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Devo melhorar a qualidade do leite? Com a palavra, o produtor

POR SAVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

SÁVIO SANTIAGO

EM 01/11/2017

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Mudanças na vida geram desconforto, insegurança, incertezas. Às vezes precisamos tomar decisões importantes, seguir novos caminhos e evoluir. Nesses momentos vozes ocultas no nosso íntimo insistem em sabotar: “você não vai conseguir”, “é muito difícil”, “isso não vale a pena”.



O conforto por fazer o mais fácil na grande maioria das vezes é um gerador de piores resultados, e esses resultados que seguem piorando sistematicamente, influenciam em outras questões que também passam a piorar gerando um ciclo de problemas, desajustes e fracassos.  O cenário de conformismo e comodismo é muito comum quando a questão posta é a melhoria da qualidade do leite. Ao propor um trabalho melhorador e consistente, nos deparamos muitas vezes com o discurso sabotador exemplificado acima.



Palavras e argumentos nem sempre funcionam diante de uma posição de resistência. Na maioria das vezes a abordagem é derrotada pela negação da realidade por parte do produtor, já tão calejado com falsas promessas, produtos milagrosos e soluções “em pó” mágico. O que resta é a arma mais poderosa que existe quando o assunto é a persuasão: o exemplo.



Quando existe um bom exemplo, se estabelece uma possibilidade real de replicá-lo. No caso específico da melhoria da qualidade do leite o produtor que ainda não iniciou o trabalho, vê os resultados e benefícios do outro produtor que já conseguiu, se espelha e consegue ir adiante. Seguindo a lógica do exemplo, vamos expor a história de uma fazenda que está evoluindo e obtendo sucesso.



No final de 2014 o produtor José Cury Vilella conhecido na região como Neto e a sua esposa Érica, sócios na Fazenda Vargem Grande em Ingaí/MG, firmaram parceria de fornecimento de leite com a Verde Campo. Hoje eles produzem entre 1.000 e 1.300 litros/dia com gestão e operação familiar.

 




No início, os índices de qualidade da Fazenda Vargem Grande estavam em níveis que não atendiam a Verde Campo, e por isso foi elaborado um plano de ação amplo que estabelecia metas e procedimentos em parceria. O resultado de CBT inicial foi de 1.189.000 (CBT/ml) e a CCS estava em 1.476.000 (CCS/ml).



A equipe da Verde Campo deu todo o suporte necessário em visitas, análises e recomendações, e o casal se dedicou ao máximo na solução do problema. A CBT foi regulada de imediato, mas permaneceu instável no início influenciada pela alta contagem de células somáticas. A CCS começou a ceder paulatinamente de acordo com o trabalho pautado na metodologia da Verde Campo, que se baseia em decisões estratégicas norteadas por análises individuais, culturas, monitoramento de manejo, dentre outras ações.



Hoje, Neto e Érica conseguiram melhorar seus índices de qualidade e mantêm bons resultados sem desvios consideráveis em nenhum momento. A CBT mantém-se abaixo de 10.000 (CBT/ml) e a CCS está flutuando entre 300.000 e 450.000 (CCS/ml).



“A melhoria da qualidade foi muito importante do ponto de vista da gestão, processo e principalmente da rentabilidade”, José Cury Villela "Neto", produtor de leite. 



Segundo ele, “a melhoria da qualidade hoje representa tudo, porque na realidade de hoje, leite sem qualidade não poderia nem existir”. Ele acrescenta que “os laticínios precisam bonificar pelo leite de melhor qualidade” – o que ainda não é regra na região.



qualidade do leite



No início, o produtor chegava a receber penalizações no Sistema de Valorização do Leite da Verde Campo de até -0,06 centavos. Hoje com a qualidade atual, ele recebe em média R$ 0,17 centavos por litro de leite relativo a qualidade e ainda é certificado BPF e participante dos demais projetos da empresa que chegam a bonificá-lo em mais R$ 0,04.



qualidade do leite



Quando comparamos o pior bônus de qualidade com o melhor, chegamos a uma diferença de faturamento de R$ 0,27. Esse número em uma fazenda de 30.000 litros mensais é muito representativo e ainda devemos considerar o ganho de saúde e na produção média do rebanho. Para fechar a conta, ainda tem a diminuição dos gastos com antibióticos.



Motivados por seus resultados positivos, Neto e Erica decidiram implantar a certificação BPF e participar do projeto +LEITE+SÓLIDOS, agregando ainda mais segurança no leite produzido e aproximando cada vez mais a filosofia da fazenda com as crenças que norteiam a existência da Verde Campo. Essa iniciativa consolida cada vez mais a parceria.



Fizemos algumas perguntas ao produtor Neto sobre o trabalho de redução de mastite realizado em parceria com a Verde Campo:



A redução da CCS média refletiu na queda de casos clínicos e no gasto com antibióticos?



Sim, os casos clínicos foram reduzidos em 70% e o custo com antibióticos caiu muito também.



A redução da mastite refletiu em melhora na produção média das vacas?



Melhorou muito. Com o controle da mastite melhorou o bem-estar dos animais e por consequência a produção de leite.



A bonificação sobre a CCS compensa o trabalho de melhoria?



É um dos principais atrativos, já que o produtor recebe tão pouco pelo leite produzido. Hoje em dia, um produtor sem qualidade não consegue dar continuidade na atividade leiteira.



Você mantém o monitoramento para continuar melhorando os resultados?



Mantemos o controle diário. Nenhum tratamento milagroso funciona. Realizamos CMT semanal, linha de ordenha e os protocolos de limpeza de ordenha. Mantemos o ambiente limpo e separamos animais com infecção.




A parceria com a Verde Campo foi importante na redução dos índices?



Foi o ponto chave. No início foi muito estressante porque eram muitas coletas de leite, exames, culturas, visitas de manejo, ocupava muito o tempo da fazenda, mas valeu a pena. O mérito é nosso: produtor e Verde Campo!










É certo que os resultados alcançados no caso da Fazenda Vargem Grande são muito consideráveis, porém é preciso continuar destinando esforços para melhorar cada vez mais.



Entendemos que o trabalho de qualidade na cadeia do leite é a ferramenta mais importante nesse momento de mudanças em que o setor se encontra. É o princípio de um trabalho inclusivo que propicia mais rentabilidade e especialização de propriedades familiares.



Para as indústrias, o aumento do rendimento somado ao ganho em shelf life e na qualidade sensorial dos produtos são argumentos que encerram a discussão sobre a viabilidade econômica dos planos de pagamento por qualidade. Porém, é necessário implantar o pagamento por qualidade e respeitá-lo independente do momento de mercado. Além disso, é preciso fornecer assistência técnica constante aos produtores. As duas partes precisam acreditar no trabalho, ter propósito comum e buscar em total parceria o sucesso desejado.

SAVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

Gestor de Matérias Primas Lácteas da Verde Campo,
empresa do grupo Coca-Cola especializada em lácteos saudáveis. Pioneira na produção de produtos sem lactose. Tem na linha produtos reduzidos em sódio, zero açúcar e proteinados.

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SAVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 12/11/2017

Obrigado Emerson !!!!
EMERSON DI DOMENICO DURSO

CASCAVEL - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 12/11/2017

Grande exemplo de parceria entre indústria e produtor de leite baseada na consultoria continuada, no pagamento por qualidade e na certificação pelo cumprimento de requisitos de BPF. Iniciativas de implantação de protocolos de cumprimento de requisitos, mediante pagamento de bônus pelo esforço de melhoria do produtor devem ser valorizadas, assim como artigos que disseminem esses projetos.
SAVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 03/11/2017

Obrigado pela participação Vagner !
VAGNER ALVES GUIMARAES

VOTUPORANGA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/11/2017

Qualidade do leite, nada mais é do que uma mudança de atitude continuada , seguindo os protocolos ditados pela assessoria técnica, além de um manejo do rebanho e sua nutrição, tem nas madrugadas a ordenha onde começa o senso do profissionalismo com mão - de - obra treinada e motivada, os resultados falarão por si só.
Uma propriedade leiteira que produz leite com qualidade, seu sucesso se espalhara e nunca faltarão empresas querendo negociar a compra da matéria prima com valores e pagamentos com base na qualidade.
Artigos como este deverão acontecer mais vezes e se tornarem públicos,a qualidade deve ser o cartão de visita para o consumidor .