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Região Sul será campeã de produção

POR PAULO MARTINS

PAULO DO CARMO MARTINS

EM 22/10/2013

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É questão de tempo. Em 2015, o Sul deixará o Sudeste para traz, ocupando o primeiro lugar na produção brasileira de leite. Você duvida?

Em 1990, quando o preço do leite ainda era definido pelo Governo, o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná juntos produziram 22,5% da produção brasileira. Naquele mesmo ano a região Sudeste produziu 47,8%. Sozinho, o Estado de Minas Gerais produziu 31,5% a mais que o produzido em conjunto pelos três estados que formam a região Sul. Naquela época os mercados eram regionalizados, ou seja, produção e consumo ocorriam na mesma região, com preços muito diferentes entre as regiões. Não havia nenhuma empresa com captação nacional e as cooperativas dominavam o mercado brasileiro, com cerca de 70% da captação. Em cada Estado havia uma grande cooperativa central. No Sul, o leite era controlado pela CCGL, em Minas pela CCPR, em São Paulo pela CCL e no Rio de Janeiro, pela CCPL. Parecia que seria sempre assim, mercado imutável.

Entretanto, nos anos noventa tudo mudou. A decisão de combater a inflação a qualquer custo levou o Governo a adotar câmbio sobrevalorizado, facilitando a importação. Como o mercado internacional de leite sempre foi altamente subsidiado, em pouco tempo o produto passou a frequentar as prateleiras dos supermercados brasileiros, comercializados no atacado à bagatela de US$ 1,9 mil a tonelada. Nesse ambiente de competição aberta, o produtor brasileiro não sabia o que era negociar preço, nem estava no seu horizonte a busca pela eficiência, pois desde 1945 o Governo dizia quanto seu produto valia. Portanto, no começo dos anos noventa, parecia que o mundo ia acabar... Principalmente para os produtores do Sul. Eles são vizinhos da Argentina e Uruguai, os dois principais países ofertadores de leite no Brasil naquela época, que se beneficiaram das facilidades de comércio oferecidas, em função do Mercosul.

Entretanto, passados 22 anos, a situação é outra. Veja a Figura 1. A produção da região Sudeste veio perdendo importância relativa, cedendo espaço continuamente para a região Sul. Entre 1990 e 2012 a produção brasileira mais que dobrou e cresceu 123,1%, mas a produção da região Sudeste cresceu 67,4%. Já a produção da região Sul, no mesmo período, cresceu mais que o triplo, ou 229,1%.


Figura 1. Percentual da produção regional em relação ao total nacional. Brasil. 1990 a 2012.

Fonte: Produção Pecuária Municipal, IBGE (2013)

Nestes 22 anos, a produção de leite em São Paulo decresceu e em 2012 foi 13,8% menor que em 1990. O Estado deixou a condição de segundo colocado e passou para a quinta posição no ranking nacional. A produção do Rio Grande era de 74% em relação à de São Paulo, em 1990. Mas, cresceu 178,9% e já em 1999 este Estado deixou São Paulo para traz. Hoje, ocupa o segundo lugar em termos de produção nacional. Também Santa Catarina viu sua produção crescer mais de quatro vezes, ou seja, 317,8% e desde 2007 esse pequeno Estado apresenta produção maior do que São Paulo. Acompanhe o comportamento da produção destes três estados pela Figura 2.


Figura 2. Produção de leite em estados selecionados. Brasil. 1990 a 2012. (milhões litros)

Fonte: Produção Pecuária Municipal, IBGE (2013)

Vejo três explicações para esta mudança radical de cenário em apenas duas décadas ou uma geração. A primeira é que a região Sul foi submetida a uma competição muito mais intensa que a verificada no restante do Brasil, com a abertura da economia ocorrida nos primeiros anos da década de noventa. E a competição, a teoria econômica prova, faz uma seleção natural entre as empresas que competem, tornando mais fortes aquelas que resistem ao processo competitivo.

A comparação dos censos de 1996 e 2006 demonstra que as mudanças foram perversas. Enquanto 470 mil produtores de leite deixaram a atividade em todo o Brasil, no Sul foram 194 mil. Portanto, a cada cinco produtores que deixaram de produzir leite no Brasil nesse período, dois foram produtores da região Sul. Numa comparação com a região Sudeste, o número dos desistentes no Sul foi mais que o dobro. Foram 104 mil produtores a mais. Visto de outra forma, em termos relativos, o Sul perdeu 32% dos seus produtores e a região Sudeste perdeu 23%. Portanto, a seleção darwinista foi muito mais intensa no Sul, sob qualquer parâmetro de análise.

Realizei uma ampla pesquisa de campo naquela região em 2001, visitando 90 propriedades. Foi quando eu constatei um fato que os dados do Censo do IBGE não podem revelar. A seleção foi muito mais intensa ainda e expulsou muito mais produtores. É que, ao mesmo tempo em que saíam produtores, também ocorreu a entrada de um volume muito grande de outros produtores, expulsos da cultura da soja e da criação de suínos e aves. Estas atividades passaram a apresentar margens cada vez mais reduzidas e quem não pôde aumentar o volume de produção de modo significativo acabou procurando o leite para se dedicar. Portanto, os dados registram, na verdade, um resultado líquido, ou seja, a diferença entre os que entraram e os que saíram.

Então, saíram produtores com pouca aptidão para o leite e entraram produtores com mais aptidão, pois vinham de atividades que exigem maior sintonia com o processo produtivo. Foi assim que as empresas que detém as marcas Frimesa e Aurora, duas importantes cooperativas, entraram no leite. Tradicionalmente elas não se dedicavam ao leite, mas a suínos e aves. Todavia, por serem cooperativas, nessa época sentiram a necessidade de acolher os seus cooperados que iam sendo expulsos das outras culturas e iam entrando no leite. Contudo, o que era quase uma ação social se transformou em um novo e vigoroso negócio. Em síntese, o novo cenário de competição aberta contribuiu para fortalecer e dinamizar a atividade, em que pese a expulsão de produtores.

Uma segunda explicação é que aquela região tem terra muito cara, em função da competição entre atividades agrícolas. Além disso, as propriedades são pequenas. Naturalmente, para sobreviver nesse cenário é fundamental obter produtividade elevada da terra. Nessa linha de raciocínio, na medida em que cresce o preço da terra, cresce a pressão por melhoria na eficiência, traduzida em melhoria de produtividade. Enquanto a produtividade cresceu 86,5% em vinte e dois anos no Brasil, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina a produtividade cresceu 118,2% e 115,9%, respectivamente. Logo, o preço da terra contribui para forçar ganhos contínuos de produtividade, já que a terra é cara e o preço não parou de crescer.

O terceiro motivo ou explicação está relacionado ao fato do modo de produção ser majoritariamente familiar. Essa é uma diferença significativa em relação ao que se vê no Sudeste. Na Nova Zelândia, na Austrália, nos Estados Unidos, na França... enfim, onde o leite é produzido em quantidade e de maneira competitiva a base produtiva é familiar. Portanto, a região que mais se aproxima desta condição é a região Sul. Além disso, como o proprietário mora na propriedade e acompanha tudo o que ocorre, é mais interativo o processo de tomada de decisões.

Em 2012, o placar da produção terminou com o Sudeste produzindo 35,9% da produção brasileira e o Sul atingiu 33,2%. Portanto, 2,3 milhões de litros/dia separaram as duas regiões. Penso que continuaremos com escassez de leite no mercado brasileiro em 2013 e com preços elevados ao produtor. Em 2014 acredito que não teremos mudanças substanciais neste cenário. Com preços elevados o acréscimo na produção diária da região Sudeste será 750 mil litros, como média de crescimento para 2013 a 2015. Nesse período, a região Sul aumentará a oferta em 1,6 milhões/dia, a cada ano. Portanto, no primeiro semestre de 2015 a região Sul assumirá a dianteira da produção nacional. Quem viver, verá!

PAULO MARTINS

Doutor em Economia Aplicada. Chefe Geral da Embrapa Gado de Leite e Professor da UFJF.

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JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 07/03/2014

Caríssimo Paulo,

Você tem razão quando levanta a necessidade de se estudar o consumidor de leite, o elo que menos se conhece no Brasil.
PAULO F. STACCHINI

SÃO CARLOS - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 07/03/2014

Dr Paulo, não apenas a floresta e as árvores precisam ser analisadas, talvez todo ambiente, "ecossistema" da cadeia e até suas relações com demais cadeias. Não quis dizer que a vossa análise aqui apresentada seja pouco importante. Ao contrário, também foi provocativa no sentido de despertar nossas mentes (olhe quantos comentários)! No entanto, produção bruta por região pode indicar muitas coisas, ou dependendo da óptica, absolutamente nada. Mais do que isso, é preciso estar bem atento ao mercado, seja através de tendências do consumidor final, mas também estratégias das indústrias compradoras/processadoras, de canais de distribuição (inclusive exportação/custos/câmbio/logística) entre outros pontos. Porque no final, serão os consumidores/clientes que ditarão as tendências. Seria oportuno estudar quem são os consumidores/compradores do leite da região Sul e qual o destino final desse leite. Existiriam outros mercados mais interessantes a serem explorados que os atualmente estão sendo?
ALEX M. M. SÁ ANDRADE

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS

EM 06/03/2014

Com essa politica do governo em MG e no restante da região sudeste(RJ,SP,ES),em decadência e sem incentivos,realmente a região sul tem tudo para passar em breve para o primeiro lugar de produção leiteira.
Parabéns para quem incentiva a produção em seus estados .
PAULO MARTINS

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 06/03/2014

Olá Guilherme,

Será daqui a 15 meses!
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/03/2014

Prezado Conterrâneo Paulo Martins: Com a divulgação das produções leiteiras de 2013, acho que sua previsão não vai se concretizar, em apenas um ano: a diferença entre a produção do Sudeste e a dos demais polos regionais brasileiros ainda continua enorme. Mesmo que haja uma catástrofe que atinja só o Sudeste (o que é pouco provável, já que a maior de todas é a mantença do PT no poder e atinge ao Brasil inteiro - rsrsrs), ainda assim, a diferença será muito grande.
Um abraço,

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
ALFA MILK
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
=HÁ NOVE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
www.fazendasesmaria.com
Facebook: Sesmaria Faz
PAULO MARTINS

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 06/03/2014

Olá Paulo,

Discutir a especialização da produção por região é também importante para aqueles que não compram leite, simplesmente. Leva a todos nós a procurar entender o que aquela região apresenta para demonstrar tal fenômendo. Sob a ótica do Governo, permite elaborar políticas públicas específicas. As regiões não dinâmicas podem aprender com as mais dinâmicas. Você faz tantas perguntas provocativas no seu texto que demonstra a importância de analisarmos a floresta e a árvore com mais acuidade, ou seja, as regiões e os produtores que dela participam e a fazem.
PAULO F. STACCHINI

SÃO CARLOS - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 06/03/2014

Gostaria de fazer a seguinte pergunta?

Por que essa "discussão" de qual região terá a maior participação no volume total de leite produzido no Brasil é relevante? Isso por si só poderia "indicar" alguma tendência ou vantagem competitiva em se produzir leite em determinada região do país? Talvez essa pergunta seja importante do ponto de vista de captação de leite para as indústrias, mas seria relevante para um produtor de leite individual, esteja ele na BA, RS, PR, MG ou SP? Pouco provável, embora seja interessante como produtor analisar tendências.

Como produtor, devo analisar minha própria capacidade de ser eficiente, de ser competitivo, de permanecer, mas principalmente, expandir minha produção e rentabilidade. E o mundo e a História nos mostra que é possível ser eficiente em SP, PR, MG, RS, nos EUA, ou NZ. Como produtor, é necessário ter um sistema de produção eficiente e coerente com o ambiente e mercado em que atuo. Só para provocar um pouco a discussão:

Se o Sul (PR, RS e SC) será a maior região produtora de leite, se MG continuará sendo o maior estado produtor, por que São Paulo continua sendo o estado com os 3 maiores produtores de leite por anos consecutivos na lista dos top 100? Seria o fato de terem marcas próprias de Leite A e maior poder de negociar tanto insumos, quanto produto final um diferencial para continuar expandindo a produção? Será o modelo empresarial e não familiar o grande diferencial? Será a proximidade de grandes centros consumidores com alto poder aquisitivo uma vantagem competitiva?

Seria interessante englobar na discussão alguns exemplos de outros países importantes no cenário mundial da produção láctea, como por exemplo comparar Wisconsin x Califórnia, nos EUA.

Não acredito que a base de produção do leite aqui será familiar, como não é a da soja, da cana, da carne e tantas outras cadeias. A seleção natural é para todos e continuará acelerada. Por algum tempo, veremos players entrando na cadeia de produção de leite (fenômeno destacado no Sul) em pequenas propriedades familiares. A questão é saber até que escala de produção estes novos produtores conseguirão atingir? Em determinado momento, o número de novos entrantes se equiparará ao dos que abandonarão (não atingem escala suficiente para serem competitivos) e haverá uma desaceleração no crescimento e até estagnação.

Provavelmente, a região de maior participação será aquela onde multiplicarem-se maior número de projetos empresarias de larga escala. Isso não significa, porém, que projetos menores prosperem e persistam, desde que sejam eficientes e coerentes com o mercado que atuam. É necessário portanto, até do ponto de vista das indústrias/cooperativas pensarem no mercado!!! Qual é o mercado que quero atuar? Leite fluido?UHT? Leite em pó para exportação? Produtos de maior valor agregado? E lembrem-se, o mercado muda!!! Num mundo ansioso por produtos mais saudáveis e sustentabilidade, "vender" leite que saiu da vaca há 5 meses e "andou" 1000 Km faz sentido?
PAULO MARTINS

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 10/01/2014

Olá Feliciano,

Na Revista Balde Branco, que é parceira do Millkpoint, mantenho uma coluna na ultima pagina e lá escrevi um artigo intitulado 'UM JOVEM CHAMADO RODRIGO", que conta a historia real de um jovem de 15 anos que me afirmou que vai dar a continuidade aos negócios leiteiros da família. Lá, dá pra entender o motivo: auto-estima elevada, percepção clara que ele tem que a família está melhorando de vida, apoio da cooperativa, da prefeitura... O Sul realmente é outro ambiente. Os produtores moram na propriedade e isso faz a diferença. E participam politicamente reivindicando melhorias. Assim, o Estado concebe políticas de apoio...
FELICIANO NOGUEIRA DE OLIVEIRA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 10/01/2014

Prezado Paulo,

Muito bom esse seu artigo. A demora em comentá-lo é porque uma das maiores riquezas que observo à partir da publicação de um artigo no Milkpoint são os comentários que vão surgindo no decorrer do tempo. Daí tenho por costume, deixar as coisas amadurecerem um pouco, ouvir (ler) bastante, prá depois tentar também contribuir na compreensão e na construção do que pode ser feito coletivamente.
Temos por natureza o costume de comparar. Muitas vezes queremos mesmo nos atrever a comparar fatos ou situações em contextos bem diferentes. A gente aprende que o que talvez poderíamos fazer de melhor é comparar uma mesma situação ao longo do tempo.
Mas com a sua bela e inteligente provocação, não tem jeito. A gente acaba querendo comparar. Bem, veja que na própria região Sul, o comportamento na produção de leite dos estados que a compõe é diferente. E assim é no Sudeste, no Norte,...
Mais especificamente para os estados do RS e de SC, algumas coisas nos chamam a atenção para esse crescimento na produção leiteira, como a expressividade e organização da agricultura familiar e, naturalmente, a cultura da dedicação da família em tempo integral à atividade, constituindo isso um dos fatores da eficiência. Mas além disso, há um fator agregado à essa situação, particularmente no RS, que julgo de grande importância para essa arrancada: a opção e definição política do governo em apoiar a atividade. Prova disso está no artigo postado neste mesmo sítio eletrônico em 16.10.2013 com o título: "RS: Assistência técnica e políticas públicas colocam o estado no 2º lugar na produção de leite no país." E veja, de acordo com o artigo, o investimento pesado que o governo estadual vem fazendo, em apoio ou contribuindo para esta eficiência dos produtores. Desta forma, Dr. Paulo, é agradável e salutar, reconhecer e colocar, sim, a culpa no governo. Grande abraço!!!
PAULO MARTINS

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 06/12/2013

Olá Rodrigo,

O que vejo no Brasil, como regra geral é o que você descreveu para a sua região, ou seja, propriedades cuja produção ocorre por meio de mão de obra familiar conseguem se manter com menos dificuldade. Mas, não é o único tipo. Propriedades com mão de obra contratada também se mantem, mas com administração com visão plenamente empresarial.
RODRIGO

DIVINÓPOLIS - MINAS GERAIS - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 06/12/2013

Pelo menos na minha região de Minas Gerais aonde tenho propiedade rural, os produtores que vi abandonando atividade, tem os motivos como preços baixo na renumeração isso ao longo de anos
, grandes exigencias dos laticinios e principalmente falta de mão de obra.

Praticamente todos produtores de leite da minha região que conseguiram bons resultados tem raizes na agricultura familiar.
Os que possuem funcionarios são os que estão juntos na atividade no dia a dia.
Somente esses dois casos acima vi sucesso.

Praticamente está em extinção por aqui, o chamado fazendeiro de "fim de semana" ou fazendeiro que produz leite pra contar vantagem sobre sua produção e não se importa se deu prejuizos ou lucros.

Gostaria de saber se esse quadro é o mesmo no resto do estado, principalmente nas regiões famosas bacia leiteiras de Bom Despacho, Pará de Minas e Patos de Minas......aonde o povo "respira leite".

PAULO MARTINS

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 29/10/2013

Olá Kélcio,

Soubemos avançar na pesquisa, mas não tivemos o mesmo desempenho na extensão. Concordo que o leite necessita de um modelo de extensão. É impossível ser produtor eficiente sem acompanhamento técnico, coisa que a imensa maioria ainda não tem.
KÉLCIO A. SALGADO. LEMOS

CÁSSIA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 29/10/2013

Boa noite a todos.
Aproveitando a oportunidade quero informar que no próximo dia 06 de dezembro comemoramos o aniversário de 65 anos da Emater MG, antiga Acar e o marco de 65 anos de extensão rural no Brasil.
Todos problemas que foram abordados em relação a cadeia produtiva do leite de uma forma ou de outra estão ligados ao descaso de nossas lideranças com a extensão rural e a formação de produtores eficazes. Ao se focar no leite como uma atividade altamente empresarial cria-se um diferencial para grandes e tecnificados produtores. As pequenas cooperativas que acolhem os produtores menos tecnificados se perdem combatendo o efeito preço mais baixo sem combater as causas e acabam em dificuldade financeira. Somente a extensão rural pode ajustar a equação da viabilidade da pequena propriedade e a inviabilidade da pequena produção, e este é o diferencial da região sul. O momento é oportuno para reflexão: Será que a região sudeste está tão rica que pode abrir mão desta riqueza, destes empregos? Ou o problema é falta valorização dos produtores?
PAULO MARTINS

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 28/10/2013

Caríssimo Michel,

Belo trabalho o que você realiza. São ações como a sua que estão dando o suporte para este vigoroso e continuado crescimento. Quanto às suas idéias de atuar junto aos jovens é algo singular. Não conheço similar no Brasil.
MICHEL KAZANOWSKI

QUEDAS DO IGUAÇU - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/10/2013

Caro Paulo,

Aproveitando o ensejo, gostaria de compartilhar uma experiência.
A alguns anos iniciamos o desenvolvimento de unidades de referência dentro do município. A ideia era espalhar bons exemplos por todo o território para, a partir daí, motivar e difundir conhecimento sobre produção intensiva de leite. Iniciamos com 15 unidades. Destas algumas desistiram nos primeiros meses e foram substituídas. As demais encontram-se com resultados distintos. No entanto uma particularidade destaca-se. As unidades onde atuam jovens, seja como proprietários ou como principais atuantes nas atividades diárias, os resultados encontram-se muito superiores aquelas tocadas por pessoas de maior idade (+40 anos).
Várias são as razões de tal resultado. Posso destacar o entusiasmo em que realizam as atividades, a busca por entender e aperfeiçoar os processos, a capacidade organizacional e gestora, a visão empresarial e não emocional da atividade.
Tanto que optamos na expansão do programa atender preferencialmente produtores de faixa etária entre 16 e 30 anos. Inscrições de produtores com idade acima a esta não é restrita, desde que os mesmos comprometa-se a atender todas as demandas do projeto nos prazos determinados.
Pensamos muito nos produtores atuais, e devemos. No entanto é preciso um programa de identificação de novos talentos e direciona-los ao caminho correto para esta carreira. Caso contrário continuaremos a perdê-los em ritmo acelerado como vem acontecendo. Creio que nesse processo, já esta atrasada a criação de cursos técnicos, dentro dos colégios agrícolas e demais instituições que o possam executar, direcionados especificamente a pecuária de leite, assim como é comum nos diversos países de pecuária leiteira forte. A atividade é a mais complexa de toda a produção agrícola. Precisamos de especialização e não de noções básicas de produção, como atualmente ocorre.

Abraço

Michel
PAULO MARTINS

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 27/10/2013

Muito bom, Garoto!
RODRIGO PLEIN

SÃO JOÃO DO OESTE - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/10/2013

Poso sim, mas agora o trabalho nos espera, de sol a sol tamo la do lado delas né. A noite te mando um e-mail. Abraço
PAULO MARTINS

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 27/10/2013

Farei isso. Fale-me mais sobre você, sua familia e a propriedade, quais são seus compromissos nela, se estuda, se gosta de ler, enfim, sua vida. Se desejar, mande-me mensagem pelo pcmar@terra.com.br
RODRIGO PLEIN

SÃO JOÃO DO OESTE - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/10/2013

Fico muito honrado em em saber que um simples comentário meu gerasse uma repercussão destas. Mas voltando ao assunto, penso eu que o GOVERNO deveria apoiar mais a agricultura em geral, não só a pecuária leiteira, pois este sera o futuro do Brasil, e principalmente a agricultura familiar. E Paulo Martins, assim que terminar seu artigo tente me enviar, pois nós não temos assinatura da revista, ficaria muito grato.
PAULO MARTINS

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 27/10/2013

Belas Palavras, Nobre Guilherme. O Rodrigo me inspirou para meu próximo artigo da Revista Balde Branco, que espero redigir ainda hoje.