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Suplementação mineral e vitamínica e suas relações com a mastite e a qualidade do leite - Parte 2*

POR MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 05/12/2002

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Recomendações de requerimentos baseados no NRC 2001

As atuais recomendações de requerimentos nutricionais para vacas leiteiras do NRC 2001 (National Research Council), o qual é reconhecido internacionalmente com referência das necessidades nutricionais de vacas leiteiras, tomaram como base vários estudos sobre suplementação e estudos clínicos para estabelecer estes novos requerimentos para alguns nutrientes. Genericamente, as recomendações do NRC devem ser consideradas como um ponto de partida para a formulação de dietas. Suplementações acima destas recomendações somente deveriam ser consideradas em situações especiais e quando houver dados de pesquisa que justifiquem esta decisão pelo nutricionista.

Os requerimentos de microminerais publicados no NRC 2001 não estão apresentados como concentrações destes minerais na dieta e sim em miligramas do mineral que devem ser absorvidas por dia. Sendo assim, para obter as concentrações dos minerais na dieta, é necessário conhecer o consumo de matéria seca e o coeficiente de absorção de cada mineral, o que depende da fonte fornecida na dieta. Estes coeficientes de absorção são também fornecidos na edição 2001 do NRC. No entanto, para as vitaminas, os requerimentos estão expressos como UI da vitamina a ser suplementada por quilograma de peso vivo do animal.

Esta metodologia para expressar os requerimentos de microminerais em mg do mineral que deve ser absorvido permite certa flexibilidade e aumenta a precisão das recomendações, pois pode-se levar em conta certas causas de variação, como o consumo de alimentos e a biodisponibilidade das fontes dos minerais. A seguir apresentamos uma visão geral dos requerimentos dos nutrientes relacionados à mastite e qualidade do leite na nova edição do NRC 2001.

Vitamina A: os requerimentos de vitamina A, tanto para vacas secas quanto em lactação, foram aumentados para 110 UI/kg de peso vivo. Logo, para uma vaca com peso médio de 500 a 600 kg, o consumo diário recomendado deve ser de 55.000-66.000 UI/dia. Não existem, no momento, estudos que justifiquem níveis de suplementação maiores para a vitamina A.

Beta-caroteno: não foram estabelecidos requerimentos para beta-caroteno para vacas leiteiras. Dados de estudos clínicos indicam que pode haver melhoria na saúde da glândula mamária com a suplementação de beta-caroteno na dieta, no entanto, o custo da suplementação é alto. Geralmente, dietas com silagem de boa qualidade apresentam bons níveis de beta-caroteno, o que não justifica economicamente a suplementação.

Vitamina E: baseando-se em estudos da última década, o NRC aumentou substancialmente os requerimentos para vitamina E das vacas leiteiras. Deste modo, o novo requerimento para vacas secas é de 1.6 UI/kg de peso vivo e de 0.8 UI/kg para vacas em lactação. Isto significa que os níveis de suplementação para vacas secas e em lactação são de aproximadamente 1000 UI/dia e 500 UI/dia, respectivamente. Vale lembrar que vacas sob pastejo ou alimentadas com forragens verdes de boa qualidade já estão consumindo uma quantidade substancial de vitamina E, pois estes alimentos são ricos nesta vitamina, reduzindo a recomendação de suplementação para 160 UI/dia (vacas em lactação) e 330 UI/dia (vacas secas). Alguns estudos ainda apontam que suplementações acima das recomendações do NRC podem ter efeito positivo no período peri-parto, quando estes animais não apresentam um fornecimento adequado de selênio na dieta.

Selênio: devido à regulamentação da suplementação de selênio nos EUA ter interferência do FDA (agencia reguladora de medicamentos e alimentos), foi estabelecido que a suplementação deste mineral deve ser de 0,3 ppm para vacas secas e em lactação. No entanto, as recomendações nutricionais para maximização da resposta imune de vacas leiteiras para o selênio são de 6 mg/vaca/dia.

Cobre: os requerimentos de cobre foram aumentados com o NRC 2001 para vacas secas e vacas em lactação. Considerando uma biodisponibilidade normal, para vacas secas (o exemplo usado é para uma vaca Holandesa adulta) o consumo de cobre deve ser de 170-180 mg/dia. Para vacas em lactação, a produção leiteira faz com que este requerimento seja elevado para 225 mg/dia (produção média de 25 kg/dia). Todas estas recomendações levam em conta concentrações normais de enxofre e molibdênio, os quais, se encontrados em altas concentrações, podem reduzir a disponibilidade de cobre e, consequentemente, tornar estes níveis de suplementação inadequados. O cobre pode se considerado como um dos mais tóxicos minerais que são suplementados nas dietas das vacas, uma vez que níveis de suplementação 4 a 5 vezes maiores que os requerimentos podem ser tóxicos, o que desautoriza níveis elevados de suplementação deste mineral.

Zinco: considerando situações normais de biodisponibilidade e uso de ingredientes comuns nas dietas, o requerimento de Zn no NRC 2001 é de 300 mg/dia para vacas secas (mais uma vez o exemplo usado é para uma vaca Holandesa adulta) e de 900 mg/dia para vaca em lactação (25 kg/dia). Ainda faltam dados mais conclusivos, para o caso do Zn, para determinar se estes níveis de suplementação são adequados para a otimização da saúde de glândula mamária. Vacas leiteiras podem tolerar suplementações de Zn de até 10 vezes os requerimentos, entretanto, altos níveis de Zn na suplementação podem causar deficiência secundária de cobre, devido a interação entre Zn e cobre.

Manganês: os novos requerimentos de Mn para vacas secas e em lactação (produção de leite de 25 kg/dia) são, respectivamente, 240 e 280 mg/dia. Estas recomendações são substancialmente menores que as anteriores. No momento não existem dados de pesquisa disponíveis sobre o efeito da suplementação de Mn sobre a saúde da glândula mamaria.

As recomendações do NRC 2001 foram desenvolvidas para avaliar a adequação nutricional de dietas e não para a sua formulação. Desta forma, os valores de referência do NRC devem ser considerados como requerimentos mínimos e não incluem margem de segurança. Devido a variações de consumo, ambiente e composição dos alimentos, as dietas deveriam ser formuladas visando fornecer mais do que o recomendado em alguns casos, para garantir que todos os animais estejam consumindo quantidades adequadas.

A seguir são apresentadas algumas sugestões, baseadas nas recomendações do NRC 2001 e com alguns requerimentos adicionais para situações nas quais existe uma expectativa de variação. Devido às variações no consumo, composição de alimentos utilizados e disponibilidade de microminerais em relação à fonte fornecida, as sugestões abaixo devem ser apenas consideradas como ponto de partida para a formulação de dietas para vacas leiteiras.

Tabela 1 - Sugestão de concentração de micronutrientes (na matéria seca)




Para finalizar, é importante considerar, porém, que o fornecimento adequado de todos os micronutrientes não substitui a implantação das medidas de um programa de controle de mastite, uma vez que a suplementação de micronutrientes é uma ferramenta auxiliar para a maximização da imunidade do animal.

Literatura consultada

1. HOGAN, J.S., WEISS, W.P., SMITH, K.L. Role of vitamin E and selenium in host defense against mastitis. Journal of Dairy Science. v.76, p.2795, 1993.
2. SORDILLO, L.M., NICKERSON, S.C., AKERS, R.M., OLIVER, S.P. Secretion composition during bovine mammary involution and relationship with mastitis. International Journal of Biochemistry. v.19, p.1165, 1987.
3. CHEW, B.P., HOLLEN, L.L., HILLER, J.K. Relationship between vitamin A and -carotene in blood plasma and milk and mastitis in Holsteins. Journal of Dairy Science. v.65, p.2111, 1982.
4. National Research Council. 2001. Nutrient requirements of dairy cattle. Natl. Acad. Press, Washington, DC.
5. OLDHAM, E.R., EBEHART, R.J., MULLER, L.D. Effects of supplemental vitamin A or B-carotene during the dry period and early lactation on udder health. Journal of Dairy Science. v.74, p.3775, 1991.
6. HARMON, R.J., TORRE, R.M. Cooper and zinc: do they influence mastitis? Proceeding of 33 Annual National Mastitis Council. Orlando, p.54, 1994.
7. WEISS, W. P. Relationship of mineral and vitamin supplementation with mastitis and milk quality. Proceeding of 41 Annual National Mastitis Council. Orlando, p.37-44, 2002.

* Originalmente publicado na Revista Balde Branco. p. 87-91, 2002.

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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