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Uso de selante interno e antibiótico injetável para prevenção de mastite em novilhas

POR MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 20/03/2008

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Os riscos de ocorrência de mastite clínica e infecções intramamárias (IIM) antes do parto em vacas primíparas, são geralmente maiores que nas multíparas, principalmente por infecções causadas por Streptococcus uberis. Os estudos de prevalência de mastite em primíparas apontam que entre 20%, e em alguns rebanhos até 97%, desses animais podem apresentar uma IIM antes do parto. Atualmente, são limitadas as estratégias de prevenção de mastite em novilhas, visto que todos os programas de controle têm foco principal nas vacas em lactação, tanto em relação à prevenção quanto pela redução das infecções existentes.

Entre as restritas opções para o controle e prevenção da mastite em novilhas está o uso do tratamento de vaca seca para essa categoria de animais. Diante desse cenário, foi desenvolvido um estudo para testar se o uso de um tratamento com antibiótico injetável, o qual teria a vantagem principal de reduzir o tempo de manejo e de maior facilidade de aplicação em comparação com o tratamento por infusão intramamária em todos os quartos, em conjunto ou não com o uso de selante interno, poderiam ser usados para o controle e prevenção de mastite em novilhas.

Esse estudo foi desenvolvido na Nova Zelândia e avaliou o efeito da infusão intramamária de um selante interno e/ou do uso de tratamento com antibiótico injetável, aos 30 dias antes do parto, sobre a taxa de cura de IIM, a incidência de novas infecções antes e após o parto, e a ocorrência de mastite clínica nas duas semanas após o parto. Nesse estudo, foram avaliadas 1.067 primíparas de 30 rebanhos leiteiros alimentados em sistemas de pastagem. Os animais foram aleatoriamente distribuídos em 4 grupos: 1) animais que não receberam nenhum tratamento, 2) animais que receberam 3 injeções intramusculares de 5 g de tilosina com intervalos de 24 horas, 3) animais que receberam infusão de 2,6 g de selante interno de tetos a base de subnitrato de bismuto e, 4) animais que receberam antibiótico injetável mais selante interno.

Para avaliar os efeitos da antibioticoterapia e do uso do selante interno, foram coletadas amostras de leite para cultura microbiológica de cada quarto mamário antes dos tratamentos, em média aos 27 dias antes da data prevista do parto, e posteriormente, foram coletadas duas amostras nos 5 primeiros dias após o parto. Além das amostragens do leite, foi acompanhada a ocorrência de casos de mastite clínica nas duas semanas após o parto.

A prevalência de IIM nos animais amostrados foi de 16,8% dos quartos, sendo que os agentes mais isolados foram o grupo dos estafilococos coágulas e negativa (75,5%) e o Streptococcus uberis (15,6%). Contudo houve diferença significativa entre os rebanhos. Os resultados obtidos apontaram que nem o tratamento injetável com antibiótico e nem o selante interno reduziram as IIM existentes no momento do início do estudo.

Esse fato já era esperado para o uso do selante interno, uma vez que o produto é inerte não tendo função curativa e sim preventiva. Por outro lado, o uso do selante interno reduziu o risco de ocorrência de novas IIM em 74%, assim como diminuiu a prevalência de IIM após o parto em 65%, e o risco de novas infecções causadas por Streptococcus uberis em 70%, em quartos com IIM antes do parto. Além disso, o uso do selante levou à redução da incidência de mastite clínica em 70%, nos quartos em que foi isolado um patógeno antes do parto.

O selante interno de tetos atua como uma barreira física dentro do canal do teto, o que reduz o risco de invasão bacteriana e consequentemente, diminuir o risco do desenvolvimento de infecção intramamária. Esse efeito de barreira física permanece enquanto o produto encontra-se no teto. A conclusão obtida pelos autores neozelandeses indicou que o uso do selante interno em novilhas reduziu a prevalência de IIM pós-parto, a incidência de mastite clínica pós-parto e a incidência de novas IIM no período peri-parto, demonstrando que essa pode ser uma ferramenta útil para o controle de mastite em primíparas.

Fonte:

Parker, et al., J. Dairy Sci. 91:169-181- 2008.

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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MARIA CRISTINA MEDEIROS GUIMARÃES

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/05/2008

Boa tarde!
Para nós produtores, estes artigos são muito importantes, mas para uma aplicação efetiva no nosso rebanho, seria interessante que divulgassem os nomes comerciais existentes no mercado. Caso contrário não poderemos aplicar os conhecimentos adquiridos través do site.

Um abraço,
Cristina Guimarães

<b>Resposta do autor</b>

Prezada Maria Cristina Medeiros Guimarães,

Obrigado pela sua participação. Para evitar o envolvimento comercial do radar técnico de qualidade com uma empresa ou produto, geralmente disponibilizamos somente o princípio ativo dos produtos que são mencionado. Nesse caso, o nome do selante interno que está comercialmente disponível é o TeatSeal da Pfizer.

Atenciosamente, Marcos Veiga


MATEUS MESTURA

CONSTANTINA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/04/2008

Caro Marcos,

O nosso problema aqui é o inverso, as vacas estão parindo com mastite, sendo usado vs, mas sem selante de teto. O método citado no texto pode ser usado em vacas ou teria outra maneira mais eficaz?

<b>Resposta do autor</b>

Prezado Mateus Mestura,

A ocorrência de mastite no pós-parto pode ser em decorrência de casos de mastite originários do período seco. Nesse caso, o uso de selante interno em conjunto com o tratamento de vaca seca pode sim ser benéfico no controle.

Atenciosamente, Marcos Veiga.





















































































































































































































































































































































































































































































































































DANIELE CRISTINE BEURON

SÃO MIGUEL DO OESTE - SANTA CATARINA - PESQUISA/ENSINO

EM 13/04/2008

Gostei muito de seu artigo, tenho uma dúvida também, esse produto já chegou ao mercado brasileiro e se sim, é vendido com que nome comercial?
ROBERTO MONNERAT

BOM JARDIM - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/03/2008

Caro Marcos,

Muito interessante o seu artigo e ficou uma pequena dúvida se o selante interno relacionado é o mesmo produto que usamos para secar os animais?

Abraços Robero Monnerat

<b>Resposta do autor</b>

Prezado Roberto Monnerat,

Sua pergunta é muito importante e serve para esclarecer sobre o uso desse produto. O selante interno de tetos não serve para substituir o tratamento de vaca seca, pois é um produto inerte em termos de ingredientes ativos. Desta forma, a recomendação atual é associar os dois produtos para um resultado melhor em termos de controle de mastite no período seco.

Atenciosamente, Marcos Veiga