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Tipo de bactéria causadora de mastite determina a CCS

POR MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 03/02/2010

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A contagem de células somáticas é a ferramenta mundialmente aceita para avaliar a qualidade do leite e a ocorrência de mastite. Dada a sua importância como indicador de qualidade do leite, a CCS pode representar de acréscimo (< 200.000 células/ml) ou desconto (> 750.000 células/ml) de até R$ 0,03 por litro de leite, considerando alguns dos atuais sistemas de pagamento. Muita discussão ainda é feita sobre a importância relativa de alguns fatores que aumentam a CCS, dentre os quais muitos apontam que a idade, ordem de parto, período de lactação e estação do ano estão entre os principais.

No entanto, os resultados de pesquisa apontam que o fator principal determinante da elevação da CCS é a ocorrência de infecção intramamária. Em outras palavras, os fatores anteriormente mencionados somente têm relevância como fatores de risco para ocorrência de mastite e, desta forma, podem estar associados apenas indiretamente com a elevação da CCS.

Já que a ocorrência de uma infecção intramamária é a principal determinante da CCS em vacas leiteiras, da mesma forma, o tipo de bactéria causadora de mastite pode ter impactos bastante variados sobre a CCS. Classicamente, os agentes causadores de mastite podem ser classificados como patógenos principais e secundários. Os patógenos principais mais comuns incluem o S. aureus, S.agalactiae, coliformes, estreptococos e enterococos de origem ambiental. Dentre os patógenos secundários destacam-se Staphylococcus sp. coagulase negativa e Corynebacterium sp. Essa classificação leva em conta o fato de que os patógenos principais são assim considerados, pois resultam em maiores variações da composição do leite e da CCS.

Um estudo recente, desenvolvido por pesquisadores da Embrapa Gado de Leite e da UFMG, teve como objetivo determinar o efeito individual de cada patógeno causador de mastite sobre a CCS em rebanhos comerciais, além de avaliar também a influência do tipo de rebanho, ordem de parto e período de lactação. O estudo foi desenvolvido em 24 rebanhos de 11 municípios dos estados de MG e RJ. Foram analisados 2.657 animais, dos quais foram coletadas 3.987 amostras compostas de rebanhos com composição racial variando de especializado a mestiço (Holandês = 3, Jersey = 3, Pardo Suíço = 1, Holandês x Gir = 17). As análises realizadas foram a CCS e a cultura microbiológica.

Do total de amostras coletadas, em 30,3% não foi verificado crescimento e no restante foi identificado pelo menos um tipo de agente causador de mastite, indicando a ocorrência de infecção intramamária. Dentre as amostras com apenas um tipo de isolamento, foram isolados 826 (31,6%) Corynebacterium spp., 790 (30,2%) S. aureus, 551 (21,1%) S. agalactiae, 466 (17,8%) Staphylococcus spp. coagulase negativo e 351 (13,4%) Streptococcus spp. que não S. agalactiae. Em todos os rebanhos estudados, foram isolados Corynebacterium spp., Streptococcus spp. que não S. agalactiae e Staphylococcus spp. coagulase negativo.

Em relação à CCS, nas amostras de leite sem crescimento bacteriano a média de CCS foi de 264.000 células/mL e em 50,0% dessas a CCS foi menor ou igual a 24.000 células. Por sua vez, as amostras com isolamento de pelo menos um patógeno da mastite apresentaram média da CCS de 779.000 células/mL, em 50,0% dessas a CCS foi igual ou maior que 342.000 células/mL. O S. agalactiae foi o agente que determinou a maior elevação de CCS, com média de 1.520.000 células/ml e em 50% das amostras deste agente a CCS estava acima de 923.000 células/ml. Na sequência, S. aureus e Streptococcus spp. que não S. agalactiae foram responsáveis pela segunda e terceira maior elevação da CCS, com médias de CCS de 966.000 e 894.000 células/mL, respectivamente. Entre os patógenos secundários, Corynebacterium spp. e Staphylococcus spp. coagulase negativo apresentaram, em média, a CCS de aproximadamente 400.000 células/mL.

Tabela 1. Variação da contagem de células somáticas (x 1.000/mL) de acordo com a presença de infecção intramamária, a presença de infecção mista, o tipo de infecção mista e o tipo de agente etiológico.



Os resultados do estudo indicam que os diferentes patógenos causadores de mastite causam infecções intramamárias com intensidade e resposta imune variável. Dos fatores estudados, os considerados significativos foram: rebanho, ordem de parto, estação do ano, presença de S. agalactiae e de Streptococcus spp. que não S. agalactiae.

Os resultados de CCS em função da ordem de parto e da presença de infecção intramamária estão apresentados na Tabela 2.

Tabela 2. Médias do escore linear da contagem de células somáticas de acordo com a ordem de parto e a presença de infecção.



Estes resultados indicam que ocorre aumento da CCS com o aumento do número de lactações, e que existe um efeito de ordem de parto, independentemente da presença ou não de infecção. Entretanto, conforme os dados da tabela 2, os valores médios da CCS dos animais de acordo com a ordem de parto, foi aproximadamente duas vezes maior para amostras com isolamento em relação às que não apresentaram crescimento bacteriano, indicando que a ocorrência de infecção foi considerada como principal fator responsável pela variação da CCS.

Fonte: Souza et. al. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.61, n.5, p.1015-1020, 2009.

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 26/01/2012

Prezado Paulo,



Em relação ao efeito da alta CCS do leite sobre o rendimento de queijo, existem estudos que mostraram redução de até 9% no rendimento para queijos que são fabricados com leite com 900.000 cel/ml em comparação com leite com 100.000 cel/ml. Em relação ao leite UHT, o principal problema é o aumento da ocorrência de defeitos de coagulação. Em relação ao elite em pó, eu não tenho informação sobre estudos com quantificação do efeito da CCS.



Atenciosamente, Marcos Veiga
PAULO CESAR CENTENARO

IJUÍ - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/01/2012

Gostaria de saber qual a relaçao aproximada de perda na industria em tanques com CCS alta na fabricaçao de queijo, leite uht e leite em po?
RAFAEL BASTOS DO CARMO

MONTES CLAROS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/12/2010

Prezado Dr. Maros Veiga

Queria saber o qual a forma de curar a mastite sub-clinica, já que se não recomenda trata-la.

Obrigado

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Rafael Bastos do Carmo",

A minha recomendação é não tratar a mastite subclínica durante a lactação, a não ser que seja feita uma cultura microbiológica do leite e seja identificado como agente causador a bactéria: Streptococcus agalactiae. Somente este agente causador tem um bom retorno em termos de custo beneficio do tratamento da mastite durante a lactação, enquanto os demais não apresentam bons resultados de cura durante a lactação.

O melhor momento de tratar os casos subclínica é durante secagem com o uso do tratamento de vaca seca, com uma bisnaga por quarto mamário.

Atenciosamente, Marcos Veiga
GENIFER

EM 17/06/2010

Prezado Dr.Marcos Veiga dos Santos

Aqui no Paraguay ainda nao fazen contagen de CCS :(!!!!
Mas estamos nos preparando aqui na cooperativa!! estamos fazendo CMT !!
Quando aparece alguma infeccao de mastite sub-clinica entramos com cefalosporina 3geracao..e estamos agora comecando com produtos homeopaticos vc tem algum conhecimento sobre Homeopatia pra mastite sub-clinica.
Agradeco desde ja pela vosa atencao!!!
Muito Grato pela materia,De muita utilidade!
Obrigado

<b>Resposta do autor:</b>

Prezada Genifer,


O CMT é um método diagnóstico para a mastite subclínica e seria uma alternativa a CCS eletrônica, quando esta última não é viável, por alguma razão.

Eu não recomendaria o tratamento de vacas com mastite subclínica, sem um diagnóstico do tipo de bactéria causadora. Somente seria recomendado o tratamento, se o agente causador for Streptopcoccus agalactiae. Nas outras situações, o tratamento não tem retorno econômico, pois a taxa de cura é baixa e o custo é alto.

Sobre o uso de produtos homeopáticos, eu não tenho informações sobre a sua eficácia, com base em algum estudo científico,e portanto, não recomendaria o uso desse tipo de estratégia.

Atenciosamente, Marcos Veiga

MARIO CESAR MESSERSCHMIDT SCHERER

JÚLIO DE CASTILHOS - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 16/04/2010

Por gentilesa queria que vcs me enviassem algum material sobre celulas somáticas e Contagem Bacteriana. aguardo resposta obrigado.

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Mario Cesar Messerschmidt Scherer,

Sugiro que você consulte os artigos publicados anteriormente no Radar Técnico de Qualidade ou então visite o site, onde temos mais materiais disponíveis:

www.marcosveiga.net

Atenciosamente, Marcos Veiga

IUNAMACHADO

UNAÍ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/04/2010

Caro Dr Marco eu queria sabe se pode alguma quantidade de CSS na godura no leite.

<b>Resposta do autor:</b>

iunamachado,

O aumento da CCS (mastite subclínica) podem sim reduzir o teor de gordura do leite. Os resultados dos estudos têm sido variáveis, sendo que algumas vezes a redução é bem evidente e enquanto outras a redução da produção de gordura é confundida com a própria redução da produção de leite.

Em resumo, a produção total de gordura é reduzida em função da menor produção de leite de também pode acontecer de a porcentagem de gordura também ser reduzida.

Atenciosamente,

Marcos Veiga

WELLINGTON

PATOS DE MINAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 25/03/2010

Caro amigo Marcos, artigo como esse é de grade importânca, pois a mastite ainda é um dos gandes gargalos na rentabilidade da atividade leiteira. Essa publicação orienta e muito os prdutores no contole da doença.

Anteciosamente, Wellington.
EDER GHEDINI

TAPEJARA - RIO GRANDE DO SUL

EM 10/03/2010

Olá,
Inicialmente gostaria de cumprimentá-lo pelo artigo. Os índices de CCS aceitos, os quais de certa forma seriam normais, sem dúvida alguma estão relacionados com a idade e ou período lactacional, certo? Podemos dizer que ocorre então determinada regeneração epitelial e as células "velhas" dariam lugar a células "novas", aquelas por sua vez, vão contribuir para uma pequena contagem, não caracterizando determinado processo inflamatório. Dr. Marcos, gostaria de saber se existe um relação entre os índices, CCS e CBT em suas respectivas contagens, ou seja, uma CCS alta seria acompanhada de uma CBT alta? Desde já agradeço sua atenção. Forte abraço.



<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Eder Ghedini,

A CCS tem variação dentro de uma faixa de normalidade (até 300.000 céls/ml) em função da idade e do estágio de lactação. No entanto, o fator que determina se a CCS é alta ou não é a ocorrência de infecção intramamária e não idade, estágio de lactação ou outros fatores.

A relação entre CCS e CBT pode ocorrer quando existe um elevado número de vacas com mastite causada por Streptococcus agalactiae. Nessa situação, existe uma grande liberação de bactérias de origem da glândula mamária das vacas com mastite o que gera um aumento da CBT. Sendo assim, teríamos um rebanho com alta CBT e alta CCS.

Em outras situações, não existe uma relação direta entre CBT e CCS, uma vez que podemos ter leite com baixa CCS e alta CBT, sendo a CBT de origem do equipamento de ordenha, refrigeração deficiente ou deficiências na limpeza. Por outro lado, podemos ter alta CCS e baixa CBT, uma vez que muitos agentes causadores de mastite podem aumentar a CCS das vacas, mas não alterar a CBT do leite do tanque, pois não são liberados em altas concentrações.

Atenciosamente, Marcos Veiga

MARCO ANTONIO PARREIRAS DE CARVALHO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS

EM 03/02/2010

Caro Dr. Marcos Veiga,
Gostei muito do artigo e não sabia que o Corynebacterium encabeça a lista dos agentes causadores de mastite. É importante na hora de se escolher o antibiótico para o tratamento empírico.
Uma dúvida: O relato de " ... nas amostras de leite sem crescimento bacteriano a média de CCS foi de 264.000 células/ml ...". Achei alto este índice, é isso mesmo?
Uma outra curiosidade, não sei se a pesquisa priorizou também a contagem de células somáticas em relação ao volume de leite produzido e em relação à raça dos animais estudados?
Muito obrigado,
Marco Antonio P. Carvalho

<b>Resposta do autor:</b>

"Prezado Marco Antonio Parreiras de Carvalho",

Na maioria dos estudos, um dos principais agentes isolados é o Corynebacterium, que representa entre 20-30% dos isolamentos. Este agente é considerado como de menor patogenicidade, pois acarreta um menor elevação da CCS e também menor lesão nos tecidos.

O valor de 264.000 células para quartos mamários sem infecção realmente é um pouco elevado, considerando um padrão de 200.000 cél/ml. No entanto, este valor é a média aritmética, o que nem sempre representa a realidade, pois foi verificado um grande desvio padrão nos resultados (veja a tabela 1), enquanto a média geométrica foi de 22.000 cel/ml.

Atenciosamente, Marcos Veiga