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Selante de tetos associado com antibiótico de vaca seca reduz mastite e CCS no início da lactação

POR MARCOS VEIGA SANTOS

E TIAGO TOMAZI

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 22/02/2017

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Autores do artigo: Tiago Tomazi* e Marcos Veiga dos Santos

Estratégias de manejo para redução do risco de novas infecções intramamárias (IIM), bem como para a prevenção de prejuízos ocasionados pela doença, como aumento da CCS e perda do potencial de produção, são de grande benefício para produtores de leite. O uso de tratamento de vaca seca é uma prática amplamente usada para secagem de vacas leiteiras com o objetivo de curar IIM existentes e de prevenir novas IIM durante o período seco. No entanto, apesar do uso de antibióticos na secagem, aproximadamente 52% dos casos de mastite clínica causados por coliformes ocorrem em quartos mamários que foram infectados durante o período seco. Parte disto ocorre porque a maioria dos antibióticos de secagem possuem ação antimicrobiana nos estágios iniciais e intermediários do período seco, porém com eficácia reduzida no estágio que antecede o parto.

Um dos mecanismos fisiológicos de defesa das vacas contra IIM após a secagem é a formação do tampão de queratina no canal do teto, o qual atua como uma barreira física contra patógenos causadores de mastite. A falha, ou mesmo o atraso na formação do tampão de queratina é um fator de risco para novas IIM durante o período seco. Um estudo indicou que quartos mamários com o canal do teto aberto ou com lesões na extremidade apresentaram 1.7 vezes mais chance de desenvolver novas IIM durante o período seco em comparação a quartos mamários sadios e com o tampão de queratina formado.

Ouso de selante de teto em combinação com antibiótico intramamário é uma estratégia de proteção similar ao que ocorre naturalmente com a formação tampão de queratina contra agentes causadores de mastite. Selantes de teto são formulações inertes, sem propriedades antimicrobianas, e que são injetados no canal do teto no momento da secagem para atuar como uma barreira física contra a invasão de micro-organismos causadores de mastite. Um estudo recente demonstrou que o selante de teto aplicado em associação com antibióticos intramamários na secagem reduziu o risco de mastite clínica na lactação subsequente em 48% em comparação a vacas que receberam apenas o antibiótico.

Em relação à mastite subclínica, são escassos os estudos que avaliaram o efeito da combinação de selantes de teto e antibióticos aplicados no momento da secagem. Com base nisso, um estudo recente teve como objetivo avaliar a eficácia do selante de teto em combinação com a terapia de vacas seca administrado no momento da secagem sobre a CCS individual, produção e composição do leite e risco de mastite clínica e subclínica em vacas multíparas com até 60 dias em lactação.

Um total de 2.080 vacas distribuídas em oito rebanhos foram submetidas a um dos seguintes protocolos de secagem: (a) aplicação somente de antibiótico intramamário (ATB; total de 1.044 vacas); e, (b) aplicação de antibiótico intramamário associado com selante de teto (ATB + SEL; total de 1.036 vacas). Indicadores como a produção de leite, CCS individual, e as porcentagens de gordura e proteína foram avaliados em intervalos de 14 ± 3 dias após o parto durante os primeiros 60 dias de lactação. Além disso, casos de mastite clínica foram registrados durante o período compreendido entre a secagem e 60 dias pós-parto.

Vacas que foram tratadas com o protocolo ATB + SEL tiveram a média geométrica de CCS nos primeiros 60 dias de lactação mais baixa (CCS = 32 × 103 células/mL) em comparação com vacas que receberam apenas antibiótico intramamário na secagem (43,5 × 103 células/mL). Além disso, vacas submetidas ao protocolo ATB + SEL tiveram 1.9 vezes menos chance de apresentar mastite subclínica (CCS ≥ 250 × 103 células/mL) nos primeiros 60 dias de lactação em comparação a vacas que receberam o protocolo ATB.

Em relação à mastite clínica, apenas 4 vacas apresentaram infecção durante o período seco e 76 vacas apresentaram mastite clínica no período compreendido entre 0 e 60 dias pós-parto: 43 casos (5.7%) no grupo ATB; e 33 casos (4.3%) no grupo ATB + SEL. Entretanto, não houve diferença estatística entre os protocolos de secagem sobre a ocorrência de mastite clínica. Da mesma forma, não houve diferença entre os protocolos de secagem em relação à produção e composição do leite. A ausência de efeito dos protocolos em relação à mastite clínica não foi consistente com os resultados de outros estudos, os quais relataram redução de 24 a 48% na ocorrência de infecção com o uso de selante associado ao antibiótico intramamário na secagem em comparação com o uso somente de antibiótico.

A prevenção de infecções intramamárias depende de diversos fatores além da terapia de vaca seca, o que inclui a adequada assepsia durante o procedimento de secagem, higiene de ordenha e das instalações, sanidade geral do rebanho, e monitoramento e manejo das vacas, particularmente durante os períodos de maior risco. Contudo, protocolos de secagem com a combinação de selantes de teto e antibióticos intramamários podem gerar benefícios econômicos aos rebanhos leiteiros por sua ação na redução da CCS e prevenção de IIM durante o período seco e estágio inicial de lactação.

Fonte: Golder et al. (2016), J. Dairy Sci. 99:7370–7380.

*Tiago Tomazi é doutorando do Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Produção Animal da FMVZ/USP.
 

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

TIAGO TOMAZI

Médico Veterinário e Doutor em Nutrição e Produção Animal
Pesquisador do Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP

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JANICE SCHROEDER

SÃO JOÃO DO OESTE - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/03/2018

Gostaria de saber em casos de animais com ccs ábaco de 200, 100 ou ate 50 também devo usar antibiótico ou posso fazer a secagem apenas com selante?
WORKMAM JARDEL PIRES

IMPERATRIZ - MARANHÃO - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 09/03/2017

Surgiu uma dúvida professor.
Com essa nova recomendação, pergunto.
Existe no mercado algum produtor com essa associação?
Caso negativo, a forma de aplicação seria 1° - ATB e em seguida 2° - SEL?
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 01/03/2017

Prezada Liliane,

Fizemos um levantamento em 3 fazendas leiteiras de alta produção e cerca de 25% das vacas (as quais não receberam selante) têm vazamento de leite nos 2-3 dias após a secagem.

O uso do selante reduz a ocorrência de vazemento de leite após a secagem, mas eu não recomendaria reaplicar o produto, caso ocorra algum vazamento durante ou após a primeira aplicação.

Sobre a sua questão relacionada ao tratamento, a recomendação é seguir as indicações de bula (1 ou 2 aplicações por dia), de acordo com a recomendação do fabricante. O uso de CIM tem como foco o desenvolvimento de estudos sobre protocolos, mas não recomendaria como rotina para tratamentos de casos clínicos em fazendas.

Atenciosamente, Marcos Veiga
LILIANE ZANATTA

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL

EM 01/03/2017

Bom dia, ótimo artigo. Gostaria de discutir a questão da aplicação do selante e sua eficácia quando ocorre o vazamento de leite após a aplicação, há algum parâmetro a seguir? No caso de tratamentos de mastites clínicas agudas (durante a lactação) qual a melhor posologia, sigo a aplicação diária de bisnagas intramamárias ou após cada ordenha? Tenho essa dúvida ao pensar em CIM. Agradeço a atenção.
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 01/03/2017

Prezado Jairo, este tema já foi bem discutido e abordado em artigos anteriores. Sugiro que entre nos comentários do seguinte artigo para ver os comentários:

https://www.milkpoint.com.br/mypoint/6239/p_tratamento_homeopatico_de_mastite_clinica_5626.aspx

Obrigado, Marcos Veiga
JAIRO JUAREZ DA SILVA JR

BOM DESPACHO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 01/03/2017

Caro Professor Marcos Veiga,

Gostaria de ouvir a sua opinião sobre homeopatia para controle de mastite.Obrigado a todos.
JOSÉ MARIA APARICIO MONCHO

SANTOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/02/2017

também usamos produtos de homeopatia e com bom resultado porem não conheço e nunca soube de cura.
Então tenho o interesse se saber sobre do selante com antibiótico.
ARMENIO

SANTANA DO LIVRAMENTO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/02/2017

Sidney, bom dia, gostaria de maiores informacoes sobre a homeopatia . obrigado
SIDNEY LACERDA MARCELINO DO CARMO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 24/02/2017

Prezado Diego,

Meu email: bonfim@emater.mg.gov.br cel: 31 999949837 fixo: 31 35761392.

Sou funcionário da Emater-MG e produtor de leite.

grato
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 24/02/2017

Prezada Marta, somente para esclarecer que os selantes de tetos são inertes (sem princípio ativo), mas o recomendado é o seu uso associado com tratamento de vaca seca (que contém antibiótico). É possível usá-los de forma separada, como no caso da terapia seletiva de vaca seca.

atenciosamente, Marcos Veiga
MARTA MARIA B. B. S. XAVIER

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO - PESQUISA/ENSINO

EM 24/02/2017

Os selantes deixam de ser inertes, a partir do momento que são acrescentadas drogas antimicrobianas.... Uma pena.....
DIEGO DIÓGENES FERNANDES

FORTALEZA - CEARÁ

EM 23/02/2017

Colega Sidney, favor ma passa seu contato, gostaria de obter informações dessa experiência relatada acima.

Att.
SIDNEY LACERDA MARCELINO DO CARMO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 22/02/2017

Graças a DEUS com a homeopatia no controle de mastite não descarto mais leite. E ainda tenho conseguido fazer um controle excelente de mastite. Tenho uns 5 meses que não compro mais antibiótico para mastite.