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A nova voz

POR SAVIO SANTIAGO

SÁVIO SANTIAGO

EM 03/02/2020

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O advento da interatividade na comunicação por meio das redes sociais e de aplicativos de mensagem surgiu como uma avalanche contagiando a todos.

Reencontramos familiares distantes, amigos do passado, pessoas com quem estudamos e compartilhamos a juventude. Longas distâncias que separavam as pessoas se reduziram a nada e a interação social atingiu um novo status global. É bem verdade que a revolução meteórica da comunicação interativa reduziu o calor humano das relações, trazendo o distante para perto, mas distanciando quem está próximo de verdade.

Essa grande mudança que está ocorrendo na história da humanidade também democratizou a informação. Em um passado não muito distante, a velocidade da imprensa — desde a captação de uma notícia, edição até a veiculação em rádio, jornais e TV — já impressionava.

Lembro-me bem que por volta do início dos anos 90, meu pai permitiu que um distribuidor do jornal “O Globo” descarregasse diariamente pilhas e mais pilhas de jornais na varanda da nossa casa, em Rio Bonito/RJ, a 70 km da capital. Chegavam às 3 horas da manhã e deixavam os impressos para que outras pessoas os redistribuíssem por volta das 6 horas. Eu era um menino apaixonado por futebol e ficava nos dias posteriores aos jogos do meu Flamengo acordado, aguardando o periódico com detalhes das partidas. Sempre me impressionava muito a rapidez com que a notícia sobre os jogos era veiculada. Muitas vezes as partidas terminavam às 23 horas do dia anterior e logo pela madrugada já tinham informações, análises e fotos sobre tudo o que aconteceu.

Ao contar essa história hoje, certamente eu seria ridicularizado por um menino de 18 anos, ao me gabar da agilidade com que o Jornal “O Globo” processava uma informação no início da década de 90. A informação atualmente é instantânea, quase que imediata, quando não é de fato imediata.

A comunicação é, de longe, o setor que teve o desenvolvimento tecnológico mais acelerado na humanidade. Grande parte das pessoas que completam 70 anos em 2020 já atualizam rotineiramente seus status do Facebook e no Instagram, mesmo tendo sido testemunhas oculares dos primeiros televisores que chegaram ao Brasil.

Tudo o que foi dito até aqui parece traçar uma realidade fascinante, de uma evolução que somente trouxe ganhos para a humanidade. Mas, infelizmente, nem tudo são rosas.

Pessoas que antes não manifestavam suas opiniões, preferências, desejos e intimidades foram surpreendidas do dia pra noite transitando do anonimato para o papel de ator principal. Descobriram que comentar, opinar, discutir, informar e expor suas rotinas íntimas geram likes, um “carinho digital” ao ego. Passaram a se aproximar de indivíduos com pensamentos parecidos e alijar quem é diferente. Aí que a coisa começou a sair do controle.

A distância entre a verdade e a mentira no surgimento das informações passou a ser mínima e então nos deparamos com um poderoso turbilhão de notícias duvidosas que invadiu a sociedade gerando insegurança e risco para todos.

A exposição das opiniões políticas, sociais e de simples preferências sobre quaisquer assuntos exacerbou os ânimos, causando um claro distanciamento entre opostos. A mesma rede que deu voz a boas ideias trouxe à tona pensamentos radicais, por vezes preconceituosos, e uniu todo tipo de gente por uma causa pontual qualquer.

Surgiram ainda aqueles que defendem teses loucas, teorias da conspiração e desafiam o conhecimento científico com “pesquisas” que desenvolvem em alguns caracteres. Em não mais que alguns minutos publicam conclusões de "grande complexidade”.

É o culto à ignorância no ponto mais alto que já se teve notícia. Daí surgiram movimentos que comprovaram indubitavelmente que a terra é plana e que seres humanos não precisam mais de vacinas, por exemplo.


Imagem: Pixabay

Mas, o que isso tudo tem a ver com o leite?

O ambiente se tornou inóspito para quem tem que promover alguma coisa. Marqueteiros foram tomados de assalto com uma legião de consumidores que elogiam, recomendam, criticam, questionam, sugerem, agridem ou denigrem uma empresa ou uma marca.

Enquanto permanecem no campo do consumidor como avaliador individual, podemos tirar uma vantagem de quase todas essas ações. Conhecendo as insatisfações sobre um produto e podendo quantificá-las, é possível seguir com melhorias que levem a excelência.

Mas e quando as ações são somente agressivas e, por vezes, coletivas?

No nosso setor, enfrentamos agressões organizadas e não organizadas que surgem na maioria das vezes por pessoas radicais que se intitulam veganas e outras que são “legítimas defensoras dos animais”, que, por gostarem muito de cachorros e gatos, enxergam vacas como “pet”. Há ainda aqueles que não gostam de leite, que preferem outro produto e outros que simplesmente vão na direção de qualquer onda que combinar com a capa do seu “perfil”. Nunca foi tão atual a fala do nosso grande cantor Cazuza: “ideologia, eu quero uma para viver”.

Todos esses tipos de opositores enxergam suas preferências e pensamentos como um padrão a ser seguido. Por terem se tornado tão donos das suas próprias histórias — que são atualizadas diariamente nas redes sociais—, entendem como inaceitável que qualquer ser vivo ouse pensar diferente e que consumam produtos que eles não aprovam. Passaram a ser criadores das regras e precisam monitorar a todo tempo os costumes alheios. 

O fato é que, na maioria das vezes, as manifestações radicais surgem de ideias completamente estapafúrdias, sem nenhuma origem científica e que transformam "achismos" em verdades virais.

Já vi até produtor de leite criando teorias escalafobéticas quanto ao risco do surgimento de pandemias mortais a seres humanos em confinamentos de vacas de leite. Isso mesmo! Um produtor de leite “teorizando” um absurdo que pode impactar diretamente na imagem do seu produto simplesmente porque ele prefere o sistema de criação de gado a pasto.

O desafio não fica só no ponto de vista de marketing setorial, mas também na gestão de marca das empresas. Qualquer deslize, inconformidade ou associação negativa de impacto social ou ambiental a uma marca, mesmo que mentirosa, pode causar um estrago enorme.

Quando estamos em família, sempre tem uma tia urbana que vem perguntar: “O leite tem hormônio?”, “sai sangue do peito da vaca?”, “vaca é maltratada?”, “dói pra tirar leite?” etc. Saímos sempre com a impressão de que fizemos um bem ao setor por desmistificar absurdos. Se tem tanto efeito sobre “uma tia”, imagine em um ambiente que tem milhares de participantes que impactam outro milhões diretamente. Exercite vistoriar em sua lista de amigos do Facebook, quantos não tem qualquer ligação com o setor. Quantos são vulneráveis a desinformação.

É preciso fazer tudo cada vez melhor no setor. Focar em processos, bem-estar animal, higiene e preservação ao meio-ambiente. Uma imagem errada em forma de foto ou vídeo publicada em uma mídia social por um dos “opositores” ao consumo de leite pode ser o estopim para uma crise, mas também precisamos aprender a falar bem do que fazemos.

SAVIO SANTIAGO

Gestor de Matérias Primas Lácteas da Verde Campo,
empresa do grupo Coca-Cola especializada em lácteos saudáveis. Pioneira na produção de produtos sem lactose. Tem na linha produtos reduzidos em sódio, zero açúcar e proteinados.

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MAURO ARAUJO DIAS

ANÁPOLIS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/02/2020

boa tarde, quase todas as materias relativas a leite, vemos o proprio produtor de leite reclamar da atividade, da falta de perspectivas, do preço, do laticinio, mas quase ninguem sai da atividade, nós estamos matando a nossa geração de sucessores, pois de tanto ver reclamação na mesa, não querem nem saber de continuar na atividade, no final do ano passado, tive a oportunidade de ver estes acontecimentos, liquidação de rebanhos, pela perca do gestor, e não ter o sucessor interessado em continuar na atividade.
SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 05/02/2020

Tem razão Mauro

Obrigado por participar
LÍLIAN DAYANE FERREIRA MONTEIRO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 05/02/2020

Ah que saudades daquela época em que o jornal era um leque de informações e as cartas demoravam dias para chegar ...oh!!!
Saudades..
E quanto ao leite infelizmente tentam negligenciar o nosso ouro branco a grande riqueza do nosso país
Parabéns pela matéria.
SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 06/02/2020

Obrigado Lilian!

Também tenho saudades. Escrevendo o texto parecia que eu sentia o cheiro do jornal recém impresso.
Obrigado por participar!
TÂNIA NASCIMENTO GONÇALVES

PIRACANJUBA - GOIÁS

EM 04/02/2020

Parabéns por esse texto de verdades, descrevendo os dias atuais, é fato!
SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 04/02/2020

Obrigado Tânia !
CARLOS ALBERTO T. ZAMBONI

MOCOCA - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 04/02/2020

Prezado amigo. Parabéns pela matéria muito atual, principalmente nas questões relacionadas aos produtos lacteos.
No minha visão, um tanto míope, com pouca intimidade nas questões de mídias sociais, vejo assim como voce em seus tempos idos no RJ, onde aguardava ansioso a chegada dos jornais para aprofundar os seus conhecimentos através dos artigos com as opiniões dos jornalistas esportivos e ali vc poder comparar com o que foi narrado no rádio pelos locutores e comentaristas, a internet chega aos CONSUMIDORES da mesma forma, muitas vezes com cada um opinando a sua preferencia nas redes sociais sobre um determinado produto, criando regras sobre um segmento e muitas vezes sem nenhuma base cientifica e os compara com o que realmente ele é,
se deparando com cada produto, neste caso os lacteos, sabendo dos seus beneficios, o prazer de consumir produtos saborosos, nutritivo,etc, e aí saberá distinguir e expressar a sua preferencia.
Apesar das opiniões dos contrários, numa midia digital avassaladora, aprenderemos sim a falar bem do que fazemos e a nossa opinião sempre se sobressairá, pois sabemos de sua qualidades inquestionáveis, mesmo questionadas.

abs

ZAMBONI
SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 04/02/2020

Obrigado pela participação professor !
EDUARDO DE PAULA NASCIMENTO

FRANCA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 04/02/2020

Excelente abordagem, companheiro! "Carinho digital ao ego" foi uma sacada fantástica rsrsr. Parabéns pelo artigo! Precisamos, nós do setor, cerrar filas e, mais que combater os cometários negativos, afinar nosso diálogo afim de divulgá-lo com a positividade necessária, melhorando cada vez mais a imagem desse nobre produto que sustenta grande parte do agro nacional.
SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 04/02/2020

Obrigado Eduardo !

Realmente precisamos aprender a gastar mais energia falando bem do que fazemos do que nos defendendo de agressões,

Abraço
BRUNO VICENTINI

LAVRAS - MINAS GERAIS

EM 04/02/2020

Parabéns pelo texto! Impecável!
SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 04/02/2020

Obrigado Bruno !
GLAUCO RODRIGUES CARVALHO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 04/02/2020

Parabéns pelo texto Savio. Muito clara a mensagem e finalizou de forma brilhante "precisamos aprender a falar bem do que fazemos". Os opositores são muito proativos e nós precisamos ser também. Abraço
SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 04/02/2020

Obrigado professor !

Também credito que participação mais intensa e criteriosa do setor na divulgação traria bons frutos.
MÁRIO SANTIAGO

BARBACENA - MINAS GERAIS

EM 04/02/2020

Parabéns Sávio, alterna bem entre a nostalgia do passado, a variedade na formação de opinião alheia, a velocidade da transformação tecnológica, a disseminação do conhecimento entre o produto e o produtor rural, além da boa matéria muito bem redigida e editada, perfeito, continue brilhando e espargindo conhecimentos.
SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 04/02/2020

Obrigado pela leitura e pelos elogios mestre !!!!
LUIS PAULO PEREIRA

CAMPOS GERAIS - MINAS GERAIS - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 03/02/2020

Muito bom Sávio! Parabéns.
SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 03/02/2020

Obrigado Luís !
JAMES CISNANDES JR

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA LATICÍNIOS

EM 03/02/2020

Olá Sávio, muito interessante a abordagem do seu artigo. É preciso mais sensatez no uso das redes e consumo de informações. Noutras palavras, é preciso desenvolver análise crítica em contraponto ao grande volume de pessoas que apenas replicam o que recebem. Abraço!
SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 03/02/2020

Obrigado pelo comentário James !

Abraço!
VALÉRIA MÁZALA

EM 03/02/2020

Parabéns Savinho com certeza a Verde Campo deve se orgulhar de ter um profissional tão competente como você!
SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 03/02/2020

Obrigado !!!
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 03/02/2020

Muito bom, Sávio! Nossa participação nesse processo tem sido muito mais reativa do que pró-ativa. Essa "guerra" da comunicação é o maior desafio da cadeia de produção animal no mundo hoje.
SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 03/02/2020

Exatamente,

Sorte do setor que temos o Milkpoint.

A cadeia do leite chegou no momento de falar mais pra fora do setor, mas de forma assertiva. Precisamos aprender a fazer isso enquanto setor produtivo!

Abraço
EM RESPOSTA A SAVIO SANTIAGO
RUBENS CARLOS LÜDTKE

TENENTE PORTELA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/02/2020

Acredito que deveríamos ter algum tipo de acessoria para mostrar as coisas boas que fazemos na produção deste produto nobre, os lácteos, porque a nós não é dado o direito de falar coisas incorretas e infundadas como aos nossos opositores, os quais falam todo tipo de asneira e acabam sendo aplaudidos...
Teríamos tanto de bom para mostrar, mas se qualquer coisa que não agrade transparecer, está feito o estrago!
EM RESPOSTA A RUBENS CARLOS LÜDTKE
SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

HÁ UM DIA

Obrigado Rubens !
THATÁ CABRAL CURCIO

EM 03/02/2020

Mandou muito bem! ????????????
SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 03/02/2020

Obrigado !!!!!!!
ORLANDO SERROU CAMY FILHO

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 03/02/2020

Parabéns Sávio, explanou muito bem o tema "comunicação". Como você disse, precisamos ficar atentos aos nossos movimentos quando nos manifestamos nas redes sociais, pois podemos atrair, desnecessariamente, a ira dos militantes "naturalistas" que influenciam um público sensível a discursos emocionais. Comportamentos inconsequentes, de quem se acha protegido dentro de um determinado grupo, causam estragos enormes à cadeia produtiva.
SAVIO SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 03/02/2020

Obrigado Orlando !