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Compost barn e o mercado de leite, tem conexão?

POR SÁVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

SÁVIO SANTIAGO

EM 07/01/2020

4 MIN DE LEITURA

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O texto bem que poderia se chamar “Conforto animal e o mercado do leite, tem conexão?”, mas a moda do momento é o sistema Compost Barn. Por ser um tipo de confinamento de grande adesão nos últimos anos, é natural avaliar os efeitos do conforto animal de fazendas já consolidadas nesse sistema, mas o objetivo principal é identificar as influências no mercado de quaisquer sistemas que propiciem conforto por meio da intensificação do manejo de vacas em produção.

Animais semi-confinados ou em sistemas intensivos a pasto são submetidos, na maioria das fazendas, a momentos de desconforto. Seja por excesso de barro no período de chuvas, ou por calor intenso em que as áreas de sombra, mesmo que bem dimensionadas, não são capazes de resfriar adequadamente os animais.

No momento, a redução do número de produtores brasileiros tem sido muito comentada em análises conjunturais e tem se intensificado na medida que a exigência por qualidade ganha formato de lei. A conclusão breve que se chega é que o impacto de mercado desse movimento seria de restrição na oferta de leite.

O fato é que não é bem assim. Em velocidade maior comparado ao movimento de saída de fazendas do mercado está o ganho por produtividade e, por consequência, a produção total das fazendas que permanecem produzindo. Analisando números do IBGE, em 10 anos tivemos redução de aproximadamente 13% das unidades produtoras e crescimento de aproximadamente 30% na produção total de leite. Essa curva de tendência inversa passa a se intensificar na medida que novas tecnologias e sistemas de produção especializados se tornam mais comuns.

Analisando os dados de uma fazenda parceira no sul de Minas Gerais que migrou da produção semi-intensiva para o sistema Compost Barn em 2016, dá para se ter uma ideia das tendências: Em 2015, o produtor fechou o ano com média de produção diária de 1.288 litros, sendo a média por animal de 19 litros por dia. Seus índices de qualidade tiveram, em média, no mesmo período, os seguintes resultados: Contagem Bacteriana Total (CBT) 12 mil UFC/mL; Contagem de Células Somáticas (CCS) 430 mil cél/mL; Gordura 3,45 e Proteína 3,22.

Em 2018 levantamos os dados médios da mesma fazenda. Em conversa com o parceiro, ele afirmou que não houve qualquer investimento na aquisição de animais e que somente fez um segundo galpão devido a “melhor reposição e o menor descarte” de vacas. A média de produção total diária foi de 2.809 sendo que a média por animal atingiu 27 litros. Os índices médios de qualidade foram: CBT 10; CCS 225; Gordura 3,89 e Proteína 3,45. Nota-se que até mesmo a produção de sólidos foi favorecida pelo melhor manejo nutricional e principalmente pela redução do estresse térmico.  

Logicamente, esse é um exemplo individualizado, que não representa o melhor resultado da troca de um sistema de produção e também passa longe de ser o pior. Mas pode ser utilizado como um balão de ensaio mais atualizado do que os dados oficiais para traçar tendências.

Estamos diante de uma unidade de produção que obteve melhora considerável em todos seus indicadores e que está produzindo 118% mais leite por dia em um espaço de três anos.

O incremento vem acompanhado de outras benesses: melhor preço médio pelo produto por conta da qualidade, melhor evolução do rebanho pela menor necessidade de descarte e pela chegada mais rápida de novas matrizes, menos doenças como mastites e problemas de casco, menor gasto com medicamentos, mais estabilidade na produção com menores variações sazonais, dentre outras questões.

Essa transformação no mercado brasileiro ocorre em um grupo de produtores que já tinham produção e produtividade bem acima da média nacional. Considerando dados do IBGE em 2018, somente para cobrir o incremento de produção dessa fazenda, seria necessária a saída de 19 produtores do mercado formal.

Isso mostra o porque da produção se manter crescente mesmo com a debandada gradual de produtores menores que não conseguiram se adequar a profissionalização e ao ganho de qualidade. Na verdade, o mercado não está os excluído, a inviabilidade da baixa tecnologia e da ausência de escala está tornando cada vez mais distante a realidade do produtor ineficiente das fazendas que estão evoluindo.

Quem optou antes por migrar para sistemas que priorizam o conforto animal “vai beber água fresca”. A sensacional taxa de retorno do investimento das fazendas que se transformaram nos últimos cinco anos tende a se achatar pelo simples fato do conforto gerar mais leite para o mercado.

É claro que existem outros fatores capazes de aumentar ou reduzir a produção total em determinado momento e esses fatores continuarão flutuantes. Porém é inegável que estamos diante de um fator agregador de volume total que se manterá crescente por um bom tempo, independente de tendências pontuais de mercado. Não há argumento para não investir em conforto.

Que fique claro que esse raciocínio não é em defesa desse ou daquele sistema de produção. É possível elevar a régua de conforto animal em qualquer sistema e a viabilidade econômica é inquestionável.

Conforto animal dá retorno e aumenta volume, a ponto de impactar em dados nacionais de oferta de leite e suas consequências de mercado.

SÁVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

Gestor de Matérias Primas Lácteas da Verde Campo,
empresa do grupo Coca-Cola especializada em lácteos saudáveis. Pioneira na produção de produtos sem lactose. Tem na linha produtos reduzidos em sódio, zero açúcar e proteinados.

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ANTÔNIO CARLOS DE SOUZA LIMA JR.

GOIÂNIA - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/02/2020

Muito interessante a abordagem, Savio!
Abraços.
MAURILIO REIS ARVELOS

SÃO JOÃO DEL REI - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/01/2020

Ótimo texto e reflexão!
Menos produtores mais leite, o texto tenta explicar o motivo disso também.
Conforto para vacas gera um aumento significativo na produção. A grosso modo o Sávio quis dizer que um carro numa estrada de terra ruim anda igual anda numa estrada asfaltada mas a velocidade dele muda bastante de uma pra outra!
Parabéns Sávio sempre ótimos textos
ROGERIO ALVES ALVARENGA

ENTRE RIOS DE MINAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 15/01/2020

é papel aceita tudo mesmo,
primeiro comentário, diz que a media dos animais era 19 lts com 1288 lts dia isso daria em media 68 animais.
segundo comentário, diz que não teve aquisições de animais mas para produzir 2809 lts com media de 27 lts teria que ser uma media de 104 animais que daria um aumento de aproximadamente de 52% á mais .?
SÁVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 15/01/2020

Bom dia Rogerio!

Papel aceita tudo de quem tem o propósito de criar fatos, não é meu objetivo.
Não sei se você se atentou, a lacuna de tempo entre uma realidade é outra é de três anos. Se também você leu que ele teve que aumentar alojamentos por conta da redução nos descartes de animais.
Também foi evidenciada uma melhora no conforto que levou a uma melhor reprodução.
Mais animais de reposição com menos descarte e uma melhor reprodução é igual a mais animais em produção.
Isso só respalda o grande retorno do investimento em conforto animal.
Caso tenha interesse em conhecer a propriedade, fica no sul de MG. Me mande um e-mail que te levo lá "por fora do papel".
FABRICIO AUGUSTO

PASSOS - MINAS GERAIS

EM 14/01/2020

Olá Sávio! Parabéns pela matéria.
Realmente, nós temos visitado várias fazendas aqui nas regiões do sul e sudoeste de Minas Gerais e percebemos que é grande o número de compost barn construídos ou em processo de construção.
Nessas fazendas, fomos convidados para solucionar o alto consumo de energia elétrica e constatamos que o investimento em novas tecnologias para aumento de lucratividade está cada vez mais presente no dia-a-dia do produtor de leite.
SÁVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 15/01/2020

Obrigado pela participação Fabrício !
De fato existem desafios pelo caminho.
Abraço
MARLUCIO PIRES

EDEALINA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 09/01/2020

Boa noite Sávio. Vc conheceu o proprietário pessoalmente? Como vc já esclareceu que o foco da matéria não era mostrar margem da Fazenda, mas talvez possa me ajudar. Eu sofro de ambos os problemas citados na matéria: barro nas águas, calor na seca. Meu rebanho ficou muito pior, e esse ano decidi investir num galpão de compost barn, mas esbarrei no custo deste, que por alto ficou perto de 5 mil reais por animal. O galpão pra 50 animais ficaria próximo de 250 mil reais. Tenho certeza que ganharia em produtividade e qualidade, além de acabar com problemas com carrapatos, mas será que se eu financiasse a estrutura, minha margem e lucro seriam suficientes pra pagar as parcelas? O rapaz citado na matéria mencionou algo a respeito? Abraco
SÁVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 09/01/2020

Boa tarde Marlúcio!

Se quiser me envie um email: savio@verdecampo.com.br que eu te ajudo a fazer essa avaliação dentro das minhas possibilidades.

Abraço
RODRIGO GRANDINI SARAIVA

ITAPETININGA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/01/2020

Na minha opinião, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, o regime de confinamento não é mais uma tendência, é uma meta.
A necessidade de aumentar os volumes de leite entregue diariamente, uma hora irá esbarrar na quantidade de área que o produtor tem para o gado pastejar, mesmo que seja um pasto bem manejado e com alta produtividade. Bem como o grau de sangue dos animais de altas médias de lactação, que tem limiares de temperaturas mais baixas para conseguirem conforto térmico.
SÁVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 08/01/2020

Oi Rodrigo,

Tem razão, várias questões de impacto devem evoluir em consonância uma com a outra para que o verdadeiro ganho de eficiência chegue para nossos produtores.

Obrigado pela participação!
ELIVELTO

JERÔNIMO MONTEIRO - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/01/2020

Acredito que o conforto aumenta sim a produtividade, mas não nessa quantidade.
Você deveria falar se essa fazenda usa hormônio nós animais, e se já usava antes, por exemplo...
Quanto ele tem de lucro/litro hoje e quanto ele tinha antes...
A matéria deveria ser mais longa e mais detalhada
JOSE FERNANDO

JOÃO PINHEIRO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/01/2020

tambem gostaria de saber qual o lucro dessa fazenda
SÁVIO COSTA SANTIAGO DE BARROS

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 08/01/2020

Obrigado pela participação e crítica Elivelton;

Antes de te responder, preciso que você entenda os principais objetivos do texto.

O primeiro é mostrar que conforto animal trás benefícios claros que refletem no item de maior interferência para o resultado de uma fazenda, que é o ganho por escala de produção. Deixei claro que não estava somente falando do Compost Barn, mas que o texto leva esse título por ser o sistema da moda no quesito conforto animal e também porquê é o sistema utilizado na fazenda em questão.

O outro objetivo é levantar a reflexão de que mesmo com produtores saindo do mercado cada vez com mais constância a produção segue subindo, em grande parte por conta do ganho tecnológico em conforto para as vacas de produção.

A o lucro da fazenda em questão não foi exposto porque esse não era o objetivo como mencionei acima, mas posso te afirmar que se maximizou e muito com a mudança de sistema. A propriedade era de manejo semi-intensivo, tinha o mesmo nível de alimentação que é o principal item de custo de produção mas com produção média muito inferior e com resultados de qualidade também.

Se você dá desafios de desconforto como calor, umidade, deslocamento a um animal de capacidade de produção de 30 litros por dia mesmo que com uma excelente nutrição você irá ter como retorno 30 - X. Em tese, sem mudar quase nada nos principais itens de custo, é possível conseguir o máximo desempenho dos animais.

Nesse caso ele agregou conforto e conseguiu mais de 50 mil litros adicionais por mês. Resultado na veia.
Posso te afirmar, é uma fazenda rentável, eficiente e com crescimento consolidado. Muitas estão nessa condição.
MilkPoint AgriPoint