milkpoint que o leite longa vida teve uma pequena alta no ipca no mês de junho. Sou seu fã
EDSON JORGE BRAIDO

EM 05/06/2019

Porque existe ST no Leite de estado para estado não é justo .
JOSE LAIRIHOYJOSEOPEN WAY

CAXIAS DO SUL - RIO GRANDE DO SUL - TÉCNICO

EM 18/05/2019

Sabias palavras !
ALMIR RUDSON DA SILVA

ITUIUTABA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 17/05/2019

Parabéns pela argumentação Sávio!

O que precisamos no Brasil é sairmos da zona de conforto e fazer o que tem que ser feito. trabalho há alguns anos com assistência ao produtor na área de qualidade de leite e percebo que o cenário só será melhorado se houver obrigatoriedade em cumprir os requisitos mínimos, como por exemplo a CBT < 300 mil ufc/ml.
CARLOS HENRIQUE GONÇALVES DE OLIVEIRA

FRUTAL - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 16/05/2019

Parabéns pela perfeita colocação, Sávio.
Infelizmente, a maioria dos produtores de leite ainda defendem a ideia de que qualidade tem que ser paga.
Estamos falando de obrigação nossa e não de benefício. CBT de 300 é muita falta de higiene. Não dá nem pra beber.
Essas normativas somente direcionam para um caminho a seguir e, a meu ver, um caminho positivo e sem volta. Quem busca qualidade não tem o que "temer" com as novas normativas. Basta fazer a lição de casa.
SAVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 16/05/2019

Tem razão Carlos !
JACOB LEONARDO VOORSLUYS

CARAMBEÍ - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 16/05/2019

Muito bom! Fazem quase 50 anos que escuto que vamos melhorar, com federalização de inspeção entre outros. Penso que a produção pode e deve se profissionalizar, afinal produzimos um dos alimentos mais nobres que existem. Me envergonho dos que de alguma forma querem procrastinar mais uma vez a implantação das normativas.
Grande abraço
Jacob
SAVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 16/05/2019

Obrigado Jacob!
WILSON CAETANO DE SOUZA

PALMITOS - SANTA CATARINA - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 16/05/2019

Parabéns Sávio , pelo artigo concordo em tudo o que voce disse. chega de empurrar com a barriga , quem não fez até agora não vai fazer., pois qdo chegar nova data vai pedir de novo para prorrogar. parabéns .
SAVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 16/05/2019

Obrigado Wilson !
PAULO ROBERTO RODRIGUES JUNIOR

EM 16/05/2019

Excelente colocação temos que mudar a mentalidade do setor e encarar a realidade mundial
SAVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 16/05/2019

Isso mesmo Paulo !!
PEDRO AUGUSTO CARVALHO PEREIRA

GUARATINGUETÁ - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 16/05/2019

Parabéns pela análise !
A cada prorrogação ou mudança de denominação das normativas, que se arrastam desde 2001, todos nós estamos assinando um atestado de incompetência. Infelizmente, uma parcela significativa das "lideranças" do setor ao insistir pressionando por mais uma prorrogação só está contribuindo para o atraso de toda a cadeia produtiva...
SAVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 16/05/2019

Temos total condição de atender, e do trabalhar pra isso
JOÃO SOARES

EM 16/05/2019

Olá Sávio,
Afinal qual o limite real para a CBT, 300 ou 900 mil UFC?
Obg.
SAVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 16/05/2019

Boa tarde!
300 mil no tanque do produtor e 900 mil armazenado nos tanques da indústria.
VÂNIA ANGELA KOHL

CUIABÁ - MATO GROSSO - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 16/05/2019

Excelente texto. Concordo plenamente.
SAVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 16/05/2019

Obrigado Vânia !
SANDRO CHAROPEN MACHADO

CHAPECÓ - SANTA CATARINA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 16/05/2019

Em primeiro lugar parabéns por tuas colocações. Concordo plenamente e ressalto que as postergações, além de não melhorar a qualidade do leite, tem servido para manter um grupo enorme de produtores escorados. pior ainda é ver gente, com visão política mudando completamente de opinião.
SAVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 16/05/2019

Obrigado Sandro ! Concordo
FRANCELINE IAGUCZESKI

DOIS VIZINHOS - PARANÁ - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 16/05/2019

Parabéns pelas colocações! Excelente artigo!
SAVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 16/05/2019

Obrigado Franceline !
MARIUS CORNÉLIS BRONKHORST

ARAPOTI - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 16/05/2019

Bom dia Savio e os que te apoiam implacavelmente ,sou um deles .
Parabéns pelas colocações
Concordo em gênero e grau sobre a questão acima .
Já muitas vezes neste espaço relatei minha indignação sobre a falta de profissionalismo de uma percentagem dos giradores de leite e captadores de leite e indústrias inificientes .
Já passou a hora de acabarmos com a lei de Jerson , há nos damos um JEITINHO .
Profissionalismo para as partes isto que precisamos .
Abraço
SAVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 16/05/2019

Isso aí amigo, vamos em frente !
ELVIS TOMAIS

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 16/05/2019

Sim Savio, tens toda razão! Precisamos parar com esta síndrome da inferioridade que envolve nossa atividade leiteira tanto de laticinios quanto de produtores. Somos plenamente capazes de atender as normas. Temos pessoas, produtos e tecnologia em nosso meio e postergar o prazo é chamar nossos produtores de incapazes e diminuir a estima dos envolvidos.

Elvis Tomais
Launer
SAVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 16/05/2019

Estamos juntos nessa missão Elvis.
RAUL CHIOCCA

LACERDÓPOLIS - SANTA CATARINA - PESQUISA/ENSINO

EM 15/05/2019

Que baita texto, meus sinceros parabéns ao autor!
SAVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 15/05/2019

Obrigado amigo !
MARCELO MALDONADO CASSOLI

SÃO JOÃO BATISTA DO GLÓRIA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/05/2019

O leite que a Normativa está pedindo, eu não tenho nem coragem sequer de beber, quanto mais de fornecê-lo ao consumidor. E tem gente falando que é impossível fazer melhor? Sinto muito, mas então o que produzem não é alimento. Se não tiverem capacidade de melhorar, melhor sair da atividade e deixar produzindo aqueles que fazem o dever de casa, respeitam o consumidor e desenvolvem a cadeia leiteira em nosso país.
SAVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 15/05/2019

Isso mesmo Marcelo, acabou a brincadeira !
NISAEL BUENES NUNES DA SILVA

LAVRAS - MINAS GERAIS

EM 15/05/2019

Sabias palavras Sr. Sávio . A cultura de empurrar tudo pela barriga ou da um jeitinho tem que parar. E possível sim produzir leite com qualidade sem grandes investimentos... Creio que o maior desafio e a mentalidade de uma parcela de indústria e produtores que estão viciados nas prorrogações . Temos que nos unir , tendo em mente que produzimos um dos alimentos mais importante na pirâmides alimentar .
SAVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 15/05/2019

Concordo Nisael! Vamos em frente !
WAGNER BESKOW

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 15/05/2019

Sávio: Não deixaste nada de fora. É exatamente isso. Parabéns pelo artigo.
SAVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 15/05/2019

Obrigado amigo !!!!