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Tratamento de vaca seca reduz mastite clínica durante lactação subsequente

POR MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 27/04/2011

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O uso da terapia da vaca seca no final da lactação é uma das medidas mais importantes e recomendadas para prevenção de novas infecções intramamárias (IMI) durante o período seco. Além do uso da terapia da vaca seca, a ocorrência de mastite durante o período seco está ligada a outros fatores como: nível de produção de leite no momento da secagem, condição dos tetos e nível de contaminação ambiental dos tetos. Além disso, a demora na formação de tampão de queratina no tetos é outro fator de risco para ocorrência de mastite durante esta fase, já que até 50% dos tetos permanecem abertos (sem a formação da queratina) durante o período seco. A formação do tampão de queratina faz parte do processo natural de involução da glândula mamária após a secagem e tem função de proteção contra a invasão bacteriana.

Além da função de prevenção de IMI durante a fase inicial do período seco, a terapia da vaca seca é um componente indispensável para a eliminação de infecções subclínicas existentes na secagem. No entanto, em alguns países existe grande pressão para redução do uso de antibióticos na produção animal, principalmente em vacas sadias, o que levou ao desenvolvimento de medidas preventivas como o selante interno de tetos a base de subnitrato de bismuto. O selante interno deve ser aplicado no momento da secagem e forma uma barreira física na extremidade dos tetos, que impede a entrada de bactérias causadoras de mastite. Este produto é inerte e insolúvel no leite e, portanto, não tem ação antimicrobiana. A retirada do produto pode ser facilmente realizada durante as primeiras ordenhas após o parto e não traz risco para a saúde do bezerro, caso ocorra ingestão pela mamada. Em termos gerais, o uso do selante interno em quartos sadios, apresenta efeito similar ou até melhor do que o tratamento de vaca seca, em termos de prevenção de novos casos de mastite.

Desta forma, em rebanhos que buscam reduzir o emprego de antibióticos ou que não podem utilizá-los (produção orgânica), o uso do selante interno é uma alternativa ao uso da terapia da vaca seca, em termos de prevenção de novas IMI. Para avaliar a eficácia do uso do selante interno e do uso da terapia da vaca seca foi desenvolvido um estudo na Inglaterra, o qual utilizou 240 vacas em dois rebanhos. Os animais foram divididos em 4 grupos e submetidos a um dos seguintes tratamentos durante a secagem: a) terapia da vaca seca (framicetina + penetamato + penicilina), b) tratamento de vaca seca com 600 mg de cloxacilina, c) selante interno e, d) sem tratamento algum. Foram coletadas amostras de leite para CCS e cultura microbiológica antes da secagem, após o parto, aos 40 e 100 dias de lactação.

Os resultados do estudo indicaram que a ocorrência de novas IMI no momento do parto e o número de casos clínicos durante a lactação foram reduzidos nas vacas com o uso do selante interno em comparação com as que não tiveram sem nenhum tipo de tratamento. Por outro lado, o número de casos clínicos em vacas tratadas com selante foi semelhante ao observados nas vacas com ambos os tratamentos de vaca seca (framicetina e cloxacilina), conforme tabela 1.

Tabela 1 - Frequência de mastite clínica durante quatro estágios de lactação em função do tipo de tratamento de vaca seca utilizado na secagem.



Uma importante contribuição deste estudo foi a presença de um grupo controle nos qual as vacas não receberam nenhum tipo de tratamento. Isso somente foi possível com o uso de rebanho de produção orgânica do leite, pois dentro dos atuais sistemas convencionais de produção todas as vacas são tratadas na secagem. Isso permitiu verificar que o uso do selante de forma isolada apresenta resultados semelhantes ao dos dois tratamentos de vaca seca utilizados em relação à prevenção de casos de mastite clínica. No entanto, com o uso do selante isoladamente perde-se a oportunidade de eliminar as infecções subclínicas existentes no momento da secagem, o que para a maioria dos rebanhos é o único momento economicamente viável para eliminar as IMI subclínicas. Desta forma, o uso do selante de tetos deve ser feito em associação com a terapia de vaca seca, visando obter alta proteção contra novas IMI durante o período seco e eliminar as IMI existentes no momento da secagem.

Fonte: Bhuto et al., Research in Veterinary Science, v.90, p.316-320, 2011.

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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ROMILDO VIAL

SÃO JOSÉ DO CEDRO - SANTA CATARINA - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 05/02/2013

Excelente  artigo. Minha dúvida é quando a vaca apresenta mamite clinica 4 a 5 dias antes do parto. Esgotar e fazer tratamento ? ou tem outra técnica?



Agradeço e fico no aguardo.
VICTOR DE QUEIROZ FERREIRA

GOIÂNIA - GOIÁS - MÉDICO VETERINÁRIO

EM 16/08/2011

Uma ideia relevante para tratamento de vacas clinicas e subclinias, e de prevenção no pós parto é o uso de homeopatia, juntamente com terapia da vaca seca. Vacas que apresentarem CMT ou CCS alta no momento da secagem podem ser tratadas com homeopatia em dosagens mais elevadas.





Victor Queiroz
FELIPE ZANFORLIN FREITAS

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 18/07/2011

Marcos,


sou Veterinário e trabalho com qualidade do leite em fazendas na região de Lagoa Grande MG, próximo a João Pinheiro. Gostaria de saber a resposta quanto a pergunta do João, em relação a fazer um CMT das vacas na secagem, e verificar se a vaca está com uma infecção subclínica para tomar alguma decisão em cima disso, como exemplo o uso de alguma vacina?


Agradeço a atenção.





Att,


Felipe Zanforlin
FERNANDO CERÊSA NETO

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 01/06/2011

Professor,


rogo a gentileza de suas considerações.


Fernando Ceresa Neto
FERNANDO CERÊSA NETO

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/05/2011

Professor, parabéns pelos ensinamentos.


Tenho tido sérios problemas de mastite clínica e subclínica, especialmente no período das águas, com prejuízos enormes tanto em termos de produção quanto em descartes precoces de animais em idade produtiva.


Tenho adotado o seguinte procedimento com relação aos animais no pré-parto:


vacas - tratamento de vaca seca de 45 a 60 dias antes do parto:


novilhas - tratamento para mastite clínica 15 dias antes do parto.


Gostaria de sua opinião sobre este procedimento.


Fernando Ceresa Neto


f.ceresa.neto@gmail.com


dir.fin@montrealturismo.tur


(61) 96485420
JOÃO JOSÉ ANDRADE

LORENA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 01/05/2011

Professor meus parabens pelo artigo.

Toda terapia de vaca seca preconiza a aplicação do antibiótico no ato da secagem. Mais se o produtor tiver dados da célula somática individual e ou fizer o CMT e constatar que o animal a ser secado tem um índice alto de mastite subclinica, não seria prudente acrescentar alem do antibiótico nos tetos algumas injeções conforme o nível da mastite subclinicas?
DJALMA LUIZ DE ALMEIDA

GOVERNADOR VALADARES - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 29/04/2011

Parabenizo-lhes para excelente matéria. Hoje, não temos como fugir da realidade; a mastite é um dos maiores males que o produtor enfrenta. Há necessidade de remunerarmos o nosso capital e mantermos o nosso patrimônio ao mesmo tempo e se não tivermos um controle eficaz de secagem das vacas, a certeza é única; nem leite nem vaca.

Parabéns pelas dicas que sempre divulgo aos meus amigos.



Djalma Luiz de Almeida
JOÃO JOSÉ ANDRADE

LORENA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 27/04/2011

Professor meus parabens pelo artigo.

Toda terapia de vaca seca preconiza a aplicação do antibiótico no ato da secagem. Mais se o produtor tiver dados da célula somática individual e ou fizer o CMT e constatar que o animal a ser secado tem um índice alto de mastite subclinica, não seria prudente acrescentar alem do antibiótico nos tetos algumas injeções conforme o nível da mastite subclinicas?