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Tratamento parenteral da mastite clínica

POR MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 21/05/2007

3 MIN DE LEITURA

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Os casos de mastite clínica implicam em custos diretos de diagnóstico microbiológico, tratamento, descarte do leite com resíduos de antibióticos e redução da produção no curto e longo prazo. Além disso, deve-se ainda considerar os riscos associados à perda do quarto ou descarte prematuro da vaca. Em alguns países, com a Nova Zelândia, é crescente a incidência de mastite causada por Streptococcus uberis, podendo atingir índices de até 92% dos casos clínicos em rebanhos leiteiros, o que caracteriza esse agente como uma das causas mais freqüentes de tratamentos de mastite.

A terapia parenteral para a mastite clínica pode trazer vantagens em relação ao tratamento intramamário naqueles casos em que dois ou mais quartos estão infectados, e quando ocorre inchaço em um ou mais quarto, o que dificulta a difusão do antibiótico para as áreas afetadas.

Foi desenvolvido na Nova Zelândia um estudo para avaliar a eficácia do tratamento parenteral para mastite clínica, enfocando principalmente agentes Gram positivos, como o Streptococcus uberis. Os antibióticos selecionados para a avaliação foram a tilosina (T) e o hidroiodeto de penetamato (HP), uma vez que estes são bases fracas e altamente lipofílicas, o que resulta em maiores concentrações no leite em relação do sangue. A tilosina é um antibiótico macrolídeo, cujo mecanismo de ação é baseado na inibição da síntese protéica de bactérias.

O penetamato é um éster penicilínico resistente a penicilinase e com boa ação contra cocos Gram positivos. O estudo foi desenvolvido em 30 rebanhos com média de 347 vacas por rebanho, produção de leite baseada em pastagens e parição concentrada na primavera. Ao todo, foram avaliados 1.070 casos clínicos nos dois primeiros meses de lactação. O diagnóstico do caso clínico foi feito com base nas alterações visuais do leite ou por inchaço do úbere.

Para cada caso clínico, foram coletadas amostras de leite para cultura microbiológica e identificação do agente causador, sendo em seguida submetido a um dos seguintes tratamentos administrados por via intramuscular: 3 injeções de 5g de hidroiodeto de penetamato ou 3 injeções de 5g de tilosina, ambos com intervalo de 24 horas entre as aplicações. Após o tratamento, o leite foi descartado por 72 horas. Todos os quartos que incluídos no estudo foram novamente avaliados após 14 e 21 dias do tratamento para determinação da taxa de cura microbiológica.

O S. uberis foi o agente mais isolado dos casos de mastite, atingindo 74%. O número de casos clínicos de mastite não curados (com necessidade de outro tratamento dentro de 21 dias) foi semelhante entre os dois tratamentos (20,7 e 17,9%, respectivamente para o HP e T). Da mesma forma, a taxa de cura bacteriológica geral foi similar para os dois grupos de tratamento, atingindo 79,2% para a HP e 82% para a T (Tabela 1). Deve-se ressaltar que as taxas de cura clínica e bacteriológica foram influenciadas pela idade, rebanho estudado, gravidade do caso clínico, espécie bacteriana e dias em lactação. Outras variáveis estudadas, como a produção de leite, composição e CCS também não apresentaram diferença entre os dois grupos tratados.

Tabela 1. Taxa de cura microbiológica geral.


Fonte: adaptado de McDougall, et al, 2007.

Quando considerada a taxa de cura distribuída por agente causador de mastite (Tabela 2), não houve diferença entre dos tratamentos. Para o S. uberis, as taxas de cura foram de 87,7 e 89,8%, respectivamente para o tratamento com hidroiodeto de penetamato e tilosina. É interessante notar que a taxa de cura para o S. aureus foi bastante inferior, ficando em aproximadamente 30%.

Os resultados desse extenso estudo indicam que para rebanhos com alta prevalência de S. uberis, a terapia parenteral para os casos clínicos no início da lactação pode ser uma boa alternativa. Alem disso, os dados reforçam a necessidade de identificação do agente causador para melhor direcionamento do tratamento e controle da mastite.

Tabela 2. Taxa de cura distribuída por agente causador de mastite.


CNS: estafilococos coagulase negative. Fonte: adaptado de McDougall, et al, 2007.

Fonte:

McDougall, et al, Journal of Dairy Science, v. 90, p. 779-789, 2007.

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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ANDERSON ROSA

MONTE CARMELO - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 10/05/2008

Professor, gostaria de saber sua opiniao sobre o uso combinado de antiinflamatorios nao esteroidais com antibioticoterapia em mastites clinicas. Quando devo fazer essa opção?

<b>Resposta do autor</b>

Prezado Anderson Rosa,

Esse é um assunto polêmico, pois podemos separar em dois tipos principais de mastite clínica: sub-aguda e aguda. Nos casos de mastite sub-aguda, sem sintomas sistêmicos, o uso de anti-inflamatórios apresenta poucos resultados práticos, visto que o importante seria a cura microbiológica, o que é obtido com o uso de antibiótico. No caso de mastites agudas, com sintomatologia sistêmica (febre, desidratação, choque, endurecimento do úbere), o uso de anti-inflamatórios não-esteroidais é muito importante e necessário para aumentar a chance de cura e recuperação da vaca.

Atenciosamente, Marcos Veiga
ALEXANDRE CORRÊA VIEIRA

ANITÁPOLIS - SANTA CATARINA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 15/11/2007

Prof. Marcos Veiga,

Diagnosticado a mastite subclinica de uma vaca, tendo agente causador, o Streptococcus agalactiae, quantos dias e que interlvalo, seria o tratamento durante a lactação?

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Alexandre,

O tratamento de mastite causada por S. agalactiae pode ser feito por um período de 3 a 4 dias (duas aplicações de bisnagas intramamárias por dia nos dois primeiros dias) de produtos a base de penicilina ou cefalosporina.

Atenciosamente,
Marcos Veiga
ANDERSON LUIZ CAETANO

ANÁPOLIS - GOIÁS - ESTUDANTE

EM 01/11/2007

Prof: Marcos Veiga,

Sobre a secagem permanente de um quarto mamário com iodo: por ser permanente, o quarto secado não retornará com sua atividade secretória?

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Anderson,

Realmente, a secagem permanente do quarto faz com que não haja mais produção de leite naquele quarto para o resto da vida da vaca. Na verdade, ocorre eliminação do tecido secretor e o quarto não mais produz leite. Desta forma, deve-se avaliar bem se essa medida deve ou não se empregada.

Atenciosamente,
Marcos Veiga
FÁBIO HANEL

GETÚLIO VARGAS - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/07/2007

Prof. Marcos Veiga,

Em relação aos antibióticos disponíveis no mercado veterinário, uma grande parcela deles não apresenta período de carência do leite ou descarte de leite, porque o MAPA não exige esse dado de todos os antibióticos usados no dia a dia do veterinário de campo que trabalha com bovinos de leite. Onde posso encontrar material confiável sobre o asunto?

Obrigado.

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Fábio,

Infelizmente, não tenho conhecimento de uma fonte oficial (site, or exemplo) que tenha todos os períodos de carência dos produtos disponíveis no mercado brasileiro. A informação que eu tenho é que essa sistemática de resíduos será mudada em breve por força de legislação do MAPA para que todos os produtos tenham testes feitos especificamente para aquela formulação em relação aos resíduos. Acho que hoje ainda se aceita informações de literatura para os registros.

Segue abaixo o site do Sindan que pode ser uma fonte de consultas aos produtos e bulas:

https://www.cpvs.com.br/cpvs/index.html

Atenciosamente,
Marcos Veiga
JOÃO CARLOS FERNANDE FONSECA

TOCANTINS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/06/2007

Prof. Marcos Veiga,

A tilosina é bacteriostática ou bactericida? E qual o período de carência seguro para que se possa enviar o leite para o laticínio, já que, fui informado que a tilosina não é indicado para vacas em lactação devido o seu perído de carência não ser definido?

Obrigado!

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado João Carlos,

A tilosina é um antibótico do grupo dos macrolídeos e tem ação BACTERIOSTÁTICA. No caso do uso do produto comercial (Tylan 200) para uso injetável para bovinos o período de descarte é de 72 horas após a aplicação.

Atenciosamente, Marcos Veiga

WILSON IGI

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/06/2007

Prof. Marcos Veiga,

É possível, durante a lactação, a secagem de apenas um qurto? Se possível, como devo proceder?

<b>Resposta do autor:</b>

Prezada Maria Lúcia,

Uma possibilidade de secagem permanente de um quarto mamário é a infusão intramamária de cerca de 20 ml de tintura de iodo (7-8% em soluçào alcólica: a mesma que se usa para cura de umbigo) durante algumas ordenhas. Esse procedimento visa eliminar o tecido secretor de leite de forma permanente por meio de uma cauterização química.

Em alguns animais esse procedimento necessita ser repetido para ter sucesso na secagem permanente do quarto.

Atenciosamente,
Marcos Veiga dos Santos
EDUARDO AMORIM

PATOS DE MINAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/06/2007

Prof. Marcos Veiga,

Qual o melhor medicamento - antibiótico (princípio ativo) atualmente do mercado, segundo as pesquisas de resistência e eficácia do produto para secagem de vacas com mastite subclínica? Desde já agradeço a atenção e o parbenizo pelo primoroso artigo.

Atenciosamente,

Eduardo Amorim
Patos de Minas - MG

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Eduardo,

É muito difícil dizer qual o melhor medicamento, sem conhecer as condições e informações da fazenda. Na minha opinião, é necessário fazer uma avaliação da eficácia dos produtos que estão sendo usados na propriedade e periodicamente fazer o antibiograma para direcionar a escolha do antibiótico.

Sobre esse tema, eu até já escrevi outro radar técnico com algumas sugestões de critérios para escolha do antibiótico. Dê uma olhada e veja se as informações são úteis.

Atenciosamente,

Marcos Veiga dos Santos
LUCIANE MARIA KASPER

TOLEDO - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/06/2007

Prezado Sr. Marcos Veiga

Quantos dias após o tratamento para mastite, o teste do CMT pode se apresentar positivo?

Obrigada,

Luciane Kasper

<b>Resposta do autor:</b>

Prezada Luciane,

Após o tratamento com sucesso da mastite, recomenda-se um período mínimo de 14 dias para se fazer uma coleta de leite para exame microbiológico. Para a CCS ou CMT, acredito que esse período tenha que ser maior: um mês para que ocorra redução da CCS, caso haja cura do caso.

Isso pode depender das lesões que foram provocadas pelo agente patogênico e pela capacidade de resposta da vaca, mas acho que esse seria um prazo com certa margem de segurança.

Atenciosamente,

Marcos Veiga dos Santos
FABIO TAVEIRA SANDIM

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 22/05/2007

Já há algum tempo venho observando que algumas vacas criam uma saliência ou hematoma, na inserção posterior do úberes, mais em vacas que estão em processo de secagem do leite. Gostaria de receber imformação sobre o caso, obrigado.

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Fabio,

Não tenho nenhuma informação sobre o caso que você relatou. A minha sugestão é que você colete uma amostra de leite para cultura microbiológica para diagnosticar se há ou não mastite no quarto afetado.

Atenciosamente, Marcos Veiga
MilkPoint AgriPoint