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Padrão de resistência aos antimicrobianos de Staphylococcus aureus - análise histórica

POR MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 14/03/2003

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Na grande maioria dos países, o agente causador de mastite Staphylococcus aureus ainda é um dos mais isolados em amostras de leite de casos de infecção da glândula mamária. Desde o início do uso dos antimicrobianos para o tratamento da mastite, têm sido utilizados vários destes princípios ativos, o que poderia resultar no aumento da resistência bacteriana aos produtos utilizados. De forma geral, a resistência mais comum observada é a da penicilina, que é um dos antibióticos mais utilizados em vacas leiteiras.

Devido a sua grande importância como agente causador da mastite e pela dificuldade de seu controle, o S. aureus tem sido bastante estudado quanto à sua resistência aos antimicrobianos. Quando cepas de S. aureus são resistentes à meticilina, elas são denominadas de MRSA (methicillin resistant S. aureus) , apresentando como característica principal a multi-resistência a todos os antibióticos do grupo dos beta-lactâmicos, assim como resistência a outros antibióticos. O surgimento destas cepas MRSA causa preocupação, pois o seu tratamento é bastante difícil.

Desde 1964 até 2001, foi feito um extenso levantamento por pesquisadores da Holanda, avaliando retrospectivamente o padrão de resistência aos antimicrobianos de Staphylococcus aureus isolados de casos de mastite bovina. As amostras de S. aureus foram consideradas resistentes à penicilina quando estas apresentaram produção de beta-lactamase. A sensibilidade aos demais antibióticos foi realizada através do método de difusão em ágar, também conhecido como antibiograma. A partir de 1994, as amostras isoladas de S. aureus também foram testadas para a resistência à oxicilina, como indicador da resistência à meticilina (MRSA).

De acordo com os resultados apresentados, a resistência à penicilina aumentou rapidamente de aproximadamente 20% em 1965 para 40% em meados dos anos 70. No entanto, houve redução para 30% durante a década de 90. Por outro lado, a resistência à lincomicina e à eritromicina ocorre mais freqüentemente nas amostras de S. aureus que são resistentes à penicilina, em comparação com as que são sensíveis. Entre 1970-1973 a resistência à lincomicina era baixa, apresentando aumento em 1987, mas sofrendo redução a partir de 2000.

Deve-se destacar que apenas uma amostra de S. aureus, entre cerca de 1000 amostras coletadas, foi resistente à oxicilina, nos anos de 1999-2000. Entretanto, esta amostra de S. aureus apresentou resistência somente à penicilina e não apresentou o gene MecA que é geralmente associado à multi-resistência (MRSA).

A partir dos resultados encontrados na Holanda, assim como em outros estudos realizados em outros países, pode-se concluir que mesmo com o uso continuado de antimicrobianos no gado leiteiro, o padrão de resistência de S. aureus não parece ter aumentado significativamente, sendo considerado baixo pelos autores do estudo. Por outro lado, devem ser tomadas medidas de precaução buscando o uso racional de antibióticos, considerando que atualmente, está ocorrendo aumento do emprego de cefalosporinas de 3a e 4a geração para o tratamento de mastite.

Fonte: Anais do 2o Congresso Panamericano de Qualidade do Leite e Controle de Mastite, Ribeirão Preto, p.116, 2002.

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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