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Novos conceitos sobre o uso de vacinas contra mastite causada por Staphylococcus aureus em vacas leiteiras - Parte 2/2*

POR MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 02/05/2002

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Os primeiros estudos com vacinas contra mastite causada por S. Aureus foram feitos na Nova Zelândia (7), utilizando 201 vacas de 1ª e 2ª lactação, as quais foram monitoradas pelo período de duas lactações. Cerca de metade dos animais foi vacinada com uma bacterina comercial (Somato-Staph, Anchor Laboratories, Inc., St. Joseph, MO, USA) e a outra metade não recebeu a vacina. Os resultados deste estudo indicaram que a incidência da infecção intramamária causada por Staphylococcus aureus foi similar entre os animais que receberam e os que não receberam a vacina, porém, verificou-se que a taxa de cura espontânea durante a lactação foi de 62% para os grupos vacinados e apenas 21% para os animais não vacinados. Estes resultados apontam que o uso desta vacina aumentou os mecanismos de defesa natural da glândula mamária contra S. Aureus.

Esta mesma vacina foi estudada em trinta vacas Jersey de 1ª lactação da Estação de Pesquisa da Universidade Estadual da Louisiana (8), as quais foram selecionadas para avaliar eficiência da proteína A e de uma vacina comercial (Somato-Staph, Anchor Laboratories, Inc., St. Joseph, MO, USA) contra a mastite causada por Staphylococcus aureus. Os animais foram acompanhados durante 3 lactações. Cada grupo, composto por 10 vacas, foi vacinado com a proteína A, a vacina comercial ou sem vacinação. Da mesma forma que o estudo anterior, os resultados apontaram que a vacinação não reduziu o número de infecções intramamárias causadas por S. Aureus, mas houve um aumento da taxa de cura espontânea, quando os comparada com aquela observada para o grupo controle (de 83% proteína A; 73% Lysigin; 47% controle). Por outro lado, a contagem de células somáticas dos quartos infectados por S. Aureus foi menor entre os animais vacinados do que no grupo controle. Os resultados deste estudo permitem concluir que ainda que a vacinação de vacas de leite não reduziu a incidência de mastite causada por S. Aureus pode-se observar aumento da taxa de cura espontânea deste agente.

Tabela 1 - Efeito da vacinação contra infecções intramamárias por Staphylococcus aureus na taxa de cura espontânea



Em um estudo realizado na Austrália (1), foi utilizada uma vacina baseada em antígeno da pseudocápsula de S. Aureus, no qual foram utilizadas 582 vacas distribuídas em 5 fazendas leiteiras comerciais. As vacas receberam 2 doses da vacina na 8ª e 4ª semana antes do parto. Os resultados mostraram que a vacinação reduziu os casos de mastite subclínica causada por S. Aureus em 25% e diminuiu os casos de mastite clínica em 45 a 52% nos rebanhos estudados. Esta mesma vacina foi testada também nos EUA (2), desafiando-se experimentalmente os animais com S. Aureus. Neste último estudo, os resultados demonstraram uma redução média de 48,1% das novas infecções nos animais vacinados, em comparação com os animais que não receberam a vacina.

Em outro estudo realizado na Noruega (3), avaliando uma vacina contra S. Aureus baseada em pseudocápsula e toxóides alfa e β, um total de 108 novilhas prenhes foram vacinadas na 8a e 2a semana antes do parto. Os resultados apontaram que na lactação subseqüente nenhum dos animais vacinados apresentou mastite clínica e 8,6% apresentaram casos de mastite subclínica, enquanto que 16% animais não vacinados apresentaram casos de mastite clínica ou subclínica.

Num estudo realizado na Argentina (4), uma vacina baseada em antígenos da pseudocápsula de S. Aureus foi testada em 30 novilhas durante o período de 7 meses. Um grupo de 10 novilhas recebeu 2 doses da vacina na 8a e 4a semana antes do parto e outro grupo de 10 novilhas foi vacinado na 1a e 5a semanas após o parto. Os resultados demonstraram que as novilhas vacinadas tiveram redução das novas infecções causadas por S. Aureus de 18,8% para 6,7%. Para a mastite subclínica, houve diminuição de 8,6% para 3%, com o uso da vacina. Esta mesma vacina também foi testada em 164 vacas em 2 rebanhos comerciais na Argentina, durante o período de 4 meses (5). Duas doses da vacina foram administradas em 82 vacas, com o intervalo de 28 dias. Os resultados do experimento revelaram uma significante redução das infecções intramamárias causadas por S. Aureus. O índice de mastite clínica diminuiu de 2,3% para 0,6% entre os animais vacinados e não vacinados, enquanto a mastite subclínica foi reduzida de 10,7% para 6,8%.

Um ponto importante a ser destacado é que o uso de vacinas contra S. Aureus tem apresentado bons resultados para o controle de mastite em novilhas. Em experimento realizado nos EUA (6), uma vacina comercial (Lysigin, Boehringer Ingelheim Animal Health Inc, St. Joseph, MO) foi administrada em novilhas por via intramuscular aos 6 meses de idade, seguido por um reforço 14 dias depois e revacinadas a cada 6 meses. O resultados demonstraram que o número de quartos apresentando infecções intramamárias crônicas durante a prenhez foi reduzido em 43,1%, a taxa de novas infecções intramamárias durante a prenhez foi diminuída em 44,8% e a taxa de novas infecções no período pós-parto foi reduzida em 44,7%, conforme tabela abaixo:

Tabela 2 - Efeito de vacina contra Staphylococcus aureus sobre novas infecções intramamárias (NIM) durante a prenhez, cronicidade da NIM, e ocorrência de NIM ao parto em novilhas.



Em resumo, os resultados dos estudos com vacinas contra S. Aureus apontam os seguintes benefícios:

- Reduz o custo de tratamento com antibióticos e com o descarte de leite;
- Reduz a prevalência de mastite clínica e subclínica causada por S. Aureus;
- Aumenta a taxa de cura espontânea de infecções causados por S. Aureus, reduzindo assim o descarte de animais;
- Diminui a severidade e a duração dos casos de mastite causadas por S. Aureus.

No entanto, não existe vacina capaz de prevenir ou impedir a entrada do Staphylococcus aureus pelo orifício do teto e invadir a glândula mamária. Para controlar a mastite por S. Aureus deve-se implementar um bom Programa de Controle de Mastite, com especial atenção ao correto manejo de ordenha, adequado funcionamento do equipamento de ordenha e uso do pós-dipping. O uso de vacinas contra mastite causada por S. Aureus deve ser implementado em fazendas com alta prevalência deste agente, dando-se ênfase ao seu uso em animais jovens, objetivando aumentar a resistência contra o S. Aureus.

Bibliografia consultada

1) Watson, D. L., Schwartzkoff, C. L. 1990. A Field trial to test the efficacy of a stahpylococcal mastitis vaccine in commercial dairies in Australia. p. 73. Proc. International Symposium on Bovine Mastitis, Indianapolis, IN.
2) Nickerson, S. C., W. E. Owens, and R. L. Boddie. 1993. Effect of a Staphylococcus aureus bacterin on serum antibody, new infection, and mammary histology in nonlactating dairy cows. J. Dairy Sci. 76:1290-1297.
3) Nordhaug, M. L., L. L. Nesse, N. L. Norcross, and R. Gudding. 1994. A field trial with an experimental vaccine against Staphylococcus aureus mastitis in cattle. 1. Clinical parameters. J. Dairy Sci. 77:1267-1275.
4) Giraudo, J. A., A. Calzolari, H. Rampone, A. Rampone, A. T. Giraudo, C. Bogni, A. Larriestra, and R. Nagel. 1997. Field trials of a vaccine against bovine mastitis. 1. Evaluation in heifers. J. Dairy Sci. 80:845-853.
5) Calzolari, A., J. A. Giraudo, R. Horacio, L. Odierno, A. T. Giraudo, C. Frigerio, S. Bettera, C. Raspanti, J. Hernandez, M. Wehbe, M. Mattea, M. Ferrari, A. Larriestra, R. Nagel. 1997. Field trials of a vaccine against bovine mastitis. 2. Evaluation in two commercial dairy herds. J. Dairy Sci. 80:854-858.
6) Nickerson, S.C., Owens, W.E., Tomita, G.M. Widel, P.W. 1999. Vaccinating dairy heifers with a Staphylococcus aureus bacterin reduces mastitis at calving. Lg Anin. Pract. 20:16-28.
7) Pankey, J. W., G. Duirs, G. Murray, A. Twomey. 1983. Evaluation of commercial bacterin against Staphylococcus aureus mastitis in New Zeland. Dairy Research Report, Louisiana Agricultural Experimental Station. p. 157-161.
8) Pankey, J. W., N. T. Boddie, J. L. Watts, and S. C. Nickerson. 1985. Evaluation of protein A and a commercial bacterin as vaccines against Staphylococcus aureus mastitis by experimental challenge. J. Dairy Sci. 68:726-731.

* Texto originalmente publicado na Revista Balde Branco, v.446, 2001.

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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ANGELA LUCRECIA SILVA GONÇALVES

CAMAÇARI - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/10/2010

Olá Clovis

Existe sim. O nome dela é Hipramastivac, vc pode encontrar na Confinar produtos agropecuários tel 75 36266610 ou 71 99919816

Grata
CLOVIS LAURINDO DA SILVA

PARAUAPEBAS - PARÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 11/09/2010

sou médico veterinário e gostaria de saber se tem alguma vacina contra mastite nacional. e qual é o resultado dela? onde comprar