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Normatização de equipamentos de ordenha

Fabiano Amaro1

O número crescente de instalações de equipamentos de ordenha, nos últimos anos, demonstra tratar-se de um processo irreversível na modernização da atividade pecuária. Os benefícios dessa tecnologia já são bem conhecidos: redução na mão-de-obra da ordenha e melhoria na qualidade do produto final.

Convém, entretanto, observar que quando se afirma que "...em torno de 6 a 8% dos produtores de leite do Brasil têm equipamento de ordenha...", esse índice não corresponde à realidade. O número de equipamentos vendidos, anualmente, em todo o País, indica um percentual muito maior. Basta considerarmos o total de leite coletado, do qual 20% dos produtores são responsáveis por aproximadamente 40% da produção. Além disso, são muitas as importantes bacias leiteiras do País que coletam mais de 70% do leite através de equipamentos de ordenha. Veja na Tabela 1, números estimados da realidade atual em relação aos equipamentos de ordenha instalados.

Tabela 1: Equipamentos de ordenha no Brasil



Observe-se, contudo, que o mercado ainda é extremamente básico. A grande maioria das propriedades permanece no sistema balde ao pé, o que representa, aproximadamente, 76% do total de equipamentos instalados. Este segmento, devido à sua representatividade, deve ser subdividido em duas categorias: balde ao pé de uma a duas unidades de ordenha (RS/Oeste Santa Catarina/PR), e balde ao pé de três a seis unidades de ordenha (MG/GO, principalmente).

Das normas e fundamentos

A normatização de equipamentos de ordenha já está bastante difundida e utilizada na Europa, Estados Unidos, Oceania e, mais recentemente, na América do Sul. Em meados do ano 2000, após inúmeras tentativas, finalmente foi formado, no Brasil, um grupo de representantes de produtores, associações, empresas do setor e entidades de ensino e pesquisa para estudar o assunto e propor uma definição das normas técnicas para equipamentos de ordenha.

O primeiro passo foi determinar "normas de referência" fundamentadas em estudos previamente comprovados. Assim sendo, avaliaram-se as normas existentes no mundo atualmente: AMMTA (Austrália); UNE (Espanha); ASAE (USA); ISO (Europa); Optitraite (França); IMQCS/TEAGASC (Irlanda) e MPTA (Nova Zelândia).

Cada uma dessas normas é subdividida em outras três sub-normas, de acordo com a aplicação de cada tema:

1) Terminologia: possibilitará o uso de uma terminologia uniforme e comum em relação aos componentes de um determinado equipamento.

2) Funcionamento e dimensionamento: um documento elucida os padrões e normas a serem adotadas para o correto funcionamento e dimensionamento.

3) Testes de aferição e checagem: descrição detalhada dos testes recomendados e sua realização, a fim de que se possa ter uma posição clara a respeito do correto funcionamento (ou não) do equipamento.

Em seguida, determinou-se que a "norma-referência" a ser adotada para o trabalho a ser desenvolvido no Brasil seria a ISO. Acordou-se ainda que, para as respectivas sub-normas, também seria utilizada a ISO, conforme descrito na tabela 2.

Tabela 2: Fundamentos das "normas-referência" e sub-normas utilizadas na definição das normas brasileiras de equipamentos de ordenha:



1) Sub-Norma Terminologia:

Todos os componentes estão, agora, definidos em seus respectivos nomes, evitando-se, assim, qualquer tipo de mal-entendido. Seguem abaixo alguns nomes convencionais:

Equipamento de Ordenha:

Conjunto de equipamentos com funções distintas que, uma vez conectados entre si, dimensionados adequadamente e de acordo com normas específicas, resultam em um sistema ideal de ordenha mecânica.

Unidade de ordenha:

Também um conjunto de componentes do equipamento de ordenha, necessários para ordenhar um único animal e que pode se repetir em uma instalação de forma que mais de um animal possa ser ordenhado de uma só vez.

A unidade de ordenha inclui: um conjunto de ordenha, mangueira do leite, mangueira longa de pulsação, pulsador , eventualmente, garrafão medidor e outros acessórios individuais.

Conjunto de ordenha:

Composto de copos de teteiras e coletor

Copo de teteiras:

Constitui-se de copo, teteira e mangueira curta de pulsação. Pode incluir mangueira curta de leite e um conector, ou visor.


Extrator automático de teteiras:

Dispositivo que corta o vácuo da ordenha, automaticamente, em função do fluxo de leite e/ou do tempo, no conjunto de ordenha e o remove.

Tipos de Equipamentos de ordenha:

a) Móvel:

Equipamento montado sobre estrutura móvel, na qual o leite flui de um ou dois conjuntos para dentro de um recipiente ligado ao sistema de vácuo.

b) Equipamento de ordenha balde ou latão ao pé :

O leite flui de um ou mais conjuntos de ordenha para dentro do recipiente de coleta.

c) Equipamento de ordenha canalizado:

O leite flui do conjunto de ordenha para dentro da tubulação, que tem dupla função de fornecer vácuo na ordenha e transportar o líquido para a unidade final.

d) Equipamento de ordenha com garrafão medidor de leite :

O leite flui do conjunto de ordenha para dentro de um garrafão medidor, sob vácuo, a partir da tubulação de vácuo de ordenha.

Quando necessário, o produto é descarregado do garrafão medidor para a unidade final, através de uma tubulação de transporte do leite.

Vácuo:

Qualquer pressão abaixo da atmosférica, especificada como a "redução abaixo da pressão atmosférica ambiente." Exemplo: vácuo de 50 kPA sob pressão atmosférica de 103 kPA, significa pressão absoluta de 53 kPA.

Vácuo nominal :

Especificação de vácuo dada pelo fabricante.

Melhores locais para a verificação do vácuo nominal :

- Equipamento de Ordenha móvel e na de balde ou latão ao pé: na tubulação de vácuo próxima ao regulador.

- Canalizada : próximo à unidade final.

- De garrafão medidor de leite : na tubulação de vácuo de ordenha.

Vácuo de trabalho:

É o vácuo médio medido em um determinado ponto de teste para condições específicas de teste.

Vácuo médio: média aritmética de todos os valores de vácuo registrados na coleta automática de dados. Em uma impressora de curvas, o vácuo médio é a área abaixo da curva de vácuo, dividida pela duração do período de medição.

Queda de vácuo: diferença no nível de vácuo entre dois pontos quaisquer em um sistema, medido como a diferença no vácuo médio, ou, conectando-se o transdutor, ou vacuômetro aos dois pontos.

Vácuo na teteira: vácuo na ponta do teto, para condições específicas do líquido e do fluxo de ar.

Vazão da bomba de vácuo:

Volume de ar retirado pela bomba de vácuo quando esta atinge a temperatura de trabalho, a uma determinada rotação e nível de vácuo na sua entrada. A capacidade da bomba de vácuo é expressa em volume de ar livre por minuto (l/min).

Reserva efetiva:

Fluxo de ar (l/min) que pode ser admitido em :
- ordenhadeiras canalizadas ao nível ou próximo da unidade final ;
- nas com garrafão medidor de leite, próximo do aerador, ou,
- em ordenhadeira móvel ou de balde ou latão ao pé, na tubulação de vácuo

2) Sub-norm0a Funcionamento

Esta norma consiste em todos os cálculos referentes ao dimensionamento da bomba de vácuo, tubulação de vácuo principal, dos pulsadores, do leite e de limpeza, regulador de vácuo, unidade final, depósito de segurança, aerador e demais componentes do equipamento de ordenha.

O comitê de equipamentos do Conselho Brasileiro de Qualidade do Leite (CBQL) estará elaborando um manual prático, de maneira clara e objetiva, indicando os dimensionamentos dos equipamentos.

3) Sub-norma Testes padrões de aferição e checagem

Todos os testes referentes aos procedimentos de checagem dos equipamentos estão descritos nesta sub-norma. Assim, se poderá ter um padrão tanto para os testes como para verificar o correto funcionamento dos equipamentos de ordenha.

Por exemplo, a checagem do volume efetivo da unidade final. Para tal, recomenda-se :

1) Se houver um controle automático para o dispositivo de transferência, este não deverá estar em funcionamento durante o teste.

2) Ajustar o nível de vácuo na unidade final ao nível de vácuo de trabalho de 50 kPa.

3) Encher parcialmente a unidade final com água.

4) Ativar manualmente o dispositivo de transferência até que não haja mais fluxo de água.

5) Desativar o dispositivo de transferência e encher a unidade final até o nível de líquido estar em linha com o fundo das entradas mais baixas da unidade final.

6) Ativar manualmente o dispositivo de transferência e coletar a água da tubulação de transferência até que não haja mais fluxo de água. Este volume de água será o volume efetivo da unidade final.

Outro teste, também importante, é a verificação da perda de vácuo no regulador. Para isso, recomenda-se :

1) Com o equipamento de ordenha operando em conformidade com os demais testes, conecte o medidor de fluxo de ar, com uma conexão de mesmo diâmetro, ao ponto de conexão A1 (ver NBR ISO 3918, figuras 1, 2 e 3) conforme especificado na NBR ISO 5707, sem qualquer fluxo de ar através dele. Um medidor de vácuo deverá ser conectado ao ponto de conexão Vr (ver NBR ISO 5707).

2) Registre este nível de vácuo como sendo o nível de vácuo de trabalho do regulador

3) Reduza o nível de vácuo em 2 kPa abrindo o medidor de fluxo de ar e registre o fluxo de ar.

4) Interrompa o fluxo de ar através do regulador.

5) Abra o medidor de fluxo de ar e reduza o nível de vácuo ao mesmo nível, e registre o fluxo de ar, calculando posteriormente diferença entre os fluxos de ar.

As três sub-normas brasileiras já estão prontas. Mais importante que tudo, é o fato de o setor produtivo do leite ter um instrumento com "poder de polícia", que lhe assegure um mercado de bons equipamentos, instalados e funcionando corretamente, fatores de fundamental importância para o sucesso e sustentabilibade da pecuária leiteira nacional.


Comentário MilkPoint: O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento submeteu à Consulta Pública o Regulamento Técnico de Equipamentos de Ordenha - clique aqui para ver a Portaria.
__________________________________
1Presidente do Comitê de Equipamentos do Conselho Brasileiro de Qualidade do Leite e da Bosio Brasil

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