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Perdas de produção de leite dependem do agente causador de mastite clínica

POR MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 06/05/2005

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A mastite pode ter como causa uma grande diversidade de agentes patogênicos. Diversas pesquisas avançam no conhecimento da sua forma de transmissão, sintomas apresentados e epidemiologia. Contudo, ainda são poucas as informações sobre as perdas de produção de leite causadas especificamente por determinado microrganismo. Por exemplo, é sabido que alguns agentes causam quadros de mastite mais severa, o que leva a maiores perdas de produção de leite, como nos casos de Mycoplasma spp., Arcanobacterium pyogenes, Klebsiella spp., e Enterobacter spp. Sem dúvida de que estas informações são de grande valia para o produtor e técnico responsável, pois pode-se prever qual tipo de prejuízo estimado quando são identificados os diversos agentes causadores de mastite no rebanho. Pode-se também avaliar se são vantajosas economicamente medidas de controle, como tratamento ou descarte.

Buscando determinar as perdas de produção de leite provocadas pelos principais patógenos causadores de mastite, foi realizado um estudo com cerca de 3100 vacas em dois diferentes rebanhos americanos do estado de Nova York. Os patógenos estudados foram Streptococcus spp., Staphylococcus aureus, Staphylococcus spp., Escherichia coli, Klebsiella spp., Arcanobacterium pyogenes, assim como nos casos em que não houve nenhum isolamento de casos de mastite clínica. Utilizando-se de uma sofisticada análise estatística, os pesquisadores avaliaram os efeitos da mastite clínica sobre a produção de leite, levando-se em consideração diversos fatores, como: rebanho, estação de parição, número e estágio de lactação, e ocorrência de outras doenças. Foi dado destaque especial para a separação de vacas de primeira lactação (primíparas) e adultas (multíparas), uma vez que as curvas de lactação destes grupos comportam-se de modo diferente. Na avaliação dos prejuízos era avaliada a produção de leite antes e após o caso clínico de mastite.

Os resultados do estudo indicam, conforme esperado, que as perdas em produção são dependentes do tipo de microrganismo causador. No grupo das primíparas, os agentes que causaram as maiores perdas de produção foram Staph. aureus, E. coli, Klebsiella spp. e os casos nos quais não foi isolado nenhum agente. A produção de leite teve declínio cerca de uma a duas semanas antes da manifestação de sintomas (antes do diagnóstico), mas foram ainda maiores após o diagnóstico. Caracteristicamente, as vacas que apresentaram casos de mastite e depois de recuperaram clinicamente nunca retornaram ao seu potencial de produção de leite, em comparação com vacas do mesmo rebanho que não foram acometidas pela doença.

A título de ilustração, as vacas de primeira lactação que tiveram mastite clínica causada por Streptococcus spp. apresentaram uma pequena redução na produção após o início do caso e na primeira semana atingiram perdas de 2,5 kg/dia, mas se recuperaram quase que completamente a sua produção posteriormente, conforme ilustrado na figura abaixo. Quanto ao Staph. Aureus, a produção não foi afetada até 1 semana antes do caso clínico, contudo após este período houve considerável redução da produção, a qual nunca se recuperou totalmente por até 70 dias depois. Nestes casos de mastite, as vacas produziram 8,4 kg/dia a menos durante as duas primeiras semanas de mastite, o que indica que esse agente afeta consideravelmente a produção de leite, principalmente nas primíparas. Para os casos de mastite causada por Escherichia coli foi registrada redução de 6,7 kg/dia na primeira semana e de aproximadamente 5 kg nas próximas três semanas. Desta forma, a Escherichia coli resultou em elevado impacto negativo para as primíparas, uma vez que a produção não se recuperou depois ao longo da lactação.

Figura 1: Curvas de lactação de vacas acometidas por casos de mastite clínica, em função do agente causador (A: Streptococcus spp. B: Staphylococcus aureus, C: Staphylococcus spp., D: Escherichia coli).



Observação: Vacas com mastite são representadas por (-▲-) e vacas sadias por (-□-). A seta indica o início do caso clínico (Adaptado de Journal of Dairy Science, 87:3358-3374, 2004.)

Quanto às multíparas, as maiores perdas foram causadas por Streptococcus spp., Staph. Aureus, A. pyogenes, E. coli, e Klebsiella spp. Muitas das multíparas que apresentaram casos de mastite clínica neste estudo produziam mais que as vacas sadias antes do diagnóstico da mastite. Da mesma forma que nas primíparas, as perdas de produção das multíparas começaram antes do diagnóstico do caso clínico e tiveram impacto ainda maior após a ocorrência da mastite. A perda de produção persistiu por pelo menos 70 dias após o diagnostico para os agentes Streptococcus spp., Klebsiella spp., e A. pyogenes.

Os resultados do estudo são de grande interesse para os produtores para determinar quais os agentes causadores de mastite são os mais prejudiciais nas condições específicas de cada rebanho, visando assim, justificar medidas de controle.

Fonte: Journal of Dairy Science, 87:3358-3374, 2004.

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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ROBERTO ARCE GOMES

NAVIRAÍ - MATO GROSSO DO SUL - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 07/05/2005

Caro Prof. Marcos,



E um rebanho comercial, com bom manejo sanitário dos tetos (pré e pós dipping, tratamento das vacas secas, etc ), qual é a perda média aceitável de leite com a mastite (5%, 10% ,etc).



<b>Resposta do autor:</b>



Prezado Roberto,



Uma forma adequada de quantificar a mastite é através da CCS (contagem de células somáticas). Coloca-se como meta a ser atingida que o leite do tanque tenha menos que 250.000 cel/ml e que menos de 15% das vacas em lactação tenham CCS acima de 200.000 cel/ml (mastite subclínica). Sendo assim, uma meta adequada seria menos de 15% das vacas com mastite subclínica.



Atenciosamente, Marcos Veiga