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Perdas de produção leiteira causadas pela mastite clínica

POR MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 21/11/2007

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A ocorrência de um caso de mastite clínica ocasiona prejuízos diretos para o produtor, visto que há necessidade de tratamento e descarte de leite com resíduos de antibióticos. Estes custos são visíveis e podem ser facilmente contabilizados, entretanto, existem outros custos indiretos e que nem sempre são facilmente mensuráveis, como as perdas de produção de leite de curto e longo prazo, além do aumento do risco aborto, de descarte e de perda de quartos. Outro ponto importante é que muitas vezes pode ser mais vantajoso para o produtor descartar uma vaca que tenha apresentado casos crônicos de mastite, caso fosse possível estimar qual o custo acarretado pela mastite apresentou para um determinado animal.

Não se pode esquecer que os prejuízos e possibilidades de cura de um caso clínico dependem do tipo de agente causador, mas o que geralmente acontece em termos práticos é que o produtor tem que decidir se trata ou não um caso clínico antes de ter o resultado da cultura microbiana. Muitos estudos que avaliaram as perdas causadas pela mastite clínica levaram em conta a ocorrência de apenas um caso clínico isolado, contudo, muitas vacas apresentam mais de um caso de mastite clínica na lactação ou mesmo em mais de uma lactação.

Com o objetivo de estimar as perdas de produção de leite associadas à ocorrência de casos repetidos de mastite clínica dentro de uma lactação e entre lactações, foi desenvolvido um estudo com base em 10.380 lactações de 5 rebanhos leiteiros do estado de Nova York, EUA. Todos os rebanhos possuíam sistema automático de medição diária de leite e os casos clínicos foram detectados por meio do teste dos primeiros jatos antes da ordenha.

Muitas das vacas que desenvolveram mastite clínica apresentaram maiores produções antes do caso clínico que as demais vacas do rebanho. A produção de leite sofreu queda após o diagnóstico, sendo que as maiores perdas ocorreram dentro das duas semanas seguintes e gradualmente se equilibrou dentro de dois meses após a ocorrência do caso. Vacas que apresentaram mastite clínica não conseguiram recuperar o seu potencial de produção anterior.

Com relação às primíparas, as perdas de produção foram de 164 kg de leite para o primeiro caso e cerca de 198 kg para o segundo, dentro de dois meses após o diagnóstico. Para as vacas adultas, as perdas ocasionadas pela mastite clínica foram de 253 kg para o primeiro caso, 238 kg para o segundo e 216 kg para o terceiro.

Figura 1. Efeito da mastite clínica sobre a curva de lactação de vacas primíparas (3.681 lactações). Linha sólida (●) representa uma curva de lactação de uma vaca com 2 casos de mastite clínica (setas) e o potencial de produção ao longo da lactação (linha pontilhada). Linha tracejada (◊) representa a curva de lactação de uma vaca sem ocorrência de mastite clínica.


Fonte: adaptado de : Bar et al. 2007.

Figura 2. Efeito da mastite clínica sobre a curva de lactação de vacas adultas (6.699 lactações). Linha sólida (●) representa uma curva de lactação de uma vaca com 3 casos de mastite clínica (setas) e o potencial de produção ao longo da lactação (linha pontilhada). Linha tracejada (◊) representa a curva de lactação de uma vaca sem ocorrência de mastite clínica.


Fonte: adaptado de : Bar et al. 2007.

Em média, uma vaca que apresentou um ou mais casos de mastite clínica em uma lactação anterior produziu 1,2 kg/dia a menos que na lactação seguinte em relação a vacas que não apresentaram casos clínicos. Estes resultados permitem ao produtor estimar perdas de produção causada pela mastite clínica, mesmo que não tenha os dados do agente causador, e desta forma ter maior capacidade de tomar decisões sobre a viabilidade ou não de descarte de vacas com casos repetidos de mastite clínica.

Fonte:

Bar et al. Journal of Dairy Science, v.90: 4643-4653, 2007

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MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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EDINALDO BRASIL TEIXEIRA

SALVADOR - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/05/2008

Dr. Marcos Veiga, gostaria de consultá-lo.

Possuo uma propriedade na Bahia com produção de 800 litros/dia com 60 vacas em lactação. A CCS no tanque infelizmente é de 900.000 com 55% dos tetos limpos.

O 1o Lote com média de produção de 22 litros estava consumindo 5 kg de concentrado em 2 vezes ao dia, alterei para 9 kg de concentrado em 3 vezes ao dia, entretanto a produção continuou a mesma. Professor será que a alta CCS do rebanho impede o aumento de produção?

Obrigado
Edinaldo

<b>Resposta do autor</b>

Prezado Edinaldo Brasil Teixeira,

Pelas estimativas de trabalhos científicos, o seu rebanho pode estar deixando de produzir cerca de 18% menos de leite em razão da mastite subclínica. Possivelmente, essa é uma das causas dos animais não estarem respondendo a nutrição fornecida.

Atenciosamente, Marcos Veiga