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Uso de CCS do tanque para avaliar a ocorrência de mastite subclínica em rebanhos

POR MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 10/12/2007

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Ultimamente, a CCS de tanque (CCSTanque) de rebanhos leiteiros tem se tornado cada vez mais disponível para os produtores brasileiros, transformando-se em uma informação bastante difundida e de fácil obtenção. A maioria das cooperativas, laticínios e demais empresas captadoras de leite realizam rotineiramente análises de CCS e composição do leite de rebanhos para fins de pagamento por qualidade. Do lado do produtor, a CCS do tanque é recebida mensalmente e pode ser uma ferramenta útil para monitoramento da saúde da glândula mamária do rebanho.

No entanto, quando se busca um controle mais efetivo e maior precisão, é necessário conhecer a porcentagem de vacas com mastite subclínica (CCS > 250.000 cel/ml), visto que em muitos casos, o leite de algumas vacas do rebanho não é enviado para o tanque, o que pode ser interessante do ponto de vista de qualidade, mas resulta em uma avaliação subestimada da ocorrência de mastite no rebanho. Outros índices que poderiam ser usados nessa estimativa, seriam a média de CCS individual corrigida para produção de leite (CCSProd) e a média aritmética da CCS das vacas do rebanho (CCSArit).

Para avaliar qual o melhor índice para estimar a porcentagem de vacas com mastite subclínica em rebanhos leiteiros, foi realizado um estudo na Holanda, no qual foram coletados dados de 246 fazendas leiteiras, as quais realizavam a CCS individual de todas as vacas em lactação. A CCSProd foi calculada pela multiplicação da produção leiteira diária de cada vaca pela CCS individual do animal, sendo posteriormente feita a média de todo o rebanho. A CCSArit foi calculada como a média aritmética da CCS individual de todas as vacas em lactação. A partir de então foi calculada a correlação entre os índices CCSTanque, CCSProd e CCSArit, e a porcentagem de vacas com mastitite subclínica (CCS > 250.000 cel/ml). Os resultados do estudo são apresentados nos três gráficos seguintes:

Figura 1. Correlação (R2) entre CCS do tanque a a % de vacas com CCS > 250.000 cel/ml.


Clique no gráfico para ampliá-lo.

Figura 2. Correlação (R2) entre média de CCS corrigida para produção de leite (CCSProd) e a % de vacas com CCS > 250.000 cel/ml.


Clique no gráfico para ampliá-lo.

Figura 3. Correlação (R2) entre média aritmética de CCS individual (CCSArit) e a % de vacas com CCS > 250.000 cel/ml.


Clique no gráfico para ampliá-lo.

O índice que apresentou a melhor correlação com a porcentagem de vacas com mastite subclínica foi a média aritmética de CCS individual das vacas (R2= 0,89), conforme apresentado na figura 3. A título de exemplificação, uma média aritmética de 400.000 cel/ml indicaria cerca de 30% de vacas com mastite subclínica no rebanho. A correlação entre CCS do tanque e a porcentagem de vacas com mastite subclínica foi moderada (R2= 0,64), mas ainda assim seria uma estimativa útil da mastite subclínica em nível de rebanho, pois muitos rebanhos não realizam a CCS individual. Utilizando-se o mesmo exemplo acima, uma CCS do tanque de 400.000 cel/ml indicaria cerca de 25% de vacas com mastite subclínica, o que representa um valor subestimado.

Fonte:

Lievaart et al. Journal of Dairy Science, v.90: 4145-4148, 2007

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MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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APARECIDO QUIRINEA GALIPE

RANCHARIA - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 17/06/2009

Gostei do artigo, bastante interessante. Mas faltou na parte de análises microbiologica para a detecção da doença.
ANTONIO FLAVIO LEITE GOMES

QUIRINÓPOLIS - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 09/01/2008

Tenho tido excelentes resultados com homeopatia no controle da CCS, apesar de que a maioria dos colegas veterinários não acredita. Como ressalta o Dr. Marcos, a CCS influencia diretamente na produção e consequentemente no lucro da propriedade. Temos que buscar alternativas cabíves e idôneas e fazer contas, sim, para buscar a saúde do rebanho.
FIDELISBELÃO

CIANORTE - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/01/2008

Se for possivel,gostaria de saber qual o produto homeopático que o Sr. Roberto Carlos de Castro da Estância Santa Maria de Muriaé MG. usa no controle de mastite do rebanho.

Abraços
Fidelis Belão.
ROBERTO CARLOS DE CASTRO

MURIAÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/01/2008

Caros amigos, em minha propriedade não tenho casos de mastite. Há muito tempo fazemos o uso da homeopatia, que previne esse tipo de problema gravíssimo na atividade leiteira.
ANGELO JOSE DE OLIVEIRA

MACHADO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 16/12/2007

Prezado Prof. Marcos

Gostei de seu artigo mas a nossa realidade é um pouco diferente. As cooperativas nem sempre informam este índice com rapidez e constância, o que pode trazer sérios prejuízos.

Em minha propriedade resolvi fazer os teste de CCs individual que já me localiza os casos mais sérios diretamente e o custo não é tão elevado assim. Por outro lado também não preciso fazer as contas feitas em seu texto.

Entretanto o controle da CCS é uma ferramenta muito útil, independente do método que se use. Parabéns pelo artigo.

Atenciosamente

Angelo Jose de Oliveira
Produtor de leite-saude
Machado MG