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Novas estratégias para o tratamento da mastite bovina - parte 1

POR MARCOS VEIGA SANTOS

E TIAGO TOMAZI

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 02/04/2012

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Novas estratégias para o tratamento da mastite bovina – parte 1

Marcos Veiga dos Santos, Tiago Tomazi*, Juliano Leonel Gonçalves*


Introdução
O controle da mastite bovina tem como princípios básicos a redução de novas infecções intramamárias (IIM) e da duração dos casos existentes. Contudo, mesmo com rigoroso controle, é inevitável a ocorrência de novos casos de mastite. Nesta situação, a redução da duração dos casos de mastite pode ser realizada por meio da: a) cura espontânea, b) descarte de vacas com casos crônicos, c) tratamento durante a lactação, d) tratamento de vaca seca.

Uma das principais ferramentas para a eliminação de infecções intramamárias é o tratamento com antibióticos e antimicrobianos, os quais são ferramentas essenciais para o controle de mastite. O tratamento de IIM é a principal razão para uso de antimicrobianos em vacas leiteiras. Com o uso da antibioticoterapia, busca-se atingir pelo menos um dos seguintes objetivos: a) curar os casos de mastite clínica de maneira rápida e diminuir o desconforto do animal, b) reduzir as fontes de infecção de mastite contagiosa, c) retornar a produção leiteira normal, d) evitar a morte do animal em casos de mastite aguda.

De forma geral, a maioria dos casos de mastite que demandam tratamento com antibióticos são diagnosticados e tratados pelos próprios ordenhadores ou responsáveis pela ordenha, sem a presença do veterinário. Normalmente, os tratamentos são iniciados imediatamente após o início dos sintomas, sem prévio conhecimento do agente causador, pelo uso de protocolo pré-definido. Além disso, em fazendas comerciais a avalição da cura do caso de mastite é feita somente com base no desaparecimento de sintomas clínicos. Dessa forma, a definição de um protocolo de tratamento adequado para cada rebanho deve ser uma decisão a ser tomada em conjunto entre produtor e veterinário.

Existe limitado número de estudos científicos desenvolvidos com delineamentos apropriados para avaliação de tratamento de mastite. Isso ocorre em razão da dificuldade de obtenção de número de casos suficientes para comparação entre grupos, diferenças entre critérios de definição de cura e protocolos de coleta de amostras, dependência de ocorrência natural de casos em fazendas leiteiras e ausência de grupos controle (sem tratamento) em fazendas comerciais. No entanto, mesmo com a restrição do número de pesquisas sobre tratamento de mastite, os poucos estudos existentes podem fornecer informações úteis para os veterinários e proprietários na tomada de decisão sobre aplicação de tratamentos visando o aumento da taxa de cura da mastite bovina.

Fatores que afetam o tratamento da mastite
Os prejuízos causados pela mastite clínica incluem os custos de diagnóstico microbiológico, medicamentos, mão de obra, descarte de leite, redução da produção de leite em razão da mastite clínica e subclínica, descarte do animal ou perda do quarto, e risco de transmissão da infecção para outras vacas.

A eficácia do tratamento da mastite é dependente de fatores ligados à vaca (idade, estágio de lactação, status do sistema imune, histórico prévio de mastite clínica, contagem de células somáticas-CCS e número de quartos afetados), patógeno (patogenicidade e sensibilidade antimicrobiana) e tratamento utilizado (espectro de atividade da droga, via de administração, concentração no local da infecção e duração do tratamento). Entre os fatores associados ao sucesso da terapia, podem ser incluídos:

a) Tipo de patógeno causador: existe marcante diferença entre as taxas de cura de diferentes agentes causadores de mastite. A taxa de cura do tratamento de mastites causadas por S. aureus é baixa em comparação com IIM causadas por S. agalactiae, as quais respondem bem ao tratamento com antibióticos. Casos de mastite causados por patógenos ambientais apresentam taxas de cura variáveis. As taxas de cura variaram de 89% (Streptococcus uberis), 69% (Streptococcus dysgalactiae), 33% (Staphylococcus aureus) a 85% (estafilococos coagulase-negativa).

b) Duração da infecção: casos de longa duração (crônicos) apresentam menor taxa de cura do que casos recentes, principalmente para Staphylococcus aureus. Sendo assim, a identificação precoce do caso clínico de mastite e tratamento imediato aumentam a taxa de cura.

c) Vaca: o estágio de lactação, a idade e o histórico de ocorrência de mastite clínica afetam a probabilidade de sucesso da terapia. Vacas mais velhas e no final de lactação apresentam menor chance de cura que as em início de lactação. Em termos gerais, a probabilidade de cura bacteriológica é máxima (80%) para primíparas, com até 60 dias em lactação, com < 200.000 células/ml e sem histórico de mastite clínica. Em razão da maior probabilidade de cura em animais jovens, a idade da vaca deve ser levada em conta para definição do protocolo a ser usado, quando da tomada de decisão do uso de terapia nos animais velhos.

d) Gravidade da infecção: para casos de mastite de alta gravidade de sintomas clínicos, como dor, edema e sinais sistêmicos (febre, queda na ingestão de alimentos, dificuldade de locomoção, desidratação), a terapia durante a lactação é recomendada em função de risco da vaca morrer. Nesses casos, a identificação precoce dos sintomas e o uso de terapia de suporte são fundamentais para o sucesso do tratamento.

Protocolos para tratamento de mastite clínica

A gravidade dos casos de mastite clínica pode ser classificada em 3 diferentes escores: 1) leve, somente alteração do leite (grumos, coágulos); 2) moderado, alterações do leite e de sintomas no quarto afetado (inchaço, dor); 3) grave, além dos sintomas dos escore 2, a vaca apresenta sintomas sistêmicos (febre, desidratação, prostração).

Os critérios para definir o sucesso do tratamento de mastite são variados e difíceis de serem completamente estabelecidos, pois podem ser usados: a) cura clínica (eliminação dos sintomas), b) eliminação do agente causador (cura bacteriológica), c) redução da CCS (p.ex. < 200.000 células/ml após o tratamento). A cura bacteriológica é um critério mais objetivo do que a cura clínica e tem sido usado para a maioria dos estudos científicos, no entanto, em condições de campo este tipo de avaliação é impraticável.
Para a definição de um protocolo adequado de tratamento, após o diagnóstico inicial, recomenda-se a classificação do caso de mastite com base na gravidade dos sintomas (escores 1, 2 e 3) e a coleta de amostra para cultura microbiológica. O protocolo de tratamento a ser utilizado deve levar em conta a gravidade do caso, o tipo de agente predominante no rebanho e o histórico da vaca.

O tratamento durante a lactação é geralmente recomendado para todos os casos clínicos, tão logo sejam identificados antes da ordenha pelo teste da caneca de fundo preto. Para que a terapia com antibiótico tenha bons resultados, a droga deve atingir os locais da infecção no quarto afetado e manter concentração mínima inibitória por um período mínimo necessário para eliminar o microrganismo. A via mais comum para tratamento de casos de mastite clínica em vacas leiteira é a intramamária. Os tratamentos dos casos clínicos leves são feitos geralmente pela infusão intramamária de antibiótico de amplo espectro, em bisnagas descartáveis, destinadas ao uso em vacas em lactação por um período de pelo menos 3-4 dias. Recomenda-se ainda, que o tratamento seja continuado por mais 24 horas após o desaparecimento dos sintomas, uma vez que em muitos casos pode ocorrer apenas a cura clínica, mas não a cura microbiológica.

Streptococcus agalactiae é extremamente sensível a antibioticoterapia comumente usada por via intramamária com taxas de cura que variam entre 80 a 100%. Os princípios ativos mais recomendados para tratamento de Streptococcus agalactiae, são a penicilina, a cefalosporina, a cloxacilina e a eritromicina. Em rebanhos com alta prevalência de S. agalactiae, o tratamento de mastite subclínica durante a lactação é recomenda, utilizando-se a “blitz terapia” como ferramenta para erradicação desse agente, no entanto, deve ser feita a avaliação do custo:benefício desta medida para cada rebanho.

Por outro lado, a taxa de cura para tratamento durante a lactação de Staphylococcus aureus é de 25 a 30%. Dentre as razões para esse insucesso do tratamento de IIM causadas por S. aureus estão a demora para o início do tratamento, a escolha inadequada dos antibióticos, o curto período de tratamento, a resistência do microrganismo à droga, ocorrência de bactérias inativas ou metabolicamente inertes, contato deficiente entre a bactéria e o antimicrobiano em decorrência da formação de tecido cicatricial, a proteção dentro dos leucócitos, a difusão pobre da droga e a inativação dos antibióticos por componentes do leite e proteínas teciduais.
Vacas com menor produção de leite (< 9 kg/dia) apresentam maior período de eliminação de resíduos de antibióticos no leite. Da mesma forma, vacas com mastite também apresentam maior período de eliminação de antibióticos no leite, já que estas vacas apresentam redução da produção de leite e maior absorção do antibiótico na corrente sanguínea. Esquemas de tratamento para rebanhos com três ordenhas devem ser conduzidos em intervalos de 16 horas (ordenha sim, ordenha não).

Os testes de susceptibilidade antimicrobiana in vitro são normalmente utilizados para auxiliar na escolha do antimicrobiano para tratamento da mastite. No entanto, os resultados de estudos de avaliação de testes de susceptibilidade antimicrobiana in vitro (antibiograma) apresentam baixa correlação com o sucesso do tratamento de mastite clínica e subclínica. Desta forma, estes testes são de valor limitado para o desenvolvimento de protocolos de tratamentos de mastite. Um dos principais problemas de resistência antimicrobiana é a ocorrência de S. aureus resistente a penicilina, uma vez que as taxas de cura das cepas resistentes são menores que as das sensíveis.

Fonte: originalmente publicado em
SANTOS, M. V., TOMAZI, T., GONÇALVES, J.L. Novas estratégias para o tratamento da mastite bovina In: IX Congresso Brasileiro Buiatria. 04 a 07/10/2011, Goiânia-GO. Vet. e Zootec. 2011 dez.18 (4 Supl. 3) -. v.18. p.131 – 137, 2011.
*Mestrando do Programa de Pós-graduação em Nutrição e Produção Animal, FMVZ-USP

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

TIAGO TOMAZI

Médico Veterinário e Doutor em Nutrição e Produção Animal
Pesquisador do Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP

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DIANDRA

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 24/06/2019

Boa noite professor Marcos Veiga. Primeiramente parabéns por este e muitos outros artigos.
Tenho duas dúvidas a respeito de CCS: qual a probabilidade de cura espontânea de S. agalatiae durante a lactação? Tenho um animal que na coleta da Clinica do Leite do mês de abril apresentou ccs de 560, fizemos cultura, deu positiva para Pseudomonas spp. e S. agalatiae. Temos linha de ordenha, onde entram primeiro as sadias, depois vacas com Corynebacterium bovis, apos vacas com S. agalatiae e depois S. aureus. Na coleta do mês de junho essa vaca veio com ccs 98. Devo repetir a cultura?

Outra duvida : o leite coletado ainda quando colostro pode apresentar ccs alta mesmo sem existir nenhuma infecção intramamária subclinica ?
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 21/06/2019

Prezada Diandra, obrigado pela mensagem.

De forma geral, a chance de cura espontânea de Strep. agalactiae e Staph. aureus é baixa (cerca de 10%). Como a fazenda tem rotina de separação de vacas, o mais prudente seria repetir a cultura.

Sobre a CCS no pós-parto, o recomendável é coletar amostras somente após a 1a semana de lactação, pois nos primeiros dias de lactação a CCS pode estar alta, mas sem infecção intramamária, o que é reduzido após a primeira semana de lactação. Atenciosamente, Marcos Veiga
VILMA FUZZI DE OLIVEIRA

EM 12/12/2018

Dr Tiago médico veterinário venha por meio desta lhe passar um caso que aconteceu com uma vaca aqui na propriedade uma vaca de quarta cria após parir ela não esta liberando leite e o ubre inchou eu entrei com o medicação (diuson) e acitocina mas nada eu chamei o veterinario e ele disse não tem sinal de mastite e não entendo pois a vaca aparenta saúde. Isto já faz 10 dias hoje.
DANIELA ALVES DOS SANTOS

SANTA FÉ DO SUL - SÃO PAULO - TÉCNICO

EM 08/02/2018

Dr Marcos, gostaria de saber qual o intervalo que devo usar quando realizo um tratamento de mastite clinica mal sucedido com uma base de medicamento para iniciar outro com outra base?
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 08/02/2018

Daniela, esta é uma questão que depende do tipo do medicamento utilizado no 1o tratamento e no 2o. De forma geral, recomenda-se que os medicamentos não tenham efeito antagônico. De forma geral, inicia-se o segundo tratamento de forma imediata, desde que os medicamentos não tenham esta interação antagônica, Atenciosamente, Marcos Veiga
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 25/11/2017

Prezada Vanessa, não tenho conhecimento de qualquer estudo sobre uso de probióticos para mastite, atenciosamente, Marcos Veiga
VANESSA VIDAL PAULINELLI FREITAS

MINAS GERAIS - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 25/11/2017

Boa noite!!
O que você me fala sobre prevenção de mamite com Probióticos?
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 21/11/2017

Prezado Roberto, o CMT não é um teste confirmatório para determinar a cura da mastite clínica, pois o critério de cura da mastite clínica deve ser clínico (ausência de sintomas após o tratamento) ou cultura microbiológica negativa (14 dias após o tratamento). Em relação ao CMT, pode ser uma estimativa, mas não indica garantia de que houve ou não cura. O teste do CMT pode ser realizado entre 21 e 28 dias após o tratamento, atenciosamente, Marcos Veiga
ROBERTO ROCHA PAIXAO

CUIABÁ - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/11/2017

quantos dias após o tratamento da mastite posso realizar o teste CMT
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 22/09/2017

Prezado Wedipo, em relação a tratar ou não uma vaca com mastite, a recomendação geral seria tratar somente vacas com mastite clínica (ou seja com alteração visual do leite). Infelizmente, não posso fazer recomendação de tratamento e seria recomendável que um veterinário possa definir um protocolo de tratamento mais adequado. Atenciosamente, Marcos Veiga
WEDIPO NASCIMENTO RISSI

NESTOR GOMES - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/09/2017

Tudo bem doutor preciso saber se compensa tratar minhas vacas estão com leite aguoso e com pouca gordura também tem o mesmo cheiro de leite quando a vaca estava com mastite apresentando inxaso posso saber qual seria medicamento que poderia usar queria fazer exames mas não sei de nenhum laboratório proximo
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 11/08/2017

Prezado Dario, infelizmente, não é possivel fazer indicação de tratamentos para mastite. Sugiro procurar um veterinário para que possa auxiliar na decisão do melhor tratamento. Atenciosamente, Marcos Veiga
DARIO BRAGA ALVIM

GUARANI - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/08/2017

Prezado DR Marcos
Não sei se poderá me ajudar mas qualquer orientação muito lhe agradeço.
Tenho uma vaca doente e mandei analisar em laboratorio e foi encontrado a bacteria
KLEBSIELLA, não sei como tratar esta pneumoniae poderia me orientar?
Meu email.dario.alvim@gmail ,com
ATT. Dário
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 05/07/2017

Prezado Leonardo, a recomendação para coleta de amostra para cultura após o tratamento é de 14 dias após o término do tratamento (para fins de experimento). Se a coleta foi feita muito antes, podemos ter problema do efeito do resíduos do antibiótico.

Com relação ao tipo de protocolo a ser feito depois de um tratamento sem sucesso, vejo que pode-se ter duas condutas:
1) prologar por mais 1 ou 2 dias o mesmo antibiótico usado inicialmente (terapia prolongada);
2) mudar de antibiótico e iniciar novo protocolo;

As duas condutas podem ser usadas, mas isso depende do tipo de vaca e da causa da mastite. Infelizmente, não é possível fazer uma recomendação geral para todas as vacas, mas na minha opinião, uma possibilidade mais racional seria prolongar pois mais um ou dois dias o mesmo antibiótico antes de mudar de base.

atenciosamente, marcos veiga
LEONARDO GUIMARÃES

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS

EM 05/07/2017

Boa tarde professor.
Em relação a tratamento, é a seguinte dúvida. Se em um protocolo de tratamento bem elaborado não tivermos cura clínica após o fim deste tratamento, o que o senhor tem recomendado para o manejo da fazenda até que seja possível realizar coletas e análises? Persistir por mais alguns dias com os mesmos medicamentos? (por mais quantos dias?), mudar a base dos medicamentos imediato? esperar por cura espontânea e se não ocorrer voltar a tratar com outra base? Qual seria sua sugestão?
Obrigado.
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 08/02/2018

Prezado Leonardo, na grande maioria das situações de campo não temos qualquer informação sobre a bactéria causadora de mastite e portanto, a escolha dos medicamentos é feita com base no histórico da vaca e da uso eficácia prévia na fazenda. De forma geral, para situações nas quais não existe informações, a recomendação é usar um antibiótico intramamário de amplo espectro durante 3-4 dias, podendo estender até 6-7 dias, para os casos sem resposta durante o período de 4 dias.
Caso o primeiro protocolo não tenha resposta positiva, pode-se tentar um segundo protocolo com outra base de antibiótico.
O recomendável é coletar uma amostra de leite do quarto afetado antes do tratamento, para cultura microbiológico e direcionar futuros tratamentos. Atenciosamente, Marcos Veiga
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 09/05/2017

Prezado Joanir, minha recomendação é seguir a indicação da bula em relação ao número de bisnagas por dia, pois cada formulação tem características diferentes em relação a farmacologia do antibiótico e da formulação. Não seria recomendável alterar o número de ordenha que a vaca está submetida, somente para fins de tratamento de mastite.

Atenciosmente, Marcos Veiga
JOANIR JUNIOR

BOM JESUS DE GOIÁS - GOIÁS - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 09/05/2017

o que seria viável ordenhar o animal uma vez por dia e tratar com intra mamário?
ou ordenhar o animal e fazer o intra mamário e ordenhar ele duas vezes por dia ?
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 08/02/2018

Joanir, minha recomendação é manter o animal o regime de ordenhas que estava antes do caso clínico. Atualmente, existem medicamentos com recomendação de 1 bisnaga/dia, o que poderia ser usado para fazendas em 2 e 3 ordenhas e medicamentos com recomendação de multa de 2 bisnagas/dia (pode ser usado para rebanhos de 2 ordenhas). Atenciosamente, Marcos Veiga
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 22/02/2017

Prezado Pedro, entendo a situação e os problemas que a mastite causa aos produtores. No entanto, até hoje não temos uma medida única e que de forma isolada possa ser usada para controlar a mastite. A mastite é uma doença que não pode ser erradicada, mas sim deve ser controlada e prevenida, com um conjunto de medidas de higiene, mas que para funcionar devem ser usadas em conjunto.

Minha sugestão ainda seria contato com um profissional especializado em mastite para que possa auxiliar. Infelizmente, não tenho como fazer recomendações ou sugestões somente pela internet.

Atenciosamente, Marcos Veiga
PEDRO AURELIO VILLANI

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/02/2017

Fiz ambiograma, CCT e no meu caso é contaminação ambiental, já usei vacinação em todo o rebanho por duas vezes não resolveu. Já usei vários antibioticos indicados nos exames. Alguns resolvem, depois volta a rescindir. Agora transferi o curral de lugar para ver se acaba com essa praga. Utilizo de todos os protocolos pre dipping, pos dipping, lavagem de teteira em agua com cloro. Já utilizei de antibioticos de 4 geração e nada. Os casos de reinscidencia continuam e o pior estou perdendo bico de vaca. Já contratei assistência de dois veterinários e nada de solucionar o problema.
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 05/02/2017

Prezado Júlio,

Respondendo às perguntas:
1) caso a vaca não tenha sido tratada com antibiótico, a amostra de leite pode ser coletada. O problema seria ser for feito um tratamento com antibiótico;
2) Temos no mercado uma vacina conjunta (S. aureus+ coliformes). Pode ser usada, caso o seu interesse seja uma proteção contra os dois tipos de agentes causadores. A vacina é uma ferramenta auxiliar e não deve ser usada com única ferramenta de controle.

Atenciosamente, Marcos Veiga
JULIO CESAR SOUZA FARIA

PIRACANJUBA - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/02/2017

Boa tarde Marcos,

tenho identificado em algumas situações na fazenda.
1- mastite com edema no quarto mamário, e dentro de dois dias presença de leite "ralo" quase uma agua suja. nesta situação posso realizar a coleta do material para cultura? na maioria destas situações o animal perde o teto.
2- de acordo com as culturas já realizadas, foram identificados agentes ambientais (streptococcus spp.) e contagiosos (s. aureus). Qual vacina devo usar? Posso utilizar vacina para coliformes e para agentes contagiosos num mesmo animal, ao mesmo tempo?

Obrigado desde já.
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 08/02/2018

Julio Cesar, respondendo as questôes:
1)Sim, pode ser coletada a amostra do leite, mesmo que tenha alterações (grumos, coágulos, pus, leite aguado, etc). O animal pode ou não perder o teto, mas isso vai depender do tipo de bactéria e da capacidade de resposta da própria vaca.
2) somente temos vacinas contra mastite causada por S. aureus e E. coli. Caso o rebanho tenha alta prevalência destes dois agentes, a vacinação pode ser uma ferramenta auxiliar de controle, mas não deve ser a única. Atenciosamente, Marcos Veiga
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 19/01/2017

Prezado Pedro,

Pela sua descrição, a fazenda necessitaria de auxílio de especialista que possa implantar um programa de controle de mastite, que não tenha foco somente em tratamento e sim na identificação dos fatores de risco da doença que são específicos para a fazenda.

O problema específico da fazenda pode ser controlado com um conjunto de medidas que para serem implantadas necessitam de um profissional capacitado que possa interpretar as informações (culturas, índices de mastite, CCS individual, protocolos de tratamentos, secagem, pós-parto, ambiente).

Infelizmente, não existe uma receita ou medida única que possa ser aplicada de forma isolada e sim de forma conjunta.

Atenciosamente, Marcos Veiga