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O impacto silencioso da mastite subclínica

POR BRUNO BOTARO

E MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 02/07/2008

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Em seqüência ao último artigo publicado neste Radar Técnico ("Quanto custa a mastite?"), seguiremos discutindo o impacto econômico da mastite, desta vez sob a forma subclínica. A maioria dos estudos que relacionam os custos desta doença nos rebanhos leiteiros considera o impacto da mastite clínica. Entretanto, inúmeros estudos têm mostrado que as perdas com a mastite subclínica podem ser significativamente maiores. Da mesma forma, os resultados em relação à essas perdas são bastante variáveis, fato que acarreta em dificuldade de interpretação dos dados por parte dos técnicos e produtores.

A estimativa imprecisa das perdas de produção pelos cálculos e inferências econométricas geralmente não consideram as variações entre os animais. Para estabelecer mais precisamente as perdas decorrentes da mastite subclínica, pesquisadores holandeses desenvolveram um modelo para estimar o impacto da diminuição da produção do leite e de seus componentes em função desta doença, por meio de um modelo matemático para análise dos resultados diários de produção, CCS e composição do leite.

Usando tal modelo, os pesquisadores avaliaram os efeitos específicos da CCS de cada vaca, em função de cada curva de lactação, e seu impacto dentro do rebanho. Com isso, os pesquisadores puderam estimar o impacto econômico das perdas de produção do leite em função de cada novo caso de mastite subclínica em seu rebanho.

Para obtenção das perdas de produção, os casos clínicos de mastite e os dados referentes às produções dos animais foram coletados de 400 rebanhos holandeses aleatoriamente selecionados, resultando em 250.000 resultados reunidos. Neste experimento, seria considerado um novo caso de mastite subclínica quando uma vaca apresentasse alteração de CCS<50.000 células/mL para CCS>100.000 células/mL.

Além das perdas de volume de leite, os pesquisadores usaram também o modelo matemático para determinar os impactos econômicos desse aumento da CCS sobre a produção de gordura e proteína, baseados também no resultado da análise do dia anterior, respeitando o estágio de lactação em que cada animal se encontrava, bem como o número de parições de cada animal. Assim, a diferença entre a produção de leite e dos teores de sólidos de uma mesma vaca com CCS<50.000 células/mL e com CCS>100.000 células/mL, refletiria os efeitos de um novo caso de mastite subclínica na produção daquele animal.

O Quadro 1 apresenta as estimativas de perdas de produção de leite, proteína e gordura em primíparas e multíparas em função da alteração da CCS.

Quadro 1: Efeito do aumento da CCS durante um novo caso de mastite subclínica sobre a perda de produção de leite, gordura e proteína, em vacas primíparas e multíparas. (Adaptado de Halasa et al., 2008)


De forma complementar, os pesquisadores aplicaram um modelo de análise aleatória para simularem o impacto da mastite subclínica em um rebanho hipotético de 100 animais durante um ano. Nessa simulação, cada animal foi considerado como tendo 90% de chance de desenvolver um novo caso de mastite subclínica.

Esse percentual de probabilidade foi baseado em um risco real calculado de um animal adquirir a doença durante um ano sob as circunstâncias da Holanda. O período de infecção estimado para cada caso variou de 30-210 dias. Ainda, nessa situação hipotética, cada vaca com que desenvolvesse um novo caso de mastite subclínica, teria sua CCS atribuída de um valor entre 100.000 - 1.000.000 células/mL, valor este que também seria distribuído uniformemente para cada animal deste rebanho hipotético.

Baseados na simulação da CCS de cada animal, as perdas de produção de leite de cada vaca com um novo caso de mastite subclínica foram calculadas, e para o cálculo das perdas econômicas associadas aos decréscimos de produção, as perdas cumulativas do rebanho foram multiplicadas pelo custo por kg de leite.

Em seguida, três cenários concebidos para permitir uma análise mais abrangente: Cenário 1 - perda de €0,07/kg de leite (estimada pelo produtor holandês); Cenário 2 - perda de €0,12/kg de leite (calculada pelos pesquisadores); e Cenário 3 - perda de €0,23/kg de leite (valor do kg do leite nos EUA, convertido para €).

Para ilustrar, o Quadro 2 apresenta os resultados médios calculados por meio do modelo adotado pelos pesquisadores. Por exemplo, a CCS média do tanque de um rebanho de 100 vacas, com 90 novos casos de mastite subclínica em um ano, com a infecção se estendendo, na média, por 102 dias/caso é de 300.000 células/mL. Os custos associados à perda de produção para esse rebanho hipotético é de 7, 12 e €23/vaca/ano, com base nos cenários 1, 2 e 3, respectivamente. Em rebanhos com altas CCS de tanque, as perdas chegam a passar de €52/vaca (equivalente a €5.200/ano no rebanho considerado).

Quadro 2: Médias da simulação usando a mesma incidência de casos subclínicos de mastite com durações médias variáveis, em 3 cenários diferentes. (Adaptado de Halasa et al., 2008)


Há que se considerar que, apesar de relativamente pequenas as perdas de produção (raramente notadas pelo produtor), os prejuízos podem ser substanciais. Já que, segundo os pesquisadores, estes custos não computaram o risco de contagio de outras vacas, a evolução da mastite para um quadro clínico, o comprometimento permanente do tecido mamário afetado pela doença subclínica, e as penalidades sofridas no pagamento do leite. Tais fatos, por si só, já justificam a adoção de estratégias para o monitoramento e controle da mastite no rebanho.

Fonte: Halasa et al. NMC Annual Meeting Proceedings, 2008.

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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GUSTAVO LANSING

CENTRAL - ESTUDANTE

EM 21/11/2008

Boa Noite.
Muito interesante o artigo, só queria lembrar que as perdas causadas pela mastite subclínica podem ser maiores para a industria, pelas alterações da composição química, como: diminuição de proteinas, SNG, e outros, que são causas de menores rendimentos, principalmente na fabricação do queijo.
MARA IOLANDA BATISTELLA RUBIN

SANTA MARIA - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 14/07/2008

Caro Bruno,

Sou docente da UFSM e leio frequentemente os artigos do Dr. Marcos e sua equipe, pela qualidade das publicações. Parabéns a todos vocês.

Mara Rubin

<b>Resposta dos autores</b>

Professora Mara Rubin,

Agradecemos imensamente pelas congratulações e apoio nosso ao trabalho!

Professor Marcos Veiga dos Santos e Bruno Botaro
ADRIANA COIMBRA

CANDIOTA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/07/2008

Trabalho em uma cooperativa que atualmente faz o recolhimento do leite e entrega a outro laticinio. Gostaria de saber de algumas experências de cooperativas, nas quais há o pagamento do leite por qualidade aos seus cooperados.