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INs 76 e 77: após um ano o mundo não acabou

POR SÁVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

SÁVIO SANTIAGO

EM 03/03/2020

3 MIN DE LEITURA

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O tempo passou, a polêmica diminuiu, os ânimos se acalmaram e o setor segue seu caminho.

O cenário apocalíptico que se desenhava em algumas esferas não se confirmou. Ouvi relatos de significativa melhora nos padrões de qualidade do leite recebido por empresas que nunca fomentaram ou remuneraram por qualidade e que na época pleiteavam por mais um adiamento. Atualmente, o proprietário de uma dessas empresas tem afirmado para quem quiser ouvir que as novas normativas foram fundamentais para o setor e que “não podemos retroceder”. Após perceber a influência da qualidade no seu processo industrial e no produto final, lançou seu primeiro programa de pagamento por qualidade e implantou uma equipe de fomento para atender seus fornecedores.

É fato que somente o status de lei não é suficiente para alavancar mudanças, mas também é verdade que sem uma política que estabeleça limites e sanções, a eterna educação continuada também não será capaz de promover evolução. Evidente que no caso dessa empresa, a mudança de estratégia só ocorreu porque a experimentação do leite de melhor padrão trouxe resultados, mas esse leite só ficou disponível porque a nova normativa estimulou os produtores a dar uma primeira resposta.

A virada da chave fez com que o setor se mexesse: deixou de ser possível alguns produtores alegarem que não conseguiam de forma nenhuma e também não tinha mais espaço para indústrias fingirem que educavam continuadamente seus fornecedores. Passamos a ter limites e algumas consequências (ainda leves) na possibilidade do não atingimento dos índices.

Em outro artigo que escrevi na época (Ins 76 e 77, precisamos de mais tempo?), afirmei com veemência que as mudanças eram amenas e que não seria aquela catástrofe toda que alardeavam. Fui surpreendido com reações muito fortes, dos que apoiavam a minha posição e ainda mais dos que eram contrários. Entendi que aquele era um momento de insegurança, no qual constantes discussões políticas acerca do tema polemizaram ainda mais a questão.

Estávamos diante de um setor dividido em dois lados muito distintos: um composto por produtores e indústrias profissionais com bons resultados e que se sentiam prejudicados pela outra parte, outro por agentes amadores, sem qualidade e que mantinham a cadeia do leite a mercê do julgamento dos consumidores e da sociedade.

No momento da virada, não era mais possível negociar. O atraso já era muito grande e as mudanças propostas, de tão amenas, somente alteravam o dia-a-dia de quem não estava fazendo nada. Permaneciam “deitados eternamente em berço esplendido”, acomodados em uma zona de conforto mantida pelas práticas de mercado e pela legislação vigente até então.

Muito se falava da diversidade regional e das limitações estruturais. Mais de duas décadas antes foram levantadas as mesmas questões para justificar o pedido por adiamento de outro marco importantíssimo para o setor: a granelização do leite. Exercite imaginar o setor leiteiro nacional hoje com coleta de leite no latão se o MAPA cedesse às pressões naquele momento.

Após a implantação das INs 76 e 77, quem estava fora e conseguiu se adequar entendeu que esses devem ser itens inegociáveis da sua atividade. Tente propor a um produtor que conseguiu ajustar a sua Contagem Bacteriana a voltar no status anterior, ou a uma indústria que está recebendo leite a 5°C voltar a aceitar o produto com 12°C.

Estamos somente no início de um caminho de fortes mudanças que vem por aí.

Quem dita as mudanças não são as forças governamentais – a mão invisível do mercado global está moldando a cadeia do leite brasileiro para uma competição por espaço que começou a bastante tempo. Largamos atrasados, mas temos um potencial enorme para brigar nas primeiras posições.

Pensando no que temos de maior valor que é o mercado interno, precisamos oferecer mais credibilidade à sociedade: estamos falando de segurança alimentar, responsabilidade ambiental, social e com os animais. 

Mesmo acreditando que o joio sempre é separado do trigo por seleção natural, às vezes precisamos de um empurrãozinho. Ficou comprovado mais uma vez que quando os padrões se modificam por força de lei, a engrenagem roda com mais intensidade e as coisas acontecem.

Ainda temos limites extremamente altos de CBT (300 mil nas fazendas e 900 mil nos silos das indústrias) e precisamos criar um mecanismo individualizado de redução continuada da mastite, melhorando assim os índices médios da Contagem de Células Somáticas.

Devemos agir antes que venha nova atualização legal para que seja uma transição mais amena, menos traumática, conflituosa e politizada. 

SÁVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

Gestor de Matérias Primas Lácteas da Verde Campo,
empresa do grupo Coca-Cola especializada em lácteos saudáveis. Pioneira na produção de produtos sem lactose. Tem na linha produtos reduzidos em sódio, zero açúcar e proteinados.

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RICARDO HOTTZ SATYRO

GOIÂNIA - GOIÁS - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 09/03/2020

Parabens pela matéria Sávio !
Grande abraço
SÁVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 09/03/2020

Obrigado Ricardo !
MARCIO ROBERTO DE MACEDO OLIVEIRA

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 06/03/2020

Acredito que ainda falte fiscalização do MAPA, um leite dispensado por falta de qualidade, vira alvo facil de um laticínio menor que nao preze por qualidade.
SÁVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 09/03/2020

Obrigado pela participação Marcio !
PAULO CESAR GERALDINI

PIRANJI - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/03/2020

Parabéns Sávio.
Sem a melhoria da qualidade a melhoria econômica da atividade fica bem mais difícil!
SÁVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 05/03/2020

Obrigado Paulo !
MARCOS TAVOLARO

EM 04/03/2020

Empresa Coca Cola ?
Ah sim
Aí é fácil . Vem aqui ver a realidade
SÁVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 05/03/2020

Como falavam os antigos, urubu é preto em qualquer lugar.

Não pretendo andar para ver uma realidade ruim, mas te convido para ver uma realidade que foi ruim e que hoje é boa.

Aonde existe um bom exemplo ele pode ser replicado, vamos arregaçar as mangas !!!
FABRÍCIO NASCIMENTO

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/03/2020

Como é bom ler opinião de quem sabe o que escreve !
Parabéns Sávio! Por este e por o outro artigo referente às INs.
Aos poucos a cadeia vai abrindo o olho para o que realmente interessa, assim sendo a qualidade de leite vai ganhando prioridade e expandindo mercados.
Muito obrigado por compartilhar sua visão certeira do momento que estamos passando, um baita abraço e viva o leite!
SÁVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 05/03/2020

Obrigado Fabrício !!!
ALDAIR LENHARD

ESTRELA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/03/2020

Qualidade melhor investimento maior porém produtor sempre pior
SÁVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 03/03/2020

Obrigado pela participação
LATICINIOS REZENDE LTDA

MONTANHA - ESPÍRITO SANTO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA LATICÍNIOS

EM 03/03/2020

Parabéns pela matéria.
Pura realidade, não podemos retroagir.
Sempre pra frente.
SÁVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 03/03/2020

Obrigado Cincinato !
EM RESPOSTA A SÁVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS
ACIVALDO JOSÉ DE FREITAS

AMORINÓPOLIS - GOIÁS

EM 03/03/2020

Maravilha então. Como produtor, estamos esperando essas melhoras que já chegaram pra indústria chagar pra nós também..
EM RESPOSTA A ACIVALDO JOSÉ DE FREITAS
SÁVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 03/03/2020

Boa noite Acivaldo!

A melhor qualidade que chegou a indústria saiu dos produtores, portanto chegou pra vocês também !!!
Vamos adiante !!!!!
EM RESPOSTA A SÁVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS
ACIVALDO JOSÉ DE FREITAS

AMORINÓPOLIS - GOIÁS

EM 04/03/2020

Concordo que temos que continuar firmes na esperança que a melhoria de rendimento/rentabilidade que está chegando na indústria retorne pro produtor. Porque até agora. Nada. Só tamos tendo a satisfação, a realização de estar produzindo um alimento melhor.
EM RESPOSTA A ACIVALDO JOSÉ DE FREITAS
SÁVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 05/03/2020

Isso aí Acivaldo
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